sexta-feira, agosto 31, 2007

Something stirs in the shadows...

"De que serve terra à vista se o barco está parado?"
P. Abrunhosa

* * *


As revoluções começam na pessoa, no indivíduo, no sujeito. As revoluções não são presidentes depostos, nem reis decapitados. As revoluções são um olhar, uma ideia, um conceito que se cria na mente de um indivíduo que o faz querer mudar a realidade em que vive. E é aí, no preciso momento em que esse conceito se cria, que começa a revolução. No entanto, é o passo seguinte o mais difícil. Desengane-se quem pensa que o primeiro passo é o mais complicado de dar. Se já viu uma criança começar a andar deve saber que há muitos primeiros passos, mas só a partir do segundo é que podemos dizer que a criança realmente anda. É o equilíbrio, sim. É o equilíbrio e a coragem de tentar repetir o primeiro gesto que move a criança. Assim o é também com as revoluções. Tenham elas o intuito de libertar um povo da opressão, ou tenham o, aparentemente simples, intuito de libertar uma pessoa dos grilhões que a prendem ao seu modo de vida, aos seus vícios, às suas paranóias mundanas, enfim, a si mesmo. Uma revolução é uma revolução. Seja colectiva ou individual tem o mesmo significado, tem o mesmo princípio e, no fundo, tem o mesmo fim: a liberdade. Liberdade relativa, e socialmente aceite, mas liberdade, sem dúvida. E qual é, afinal, esse segundo passo, tão difícil de dar? Resposta tão simples que parece complicada de tão simples que é: o segundo passo é agir. Mudar. Transformar. Alterar. Transmutar. Modificar qualquer coisa. Por mais simples e insignificante que possa parecer essa coisa, mudá-la, é o nosso segundo passo. Seja ele deixar de fumar, começar a fazer exercício físico ou simplesmente começar a cumprimentar toda a gente na rua, é o passo mais importante. Porquê? Porque mudamos uma atitude. E nós somos as nossas atitudes porque as atitudes pressupõem uma personalidade, uma personalidade única, e essa atitude que mudamos, a primeira atitude que mudamos, é a perfeita imagem dos ideais da nossa revolução. É como o negativo da nossa revolução. É o embrião da nossa revolução. Seja ela, como já disse, colectiva ou individual.

Primeiro iluminam-se as mentes, depois inflamam-se os espíritos, junte-lhe uma pitadinha de coragem para agir e em breve terá a sua revoluçãozinha. Atenção, porque é preciso combinar estas três coisas muito bem já que com uma por si só não conseguirá nada.

E aqui está o meu primeiro passo. Já com balanço suficiente para o segundo, mas é apenas o primeiro.

Fotografia e texto: L. Romudas

O Mundo sem nós

O que aconteceria se, subitamente, a Humanidade desaparecesse?
Nada de mal, muito pelo contrário. Tudo cresceria de novo, como no principio dos tempos. Pelo menos é o que este senhor aqui pensa. Verosímil ou não, é um exercício bastante engraçado e uma excelente manobra de marketing. Vejam com atenção e reflictam, vá, não custa nada. Todos a reflectir.
Roubado a um cão com pulgas.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Little Drummer

Fotografia: L. Romudas num ensaio dos Txtapum, um grupo de percussão sediado em Arraiolos.

Scolari chama Pepe para integrar a Selecção Internacional Portuguesa

E tudo com a autorização do Führer Madaíl. Não que eu discorde desta opção, assim como não discordo da opção Deco, apesar de achar que é minimamente estúpido, reparem no eufemismo, chamar à selecção nacional portuguesa gente que nasceu noutro continente. Uma coisa são os luso-descendentes, outra coisa são gajos de nome Kleper Laveran Lima Ferreira, a. k. a. Pepe, brasileiro de gema. Mas tudo bem. A malta até desculpa a coisa se trouxermos alguma tacinha desta vez.

E já que estamos numa de dar nacionalidades a quem não as tem, porque não não atribuir a nacionalidade costa-marfinense ao Nuno Gomes? Quem diz costa marfinense, diz cubana, ou haitiana, ou congolesa, ou até mesmo maltesa. Porque não? O gajo joga mal, ou melhor, não joga de todo, mas mesmo assim seria uma belíssima aquisição para qualquer um dos países acima referidos. Para além, claro, de nos pouparmos às gargalhadas que o ponta-de-lança benfiquista suscita nos adversários. Ficávamos todos a ganhar.

Fica a ideia.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Instant Portraits #6

Fotografia: L. Romudas

terça-feira, agosto 28, 2007

E para quebrar o gelo do post anterior...

Parabéns à RTP 2 pela duocentésima septuagésima terceira reposição da série Friends. Não consigo fartar-me daquelas seis aves raras. Sitcoms há muitas, sitcoms boas há umas quantas, mas como a Friends há poucas. Muito poucas.

Um minuto de silêncio por Puerta

(...)














Pronto, já está. Desculpem, mas ver um gajo mais novo que eu perder a vida só porque seguiu o sonho de ser jogador de futebol enerva-me um bocadinho. António Puerta, de 22 anos, uma das grandes promessas do futebol espanhol, sucumbiu hoje à série de paragens cardio-respiratórias de que sofria desde sábado, quando desfaleceu a meio do jogo que opunha a sua equipa, o Sevilha, ao Getafe. Se quiserem mais informação sobre este assunto vão ao Google ou vejam televisão porque não me apetece falar muito nisto. Agora vou ver, rever e rever este golaço do puto.




Devem estar a fazer uma bela equipa lá em cima. Fehér, Foé e agora este...

segunda-feira, agosto 27, 2007

Feather Falling

Fotografia: L. Romudas, Terródromo de Arraiolos

* * *

Já não é novidade para ninguém que em Arraiolos pode-se saltar de uma avião em pleno vôo. Pois, porque saltar de aviões parados até eu já saltei umas vezes e tenho vertigens. Esta história dos saltos, do skydive e de não sei mais quê, é tudo responsabilidade da equipa SkyDive Portugal. Dêem uma vista de olhos ali ao site deles. São simpáticos, têem estilo, e pela afluência de gente ali ao terródromo, também são bastante competentes, não se preocupem. Se sempre quis fazer algo do género mas nunca teve coragem, está na altura de se portar como um homenzinho, ou mulherzinha, e saltar do raio do avião. E bem vistas as coisas, só precisa de coragem para entrar no dito cujo... depois já é demasiado tarde para se acobardar. Mas se mesmo assim não conseguir subir para o avião pode sempre ficar ao pé de mim no bar a beber umas cervejitas. É muito mais sossegado... Até à décima...

sábado, agosto 25, 2007

Instant Portraits #5


Fotografia: L. Romudas

sexta-feira, agosto 24, 2007

Instant Portraits #4

Fotografia: L. Romudas.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Instant Portraits #3

Fotografia: L. Romudas. Paris

quarta-feira, agosto 22, 2007

Instant Portraits #2

In that little corner of her...

Fotografia: L. Romudas. Ângela Fortes... no seu cantinho.

terça-feira, agosto 21, 2007

Instant Portraits #1


* * *

Então não é que sonhei com o gajo? Sim, o do acidente. Apesar de tudo não estava muito mal tratado. Nariz amolgado, cicatrizes no tórax e no abdómen (não, não vinha despido, mas tive que lhe pedir que me mostrasse as mazelas) e meio côxo de uma perna. Bem disposto (!), bebemos umas cervejolas das fresquinhas, aquelas lá da parte de trás do frigorífico (as da frente são para visitas menos desejadas) e ficámos a falar e a rir noite dentro até o meu despertador me tirar dali. Não foi um daqueles sonhos arrebatadores em que acordamos inspirados e de alma cheia, mas foi sem dúvida um bom sonho. Acordei satisfeito, alegre por ter revisto o tipo, e aflito para ir à casa de banho. A cerveja tem destas coisas.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Vá... a despachar que está tudo à tua espera, pá!

Desde o primeiro dia que vivo aqui, neste ponto fulcral da Rota dos Vinhos do Alentejo, que conheço o gajo. Assim que o vi pela primeira vez pensei cá para mim "Que bela ave rara. Vamo-nos dar lindamente!". E tinha razão em ambas as coisas. Primeiro porque o gajo sempre foi esquisito: Quando estava bem toda a gente que estivesse ao lado dele tinha obrigatoriamente de estar bem também, mas quando estava mal estava mesmo mal. Cabisbaixo, deprimido... A verdade é que tinha muitos problemas. Uns criados por ele próprio, outros ainda nem existiam e outros até que nunca chegaram a existir, mas lá que os tinha, tinha. E em segundo lugar, sempre nos demos bem. No princípio aquele tipo de loucura inspirada soldava-nos practicamente um ao outro. Falávamos a mesma língua, a da estupidez assumida, e até nos confundiam um com o outro: a mesma carinha de parvo, o mesmo penteado amaricado, a mesma constituição de pau de virar tripas, os mesmos companheiros, as mesmas bebedeiras... Enfim, éramos os melhores amigos.

Fomos crescendo. Ele mudou e eu mudei. Tenho para mim que dos dois fui o único que cresceu, o que provocou um certo afastamento. Já não nos confundiam. Eu era eu e ele já era ele. Apareceram as namoradas. Cada um para seu lado: eu para o meu e ele para o lado dos seus problemas imaginados, das suas dúvidas existenciais e das suas atitudes extremistas e absurdas. Mais me eu me afastei. Não tinha paciência para aquele tipo de coisas. Também eu estava a passar pela adolescência, mas como nunca sofri dos males dessa tenebrosa idade nunca percebi quem sofria. Problema meu? Sim, é possível.

A verdade é que, apesar de já não sermos tão inseparáveis assim, de já não sermos os melhores amigos do mundo, nem tampouco andarmos a confidenciar coisas um ao outro, ele será sempre ele. Ouvi uma vez alguém dizer que é preciso ter confiança com uma pessoa para conversar com ela sobre qualquer coisa, mas é preciso ter muito mais confiança para a mandar calar. Bem, eu perdi a conta das vezes que já o mandei calar, e aposto que ele também já perdeu a conta das vezes que me mandou fechar a matraca. Zangávamo-nos, gritávamos um com o outro, agredíamo-nos com insultos brejeiros quase todos os dias, só para depois irmos beber uma bejeca para o balcão como se nada se tivesse passado. Como dois verdadeiros irmãos: brigas violentas e pazes silenciosas.

Há duas semanas o gajo estampou o carro numa árvore. Sobreviveu por pouco. Todo entubado e cheio de sedativos em cima, só há poucos dias se começaram a ouvir boas notícias. Regozijo-me com cada uma delas. Ainda não fui ao hospital porque Lisboa ainda é um esticão e quero evitar a todo o custo o cheiro do formol.
Mas todos os dias, todos, sem excepção, ergo bem alto o meu copo à saúde daquele gajo. Seja um copo verdadeiro, seja um imaginário:

À tua, meu caro amigo! E vê se te despachas daí que tenho umas piadas giras para te contar sobre o teu Benfica e, claro, sobre ti. Ou pensas que lá por teres estado a lutar pela vida te safas? Isso é que era bom...

domingo, agosto 19, 2007

Indígena ataca fotógrafo com algas ribeirinhas

Fotografia: L. Romudas. Indígena: António Luís Valente

Não resisto a descer o nível cultural deste blog...

Nova, boa e sem roupinha nenhuma! Aqui.

Encontrei isto aqui.

sábado, agosto 18, 2007

Sem título aparente #5

Fotografia: L. Romudas, Terródromo de Arraiolos

sexta-feira, agosto 17, 2007

Bom fim-de-semana!

E aqui está! A pedido de três ou quatro alminhas, aqui está mais uma das inúmeras pérolas daquela mente retorcida, e um bocado labrega, que é Zé Clarmonte.


A carteira de um homem.

"Carteiras de cabedal toda a gente tem. Uma carteira de cabedal (preto ou castanho, tanto faz) é uma questão de estatuto. Significa que o portador deixou a desbotada carteira das Tartarugas Ninja com o fecho de velcro já descosido e adoptou uma espaçosa e reluzente carteira de cabedal (mesmo que seja imitação). Significa que o portador deixou de ser um jovem imberbe para ser um adulto confiante em si próprio, que já pode beber umas bejecas, falar de futebol e, provavelmente, já viu o corpo (ao vivo) de uma mulher nua (que não a sua mãe). E à medida que esse adulto vai crescendo, a sua carteira vai crescendo também. Mesmo que o dinheiro não abunde, e mesmo que seja daquelas pessoas que ainda acha que o melhor local para guardar notas é o bolso da camisa, a outrora pequena carteira torna-se aos poucos num verdadeiro tijolo de quilo e meio. Cartões de crédito desactualizados, dezenas de números de telefone e endereços de e-mail escritos nos mais variados tipos de papel, cartões de vendedores aos quais nunca vão telefonar, autocolantes recebidos em peditórios de associações de reinserção social, calendários de todos os anos desde 1980, boletins de totoloto e euromilhões sem um único número premiado, fotografias da mulher, dos filhos e da namorada do liceu, juntamente com todos os cartões de todas as associações de que o portador faz parte e todos os documentos legais e actualizados, fazem da carteira de um adulto um mistério mais insondável que a mala de uma mulher. Mais misterioso ainda é o facto de conseguirem pôr a carteira no bolso de trás das calças e sentarem-se sem ficarem desnivelados, como quando se está a largar um flato. Ter-se-á a nádega em questão adaptado à forma do enchumaço? Ou a carteira encolhe por artes mágicas quando metida no bolso? Só coisas que me ralam...

* * *

Espantei-me quando entrei no consultório do médico. Estava um individuo, que não parecia ter mais de 16 anos a ler uns papéis, com uma carteira de cabedal para aí com 900 gramas pousada na secretária. "Tão novinho e já com uma carteira daquelas. Coitado." pensei eu para mim. Nisto, despedindo-se, apertou a mão ao senhor doutor, meteu a carteira na mochila Eastpak de padrão camuflado e saiu. "Ah, mochila... Assim está bem. Digam o que disserem os jovens de hoje são mais maduros e espertos."

Por Zé Clarmonte in Os Arquivos Sturu, 6 de Setembro de 2006


quinta-feira, agosto 16, 2007

Sleeping Beauty having a bad dream

"I was feeling like a creep,
as I watched you asleep,
face down in the grass in the park
in the middle of a hot afternoon;
your top was untied and I thought
how nice it will be to follow
the sweat down your spine;
You're still my best friend..."

Dave Matthews Band - Dream Girl


Fotografia: L. Romudas; Modelo (involuntário): Iris Salvação

P.S.: Não é costume alterar tanto um post depois de ser publicado. Não é costume, nem é suposto vir a ser. No entanto, esta é a excepção que confirma a regra (ainda estou para saber de que forma uma excepção confirma uma regra, mas tudo bem...)

terça-feira, agosto 14, 2007

A nostalgia de um blogger

A minha primeira experiência blogger começou em Agosto de 2005 com um patético blog "humorístico" de nome Os Arquivos Sturu. Na altura, cada vez que iniciava o Internet Explorer ou o MoZilla, parecia que era possuído(*) por uma entidade espiritual chamada Zé Clarmonte, e era nada mais nada menos que o tipo mais estúpido com quem alguma vez privei. Fazia piadolas, umas sem graça, outras com pouca, de tudo e mais alguma coisa. Inventava argumentos mirabolantes com personagens improváveis, umas mais reais que outras. Arranjou até umas alminhas penadas do mesmo calibre para lhe fazerem companhia e aquele, inicialmente fraquinho, blog ganhou consistência suficiente para sobreviver a mais de 600 posts e 11.000 visitas. No entanto, com o tempo o tal Zé Clarmonte cansou-se de me aparecer e, inadvertidamente, deixou muita gente com saudades. Inclusivamente a mim.

Agora, que tenho um blog mais ou menos sério, visito quase todos os dias os arquivos d'Os Arquivos com aquela lagriminha no canto do olho, com a sensação mista de dever cumprido e vontade de voltar àquela vida irascível e cáustica. Talvez um dia. Talvez. Até mesmo aqui, quem sabe?!

Bom, mas enquanto o Zé Clarmonte que ainda existe em mim vem e não vem, deixo-vos aqui com uma das pérolas produzidas por aquele magnífico espírito mirrado e mesquinho.

O Porquê

"Ontem perguntaram-me porque raio é que eu não saía do desterro onde vivo e ía viver para uma cidade grande, onde há empregos melhores que o meu, mais dinheiro, mais gajas, mais cultura, mais tudo. Eu respondi fazendo uso da minha fabulosa inteligência e da mais rebuscada argúcia: encolhendo os ombros. No entanto hoje, fez-se Luz. Hoje, finalmente descobri o porquê desta minha penosa estadia em tão ermo e desolado lugar. Perto da minha barraquita descobri uma tabuleta, meio comida por líquenes e a outra metade tapada por balsas, que diz somente isto: Rota dos Vinhos do Alentejo."

Por Zé Clarmonte, in Os Arquivos Sturu, 27 de Junho de 2006

(*) Possuído como num exorcismo, não no sentido de sodomia.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Sem título, sem conteúdo, sem nada...

Porque há coisas que simplesmente existem... Mesmo sem razão aparente.

Fotografia: L. Romudas

domingo, agosto 12, 2007

Batman, Dracula, ou apenas um rato com asas?


Nota
: Nenhum ser vivo foi maltratado durante esta fotografia. Bem, esta espreguiçadela forçada pode não ter sido muito agradável para o bicho, mas pouco depois lá esvoaçou não sei para onde. Sinal óbvio, portanto, de que estava tudo bem.

Fotografia: L. Romudas

sexta-feira, agosto 10, 2007

Louva-a-deus



"The act of dismounting is one of the most dangerous times for male mantids during copulation, for it is at this time that female mantids most frequently cannibalize their mates."

From Wikipedia

Traduzindo para bom português, quer dizer basicamente que "o acto de desmontar é lixado para o macho porque é nesta altura que a fêmea tende a canibalizá-lo". No entanto fiquei sem perceber se a gaja faz aquilo por querer mais ou se é porque o tipo não percebe nada do que está a fazer.

Fotografia: L. Romudas

quinta-feira, agosto 09, 2007

Under Construction...

Não se assustem com o aspecto deslavado do blog, nem tampouco com a falta de links na barra lateral. Os acidentes acontecem, os conhecimentos em HTML não são grande coisa e agora isto anda aqui tudo num alvoroço. Pedimos desculpas e prometemos ser o mais breves possivel. Obrigado

quarta-feira, agosto 08, 2007

Blackle: Porque é preciso mudar certos costumes

A minha cara colega e amiga Ana Dionisio alertou-me, via emeile, de um novo motor de busca. Um motor de busca espectacular. Uma coisa nunca antes vista! Bem, na verdade não é mais rápido que nenhum dos outros, nem encontra mais referências que os outros, mas faz algo que nenhum outro consegue fazer: poupa energia. Sim, poupa energia. Como? Passo a explicar por palavras alheias:

"Quando o monitor está todo branco (uma página do Word, por exemplo), o computador consome cerca de 74 watts. Quando está todo preto, utiliza, em média, 59 watts. Partindo deste princípio, há alguns meses atrás, Mark Ontkush escreveu um artigo sobre a economia que poderia ser feita se a página do Google possuísse um fundo preto em vez de branco.

Levando em conta a altíssima popularidade do site, seriam economizados, segundo os cálculos de Mark, cerca de 750 megawatt/hora por ano.
"

Ora vai daí, a Heap Media seguiu a deixa e construiu o Blackle. Depressa apadrinhado pelos Senhores do Google, fica agora conhecido como Google Negro, o Poupa-Watts.
Mesmo que as tais contas do sr. Mark estejam erradas o Blackle tem outro propósito: consciencializar mentalidades para os perigos do excesso de consumo de energia, que por sua vez desaguam no aquecimento global e em inevitáveis e terríveis mudanças climáticas.
A verdade é que é preciso poupar energia. Não porque seja cara, e é, mas porque o planeta precisa que se poupe energia. Já lhe fizémos tanto mal que mudar de motor de busca parece uma coisinha tão absurdamente fácil que não posso deixar de o fazer. Por outras palavras, vou começar a usar o Blackle. E você, o que já fez pelo seu planeta hoje?

terça-feira, agosto 07, 2007

Anjos e Sombras

Fotografia: L. Romudas, com a criativa assistência de Ângela Fortes.

domingo, agosto 05, 2007

Preparativos

Fotografia: L. Romudas, Vimieiro

quinta-feira, agosto 02, 2007

In blue...


Fotografia: L. Romudas

domingo, julho 29, 2007

Pedido de desculpas

Venho por este meio pedir as mais humildes desculpas à meia dúzia de alminhas que aqui costumam vir com esperanças de ver coisas novas publicadass. Mas sabem como diz o velho ditado: "a taxa de posts num blog é inversamente proporcional à quantidade de trabalho do autor". Portanto, mais trabalho, menos posts. E aqui em baixo está a razão porque este blog não tem sido actualizado durante a última semana:


Orgulhosamente, de António Pedro Valente e Luís Romudas.

domingo, julho 22, 2007

Desportos Náuticos


Fotografia: L. Romudas. Açude do Gameiro, Mora

sexta-feira, julho 20, 2007

Conversa desfiada

A boa educação faz-nos agradecer por tudo e por nada. Agradecemos à menina da tasca por nos servir o café e depois agradecemos quando nos traz o troco, apesar de não fazer mais que a obrigação dela. Agradecemos quando recebemos presentes e agradecemos quando alguém nos pergunta como estamos. Agradecemos tudo por tudo e por nada. Assim não é de todo descabido agradecer a quem nos faz rir, sorrir, reflectir e pensar. Não é de todo descabido agradecer a pessoas brilhantes pela sua própria existência, ou melhor, por saberem fazer tão bem aquilo que fazem. Portanto, não é de todo descabido, muito pelo contrário, agradecer a pessoas como o José Bandeira, do Bandeira ao Vento, ou o Pedro Aniceto, esse rafeiro atulhado de pulgas, ou o RB do Pensamentos SGPS, ou mesmo o Chris Jones, autor do Grumps e co-autor do Captain Excelsior e até ao irascível Nozzman.
A todos estes senhores um sentido muito obrigado acompanhado, claro, da devida vénia.
Ou seja: Thank you very much, gentlemen, for your artwork.
Thank you very much for you.

Obrigado pela atenção dispensada, voltem sempre. Tenho dito.


P.S.: Por favor, pela vossa saúdinha, pelo amor de Deus e de todas as alminhas na Terra, no Céu e no Inferno, vejam isto aqui e depois digam-me se ainda há ou não há gente genial neste mundo.

quarta-feira, julho 18, 2007

Flying or falling?


Fotografia: L. Romudas. Novo Circo de Shangai, Arraiolos '07

segunda-feira, julho 16, 2007

These are the days that I've been missing...


Fotografia: L. Romudas. Em Coruche
Titulo do post: Jamie Cullum

domingo, julho 15, 2007

Painel Informativo


Fotografia: L. Romudas. Fotografia tirada durante as obras da nova portagem de Benavente. Sim, aquela da Ponte da Lezíria.

sexta-feira, julho 13, 2007

Hoje perdi a cabeça e fui comprar música!

Não é muito normal, nos dias que correm, comprar cds originais. São caros e não cabem no leitor de mp3. Mais vale "sacá-los" logo do e-Mule ou pedir a alguém que o faça por nós, não é? Também acho que sim. Inexplicavelmente neste país é tudo muito caro e se andarmos todos numa de gastar dinheiro em álbuns originais então bem podemos começar a fazer umas horas extra no Parque Eduardo VII porque não é só com o salário que vamos lá. Gostava que alguém me explicasse porque é que o livro da Carolina Salgado, por exemplo, é considerado produto cultural e goza de um I.V.A. de 5 ou 6 % e um álbum dos Madredeus é considerado produto de luxo e tem um I.V.A. de 21%. Esta é mesmo à Portugal, não é?

A verdade é que poucas compras me dão mais prazer do que a música. Para mim, comprar cds é tanto um acto de reverência para com músicos e produtores como um acto de prazer lambuzado, como uma mulher à caça na época de saldos. As cestas dos "Friendly Prices" revolvo-as furiosamente à procura de presas que me sirvam. As prateleiras das novidades observo-as com falso desinteresse, como um leão escolhe o alvo no meio de uma manada de búfalos. Pá, há quem não se possa aproximar das Bershkas, das H&Ms ou das Zaras, eu não me posso aproximar das Fnacs, Wortens e companhia. São problemas que as pessoas têem!

Isto tudo para dizer que hoje fui à caça e vim de lá bem carregado e o meu banco uns 70 euros mais pobre.
























































E ainda neste post...

O OBRIGADO À EVERYTHING IS NEW PELA SUA DANCE STATION!

A nova produtora de espectáculos musicais fez ontem outra das suas. Depois de terem sido os únicos com coragem para trazer a Dave Matthews Band a Portugal, eis que metem uma data de DJs divididos entre o Coliseu e a Estação do Rossio, sim aquela dos comboios, e não é que a malta adere em massa?! Só estive na Estação, portanto não sei o que se passou no Coliseu, mas ali foi a loucura! O local foi mais que bem escolhido e os protagonistas também. Um excelente aquecimento a cargo de Jori Hulkkonen, Erol Alkan, Justin Robertson e Tiga para chegarem os senhores da noite e deitarem o resto da casa abaixo: The Chemical Brothers. Quem conhece sabe do que os rapazes são capazes, e acho que na noite de ontem se havia lá quem não gostasse deles decerto que mudou de ideias. Muito som, muita luz, muitos lasers, muito tudo. E, se na maior parte das vezes, quantidade não significa qualidade, ontem os Brothers e Álvaro Covões mostraram-nos que quantidade também pode ser um perfeito sinónimo de qualidade. Muito obrigado à Everything Is New e todos os intervenientes na Dance Station.

quarta-feira, julho 11, 2007

Cadeireiro


Fotografia: L. Romudas

segunda-feira, julho 09, 2007

Casamentos no século XXI


Fotografia: L. Romudas

Eu sei, eu sei: outra crítica ao estilo de vida do século XXI. Mais um bocado e pareço o Velho do Restelo opondo-se a toda e qualquer inovação ou novidade. A todas não, mas a algumas oponho-me, sim. E esta é uma delas. Ora dois simpáticos pombinhos juntam os trapinhos e ZÁS! vai tudo de máquina digital em punho (malvada tecnologia!) a sacar fotografias e videos da cerimónia quando os noivos, eles próprios, pagaram um balúrdio a uma equipa de fotógrafos profissionais para o fazer! E pior, a pequena máquina de bolso (coitada, ela só quer tirar fotografias) chega mesmo a ter o papel principal numa espécie de exibição de status social pós-choque tecnológico. É cómico, mas chega a ser verdadeiramente patético.

Hoje em dia, para onde quer que vamos a sacaninha da máquina fotográfica tem que lá estar sempre. As maravilhas que visitamos, as horas passadas com os amigos à roda de uma mesa, as férias de natal, de verão e de carnaval já não são admiradas e contempladas no local e no tempo devido, mas sim uns dias depois, em frente a um qualquer computador ou televisão. E isso é muito triste. Chega-se mesmo a abdicar da pura diversão em detrimento de recordações daqueles momentos. Mas recordação de quê, se anda tudo de máquina em riste a tentar encher o cartãozinho de memória com imagens que afinal não têem sentido nenhum?

E agora vocês dizem "ah, e tal, mas tu também andas sempre com a máquina atrás e agora 'tás p'raí a falar dos outros". Sim, é verdade, ando sempre de máquina atrás, mas quem me conhece sabe bem que chega a uma altura em que a minha mais-que-tudo Nikon D70s com a lente Sigma 28-300 mm, ou a Nikkor 17-70 mm, vai para dentro do saquinho descansar que o resto do dia ou da noite é para mim e para quem estiver comigo. É ou não é?

"Turns out not where
but who you're with
That really matters..."

domingo, julho 08, 2007

Sad faces influence so easily...

Fotografia: L. Romudas

* * *

Pela aparente hibernação deste blog, e também pela falta de visitas e comentários aos blogs da vizinhança, a gerência desta espelunca pede as mais humildes desculpas, no entanto não tem culpa nenhuma que os seres humanos do século XXI sejam obrigados a trabalhar para poderem sobreviver.
Este facto não deixa de ter piada: apesar de nós, espécie humana, existirmos aí há uns 20.000 anos, em cada passo que damos em direcção ao desenvolvimento ficamos cada vez mais escravos do nosso modo de vida, das nossas obrigações e das responsabilidades, enfim, de nós próprios. Isn't it ironic?

segunda-feira, julho 02, 2007

O Amor

Se não está com paciência para este tipo de conversas ou acha que o amor é uma pateguice das novelas e o que eles e elas querem mesmo é sexo desenfreado, pode fechar esta janela ou clicar em "Back" no topo esquerdo do seu browser. Se não sabe o que é um browser vá ao Google. Se não sabe o que é o Google saia já dessa cadeira que os computadores não são para a sua idade.

Bem, na verdade acho que não consigo escrever nada decente sobre um sentimento com tantas variantes, nuances e até mesmo perigos. O amor sente-se e pronto, não é?! É assim que é suposto ser. Foi para isso que ele foi feito. Para ser sentido. Ou será que é apenas uma série de respostas químicas a um determinado estímulo, neste caso a uma pessoa, ou várias, dependendo dos casos? Será que não é só mais uma das incríveis artimanhas do fabuloso corpo humano para obrigar à perpetuação da espécie? Em última análise é isso mesmo: processos químicos. Processos químicos tão complexos e tão perfeitos, com um final tão simples e tão básico, que apetece chamar ao amor a verdadeira maravilha da evolução!

Já sabíamos que o centro das emoções não era no coraçãozinho, mas sim no hipotálamo. Portanto, da próxima que virem alguém a meio de um desgosto amoroso não digam que ela, ou ele, lhe partiu o coração, mas sim que lhe atrofiou o hipotálamo. E não digam que tal gajo (a) está apaixonado (a). Está sim, com elevados níveis de endorfinas nos neurónios. Ah pois! Qual paixão qual quê?! Procriar... Isso é que eles querem, pá!

Afinal, o amor, esse sentimento tão arrebatador e poderoso, não passa de uma espécie de droga orgânica que nós, pobres ignorantes, confundimos com uma coisa capaz de mover montanhas e mais não sei quê. No entanto, se o amor é mesmo uma droga, e é-o, devia ser possível substituí-la por outra, tipo heroína-metadona. Mas não é, e é aqui que essa droga se diferencia das outras todas: depois de se provar uma boa dose de amor a sério nunca mais seremos os mesmos. Podemos experimentar todos os narcóticos e fármacos que existirem no mundo, que nenhum é superior àquele, nem tampouco preenche o vazio por ele deixado.
Quem achar que não tenho razão, faça o favor de se expressar.

sábado, junho 30, 2007

Que belo petisco...

Fotografia: L. Romudas

quarta-feira, junho 27, 2007

Auto-retrato #1


Na falta de melhor assunto, hoje aqui me têem. Moi méme! E já é uma valente sorte!

Fotografia: L. Romudas. Modelo: L. Romudas... What else?

terça-feira, junho 26, 2007

Ora toma lá!

Já tentei fazer aquilo com os dedos dos pés mas não consigo. Não sei se é por causa das garras se é mesmo falta de jeito. Ou então uma mistura das duas.

Fotografia: L. Romudas. Modelo: o pé direito da Ângela Fortes.

segunda-feira, junho 25, 2007

Assim ainda te magoas, rapaz!


Fotografia: L. Romudas. Guarda-redes William numa posição pouco ortodoxa durante um Sporting-Boavista da época passado. Sim, ganhou o SCP.

domingo, junho 24, 2007

Ganda máquina!


Fotografia: L. Romudas. Pipas e o Ferrari de alguém em Milfontes ainda no ano passado.

sexta-feira, junho 22, 2007

Playstation ancestral


Fotografia: L. Romudas

quarta-feira, junho 20, 2007

Texto revolucionário

Este texto era para ser revolucionário. Era suposto ter uma qualquer revelação bombástica que fizesse o leitor explodir de entusiasmo. Era suposto ter uma daquelas revelações tão simples que nunca pensámos que seria possível algo tão complicado ser assim tão simples. Tinha pensado num texto em que essa tal revelação se formasse na mente do leitor como por encanto, sem ele se aperceber, para depois ficar boquiaberto durante uns segundos enquanto reflectia sobre o assunto. Era para ser um daqueles textos que ficam na primeira página de um blog durante semanas seguidas, e em que a caixa de comentários se transforma num fórum ou até numa sala de chat, lenta e aborrecida, mas fervilhante de opiniões construtivas e boas ideias.
Estão a ver o estilo?

Epá, isto ia ser um texto mesmo revolucionário!
Mas afinal nunca passou disso mesmo: do “ia ser”.
Eu, por exemplo, ia sendo arquitecto, mas só consegui chegar ao 12º ano, com uma média miserável e sem a matemática feita. Tal como este texto, o ideal era bom, mas a sua realização nunca passou de uma tremeluzente miragem.
Podia ter-me esforçado e ter feito a matemática, não é? E também podia ter-me esforçado e ter pensado numa ideia brilhante para elevar este texto ao estatuto de “texto revolucionário”, que era essa, afinal, a razão da existência deste dito cujo. O problema é que estou cansado. Extenuado, esgotado, exaurido fisicamente, o que se reflecte de sobremaneira na minha capacidade imaginativa, e penso, assim acontecerá com todos. A verdade é que este texto não é revolucionário simplesmente porque as condicionantes exteriores a ele não lho permitiram ser.

É, contudo, um bom texto. Bem redigido, bem pontuado, fluído, enfim, bem construído. E mais importante que tudo: existe. Sem grande conteúdo à primeira vista, é certo, mas existe. No entanto, não é à primeira vista que nos apercebemos da verdadeira natureza das coisas, pois não?

E aqui está a desejada revelação: este texto lembra-me todas as pessoas que conheço.
Lembra-me, principalmente, a mim mesmo.

segunda-feira, junho 18, 2007

Campismo Selvagem


Era mesmo campismo selvagem. Dormir no chão, acordar com bicheza por todo o lado, comer uma carpa acabada de pescar, e mal cozinhada como o raio, num prato infestado de formigas e depois cagar em pé, isso é perfeitamente suportável. A Playstation e o som é que não podem faltar!

Fotografia: L. Romudas

domingo, junho 17, 2007

Sem título aparente #4


Fotografia: L. Romudas

sexta-feira, junho 15, 2007

Que dia de cão... "Mas como, se os cães não fazem nada?" Pronto, que dia de m#&%@! "Ah, pronto assim está bem..."

Obras. Agora estou a trabalhar nas obras. É assim a vidinha. Num dia somos técnicos de qualidade e no outro andamos a puxar cabos de 65 mm (de espessura) auto-estrada afora debaixo de um sufocante calor húmido e de nuvens de pó e mosquitos. Depois de um dia árduo de trabalho sabe bem chegar a casa e ligar a televisão para ver que Joe Berardo continua sem saber o que fazer ao dinheiro. E sabe também bem visitar a nova coluna de links que arranjei: a Tiras Frescas. Um verdadeiro tónico pós-laboral. Procurem ali do lado esquerdo... mais abaixo... mais abaixo... aí mesmo!

quinta-feira, junho 14, 2007

Sem título aparente #3


Fotografia: L. Romudas

quarta-feira, junho 13, 2007

Vícios

Vício (do latim "vitium", que significa "falha ou defeito") é uma tendência habitual para certo mal, sendo oposto à virtude.

Este pressuposto não podia estar mais errado. Primeiro porque um vício nunca é mau. Só o é quando gera problemas, quer sejam de saúde, económicos ou sociais. Devem querer um exemplo, não é? Ora cá vai: um tipo que esteja viciado no jogo. Se for ganhando carradas de dinheiro o vício é benéfico para ele. Mas quando começa a perder tem de saber desistir a tempo de não se enterrar num monte de dívidas, o que, regra geral não acontece e é aqui que o vício do jogo se torna um problema grave.

Todos temos vícios. Seja ele fumar, roer as unhas ou beber perfumes caros, todos temos pelo menos um vício. Não me digam que não. E se disserem chamo-vos logo mentirosos de primeira água! Todos temos vícios porque precisamos deles como do ar para respirar. Precisamos do escape que os nossos vícios nos proporcionam. Precisamos da sensação de eles nos oferecem para conservarmos a nossa sanidade mental. Quer vivamos numa metrópole, quer numa aldeia de 20 habitantes, os nossos vícios são os nossos melhores amigos, e servem tanto para relaxar como para "agitar" o nosso eu interior. Precisamos e precisaremos sempre deles. Os vícios nunca nos tornarão melhores pessoas. Simplesmente nos tornam mais pessoas.

Mas é preciso ter cuidado, claro, para o vício não se tornar uma obsessão. Vício é vício, obsessão é completa e total dependência. É preciso não confundir. Por exemplo, não podemos por um toxicodependente no mesmo saco que um viciado no jogo ou que um fumador. Os dois últimos são viciados, e apesar de estarem de alguma forma dependentes do seu vício, não passa de pura psicologia, enquanto um heroinómano, está física e psicologicamente dependente da sua dose diária de cavalinho. Já viram um fumador cheio de dores, a vomitar e com febre porque não fumou o seu cigarro depois de almoço?

A sociedade em que vivemos tende a diabolizar os vícios, e até mesmo, a desprezar quem os tem. Na verdade apenas tenta substituir os nossos vícios pelos vícios dos outros. Não fume, não beba. Vá correr no parque. Faça exercício. Faça isto, faça aquilo, mas não faça isto nem faça aquilo porque senão ainda morre. Ai sim?... E depois? Conheço um gajo que durante toda a vida praticou desporto. Jogava à bola, fazia jogging e para além de não fumar também não bebia. Uma vez, a meio de uma peladinha com uns amigos deu-lhe uma coisinha má e ia-se ficando a caminho do hospital. Mas até esse gajo é viciado. Em desporto, mas é um viciado como outro qualquer.

Nunca acreditem em alguém que diz não ter vícios. Ou é mentiroso compulsivo, ou o vício é tão vergonhoso que não pode contar, ou então ainda não tomou consciência de si próprio.
Ou então é uma criança de 6 anos e não sabe o que é a palavra vício.

Tudo o que é demais faz mal, não é? Mas sabe tão bem. A questão é que há vícios prejudiciais e vícios menos saudáveis, mas todos, todos sem excepção, podem levar à morte. Podemo-nos engasgar a roer uma unha, a ninfomaníaca pode cair da cama e partir o pescoço, o viciado em jogo pode ser apanhado a fazer batota e levar um tiro na tromba, mas também pode acontecer ao fumador compulsivo morrer atropelado por um viciado no trabalho, que também era alcoólico e morreu com um cancro no cérebro.

Para quê preocuparmo-nos demasiado?

segunda-feira, junho 11, 2007

Novo Circo de Shangai: não tentem isto em casa, por favor!




Só de olhar já me doem as costas...

Fotografia: L. Romudas

domingo, junho 10, 2007

"Pássaros" aterram no terródromo de Arraiolos



































Fotografia: L. Romudas

sábado, junho 09, 2007

A inveja, esse costume tão português.

A inveja é uma coisa muito feia, diz-se. É mentira. Desconfiem sempre de alguém que diz isso como se soubesse o que está a dizer. Se o diz assim é porque para ele a inveja é uma coisa mesmo feia e todos sabemos o apetite voraz que o ser humano tem para coisas feias. A bem dizer, é ignorante: confunde inveja com cobiça. A inveja não é uma coisa feia. Feia é a cobiça. Por exemplo: se cobiçar o talento de alguém é porque quero ser ele (ou ela) e se cobiçar a mulher dele (ou dela) é porque quero aquela mulher, mas se invejar o talento dele (ou dela) é porque quero ser como ele (ou como ela), é porque admiro essa pessoa e quero melhorar o suficiente para ao menos lhe chegar aos calcanhares. E se invejar determinado gajo pela mulher que tem é porque gostava de ter uma daquele género e não propriamente aquela, percebem?

E é bom admitirmos que temos inveja de alguém. Com este texto simplesmente provo que tenho uma certa inveja do Rui Zink, não por ter publicado livros, não por ser uma figura pública, não por ser professor, nem sequer pelo dinheiro que tem. Tenho uma certa inveja do Rui Zink pela maneira como escreve e sobre o que escreve. Só li um livro dele, é certo, mas gostei tanto daquela maneira simples, banal e terra-a-terra com que escreve que de certa forma me inspirou a fazer o mesmo: escrever as reflexões que vamos tendo ao longo dos dias que passam, sejam elas sobre o sentido da vida ou a diferença entre uma mini Sagres e uma mini Super Bock (Sagres 4ever).

Outro gajo de quem tenho uma inveja do caraças é o habitante deste espaço aqui. E habita este também, e este. António Pedro Valente Valente (não, não me enganei, é mesmo o nome dele, o que querem que eu faça?). E não o invejo por trabalhar para um dos principais jornais diários. Invejo-o pelo talento. Um talento tão grande que só é ultrapassado pela própria altura: um metro e noventa e tal, por contas baixas. Pensando bem, até na altura ele tem sorte, pois que maior pesadelo terá um repórter fotográfico que não seja não conseguir fotografar determinado evento por não ter contacto visual devido à baixa estatura e a multidões? Além disso, adoro ir ver concertos com ele. Quando nos desencontramos é relativamente fácil descobri-lo no meio da maralha de gente.
Mas é mesmo bom fotógrafo. Além de bom professor, bom mentor e bom amigo.
Que homenagem esta, ein? Não estavas à espera, pois não, Tó?

Resumindo: tenham inveja. Tenham inveja de quem admiram e queiram ser como eles, ou melhores, nunca deixando de ser vocês mesmo. Tenham inveja porque ao terem inveja estão a aprender com o invejado. Tenham inveja e assumam-no, não com malícia e falso desprezo, mas com sinceridade e admiração. Tenham inveja de alguém porque provavelmente alguém também terá inveja de vocês e isso é impagável.


Fotografia e texto: L. Romudas