quarta-feira, janeiro 16, 2008

Um Cêntimo

Paraliso cada vez que é suposto receber um, dois ou três cêntimos de troco. Se bem que essa paralisia momentânea é bem mais pujante aquando da recepção da mais insignificante e estúpida moeda de euro. Por alguma razão que desconheço a minha psique sente-se confusa entre passar por forreta e aceitar a minúscula moeda, ou disfaçar-se de esbanjadora e não aceitar.

Primeiro que tudo há que perceber que um cêntimo é um centésimo de euro, na moeda antiga dois escudos, e não há nada que custe isso, nem sequer as máquinas de tabaco o querem. O único objectivo da moeda de 1 cêntimo é somente servir de troco, ou se quiserem, de demasia. A coitada passa completamente ao lado do primordial objectivo do dinheiro: aquisição de bens. E, tirando os cromos que "fazem colecção" de moedas de cêntimo, ninguém compra nada com o raio da moeda. Por outro lado, é legítimo pensar que ao deixarmos todos os dias 1 cêntimo de gorjeta à senhora da padaria, são 3.65 € por ano que a tipa ganha, e se multiplicarmos por 30 ou 40 clientes diários depressa chegamos à conclusão que a moeda de cêntimo é uma ferramenta do capitalismo com vista a lucrar com a condescendência do consumidor.

Ora, tendo em conta isto tudo o que é que se pode fazer com a inútil da moeda? Bem, se o caro leitor for um maquiavélico filantropo pode sempre encher boiões de compota de moedas de cêntimo e oferecê-las, não sem algum sarcasmo, aos mais necessitados. Se for um fanático das missangas pode fazer colares e pulseiras maravilhosas. Ou se for como eu, passa por sovina 50 vezes e vai beber um simples café, de consciência tranquila porque aquela meia centena de insípidas moedas cumpriram, pelo menos uma vez, o seu objectivo de vida.

A herança de C. Ronaldo



Eric Cantona 1 - Sunderland 0
Manchester, 1996

terça-feira, janeiro 15, 2008

E agora algo completamente diferente: A LEI DO TABACO!

Ainda aqui não tinha dado a minha opinião sobre a polémica lei que faz com fiquemos, eu fumador me assumo, à porta da maior parte dos cafés e restaurantes. E como bom português que sou sinto-me na obrigação de dar a minha opinião, ainda que ninguém ma peça, portanto, cá vai... Bem, melhor ainda é dar a minha opinião, sobre a tal lei e as suas consequências, através da opinião de outra pessoa que já teve o incomensurável trabalho de a escrever. Isto, não só é autenticamente português, note-se, como tipicamente alentejano.
Eu, alentejano me assumo.

"Nunca tive tanta noção de o tabaco ser uma droga como nos últimos 15 dias, após ler textos alucinados por parte de colunistas habitualmente respeitáveis como Vasco Pulido Valente ou Miguel Sousa Tavares. O que eles têm escrito sobre a nova lei do tabaco, deitando mão a comparações que deviam envergonhar qualquer pessoa que tenha lido dois livros de História, é de tal modo inconcebível que só se explica pela carência de nicotina. Eles fingem que um café inundado de fumo é coisa que não incomoda ninguém. Eles chamam fascismo a uma decisão que chateia dois milhões de portugueses e protege oito milhões. E Sousa Tavares conseguiu mesmo a proeza de afirmar no Expresso, sem corar de vergonha, que a lei faz "lembrar, irresistivelmente, os primeiros decretos antijudeus da Alemanha nazi". Ora, isto não é texto de um colunista prestigiado - isto é conversa de um junkie a quem o dealer cortou na dose. Faço, pois, votos que os fumadores descompensados acabem de ressacar rapidamente, para o bom senso regressar e nós podermos voltar a lê-los com gosto."

João Miguel Tavares in Diário de Notícias 15/01/2008


Ah, por falar nisso:

Neste estabelecimento.

Descubra as diferenças













O da esquerda é Geoffrey Rush (o Barbossa do Piratas das Caraíbas), o da direita é James Woods (o famigerado advogado Sebastian Stark na série Lei do Mais Forte). Acreditem ou não, até anteontem pensava que eram a mesma pessoa. Hoje, finalmente tirei as teimas. E em boa hora o fiz: tenho dormido mal, como se tivesse uma espinha atravessada no cérebro. Talvez seja disto. Espero bem que seja disto.


segunda-feira, janeiro 14, 2008

A segunda fita de 2008 - Barry Lyndon

O filme é velho, de 1975, e o romance original ainda mais, de 1844. Mas não se nota. A história da ascensão e queda de Redmond Barry Lyndon podia ser adaptada a qualquer época histórica e filmada em qualquer altura, desde que fosse realizada, como foi, por Stanley Kubrick, que transforma uma história mediana em algo que roça o excelente. A história é simples: jovem de média classe aspira às altas esferas da sociedade, e, apesar de conseguir lá chegar, não consegue manter o estatuto. O filme está mesmo dividido ao meio com a a palavra "Intermission". A primeira parte trata da ascensão, a segunda da queda. Como disse, uma história mediana. O que me fascinou no argumento foram as personagens e o elenco escolhido para as representar. Não há personagens boas nem más. Todas têm as suas razões para fazer o que fazem e, se num momento (por exemplo) podemos censurar Barry por ter espancado o seu enteado, no momento seguinte apetece-nos fazer o mesmo (ver video abaixo). O que me agradou no elenco é que não há gente demasiado bonita. As personagens demasiado bonitas são inverosímeis, e Kubrick sabe disso. Na verdade conseguiu uma perfeita sintonia entre personagens e intérpretes.



Inspirado pelos pintores da época, Kubrick, compôs cenários campestres tão assombrosos como simples e naturais. Tira partido das linhas rectas dos luxuosos palácios do século XVII para transmitir, ora a solidão e inutilidade de um palácio gigante ocupado por uma mão cheia de pessoas, ora a opressão que toda aquela opulência e futilidade faz cair sob o ombro das personagens. Reza a lenda que Alcott, o director de fotografia, terá encomendado um conjunto de lentes especiais à NASA que lhe permitissem filmar uma cena apenas com luz de velas. Não consegui confirmar a veracidade disto (o que sei veio da Wikipedia), o que é certo é que essas cenas estão muito bem filmadas, tão bem filmadas que é quase possível sentir o cheiro adocicado da cêra quente. E quem usa tão bem a luz também sabe usar o som. Joga mais com os silêncios do que com banda sonora, atirando a "realidade" da acção à cara do espectador, mantendo-o bem acordado e atento apesar da fleuma que caracteriza este tipo de romance.

Em suma, é um excelente filme, mas não sublime, simplesmente porque há poucos filmes sublimes e este não é um deles. Não é indispensável, mas é muito, muito interessante, ainda para mais para um aprendiz de fotógrafo. A Time diz que é um dos 100 melhores de sempre e a Academia deu-lhe quatro Oscares. Bem, não tenho razões para discordar.

Leva 4,5 de 0 a 5.

sábado, janeiro 12, 2008

Palavras de que gosto: Pusilânime

Por exemplos:

«E ela, fingindo não gostar do apalpão, teve a menos instintiva das atitudes e pontapeou-o pusilanimemente em cheio nos "cojones".»

«Ele, pusilânime, lembrando-se das palavras da sua mãezinha "não aceites nada de estranhos" mandou-a fechar as pernas e ir para casa.»


Para o ignorante preguiçoso: Pusilânime: adj. e s. 2 gén., que ou aquele que é fraco de ânimo; tímido; cobarde; medroso; poltrão.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Monty Python e a problemática da aeronáutica ovina



A qualidade do discurso de John Cleese (o "engenheiro" mais alto) é de levar um Baudelaire às lágrimas de desespero, mas a eloquência, meus senhores, é de fazer envergonhar Mário Viegas a recitar Camões. Brilhante.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Novo anexo

Não sei se repararam mas este estabelecimento tem andado em obras de alargamento. É a natureza humana. Por melhor que as coisas estejam há sempre espaço para mais obras. Portanto, aprovado por estudos do LNEC, da CIP e um ou dois pareceres da Quercus, foi construído mais um anexo, ao lado do já existente Party Log, para onde irão, apenas e só, as fotografias tiradas aqui pelo vosso mestre taberneiro. Agora em tamanho grande, não terão mais desculpas os míopes e os astigmatas para não as verem. Quanto aos invisuais não há nada a fazer, já que a tuberculose levou Louis Braille antes deste ter criado um código que servisse.

Portanto, pelo poder com que Deus e o Blogger me agraciaram, tenho o prazer de vos apresentar a... (rufar de tambores):Enjoy it.

terça-feira, janeiro 08, 2008

A primeira fita de 2008 - Delírios

Digamos que é uma espécie de filme de sábado à tarde mas melhor. Muito melhor. Michael Pitt, na pele do jovem sem-abrigo Toby, muito natural e honesto, a deixar-se levar ao sabor dos acontecimentos a partir do momento que conhece o não tão honesto paparazzo (pois é: paparazzo é o singular de paparazzi, senhor realizador) Les Galantine (Steve Buscemi). E esse sabor dos acontecimento é tão frenético que num dia Toby está a beijar um cartaz de K'harma, a Britney Spears da história, e no outro está num minúsculo jacuzzi com ela. O que é interessante é que isto acontece quase sem darmos conta, de tão natural e verosímil que é. Pode acontecer a qualquer um... Que seja tão bem parecido como Pitt, claro. Em suma: um conto de fadas à século XXI, mas bem contado, sem grandes artifícios, sem aquela histeria colegial e infantil que polvilha os "clássicos" de sábado à tarde. Portanto, apesar de não ser algo brilhante, vale a pena ver. Além do mais, tem Gina Gershon que é uma espécie de vinho do Porto já com uns aninhos em cascas de carvalho. Nham nham!

Leva, vá, 3 estrelas em 5 possíveis.

domingo, janeiro 06, 2008

Kite


Fotografia: L. Romudas.

sábado, janeiro 05, 2008

Cliché

Fotografia: L. Romudas. V. N. Milfontes

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Ora bolas...

Ainda aqui não se tinha festejado o Ano Novo. Ainda nem se comeram as passas nem se abriu o champanhe de Sacavém. Nem tampouco se fez uma das coisas mais foleiras que se costuma fazer mal um ano finda: listas e balanços. Bom, o balanço de 2007, como qualquer bom balanço, é assim-assim. E quanto às listas, tenho aqui uma. A dos blogs que mais visito. Uns estão na lista porque estavam nomeados para outros prémios bem mais "respeitáveis". Outros já estão no meu top ten há anos e há outros ainda que foram roubados aos primeiros e aos segundos, como se quer numa comunidade blogger saudável. Aviso da gerência: a lista está organizada por ordem alfabética, ou algo parecido, e não por preferência.

- Ana de Amsterdam
- Bandeira ao Vento
- Cão Com Pulgas
- Diário
- Inépcia
- Irmão Lúcia
- Obvious
- O Efeito Gorskii
- Photo-a-trois
- RAIM's Blog

Não, não há links para ninguém. Como é óbvio estão todos na lista do lado direito, portanto faça o favor de procurar. E não, também não há blogs de amigos entre o top ten porque não quero birras do género o-meu-blog-é-maior-que-o-dele, apesar de os visitar mais vezes que aos ilustres da lista. E é isto, prontos.

Resolução de Ano Novo: Adicionar o Abrupto à lista de links. Porém não será tarefa fácil... Um gajo não se torna um aborrecido intelectual sócio-político-literário de um dia para o outro.

P.S.: Feliz Ano Novo.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Like a Splashing Stone

Fotografia: L. Romudas

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Wallpaper


Fotografia: L. Romudas. Algures no Alentejo

sábado, dezembro 29, 2007

Out of focus

Fotografia: L. Romudas. Porto

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Pronto, pronto...linda menina... quieta, pronto...

Fotografia: L. Romudas. Festa de Natal na Garagem do Costume.

* * *

Para ver mais fotografias dessa festa, e de outras (brevemente), tenha a bondade de me acompanhar até à nova sala-do-fundo, onde está toda a gente. Venha, venha. É por aqui.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

FELIZ NATAL #1


"Foda-se, lá vem este gajo outra vez com a máquina" Version

Fotografia: L. Romudas. Vitor pede-me encarecidamente que me vá fornicar com um negro espadaúdo ao mesmo tempo que deseja um Feliz Natal a todos os leitores do Egosciente

FELIZ NATAL #2

"Ouve, se tu não tens um Feliz Natal parto-te a boca toda" Version

Fotografia: L. Romudas. Pipas e Valter "sugerem" que é melhor terem um Feliz Natal

FELIZ NATAL #3

Heavy Metal Version


Fotografia: L. Romudas. Pipas e Merlin desejam um "Merlin" Christmas a todos e todas!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Fractal #2


Mais um exemplo do que se pode fazer quando se domina a geometria não-Euclidiana. Ou mesmo quando não se domina... Se o caro leitor fôr um feto (arbóreo, não embrionário) ou um brócolo, fique desde já sabendo que é um fractal natural, afinal, algo muito comum no mundo botânico. Quem diria, hem?!
Se quiser saber mais, muito mais, sobre fractais e se tiver tempo, muito tempo, basta clicar aqui.