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sexta-feira, janeiro 18, 2008

A terceira fita de 2008 - Frida

A história é impressionante. Haverá poucas histórias assim: impressionantes e verídicas. Tenho para mim que fazer um bom filme biográfico é bem mais dificil do que fazer um bom filme de outro género qualquer. O que conta não é só a produção, o argumento, o elenco, a caracterização, ou mesmo os efeitos especiais. O que conta é a capacidade do realizador (neste caso, realizadora) de entrar na pele do sujeito retratado, comprendê-lo, compreender o seu universo, e conseguir transmitir isso, directamente ou não, para o espectador. Julie Taymor, realizadora pouco conhecida em Hollywood, conseguiu isso muito bem. As fusões da realidade com as pinturas de Frida estão fabulosas. Tão subtis que, apesar de vermos um ou outro pestanejar, continuamos na dúvida se serão os actores ou ainda é a tela de Kahlo. As cores saturadas, os vermelhos, os amarelos, os azuis fortes, proliferam naquele México tanto quanto proliferam nas obras de Frida. Ao longo do filme, ao conhecermos o seu mundo, temos a sensação de estar sempre a olhar para os seus quadros, e no fundo é isso mesmo que está a acontecer. Á medida que vamos conhecendo esse mundo, vamos percebendo que o filme não passa de uma pintura de Frida em movimento. Uma vida de extremos, carregada de sofrimento, dor, alegria e amor. Salma Hayek está esplendorosa, diga-se de passagem. Molina está muito bem também, parece um bom gigante mas basta atacar o socialismo Marxista que ferve num instante e vai para a cama com todo o rabo de saias que apanha. Frida também. Enfim...

Apesar de ter usado poucas palavras para caracterizar este filme acreditem que este é daqueles indispensáveis. Não só como documento histórico, mas também artístico: a incrível história de uma das melhores pintoras do Mundo contada por uma das melhores contadoras de histórias do Mundo(*). Leva 5 em 5 e não se fala mais nisso.


(*) Apesar de não ter visto mais nenhum filme de Taymor. No entanto agora está na minha lista de prioridades.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Descubra as diferenças













O da esquerda é Geoffrey Rush (o Barbossa do Piratas das Caraíbas), o da direita é James Woods (o famigerado advogado Sebastian Stark na série Lei do Mais Forte). Acreditem ou não, até anteontem pensava que eram a mesma pessoa. Hoje, finalmente tirei as teimas. E em boa hora o fiz: tenho dormido mal, como se tivesse uma espinha atravessada no cérebro. Talvez seja disto. Espero bem que seja disto.


segunda-feira, janeiro 14, 2008

A segunda fita de 2008 - Barry Lyndon

O filme é velho, de 1975, e o romance original ainda mais, de 1844. Mas não se nota. A história da ascensão e queda de Redmond Barry Lyndon podia ser adaptada a qualquer época histórica e filmada em qualquer altura, desde que fosse realizada, como foi, por Stanley Kubrick, que transforma uma história mediana em algo que roça o excelente. A história é simples: jovem de média classe aspira às altas esferas da sociedade, e, apesar de conseguir lá chegar, não consegue manter o estatuto. O filme está mesmo dividido ao meio com a a palavra "Intermission". A primeira parte trata da ascensão, a segunda da queda. Como disse, uma história mediana. O que me fascinou no argumento foram as personagens e o elenco escolhido para as representar. Não há personagens boas nem más. Todas têm as suas razões para fazer o que fazem e, se num momento (por exemplo) podemos censurar Barry por ter espancado o seu enteado, no momento seguinte apetece-nos fazer o mesmo (ver video abaixo). O que me agradou no elenco é que não há gente demasiado bonita. As personagens demasiado bonitas são inverosímeis, e Kubrick sabe disso. Na verdade conseguiu uma perfeita sintonia entre personagens e intérpretes.



Inspirado pelos pintores da época, Kubrick, compôs cenários campestres tão assombrosos como simples e naturais. Tira partido das linhas rectas dos luxuosos palácios do século XVII para transmitir, ora a solidão e inutilidade de um palácio gigante ocupado por uma mão cheia de pessoas, ora a opressão que toda aquela opulência e futilidade faz cair sob o ombro das personagens. Reza a lenda que Alcott, o director de fotografia, terá encomendado um conjunto de lentes especiais à NASA que lhe permitissem filmar uma cena apenas com luz de velas. Não consegui confirmar a veracidade disto (o que sei veio da Wikipedia), o que é certo é que essas cenas estão muito bem filmadas, tão bem filmadas que é quase possível sentir o cheiro adocicado da cêra quente. E quem usa tão bem a luz também sabe usar o som. Joga mais com os silêncios do que com banda sonora, atirando a "realidade" da acção à cara do espectador, mantendo-o bem acordado e atento apesar da fleuma que caracteriza este tipo de romance.

Em suma, é um excelente filme, mas não sublime, simplesmente porque há poucos filmes sublimes e este não é um deles. Não é indispensável, mas é muito, muito interessante, ainda para mais para um aprendiz de fotógrafo. A Time diz que é um dos 100 melhores de sempre e a Academia deu-lhe quatro Oscares. Bem, não tenho razões para discordar.

Leva 4,5 de 0 a 5.

terça-feira, janeiro 08, 2008

A primeira fita de 2008 - Delírios

Digamos que é uma espécie de filme de sábado à tarde mas melhor. Muito melhor. Michael Pitt, na pele do jovem sem-abrigo Toby, muito natural e honesto, a deixar-se levar ao sabor dos acontecimentos a partir do momento que conhece o não tão honesto paparazzo (pois é: paparazzo é o singular de paparazzi, senhor realizador) Les Galantine (Steve Buscemi). E esse sabor dos acontecimento é tão frenético que num dia Toby está a beijar um cartaz de K'harma, a Britney Spears da história, e no outro está num minúsculo jacuzzi com ela. O que é interessante é que isto acontece quase sem darmos conta, de tão natural e verosímil que é. Pode acontecer a qualquer um... Que seja tão bem parecido como Pitt, claro. Em suma: um conto de fadas à século XXI, mas bem contado, sem grandes artifícios, sem aquela histeria colegial e infantil que polvilha os "clássicos" de sábado à tarde. Portanto, apesar de não ser algo brilhante, vale a pena ver. Além do mais, tem Gina Gershon que é uma espécie de vinho do Porto já com uns aninhos em cascas de carvalho. Nham nham!

Leva, vá, 3 estrelas em 5 possíveis.