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segunda-feira, maio 19, 2008

E agora o Acordo Ortográfico: Propostas

Após um exaustivo estudo da língua portuguesa (com ínsones elucubrações, litros e litros de cafeína e espirros convulsivos provocados pela fauna e flora bibliotecária), e porque estamos à beirinha de assinar um Acordo Ortográfico manhoso, vejo-me na obrigação de propôr algumas alterações além daquelas já propostas pelos meretíssimos catedráticos "palopianos".


Uma dessas pertinentíssimas alterações que proponho, do alto da minha condição de falador de português há mais de 25 anos, é a da palavra "professor". "Professor" não dá jeito. É comprida, e um "éfe" a meio de uma palavra é como um degrau a meio de uma maratona dos para-olímpicos: só atrapalha. É demasiadamente usada e tem a inútil particularidade de ser um título usado antes do que se quer realmente dizer. Além do mais, os maiores utilizadores desta palavra são inerentemente os alunos, que nalguns casos optam por chamar o professor de "setôr" (variável canastrona de "senhor doutor"), estando na grande maioria das vezes errados. O que proponho eu, então? Nada mais do que mudar a palavra escrita para a palavra falada: trocar a palavra "professor" por "prossôr", com ou sem acento circunflexo, dependendo das condicionantes do famoso Acordo. Assim, e seguindo a mesma linha de raciocínio, podemos, e devemos, já que estamos numa de modernizar a língua, mudar a palavra "televisão" para "tuvisão", ou mesmo "programa" para "pugrama", e por aí adiante. É o pugresso, meus caros. É o pugresso.

terça-feira, maio 13, 2008

He's back, Rochemback!


1) Este já está. Falta o Pauleta (!), o Viana e o Caneira. Estou com curiosidade de ver o primeiro finalmente vestir a camisola de um dos "grandes" e não estou minimamente preocupado com a eficácia do homem - depois de Alecsandro, Bueno, Purovic e Tiui só se pode melhorar. Quanto aos outros dois, já era mais que tempo de voltarem para casa e ver se ainda sabem jogar à bola. O tempo passa, não estão cada vez mais novos, o dinheiro não é tudo na vida e, por mais confortáveis que sejam os bancos de suplentes, onde domingo após domingo sentam os vossos rabinhos, ao Sporting fazem falta dentro das quatro linhas. Muita falta. Sobretudo se Moutinho e Veloso emigrarem.


2) A inominável tortura que foi este campeonato finalmente acabou. Porto campeão, Sporting o eterno segundo e Benfica ainda sem argumentos para os ultrapassar. Rui Costa despede-se e deixa o futebol português muito mais pobre e o Benfica com mais inteligência nos corredores do seu politburo. Guimarães, recém-regressado à primeira liga ficou a morder os calcanhares aos "grandes" e está de parabéns, juntamente com aquela criatura que se dá pelo nome de Manuel Cajuda (grande treinador de pequenos clubes). Boavista, campeão em 2001 desce de divisão por ordem do tribunal, enquanto o F.C.P. perde 6 pontos que, por via de Lisandro Lopez e Quaresma, não lhe fazem falta nenhuma. Areia nos olhos dos ingénuos. Não, caros amigos, apesar disto dos Apitos Dourados e Finais, ainda não se fez justiça no futebol. Ah, pois é.


3) Não sei explicar, mas tenho um fascínio desmesurado pelas pré-épocas. As caras novas, as que regressam, as que partem, os novos sistemas, as experiências, as promessas. Isso fascina-me. Prefiro uma pré-época à época de jogo. Prefiro o defeso invernal às semi-finais da Taça. Prefiro o Torneio do Guadiana à Taça da Liga. Não sei explicar, não sei. A verdade é que, para mim, agora é que vai começar a "bola".


terça-feira, maio 06, 2008

Ah, as modernices #2

Via-a no supermercado na secção da miudagem a escolher uns livros pequeninos. "Vais pintar isso tudo?" - provoquei eu apontando para o monte de cores. "Não, é para o J. E não são livros para pintar, pá, são livros para colar autocolantes" - respondeu ela.


Bem, na minha altura havia uma empresa chamada Panini. Graças a ela entrei nas minhas primeiras escaramuças e birras de coleccionador. Exigia nada mais que uma carteira de cromos por dia aos meus progenitores e acrescentava "se podes fumar também posso ter cromos". E bem antes dessa febre autocolante havia os livros para colorir. Tinha-os às dezenas. Pintei quilómetros de arabescos, umas vezes fora das linhas do desenho, outras bem alinhadinhas e outras vezes ainda houve em que o oleado da mesa da cozinha ficava um autêntico Pollock. Depois experimentava diferentes maneiras de pintar mais depressa e sem gastar tanta tinta (sempre fui um amante dos feltros da Molin) e até com as duas mãos. Ainda me lembro do dia em que percebi - ninguém até então me tinha explicado - que as nuvens não eram azuis, mas sim o pano de fundo das ditas cujas. Já foi há muito tempo, porra.


Imagino que a malta da minha geração, pelo menos os que decidiram ser pintores ou desenhadores, tenham começado com esses mesmos livros que eu devorava.
Já os miúdos de amanhã, e graças a estes inovadores cadernos de cromos, aposto que darão excelentes coladores de selos nos CTT. Mas pelo menos as santas mãezinhas deles terão sempre as mesas e as paredes de casa imaculadas, sem um único risco dos inomináveis feltros Molin.

terça-feira, abril 29, 2008

Disclaimer n. 43.819.079

Aqui à atrasado (adoro esta expressão) publiquei um texto a exorcizar todo o azedume que tinha atravessado na garganta sobre a atribuição de um chorudo prémio a um tipo que cortou limousines ao meio e virou crateras ao contrário. Confesso: fui um bocado injusto, tanto com o Miguel Soares (o tipo em questão), como com o juri do tal concurso (BESPhoto). Com o primeiro talvez tenha sido demasiado ignorantemente intempestivo, já com o segundo fui algo benevolente. Eu explico. Talvez Miguel Soares seja mesmo um valente artista. Não dos melhores que já vi, mas não tão mau como eu dava a entender no supracitado texto. É um manipulador de imagens muito competente e um animador gráfico exemplar e tudo e tudo. Pronto, já elogiei o jovem. O que não percebo é como alguém escolhe a série retarC e a série Liine em detrimento das séries Mosaic e Palindrome - estas sim, são daquelas coisas de artista passíveis de provocar um certo grau de embasbacamento a quem as visiona.

Agora a sério: Miguel Soares sabe o que faz. Nota-se já anda nisto de ser artista há tempo suficiente para não ter aquela arrogância estúpida de miúdos que acham que sabem tudo sobre tudo e desatam aos tiros contra tudo - tudo, tudo não, apenas contra algumas coisas - o que não entendem.
Já agora, quero agradecer ao João Caeiro que deixou o seguinte comentário ao tal texto do azedume "http://migso.net/". Só não sei o que ele queria dizer com isto: se era um irónico "Se achas isso, hás-de ver o resto" ou um estalo do género "Opá, tu cala-te e aprende". Seja como for, obrigado João.

Mesmo assim, e se estivesse no lugar dele - do Miguel Soares -, penduraria uma ampliação do tal cheque na minha sala com a inscrição "Ganhei isto sem sair de casa e só mexi a mão direita".

terça-feira, abril 22, 2008

Elevando o Nível Intelectual com... Diego Rivera

O Homem, Controlador do Universo - Palacio de Bellas Artes - Cidade do México, México


Nascido Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez, foi pintor (especialmente muralista), comunista (especialmente revolucionário), amante (quem viu o filme Frida sabe do que falo) e bebedolas na quinta casa (viva la tequilla). Pintou mais de quatro quilómetros quadrados de murais um pouco por toda a América, com especial incidência no seu México natal, é claro. Provocou a fúria dos comunistas russos porque se envolveu em políticas anti-soviéticas e pôs Nelson Rockefeller a espumar da boca quando pintou Lenine num mural que ainda hoje era suposto colorir o hall de entrada do seu Rockefeller Center em Nova Iorque. O mural representado ali em cima é, aliás, um remake do mural que Rockefeller mandou destruir por Rivera não querer apagar Lenine. Foi acima de tudo um revolucionário de idéias próprias. Uma autêntica raridade, portanto.


As Mãos Da Natureza Oferecendo A Água (Água. Origem da Vida) - Parque Chapultepec. Cidade do México, México (Central hidráulica de elevação de águas)


O uso de cores berrantes punha-o ao lado dos milenares artistas aztecas, ao passo que as figuras de contornos simples e fortes atirava-o para a Europa cubista/impressionista dominada por Pablo Picasso, Paul Cézanne e Georges Braque. Pintou quase sempre em mural porque achava que a Arte era algo demasiado bom para ficar fechado em galerias ou colecções inacessíveis para a maior parte das pessoas. A Arte seria para todos e não para alguns.
Foi um dos maiores e mais controversos artistas contemporâneos. Morreu em 1957 e deixou-nos centenas de coisas como estas que aqui vêm. Há coisas fantásticas não há?



Pintando um Fresco, Mostrando A Construção De Uma Cidade - San Francisco Art Institute, San Francisco (E.U.A.)

segunda-feira, abril 21, 2008

Leiria 4 - SCP 1: As bestas que há 4 dias eram bestiais e vice versa.

Bom, se é para perder é para se perder como deve de ser! Assim, com quatro bujardas no focinho, isso é que é perder à homem! Abomino quem perde por um golo. Abomino. Significa que a equipa perdedora podia ter empatado e só não o fez porque é suficientemente incompetente para se deixar perder pela margem mínima. Quem está a perder um jogo tem que se lançar para a frente para dar a volta ao resultado mesmo correndo o risco de papar com mais um ou dois. Foi isso que a lagartagem fez ontem e na quarta-feira. Com resultados completamente díspares, é certo. Enfim... That's life.

Por outro lado acho um piadão monstruoso a equipas como a União de Leiria, cuja existência tem como razão máxima 4 jogos por temporada: contra o Sporting e contra o Benfica. Perdem com Desportivo das Aves, Boavista, Leixões e quem mais vier, mas chega o Sporting ou o Benfica e eis que os leirienses levantam a cabeça e jogam como os homens. Acho que devia ser feito um estudo qualquer sobre este tipo de comportamento bizarro.



P.S.: Este está a querer que lhe aconteça o que aconteceu ao outro "iluminado" da opinião pública chamado Rui Santos. Ai está está!

sábado, abril 19, 2008

Novidades na Galeria

Para muita gente não é segredo nenhum: tenho uma paixão assolapada pela Sónia Tavares dos The Gift. Não sei se é a expressividade ou a voz, a verdade é que a rapariga caiu-me no goto logo depois de ver a primeira versão do videoclip de Ok, Do You Want Something Simple?. Sim, existe uma primeira versão, esta é a segunda. Já agora, se alguém souber onde poderei arranjar essa primeira versão que me diga, sim? Oferece-se recompensa. Como eu estava a dizer, a rapariga caiu-me no goto há muito tempo e agora, finalmente, lá consegui sacar-lhe umas fotografias decentes. Sei que haverá mais oportunidades, mas por enquanto contento-me com estas. Aos interessados em verem essas tais fotografias, é só clicar ali ao lado, no botão da Galeria.

Disclaimer: Estava a cerca de 30 metros de distância, com a luminosidade típica de concerto, e com a minha 70-300 com f/3.5 esticada ao máximo - o que fez subir o f/stop até 6.3 -, ISO 400 e uma velocidade de 1/100 ou 1/60 de segundo. Estarem a ver qualquer coisa já é por si só um quasi-milagre.

sexta-feira, abril 18, 2008

BESPhoto, ou como desperdiçar dinheiro dos accionistas

Tenho para mim que os concursos de fotografia, segundo os parâmetros mais usados, são uma autêntica treta. Antes de mais, e porque dependem do julgamento de um punhado de pessoas escolhidas para esse efeito, são subjectivos. Não duvido que haja por esse mundo fora muito juri sem gosto estético nenhum, ora, sendo o próprio gosto subjectivo, qualquer escolha é, portanto subjectiva. Depois porque, quer queiramos quer não, há influências de lobbys. Sejam esses concursos de pequena ou grande dimensão, o lobby está lá para apadrinhar e dar palmadinhas no rabo a um ou dois concorrentes "especiais".


Recentemente, num concurso chamado de BESPhoto, foram atribuídos 25 mil euros a um conjunto de fotografias de crateras viradas ao contrário e mais umas de limousines. As fotografias das ditas crateras nem sequer foram tiradas pelo artista vencedor (segundo o próprio, alugar um helicóptero para fotografar as crateras teria sido um desperdício de meios - então o que será dar 25 mil euros a um gajo destes?!) e não sei se as das limousines o foram. O que importa aqui é que o vencedor, que apesar de ter um curso de fotografia não pratica, arrebanhou 25 mil euros a outros que fotografam, em trabalho ou por simples gozo. Este texto explica melhor esta situação. Claro que esta causa "pseudoartística" tem apoiantes. Há quem diga que o convencional é aborrecido e que as fotografias em causa são tudo menos convencionais; que o concurso em causa não é um World Press Photo e portanto não estava a concurso a fotografia documental. Tudo bem. Querem fotografia não documental e pouco convencional? Então tomem lá: Cristina-O. Por exemplo. E se nos passearmos pelo deviantArt, 1000imagens ou Olhares vamos encontrar centenas ou mesmo milhares de artistas assim, não documentais, pouco convencionais e bem mais... enfim, artistas. Então porquê doar - porque considero uma doação e não uma atribuição - 25 mil euros a um gajo que saca fotos do Google e as vira de cabeça para baixo?! Se é para continuar com essa palhaçada, uma vez que já é a quarta edição, mudem o nome do concurso para, sei lá, BESPseudoPhoto ou algo do género.



Não é novidade nenhuma, tenho algumas fotografias minhas - tiradas por mim - emolduradas e penduradas no meu quarto. Por vezes, não tantas vezes assim, olho para elas e digo para mim mesmo "porra, pá, tu até tens jeito para esta merda". Pergunto-me se Miguel Soares (o tipo em quem tenho estado a descascar) tem alguma dessas crateras emoldurada e pendurada na sala. Imagino que não. Creio piamente que no lugar das "suas" fotografias deve ter antes uma ampliação do tal obeso cheque.
Era o que eu fazia.

quinta-feira, abril 17, 2008

The Gift + Orquestra Metropolitana de Lisboa, cortesia da CGD


Pelos vistos os bancos não servem só para depositar dinheiro, também servem para organizar bons concertos. Este foi um desses casos. Apesar de ser de entrada livre, o aparentemente simples acto de reservar bilhetes para o dito espectáculo tomou contornos épicos (lugares muito limitados e uma expectante audiência), mas a coisa lá se arranjou. A sala do dito não também augurava um grande concerto: a Arena de Évora, ao contrário do Campo Pequeno, não é tão versátil ao ponto de permitir grandes espectáculos musicais. Mesmo assim lá fomos. Orquestra no sítio. Entram os Gift e siga a música.

Poder-se-ia pensar que o facto dos Gift se terem juntado a uma orquestra era um óbvio sinal da exaustão da banda, ao estilo de Xutos & Pontapés, G.N.R, Scorpions e derivados. Mas não. Neste caso em particular não foi uma orquestra adaptada aos Gift, mas sim uns Gift diferentes, orquestrados, como uma extensão erudita do estilo demarcadamente pop-electrónico do grupo de Alcobaça. Quero com isto dizer que The Gift e a OML combinam tão bem como um CD de Postishead numa noite chuvosa enquanto se conduz languidamente por uma estrada deserta, ou pelo contrário, um concerto de Jamiroquai numa tarde de sol. E foi mesmo assim, dependendo das diferentes músicas: umas mais intimistas, outras declaradamente dançáveis, mesmo com orquestra, mas todas de uma grandiosidade assombrosa.

Nuno Gonçalves, sempre muito atarefado entre piano, caixa de ritmos, sintetizadores e acordeão, entre os quais ia saltitando alegremente, agradecia com toda a certeza o enxerto de mais um par de braços. Sónia Tavares esteve, como sempre, igual ao que se conhece: dança, faz caretas, arranca gargalhadas à audiência e canta que se farta. Tudo, claro, envergando mais um daqueles vestidos saídos de filmes timburtonianos.

Em suma, foi uma excelente noite de domingo. Parabéns aos Gift, à Orquestra Metropolitana de Lisboa e um muito obrigado à Caixa Geral de Depósitos. Não sei porquê, parece-me um bocado estúpido estar a agradecer a um banco, mas desta vez merece.


P.S.: Em tempo oportuno publicarei na Galeria algumas fotos dessa noite. Apenas aquelas que a distância e a fraca iluminação não estragaram, claro.

Terragen: criando mundos em menos de 7 dias


Conheci através do Obvious, como aliás conheço grande parte das coisas que a minha sagaz curiosidade me leva a procurar, uma pequena peça de software que permite gerar imagens foto-realistas de paisagens, sejam elas aparentemente terrestres ou de mundos nascidos da profunda imaginação humana. De básica utilização (não são necessários quaisquer conhecimentos de design gráfico), tem no entanto inúmeros parâmetros personalizáveis como os quais podemos brincar até eventualmente sair o que pretendemos. A texturização, quer da água quer da terra, é francamente aceitável e rápida, sendo ligeiramente mediocre a das nuvens, talvez porque não usei nenhum dos inúmeros plugins que existem a flutuar no ciberespaço (calculo que algum geek já tenha tratado do assunto). A verdade é que o programazito faz umas coisinhas engraçadas que, obviamente, vão ficando gradualmente mais engraçadas consoante as o tempo dispendido à volta do dito cujo. Chama-se Terragen, ocupa menos de 10 megabytes e aquela imagem que está ali em cima foi feita por mim ontem à noite em 15 minutos: 7 para a construção, 8 para renderização, bem menos do que Deus-Nosso-Senhor-Todo-Poderoso. A quem gostar de brincar com estas coisas, faça o favor de visitar o quartel-general do brinquedo.

5-3

Há qualquer de especial quando Sporting e Benfica se defrontam para a Taça de Portugal. Sente-se à partida um clima de final antecipada, de clássico intemporal com um longo historial de derrotas e vitórias que se perde na bruma dos tempos. Um clássico é sempre um clássico. Mas não há equipas que consigam fazer aquilo que Sporting e Benfica conseguem. Por pior que seja o momento de forma de cada uma das equipas o jogo será sempre, sem sombra de dúvida, emocionante. Daqueles de que se fala durante anos. Daqueles autenticamente lendários. Como se os fantasmas das antigas glórias de ambas as equipas tomassem de assalto os espíritos das actuais estrelas e os inflamassem, como se tornassem unos, como se não fosse só Liedson e Djaló mas sim Liedson e Yazalde, Djaló e Jordão, ou Di Maria e Eusébio, Rui Costa e Coluna. Há mesmo qualquer coisa especial quando até Nuno Gomes consegue marcar um golo de bonito efeito, ainda que simples, como nos velhos tempos pré-Fiorentina.
O facto de haver vencedor e vencido depois de um jogo assim é apenas um pormenor, uma simples nuance burocrática: alguém tem de perder. Mas soube tão bem gritar aqueles cinco golos! Alguém tem de ganhar. Ontem calhou ao Sporting. Só porque o Benfica não "nos" conseguiu levar para os penáltis. Aí a história era outra.

quarta-feira, abril 09, 2008

Gregos e troianos - a eterna luta de galos

Diz-se que não se pode agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo. Quer isto dizer que a cada cabeça pertence uma sentença e que na maioria dos casos diferem entre si. Há no entanto, num pequeno país de brandíssimos costumes, um canal de televisão que testa a veracidade do tal aforismo que opõe as finíssimas opiniões gregas aos bitáites troianos. E fá-lo (não sei porquê soa-me melhor a conjugação saloia fázio) colocando na grelha de programação para o mesmo dia programas para gente informada (Sociedade Civil, EuroNews, Eurodeputados, Universidades); programas para gente curiosa (National Geographic); programas para cinéfilos (Bastidores); programas para gente de palmo e meio (Zig Zag); programas para gente bem disposta (Dois Homens e Meio, Friends); programas para gente do desporto (Ténis 19º Estoril Open); programas para beatos e beatas (A Fé dos Homens); programas para aspirantes a dealers (Erva) e, finalmente, programas para debochados (Californication).

Ora, se mesmo assim os paneleirotes dos gregos não se entenderem com os marialvas dos troianos e continuarem às turras por dá-cá-aquela-palha não sei o que mais se poderá fazer. No meio não me meto eu.

* * *

Já que estamos a falar disto: na próxima Sexta-feira, Joe Satriani ao vivo na RTP2. À 1.30 da madrugada. Som bem alto, por favor.


Joe Satriani - Summer Song

segunda-feira, abril 07, 2008

Sensuality & Divinity



A Dança do Oráculo in 300

A melhor sequência visual do Cinema de 2007. Digam o que disserem. O que me faz espécie é como é que a homossexualidade entre os gregos imperava quando havia moças assim e ainda por cima a dançar desta maneira. Ah, já agora fica a informação: a menina chama-se Kelly Craig e tem as divinais medidas de 81-64-89. Não é perfeita perfeita, mas a perfeição é constantemente sobrevalorizada.

quinta-feira, abril 03, 2008

E ainda o futebol...

Pode ler-se no Diário de Notícias de hoje que Cristiano Ronaldo foi ameaçado pelos seus "colegas" do A.S. Roma. Os jovens sentem-se humilhados e querem fazer-lhe uma "surpresa" no jogo da segunda-mão em Old Trafford. Antes de mais, ragazzi, a inveja é uma coisa muito feia. E se se sentem humilhados não o sintam por Cristiano Ronaldo ser um portento futebolístico e ter gozado convosco à grande: sintam-se humilhados por se sentirem humilhados. Se se sentem assim porque um vosso colega de profissão teve a determinação suficiente para tentar ser o melhor do mundo são estúpidos demais, até mesmo para o futebol. Deviam sentir-se assim por não terem tido essa determinação. Deviam sertir-se envergonhados e não humilhados. Deviam compreender que nem todos os jogadores são piores que vocês e deviam compreender também que por vezes aparecem génios, e esses sim deixam-vos, a vocês e à maioria, a milhas e milhas de distância e não há nada a fazer. Podem tentar lesioná-lo, sim. Mas já viram bem aquele cabedal? E mesmo assim se isso não vos demover pensem que atentar contra a integridade física do melhor jogador da melhor equipa inglesa, e principal candidato a melhor jogador do mundo, durante um jogo sancionado pela UEFA não será uma coisa muito inteligente. Ainda para mais porque primeiro fizeram ameaças. Se querem bater no miúdo façam-no e não andem para aí armados em queixinhas "Ai, ele fez aquela finta que nós não conhecemos! Isso é batota! Rebenta a bolha!"... Que figurinhas tristes.


P.S.: Não sei se já falei nisto, mas viram o golo do Deivid ao Chelsea? Foda-se, que grande golo.

It's not over until I say it's over...

"Se ganhasse o Euromilhões não deixaria de trabalhar: dedicar-me-ia de corpo e alma ao blogue. Seria esse o meu trabalho. Como o mundo é cruel e não é o blogue que me ajuda a sustentar a família, o Egosciente sofre bastante quando tenho muito trabalho.
Fases destas acontecem em todos os blogues, mas nunca tive um período tão apagado como este – já se notara em Fevereiro, notou-se ainda mais este mês.
Já deve ser a terceira ou quarta vez que escrevo um post para me justificar e pedir desculpa pela escassez de actualizações. Não gosto disso. Que não está a ser actualizado como dantes já vocês estão fartos de saber. Que eu lamento que isso aconteça é normal. Mesmo assim senti obrigação de me repetir.
Tenho observado noutros blogues que esse tipo de posts geralmente significa que se está a chegar ao fim. Quando os bloggers começam a engonhar, é sinal de que o entusiasmo dos primeiros dias esmoreceu e já não resta energia para prosseguir.
Nem sempre dei pulos de entusiasmo em cada dia destes últimos três anos de blogue, mas passei óptimos momentos e custa-me ver o Egosciente tão «abandonado».
Verei como correm os próximos dias. O pior que pode acontecer é eu largar o Egosciente e pedinchar um lugar como blogger convidado do Obvious. Talvez amanhã eu reveja este texto e pense para mim próprio: «Idiota. Devias era dormir em vez de escrever mais disparates». Seja como for, obrigado pela paciência. Vamos lá ver se consigo atinar."

Originalmente escrito por Marco, no Bitaites.

Claro que substituí a palavra Bitaites por Egosciente, mas de resto subscrevo esta conversa toda, até porque não faria melhor, por mais que tentasse. E como não tenho tempo para tentar sequer, mais vale roubar alarvemente estas pérolas que vão sendo deixadas a flutuar no ectoplasma cibernáutico (riso sinistro)!


P.S.: Que grande golo que Deivid marcou ao Chelsea. Mas porque raio é que ele não fazia aquilo quando estava no Sporting?! Mas que grande golo, sim senhor. Se não viram deviam ter visto.

quarta-feira, março 26, 2008

Será que alguém percebe?

Porque eu não percebo de certeza. Já dei voltas e voltas ao miolo e mesmo assim continuo sem perceber. Continuo sem perceber porque é que Scolari não convoca Ricardo apenas e só para jogar contra a Inglaterra... Não percebo, juro que não percebo.

terça-feira, março 25, 2008

On its way...

Cinquenta milimetros de ângulo é pouco, eu sei. Mas 1.8 de abertura é o mais perto que uma máquina fotográfica pode estar da "visão" de um morcego... Por 150 euros, é claro. Houvesse uma maior abundância monetária e seria esta lente que estaria a caminho. Os meus pais também já me disseram que mais vale comprar um carro, mas mesmo assim continuo a achar que a minha humilde D70s gasta menos aos 100. E tem todos os extras.

segunda-feira, março 24, 2008

Mitologia para principiantes

Sísifo, por ser um chibo de primeira água e por ter enganado Tânatos (a Morte) umas quantas vezes, foi condenado por Zeus, o implacável e supremo juiz, a carregar uma enorme pedra para cima de um monte durante toda a eternidade. Isto tem muito mais piada tendo em conta que cada vez que Sísifo estava perto do cume a pedra rebolava invariavelmente até ao ponto de partida e o pobre Sísifo, depois de comer uma buchinha e fumar um cigarrinho, lá ia outra vez começar tudo de novo na vã esperança de um dia o raio do calhau conseguir chegar lá acima. Ora, não há registos que isso alguma vez tenha acontecido. O que aconteceu mesmo foi que Zeus, na sua infinita sabedoria, deu-lhe uma abébiazinha não isenta de humilhação: obrigou Sísifo a usar um penteado ordinário e a treinar o Sporting Clube de Portugal a coberto de uma identidade falsa. Aposto que desde Sábado passado anda pelo chão do seu Olimpo a rebolar de tanto rir.

* * *

Comentário recebido via e-mail:

"Chaval farto-me de rir a ver as tuas divagações futebolisticas no blog, és o Poncio Monteiro dos lagartos de certeza (...)"

Acreditem, vivo para estas merdas.

quarta-feira, março 19, 2008

Parabéns ao Hot Clube Portugal

Sessenta anos de existência é obra. Tendo em conta que sobreviveu a uma ditadura fascista, que desprezava o jazz como a um cão sarnoso, os 60 anos do Hot Clube, o clube de jazz mais antigo do mundo, ficam ainda maiores. Parabéns então a João Vilas-Boas, o fundador, o sócio número 1, e a todos os que lá tocaram, aos que lá se embebedaram, aos que lá fornicaram, aos que lá se drogaram, aos que lá estiveram ou mesmo àqueles que ficaram à porta, no nº39 da Praça da Alegria em Lisboa. Parabéns a todos, principalmente ao que os une e à essência do Hot Clube: o jazz; essa música de selvagens alucinadamente geniais.




Miles Davis at the Isle Of Wight (1970) - "Call It What You Like" *

(*): Quando perguntaram a Davis o nome da música foi precisamente esta a resposta dele.
Note-se ainda presença em palco da divina constelação do jazz: Keith Jarret, Chick Corea, Dave Holland, Airto Moreira, Jack DeJohnette e Gary Bartz.

Obituário: Arthur C. Clarke (1917-2008)

Escreveu, escreveu, escreveu. Projectou, criou e sobretudo imaginou. Pouco interessa o que fez quando comparado ao que a sua imaginação era capaz de criar. Como obra máxima dessa incansável imaginação deixa-nos a maior aventura de sempre: a viagem da própria humanidade em 2001: Odisseia No Espaço, que saltou para a tela de cinema com um valente empurrão de Stanley Kubrick. E por fim lá vai ele. Do Sri Lanka em vivia desde 1956 em direcção às galáxias distantes, aos planetas exóticos, às supernovas, aos quasares, aos pulsares e aos cometas radiosos que sempre giraram por detrás daqueles olhos penetrantes cheios de Tudo. Cheios com o Universo, cheios com Vida.