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quinta-feira, agosto 21, 2008

Deus o tenha e o conserve: LeRoi Moore (1961-2008)


O que é que haverá para dizer sobre este gajo? Nada que me lembre. Pouco importa que tenha sido um dos fundadores da Dave Matthews Band, um grande saxofonista, um bom pai ou marido, um gajo às direitas ou às tortas, um bebedolas, um abstémio, que torcesse pelos Giants ou pelos Yankees. Nada disso importa. Em última análise nem sequer importa o facto de ter morrido. O que importa mesmo é o legado que deixou. E até sobre isso não tenho grande coisa a dizer. Hoje não. Num outro dia talvez, hoje não.




Dave Matthews Band - The Warehouse
Central Park Concert

quinta-feira, agosto 14, 2008

E fotografias, pá?! Ondéquelastão?!

O pá, então as fotografias estão em dois sítios: umas bem guardadinhas e quietinhas no computador e outras à espera de serem definitivamente transpostas do mundo visível para intermináveis sequências de zeros e uns. A verdade é que o tempo necessário para tratar as primeiras e tirar as segundas tem sido ocupado com outras actividades, umas mais interessantes, como projectar casinhas a três dimensões; outras bem menos frutíferas mas extremamente necessárias, como dar abadas das antigas à minha CPU no Pro Evolution Soccer. E esta última é extremamente necessária porquê? Porque é a minha bola de stress. É a minha sala cheia de porcelanas e o meu taco de basebol. É uma autêntica psicoterapia caseira, mas só funciona se tiver um baixo grau de dificuldade, como "Amateur" ou mesmo "Beginner" (quando me dá para jogar com o Sporting). Mas se por algum acaso o grau de dificuldade estiver inadvertidamente um bocadinho acima do costume, bem... então transformo-me numa autêntica besta. É mais forte do que eu, não sei porque acontece. É como se a minha saudável e pacífica terapia se convertesse na poção do Dr. Jekyll e eu me transformasse num corpulento Mr. Hyde em pleno ataque de raiva. Basta falhar um golo que parece feito, falhar uma desmarcação e um defesa contrário cortar um cruzamento e puf! Sinto logo uma vontade quase, quase, quase irresistível de enfiar um punho pelo TFT adentro seguido de um rotativo à là Jean Claude Van Damme na torre da CPU. Só Deus-Nosso-Senhor-Todo-o-Poderoso sabe a força que tenho de fazer para impedir uma tragédia. Alt+F4 e suspiro. A partir daí, obviamente, o resto do dia é passado aos coices a quem ousa dirigir-me qualquer palavra. "Bom dia", "Ai, sim?! E o que tenho eu a ver com isso, meu real monte de merda?!"

(Confesso que grande parte deste diálogo acontece somente na minha cabeça, para bem do meu dente de porcelana e dos meus óculos colados ao meio)

Pronto, acabaram de descobrir mais um pormenor da minha espectacular vida. Agora arranjem uma para vocês, meus grandessíssimos charoleses... desculpem, leitores, leitorzinhos fofinhos...

quarta-feira, agosto 13, 2008

Momento Biography Channel: Vidocq


Para muitos, Vidocq é apenas o título de um bom filme francês e o nome da personagem principal, um corpanzudo e intrépido detective privado, interpretada por, imagine-se, Gérard Depardieu. Mas Eugéne François Vidocq foi muito mais que isso. Sim, o homem existiu mesmo. A santa mãezinha dele que o diga, coitadinha, que a partir do fatídico 23 de Julho de 1775 nunca mais teve sossego. Por exemplo: passados 14 anos sobre dito esse dia, e sob os auspícios da colonização da América do Norte, o jovem Eugéne resolveu surripiar as economias do pai afim de ir ver como paravam as modas americanas. Perdeu o dinheiro todo ainda antes de sair da Europa e para se livrar de uma sova de criar bicho alistou-se no exército, de onde desertou 17 anos depois por ter partido os queixos a um superior hierárquico, que era, na altura, coisa punível com a morte. Dá-se a Revolução Francesa e o nosso Vidocq vê-se practicamente com a guilhotina no pescoço. O pai pede ajuda à nobreza. A nobreza ajuda. Apaixona-se por uma filha dessa nobreza. Ela mete-lhe os palitos. Ele foge para Bruxelas. Arranja um passaporte falso e junta-se a um grupo de meliantes. Volta a Paris. Esturra a pequena fortuna em putas e vinho verde. Apaixona-se outra vez e leva com outro par de cornos. Apanha o gajo. Prega-lhe um enxerto de porrada e vai para a choldra outra vez. Envolve-se com a malta errada. Foge da prisa. Volta à prisa. Foge da prisa. Tenta ser professor, mas as demasiadamente boas relações que tinha com as alunas levaram a que fosse expulso por pais e namorados furiosos. A ex-mulher chantageia-o. Os amigos metem-no ainda em piores confusões. Decide tornar-se bufo(*) em troca de amnistia. A bófia recusou à primeira mas aceita à segunda e é aqui que tudo muda. Sobe no ranking qual Vanessa Fernandes até que a própria bófia encena a fuga de Vidocq da prisão. Eugéne François Vidocq tornava-se finalmente um dos bons.

Daqui para a frente foi sempre a abrir. Os conhecimentos que tinha do sub-mundo parisiense e os métodos de investigação e abordagem pouco ortodoxos que empregava granjearam-lhe fama e fortuna. Executava ele próprio operações de infiltração (isto em mil oitocentos e tal, portanto, sem escutas, auriculares, GPS e merdas assim) e chegou mesmo a ser contratado para se matar a ele mesmo. Em 1812 Vidocq funda a Brigade de Sûreté, uma espécie de Polícia Judiciária em que a maioria dos detectives eram ex-prisioneiros. Resultado: em 1817 a Sûreté fez 811 detenções. É obra. Em 1832, por politiquices, o homem demite-se do cargo que ele próprio criou e torna-se detective privado e escritor. Morre em 1857 depois de uma vida cheia. Completamente cheia.

Para trás deixa a criação da tinta permanente e de um tipo de papel indestrutível. Foi o primeiro a estudar balística aplicada à criminologia, fez os primeiros moldes de pegadas e os seus estudos antropométricos ainda são em parte usados pela polícia francesa.

Quem diria que um borra-botas que rouba dinheiro ao próprio pai se iria tornar num dos pioneiros da criminologia forense e num dos mais proeminentes chefes de polícia do mundo?!


(*) Até ao fim dos seus dias Vidocq afirmou sempre que nunca denunciou ninguém que tivesse roubado por necessidade. Bufo sim, mas com princípios.

terça-feira, agosto 12, 2008

Premonições

Falta pouco mais de duas semanas para a blogosfera, principalmente nos seus claustros políticos, começar a fervilhar com mirabolantes textos sobre terroristas e drogados na Festa do Avante. Que a culpa é dos brandos costumes portugueses que deixam entrar gentalha das FARC nos limites deste muy nobre território; que a culpa é da polícia que vê carradas de toxicodependentes pavonearem-se na Quinta da Atalaia e cruza os braços (note-se que, para muito bom português, a definição de toxicodependente está directa e claramente ligada com o facto de se usar rastas, vestir roupas coloridas ou ter muitos piercings e tatuagens). Pois então preparem-se para ler os mais estapafúrdios disparates provenientes da santíssima ignorância que pulula um pouco por todo o lado, mas particularmente, e com muito mais força, nas "iluminadas" cabecinhas dos arautos da neo-burguesia. Preparem-se, é o que vos digo.
Já comecei a ensaiar as gargalhadas.


sexta-feira, agosto 08, 2008

Hiroshima: 63 anos e 2 dias


N. do B.: Gostava muito, bem, vá, gostava mais ou menos de vos dar o link da página de onde saquei isto, mas acontece que não faço a mais pequena ideia... Paciêncinha é o que é preciso.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Their problems start when they don't die young?



Isto foi em Outubro de 2006. Jerry Lee Lewis com 71 primaveras no papo, com acordes mais espaçados, com movimentos tolhidos; mas ainda com a mesma voz e o mesmo olhar de 1957. Imagem de decadência? Sim, claro. Até se pode pensar que o homem já devia ter morrido para não andar a fazer aquelas figurinhas. Que é triste ver um gajo outrora tão frenético agora mal conseguir mexer os braços. Enfim, está velho. É um velho como outro qualquer, sim. Se não se chamasse Jerry Lee Lewis provavelmente estaria a jogar à sueca ou ao dominó num simpático jardim cheio de plátanos e salgueiros-chorões.

Perdendo a juventude perde-se a aura sobre-humana que as estrelas de rock têm desde que passam a essa mesma condição. Jerry Lee Lewis já não é uma estrela de rock, não senhor. É uma supernova. Jerry Lee Lewis é o "Last Man Standing". É o último sobrevivente do quarteto dourado. É o último sócio/fundador/embaixador vivo do rock & roll. E por isso, e também por ter incendiado um piano em palco enquanto tocava exuberantemente a Great Balls of Fire, deveria ser-lhe concedida uma licença especial de estadia entre os vivos ad aeternum. E de preferência com a genica de 1956/57.

sexta-feira, julho 25, 2008

Geeks know it better


Sempre mantive uma periclitante fé na Microsoft. Pensava "porra, para estar em todo lado não pode ser tão má como dizem os geeks". O problema é que é mesmo assim tão má. Não se percebe como é possível, em finais do primeiro decénio do terceiro milénio, haver gente a fazer software repleto de 'bugs' e a lançá-lo a toda a bolina para a cara dos consumidores assim mesmo: repleto de 'bugs'. Bem, até havia desculpa se as coisas ainda fossem programadas em caves e garagens, mas como foi tudo feito em altos edifícios de vidraças espelhadas, Ó Vista, vai para o raio que te parta. Venha o Ubuntu. E o Office só não vai porque é a única ferramenta de software da Microsoft com crédito aqui no estaminé. Simplesmente porque ainda não apareceu nenhum OpenOffice minimamente aceitável e eficaz. Mas até esse que se cuide.

terça-feira, julho 22, 2008

"There and Back Again"

Vivi no Porto durante dois meses, e se há quem pense que foi pouco tempo, eu sou uma dessas pessoas. Foi mesmo pouco tempo. Estava a "viver" a cidade quando fui obrigado, pelas ocultas forças que gerem os orçamentos dos seres humanos, a voltar ao Alentejo.
Durante um desses meses morei em casa de um amigo na Rua da Vitória, que me ficou como a mais lúgubre e pitoresca da cidade. Para quem não sabe, a Rua da Vitória é uma transversal à Rua das Taipas que sobe desde as traseiras do Mercado Ferreira Borges até à Cordoaria Nacional (ao lado dos Clérigos). É, portanto um dos muitos capilares do coração do Porto. Tem um único sentido e é tão estreita que a, aparentemente, simples tarefa de meter o carro a rolar pela Rua da Vitória sem um risco é coisa digna de gabarolice de peito inchado. Não é para todos. É escura e à noite poucos caminhantes (não conhecedores da sua natureza) se aventuram pelos seus paralelos. É, no entanto, uma rua pacífica. É um bairro minúsculo. Todos nos cumprimentam. Os miúdos jogam à bola e os velhos à bisca lambida em cima de grades de cerveja vazias. Ouvem-se os tradicionais, e carinhosos, "filho-da-putas" e "caralhos" e "puta-que-o-parius" por todo o lado. Cheira sempre a mar, porque o próprio mar escorre por entre as juntas dos enormes blocos de granito que impedem as ruas de desabar umas em cima das outras. Como se o mar ele próprio tomasse de assalto a cidade assim que o último portuense adormece e recuasse subitamente mesmo antes do primeiro acordar. Como se a cidade fosse lavada pelo mar todas as noites desde tempos que ninguém recorda.

E enquanto pensava nisto tudo era na maior parte das vezes interrompido por J. "vamos ao Taipas ó alentejano mal amanhado?". E lá íamos para o nosso poiso do costume para uma das sessões tri-semanais de "T&P" (tinto e poesia) no Taipas e Feijão. Entrávamos na tasca de portadas vermelhas e passávamos para outro mundo. Deixávamos as ruas de luminárias titubeantes e passávamos para o colorido domínio do Sr. António, ex-jornalista, actual poeta e taberneiro. Pilhas de livros em cima da mesa, um jarro de vinho, pão, azeitonas e queijo. Às palavras "agora vai-se recitar poesia e, ou se calam, ou pagam o que devem e vão prá puta que vos pariu" o silêncio é sepulcral. O resto da noite era nosso. Nosso, de Negreiros, de Beckett, de Pessoa, de Whitman e de quem mais viesse.


Foi assim que vivi durante um mês e não me importo que me obriguem a repetir. Se possível, durante mais um bocadinho, sim?


P.S.: Escrevi isto levado por um acesso de lembranças provocadas por este texto de Manuel Jorge Marmelo.
Obrigado, pá.

segunda-feira, julho 21, 2008

Mais coisas que me moem

Será que ninguém cala Valentim Loureiro? Já foi processado, já foi ilibado, já foi processado, já foi condenado, já lhe aconteceu tudo e mais alguma coisa e o gajo simplesmente não se cala... Que raio!

Coisas que me moem

Será que faz sentido um Futebol Clube do Porto esperar que um clube como o Internazionale Milano pague 40 milhões de euróis por um Ricardo Quaresma quando um clube como o Associazione Calcio Milan pagou ao Futbol Club Barcelona 25 milhões por um "ex-génio" da bola? Ai faz? Pronto, então se faz sentido está tudo bem. Mas não se esqueçam que um ex-génio pode voltar a ser um génio a qualquer momento. Já uma promessa de génio pode nunca vir a concretizar-se, sabiam?

Breaking News

Não sei se já repararam mas a Galeria foi actualizada recentemente com 8 fotos de uma série a que dei o assombroso título de "Clown's Balls". Foram tiradas durante o espectáculo do fabuloso Leo Cartouche em Arraiolos, durante o Tapete Está Na Rua 2008. E que grande espectáculo. Vale a pena ver palhaços assim: atentos, talentosos, esforçados e com um fascínio desmesurado pela dificuldade dos números. Só para terem uma ideia, o homem acabou a actuação a saltar à corda em cima de um monociclo de 2 metros enquanto cuspia fogo. Depois, pela noite dentro, quis o acaso que nos cruzássemos entre uma rodada de cervejas. Mesmo sem maquilhagem e sem a fatiota do seu alter-ego, Jens Altheimer, foi sempre suficientemente simpático para não se querer ver livre à força de um pequeno grupo de bêbedos chatos que lhe impigiam cerveja quente. Quem disse que os alemães não sabem o significado da palavra simpatia? Pronto, está bem, este está há muitos anos em Portugal, mas ainda assim é alemão...

quarta-feira, julho 09, 2008

ESTE BLOG (AINDA) NÃO FECHOU!

Pois não. Nem se prevê que o faça brevemente. No entanto não têm sido poucas as coisas que me têm afastado da página de login do blogger. Entre trabalho, biscates, elucubrações gastronómicas e confrarias culturais pouco tempo tem sobrado para isto. As fotografias que vos havia prometido - acho que as prometi mais a mim do que a vocês - ainda estão para ser arranjadas, muitos textos (mas não tantos quanto isso, não se preocupem) ainda estão por publicar e muitas coisas estão para ser mostradas. Mas acalmai-vos, meu sequioso séquito! Prometo que para a semana cumpro todas as promessas (menos aquela de comer uma lesma viva se o Cristiano Ronaldo ficar no Manchester).

Para a semana cumpro tudo o que aqui prometi, mas antes disso, e muito infelizmente, tenho que ir aturar umas brasileiras que são tão sexys que já cansam, beber umas cervejolas com uma ciganagem muito bem enjorcada e fazer uma ou duas revoluções com muita, muita raiva contra A Máquina.

Assim sendo, fiquem bem e, se não nos virmos antes, até à próxima.
Tenham por cá saúde.

quarta-feira, junho 25, 2008

Idiossincrasias de Blogger

Gosto de escrever. É um facto. Se o faço bem ou mal pouco importa, o que importa mesmo é que o faço. E, espante-se o caro leitor ou não, dá-me tanto prazer escrever como ler e reler o que escrevo. É como qualquer acto sexual tendo como única diferença essencial que o clímax, o momento em que digo "pronto, 'tá bom assim", pode chegar dias, semanas ou meses depois de o "baixar as calças". Não estou de modo nenhum a comparar a escrita com o sexo. Digamos que é apenas uma metáfora mas desta feita com o advérbio "como" entre as duas situações. No entanto não é só o escrever por escrever que me dá prazer. O assunto sobre o qual disserto e a maneira como o faço têm um papel tão ou mais importante como o facto de a minha parceira sexual usar tanga ou cuecas convencionais. Lá está o sexo outra vez. É uma metáfora, apenas e só uma metáfora. Estão a ver onde quero chegar? Então continuemos sem nos dispersar em considerações fúteis sobre tangas, fios dentais ou boxers, cintas de ligas ou soutiens de cetim (não gosto de rendas). E como eu estava a dizer, a maneira como escrevo tem uma influência importantíssima no índice de prazer obtido. Mais uma vez: se o consigo fazer bem ou não, não é importante. A escrita, tal como o sexo, é uma coisa que se aperfeiçoa ao longo do tempo. E nem é uma questão de quantidade de linhas escritas. É na realidade uma razão matemática que confronta a quantidade de coisas escritas com a qualidade geral média dos textos. Ou por outras palavras: o número quecas dadas confrontado com o número de orgasmos obtidos por todas as pessoas envolvidas. Qualidade vs. Quantidade. Capisce?

Por isso adoro a blogosfera e tudo o que lhe é inerente. Se não fossem estas coisinhas aparentemente inócuas, grande parte do prazer e crescimento intelectual de que tenho sofrido nos últimos 5 anos nunca teria tido lugar.

Adoro principalmente escrever assim. Só porque me apetece. Nem tinha vindo preparado para isto. Vinha só ver como paravam as modas. Não me controlei e acabei por dar uma pinocada de algumas linhas. E deu-me uma tusa do catano. É isto. É isto a blogosfera. E é mesmo por isto que aqui estou.

domingo, junho 22, 2008

O meu Euro 2008 a partir de agora:

Buena Suerte, hermanos!

ou, se as coisas correrem mal hoje,

حظا سعيدا ، الناس من المشرق!



Adenda pós-120 minutos e penáltis: E viva España! Sempre simpatizei com os italianos, mas neste caso fui obrigado a abrir uma excepção. Os espanhóis estiveram do lado de Portugal, agora é justo torcer por eles. Afinal de contas são os nossos vizinhos do lado.

sexta-feira, junho 20, 2008

Mikroworld de Sam Buxton


Reza a lenda que Sam Buxton, um designer londrino que passou pelo Royal College of Art, quis fazer um cartão de apresentação profissional, como todo o profissional que se preze. Então, em vez de ir a uma daquelas máquinas automáticas de impressão de cartões, desenhou ele próprio um cartão (que, aliás, era de aço inoxidável) que, ao ser dobrado pelos sítio certos, se transformava numa figura tridimensional de um homem sentado num escritório. Ora, que melhor apresentação poderia haver para um designer? Daí a outras experiências de desconstrução-construção de folhas de aço inoxidável, como casas, carros, fundos marinhos ou prédios inteiros, foi apenas um passo. Um longo e extenuante passo. Um passo cheio de paciência e visão. Um passo brilhante.

Há uma exposição (Mikroworld) dos trabalhos do homem na biblioteca municipal de Arraiolos até 29 de Junho. Vão ver que vale a pena. Já lá fui algumas 6 vezes e continuo a ficar embevecido com aquilo tudo. Link

Ainda assim estamos entre os 8 melhores da Europa

Então quer dizer que Portugal, a aparentemente, toda-poderosa selecção portuguesa, levou nas trombas alarvemente de um bando de teutões mal-amanhados. E foi bem feito! No primeiro golo são vários os erros: quatro jogadores portugueses permitiram que apenas dois alemães passassem entre eles como se fossem espectadores de uma corrida Nascar. Segundos depois, Schweinsteiger (a nossa sexta-feira 13 com pernas, o nosso gato preto de cabelos prateados) está, antes de marcar o golo, a ser perseguido por um defesa (não percebi qual) e há outro que está plantado na área completamente sozinho. Pergunto-me se este último não terá visto o cruzamento ou, se por outro lado, quer ser alemão desde pequenino? Nos outros dois golos foi o que se viu: num, o Ricardo não sai da baliza e sofre um golo; no outro Ricardo sai da baliza e sofre um golo. Depois disso, toda a inteligência portuguesa foi posta em campo: contra uma defesa composta por torres intransponíveis em altura, vá de cruzamentos para a área sem o mínimo critério. Nada de jogadas individuais que perfurem a defesa, nada de velocidade, enfim, nada de usar as nossas vantagens tácticas sobre um adversário pobre em velocidade e técnica. Contra equipas como a Alemanha não se podem sofrer golos e tentar recuperar. Isso é praticamente impossível.

Ainda assim, foi bonito ver os germânicos entrarem em pânico cada vez que Portugal subia com a bola. Entravam em pânico porque não conhecem os nossos índices de estupidez natural. Foi bonito ver a poderosíssima Alemanha defender pontapés de canto com 11 jogadores, tendo eles a vantagem que têm e estando a ganhar por 2 a zero.
Portugal perdeu e perdeu bem. Merecia isso. A derrota, em primeira instância, serve a Alemanha, obviamente. Em segunda, e numa instância bem mais importante, devolve-nos os níveis de humildade que já começávamos a perder. Ser campeão da Europa ou do Mundo não é um caminho fácil nem curto. Não é em seis anos que um país assim, de fracas tradições futebolísticas, se transforma numa potência do futebol. Não, senhor. Mais Cristianos Ronaldos hão-de surgir e outros desaparecer antes de conseguirmos levantar uma taça daquelas. Claro que podem dizer "então e a Grécia?! Merecia?!" não, não merecia. Mas nós não gostamos de coisas assim, fáceis, quase a roçar a cobardia. Saber-me-ia a vinagre uma vitória assim. Uma vitória sem glória.

Scolari despediu-se de forma inglória. Vou ter saudades dele, acho que vamos todos, mas Felipão também merecia esta derrota. Apenas e só pelo facto de depois deste tempo todo ainda não ter percebido que Ricardo só deve ser convocado para jogar contra a Inglaterra.

Godspeed Scolari.

segunda-feira, junho 16, 2008

Se não há é porque não há, se há é o que se vê!

E pronto, o tapete já não está na rua e tudo volta à normalidade. Até mesmo este blog volta à normalidade. Mas antes de mais, antes de fazer a retrospectiva do que foi visto e achado n'O Tapete Está Na Rua 2008 (e não foram só tapetes, garanto-vos), quero desancar alguns leitores deste que abaixo vos assina. Então vocês, meus troca-tintas de meia tigela, depois de vos andar a moer o juízo durante dias a fio para se inscreverem no concurso de fotografia, mesmo assim não o fizeram?! Que raio! Trezentos e cinquenta euros em prémios não são suficientes para tão habilidosos fotógrafos, é? Dez euros será um preço demasiado alto para uma inscrição que até dava direito a uma exposição colectiva (além, claro dos prémios e de um farto jantar convívio)?! Com o devido respeito, sois todos um grande bando de anormais. Se oiço alguém nos próximos dias dizer que "ah, pensava que as inscrições ainda não tinham terminado e não sei quê" juro que o espanco com os quilos de Regulamentos e Fichas de Inscrição que mandei imprimir numa gráfica mais ou menos conceituada. Parecendo que não esta merda deu trabalho a organizar: fazer propostas para aprovação, andar a pedinchar verbas (ou pensam que o dinheiro da inscrição ia chegar para tudo?), compor cartazes e textos de apresentação, fazer um regulamento, arranjar um júri minimamente decente e andar a distribuir cartazes por todo o lado. Tudo para no fim ninguém se inscrever! Parvalhões! Não me enganam outra vez... Não senhor. Para a próxima arranjo maneira de participar também. Adeus e obrigado.


(Prontos, já passou... Mansinho... Mansinho... Lindo menino...)

segunda-feira, junho 02, 2008

Bloguices

O Telmo está a fazer uma private party. Fechou o blog a não-convidados e agora delicia-se com a ilusão de poder provocada pelo facto de ser ele a deixar, ou não, alguém entrar no seu espaço. Delicia-se com a ilusão de ser um porteiro espadaúdo e mal-encarado ao mesmo tempo que a ideia de ser o centro de todas as atenções da festa o faz sentir como a uma estrela na passadeira vermelha em dia de Óscares. E não, eu não estou à porta da festarola de orelhas em baixo a implorar para entrar. Simplesmente passei pelo sítio em questão e o porteiro, carrancudo, pôs-me a mão no peito e disse "só com convite". Encolhi os ombros, soltei um sorriso de desdém e voltei-lhe as costas.

Ora, se eu quisesse fazer uma festa reservada a um punhado de pessoas pura e simplesmente começava a festa sem que ninguém soubesse, exceptuado, claro, os convidados, em vez de fechar uma festa já anteriormente aberta ao público. Mas nunca o faria. Nunca o faria porque vai contra aquilo que eu acho que é a primordial razão de existência da blogosfera: a livre circulação de ideias sem quaisquer barreiras (tirando obviamente aquelas que por uma razão ou por outra têm de ser erguidas, como a moderação de comentários ou verificação de palavras).

Mas talvez isto tudo seja parvoíce minha que ando um bocado rabugento. Talvez, quem sabe, o rapaz até restringiu o acesso ao blog por causa de gente parva e rabugenta como eu. Talvez, quem sabe?

quinta-feira, maio 29, 2008

De marés e erecções

Em mim a literatura trabalha por marés. Ora baixas, em que mal pego num livro o aborrecimento fecha-me as pálpebras e a falta de oxigénio no cérebro leva-me ao bocejo convulsivo; ora altas, em que a vontade de ler se sobrepõe até às vicissitudes fisiológicas do ser humano. Assim mesmo: nas marés altas a leitura torna-se quase, quase, uma obsessão. Chego a armar-me em Marcelo Rebelo de Sousa e estar a ler três livros em simultâneo (não ao mesmo tempo, mas são três os livros em cima da mesa de cabeceira). Assim mesmo: com sofreguidão, com pujança, com gula. E o que acontece? Tal como um miúdo na alvorada da puberdade, meto os pés pelas mãos, e, sem saber como canalizar tanto "tesão literário", acabo por deixar livros a meio. E isso, já diziam os antigos, é muito, muito feio.

Pois agora a maré está em altas. Ontem, ao deitar despachei dois capítulos deste que aqui em baixo se vos apresenta. Depois deste ainda tenho na ementa uma enorme colecção de clássicos de bolso da Europa-América; O Jogador, de Dostoiévski; Contos, de Kafka; A 3ª Visão, de Rampa; Fúria, de Rushdie e o Cinco Semanas em Balão, de Verne. E, claro, faço intenções de os despachar todos antes desta maré vazar. Terei uma indigestão? Certamente. Ainda para mais porque vem aí uma Feira do Livro. Mas vamos com calma desta vez. A pressa sempre foi inimiga da precisão. Até porque aos 26 anos a perícia em manusear certas ferramentas também já é muito maior do que na puberdade.



terça-feira, maio 27, 2008

Bloguices

Há poucas coisas que me irritem mais na blogosfera do que fecharem blogs. Não sinto pena por nunca mais ler aquele tipo de coisas que me fazia visitar esse blog. Não. Nada de penas. Fico somente irritado. Como quando começamos a seguir obsessivamente a primeira temporada de uma série televisiva para depois descobrirmos, da pior maneira, que o canal de televisão em questão não comprou a segunda série. Ficamos presos. Presos numa espécie de nova realidade, numa espécie de novo mundo em que deixa de existir algo que nos deliciava, nos inspirava, nos relaxava, nos tonificava intelectualmente.

Não percebo como é que blogs como o do Bandeira fecham. Percebo sim que blogs como este mesmo que agora lêem o façam, agora aqueles não. Blogs de individualidades assim, cultas, férteis, criativas e inspiradoras, não deviam, sob pretexto algum, fechar. Alguém que dê um subsidio ao homem, se for preciso. Façam-se petições, desça-se a Avenida da Liberdade de cartazes em punho, faça-se qualquer coisa que obrigue este tipo de bloggers a manter viva a chama que os trouxe até aqui. Façam qualquer coisa, porque eu não faço. Vou ali para o canto, de braços cruzados e sobrancelha franzida, bater o pé um bocadinho.

* * *

Adenda: Menos de 24 horas depois deste post ser publicado eis que mais um teatro baixa a cortina. Temporariamente, diz-se. Seja como for é uma maçada. Mais uma verdadeira maçada a juntar ao extinto Diário, de Tiago Galvão e à Memória Inventada, de Vasco Barreto. Sem links que estou amuado. Negros tempos vive a blogosfera.

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Adenda II: Julgo que o Teatro Anatómico sofre de narcolepsia.