Pensou no seu nome dias a fio. Imaginou cada letra a ser desenhada lentamente, como se uma pena invísivel e incomensurável fizesse nascer cada letra a partir do vazio, e tão devagar que poder-se-ia dizer que mundos infinitos eram criados a cada nova linha traçada. Pensou tanto tempo no nome dela que a própria palavra deixou de fazer sentido. Sentiu-se aliviado. Depois decidiu fazer o mesmo com outras palavras. Percorreu mentalmente todo o dicionário. Não satisfeito, passou para as palavras dos calões e dos vernáculos, para as línguas estrangeiras que conhecia e para algumas que desconhecia. Chamavam-lhe louco e ele sorria. Continuou, atarefadíssimo a sua cruzada. Abarcou, uma por uma, todas as palavras do Mundo e lentamente fez com que perdessem o sentido, o significado, a essência. Sem isso, as palavras tornaram-se nada mais que amontoados aleatórios de letras e sinais. Deixou para o fim o seu próprio nome. Depois disso esperava sentir-se feliz, limpo, purificado, purgado e divinalmente expiado. Poderia morrer em paz. Porém nada disso aconteceu e foi tomado por uma angústia pesada como o Universo. Faltava alguma coisa. Sim. Esquecera-se da palavra mais importante de todas. Esquecera-se da principal palavra que comanda a vida. Esquecera-se da Morte. E foi assim, já sem nome, sem memória, sem sentimentos, sem nada, que ao chegar à letra 'e' os seus olhos se fecharam e o seu coração lentamente desacelerou e parou. Assim mesmo, finalmente feliz, limpo, purificado, purgado e divinalmente expiado.
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segunda-feira, julho 21, 2008
domingo, janeiro 28, 2007
quarta-feira, janeiro 10, 2007
domingo, janeiro 07, 2007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
E a pedido de uma ou duas famílias: Rabiscos #2
Adolescência. Precisamente aquela altura da vida em que começamos a perceber que nem tudo pode correr como queríamos. Não podemos ter quem queríamos, nem como queríamos, nem quando queríamos. Raiva, frustração... Enfim, a adolescência. Já lá vai e ainda bem.
Desenho: L. Romudas
Material: Caneta preta sobre papel
Desenho: L. Romudas
Material: Caneta preta sobre papel
Etiquetas: Rabiscos
Publicada por L. Romudas às 8:20 da tarde 1 comentários
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Rabiscos #1
Bem, talvez não saibam, mas antes de ter a mania que era fotógrafo tinha a mania que sabia desenhar. Apesar de reconhecer que até tinha potencial nunca demonstrei nada de jeito, apenas rabiscos abstractos em cadernos e folhas de teste em branco. Este aqui em baixo por acaso até foi feito num sketch book que entretanto me ofereci a mim próprio. A digitalização não está grande coisa, mas achei que estava na altura de publicar isto.
Etiquetas: Rabiscos
Publicada por L. Romudas às 1:05 da tarde 1 comentários
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