segunda-feira, junho 23, 2008

Shaun, the Sheep, by Aardman Studios

Não sei se já tinham ouvido falar do Shaun, the Sheep. Se ainda não ouviram falar, ora aqui está uma boa oportunidade de o fazerem. Outra genial produção dos estúdios Aardman (Wallace & Gromit), é uma série infantil que nos mostra o dia-a-dia de um rebanho de ovelhas deveras peculiar. O cão pastor e o, aparentemente, dono do rebanho compõem o elenco principal. Animação em plasticina ao melhor nível que se pode imaginar. Vi-os hoje no Onda Curta da RTP2 e tenho que vos mostrar isto. Até estou a pensar em postar um episódio todas as semanas, naquela de me armar em canal de televisão com entretenimento de extremo bom gosto.



Shaun, the Sheep - Little Sheep Of Horrors

domingo, junho 22, 2008

O meu Euro 2008 a partir de agora:

Buena Suerte, hermanos!

ou, se as coisas correrem mal hoje,

حظا سعيدا ، الناس من المشرق!



Adenda pós-120 minutos e penáltis: E viva España! Sempre simpatizei com os italianos, mas neste caso fui obrigado a abrir uma excepção. Os espanhóis estiveram do lado de Portugal, agora é justo torcer por eles. Afinal de contas são os nossos vizinhos do lado.

sábado, junho 21, 2008

Elevando o Nível Intelectual com Woody Allen


"(...) - Ok - disse ele. - Flashback para há seis meses atrás, quando o rapazinho da Sr. Endorfina, aqui o Max, andava em bolandas, emocionalmente falando, devido a uma série de atribulações, as quais, contando com a minha boina mal posta na cabeça, não foram de modo nenhum inferiores às de Job. Primeiro uma coisinha fofa da Formosa a quem eu andava a dar um curso de anatomia hidráulica dá-me com os pés, trocando-me por um aprendiz de pasteleiro; de seguida, sou processado numa soma equivalente a muitos presidentes mortos por fazer marcha atrás com o meu Jaguar contra uma Sala de Leitura de Cientologia. Acrescente-se a isso que o meu único filho de um anterior holocausto conubial desiste do seu lucrativo escritório de advocacia para se tornar ventriloquo. Por isso ali estava eu, deprimido e assustado, esquadrinhando a cidade em busca de uma raison d'être (...)"


Woody Allen
in Pura Anarquia
Gradiva Ficção

sexta-feira, junho 20, 2008

Mikroworld de Sam Buxton


Reza a lenda que Sam Buxton, um designer londrino que passou pelo Royal College of Art, quis fazer um cartão de apresentação profissional, como todo o profissional que se preze. Então, em vez de ir a uma daquelas máquinas automáticas de impressão de cartões, desenhou ele próprio um cartão (que, aliás, era de aço inoxidável) que, ao ser dobrado pelos sítio certos, se transformava numa figura tridimensional de um homem sentado num escritório. Ora, que melhor apresentação poderia haver para um designer? Daí a outras experiências de desconstrução-construção de folhas de aço inoxidável, como casas, carros, fundos marinhos ou prédios inteiros, foi apenas um passo. Um longo e extenuante passo. Um passo cheio de paciência e visão. Um passo brilhante.

Há uma exposição (Mikroworld) dos trabalhos do homem na biblioteca municipal de Arraiolos até 29 de Junho. Vão ver que vale a pena. Já lá fui algumas 6 vezes e continuo a ficar embevecido com aquilo tudo. Link

Na mesa de cabeceira...


Depois conto como foi. Já agora, o Leviathan, apesar de não ser o melhor livro do mundo (nem sei se existirá algo parecido) é muito bom. Aconselho. Para ler calmamente sem compromisso.

Ainda assim estamos entre os 8 melhores da Europa

Então quer dizer que Portugal, a aparentemente, toda-poderosa selecção portuguesa, levou nas trombas alarvemente de um bando de teutões mal-amanhados. E foi bem feito! No primeiro golo são vários os erros: quatro jogadores portugueses permitiram que apenas dois alemães passassem entre eles como se fossem espectadores de uma corrida Nascar. Segundos depois, Schweinsteiger (a nossa sexta-feira 13 com pernas, o nosso gato preto de cabelos prateados) está, antes de marcar o golo, a ser perseguido por um defesa (não percebi qual) e há outro que está plantado na área completamente sozinho. Pergunto-me se este último não terá visto o cruzamento ou, se por outro lado, quer ser alemão desde pequenino? Nos outros dois golos foi o que se viu: num, o Ricardo não sai da baliza e sofre um golo; no outro Ricardo sai da baliza e sofre um golo. Depois disso, toda a inteligência portuguesa foi posta em campo: contra uma defesa composta por torres intransponíveis em altura, vá de cruzamentos para a área sem o mínimo critério. Nada de jogadas individuais que perfurem a defesa, nada de velocidade, enfim, nada de usar as nossas vantagens tácticas sobre um adversário pobre em velocidade e técnica. Contra equipas como a Alemanha não se podem sofrer golos e tentar recuperar. Isso é praticamente impossível.

Ainda assim, foi bonito ver os germânicos entrarem em pânico cada vez que Portugal subia com a bola. Entravam em pânico porque não conhecem os nossos índices de estupidez natural. Foi bonito ver a poderosíssima Alemanha defender pontapés de canto com 11 jogadores, tendo eles a vantagem que têm e estando a ganhar por 2 a zero.
Portugal perdeu e perdeu bem. Merecia isso. A derrota, em primeira instância, serve a Alemanha, obviamente. Em segunda, e numa instância bem mais importante, devolve-nos os níveis de humildade que já começávamos a perder. Ser campeão da Europa ou do Mundo não é um caminho fácil nem curto. Não é em seis anos que um país assim, de fracas tradições futebolísticas, se transforma numa potência do futebol. Não, senhor. Mais Cristianos Ronaldos hão-de surgir e outros desaparecer antes de conseguirmos levantar uma taça daquelas. Claro que podem dizer "então e a Grécia?! Merecia?!" não, não merecia. Mas nós não gostamos de coisas assim, fáceis, quase a roçar a cobardia. Saber-me-ia a vinagre uma vitória assim. Uma vitória sem glória.

Scolari despediu-se de forma inglória. Vou ter saudades dele, acho que vamos todos, mas Felipão também merecia esta derrota. Apenas e só pelo facto de depois deste tempo todo ainda não ter percebido que Ricardo só deve ser convocado para jogar contra a Inglaterra.

Godspeed Scolari.

segunda-feira, junho 16, 2008

Se não há é porque não há, se há é o que se vê!

E pronto, o tapete já não está na rua e tudo volta à normalidade. Até mesmo este blog volta à normalidade. Mas antes de mais, antes de fazer a retrospectiva do que foi visto e achado n'O Tapete Está Na Rua 2008 (e não foram só tapetes, garanto-vos), quero desancar alguns leitores deste que abaixo vos assina. Então vocês, meus troca-tintas de meia tigela, depois de vos andar a moer o juízo durante dias a fio para se inscreverem no concurso de fotografia, mesmo assim não o fizeram?! Que raio! Trezentos e cinquenta euros em prémios não são suficientes para tão habilidosos fotógrafos, é? Dez euros será um preço demasiado alto para uma inscrição que até dava direito a uma exposição colectiva (além, claro dos prémios e de um farto jantar convívio)?! Com o devido respeito, sois todos um grande bando de anormais. Se oiço alguém nos próximos dias dizer que "ah, pensava que as inscrições ainda não tinham terminado e não sei quê" juro que o espanco com os quilos de Regulamentos e Fichas de Inscrição que mandei imprimir numa gráfica mais ou menos conceituada. Parecendo que não esta merda deu trabalho a organizar: fazer propostas para aprovação, andar a pedinchar verbas (ou pensam que o dinheiro da inscrição ia chegar para tudo?), compor cartazes e textos de apresentação, fazer um regulamento, arranjar um júri minimamente decente e andar a distribuir cartazes por todo o lado. Tudo para no fim ninguém se inscrever! Parvalhões! Não me enganam outra vez... Não senhor. Para a próxima arranjo maneira de participar também. Adeus e obrigado.


(Prontos, já passou... Mansinho... Mansinho... Lindo menino...)

segunda-feira, junho 02, 2008

Bloguices

O Telmo está a fazer uma private party. Fechou o blog a não-convidados e agora delicia-se com a ilusão de poder provocada pelo facto de ser ele a deixar, ou não, alguém entrar no seu espaço. Delicia-se com a ilusão de ser um porteiro espadaúdo e mal-encarado ao mesmo tempo que a ideia de ser o centro de todas as atenções da festa o faz sentir como a uma estrela na passadeira vermelha em dia de Óscares. E não, eu não estou à porta da festarola de orelhas em baixo a implorar para entrar. Simplesmente passei pelo sítio em questão e o porteiro, carrancudo, pôs-me a mão no peito e disse "só com convite". Encolhi os ombros, soltei um sorriso de desdém e voltei-lhe as costas.

Ora, se eu quisesse fazer uma festa reservada a um punhado de pessoas pura e simplesmente começava a festa sem que ninguém soubesse, exceptuado, claro, os convidados, em vez de fechar uma festa já anteriormente aberta ao público. Mas nunca o faria. Nunca o faria porque vai contra aquilo que eu acho que é a primordial razão de existência da blogosfera: a livre circulação de ideias sem quaisquer barreiras (tirando obviamente aquelas que por uma razão ou por outra têm de ser erguidas, como a moderação de comentários ou verificação de palavras).

Mas talvez isto tudo seja parvoíce minha que ando um bocado rabugento. Talvez, quem sabe, o rapaz até restringiu o acesso ao blog por causa de gente parva e rabugenta como eu. Talvez, quem sabe?

sexta-feira, maio 30, 2008

Memória Fotográfica.Arraiolos - Concurso de Fotografia


Aqui há atrasado tinha escrevinhado aqui mesmo neste tasco que não gostava muito de concursos de fotografia, que eram demasiado subjectivos e que forçavam a criação artística através da imposição de temas (na verdade, não estou muito certo de ter dito isto, mas disse agora). Vai daí, o que é que eu fiz? Isso mesmo: um concurso de fotografia.
Sem tema aparente, apenas com uma condição: as fotografias serem tiradas durante a edição deste ano d'O Tapete Está Na Rua 2008. Pretende-se que os concorrentes se esforcem por contar histórias, no fundo, reportagens e não apenas disparar para o prémio. Durante a semana (de 6 a 15 de Junho) de duração dessa iniciativa, aqui em Arraiolos, não vão faltar coisas para fotografar. Desde reconstituições históricas do fabrico do Tapete, a animações de rua passando mostras de artesanato, feira do livro até aos concertos diários na Praça da vila, com David Fonseca, Clã, Jacinta e uma parafernália de grupos do concelho, incluindo os Terras de Rayo (procurem na barra lateral).

Portanto, se quiserem aparecer e disparar o obturador que nem uns loucos é fazerem-no. As inscrições são feitas na sede da Associação Casa das Artes de Arraiolos, na Rua Alexandre Herculano nº18, e no Posto de Turismo de Arraiolos, na Praça Lima e Brito, para quem não sabe. O regulamento será entregue no acto de inscrição. Os prémio não são passíveis de criar excêntricos mas são qualquer coisa que se veja. Já o preço de inscrição é quase o mesmo da uva mijona.

Já agora, para não correr o risco de levar uns tabefes, este concurso é organizado pela Casa das Artes com o total, mas condicional, apoio da Câmara Municipal de Arraiolos.

Se quiserem mais informações deixem comentário na caixinha criada para o efeito.

Raposas em chamas, internet e Guiness

Os manda-chuvas (tanto sentido que esta expressão tem no dia de hoje) do Mozilla resolveram tentar bater um recorde mundial: o de programa que mais vezes foi descarregado da internet em 24 horas. Espertalhões. Além de fazerem publicidade à sua nova bomba cibernáutica, o Firefox 3, garantem que milhões de internautas usem o software a partir daquele dia. Tenho para mim que neste momento o Internet Explorer sente um friozinho no estômago e as perninhas a tremer.

Já reservei um download para mim. E tu?! É só clicar algures na barra lateral onde diz Firefox 3 - Download Day 2008 e depois na página oficial da iniciativa clicar em Pledge Now. Não tem nada que saber. Engraçado mesmo é descobrir que há 15 pessoas no Lesoto que já reservaram a coisa. No Suriname há 11 e, espante-se, no Cazaquistão há 273 que já fizeram o mesmo. Oh, admirável mundo da raposa.

quinta-feira, maio 29, 2008

De marés e erecções

Em mim a literatura trabalha por marés. Ora baixas, em que mal pego num livro o aborrecimento fecha-me as pálpebras e a falta de oxigénio no cérebro leva-me ao bocejo convulsivo; ora altas, em que a vontade de ler se sobrepõe até às vicissitudes fisiológicas do ser humano. Assim mesmo: nas marés altas a leitura torna-se quase, quase, uma obsessão. Chego a armar-me em Marcelo Rebelo de Sousa e estar a ler três livros em simultâneo (não ao mesmo tempo, mas são três os livros em cima da mesa de cabeceira). Assim mesmo: com sofreguidão, com pujança, com gula. E o que acontece? Tal como um miúdo na alvorada da puberdade, meto os pés pelas mãos, e, sem saber como canalizar tanto "tesão literário", acabo por deixar livros a meio. E isso, já diziam os antigos, é muito, muito feio.

Pois agora a maré está em altas. Ontem, ao deitar despachei dois capítulos deste que aqui em baixo se vos apresenta. Depois deste ainda tenho na ementa uma enorme colecção de clássicos de bolso da Europa-América; O Jogador, de Dostoiévski; Contos, de Kafka; A 3ª Visão, de Rampa; Fúria, de Rushdie e o Cinco Semanas em Balão, de Verne. E, claro, faço intenções de os despachar todos antes desta maré vazar. Terei uma indigestão? Certamente. Ainda para mais porque vem aí uma Feira do Livro. Mas vamos com calma desta vez. A pressa sempre foi inimiga da precisão. Até porque aos 26 anos a perícia em manusear certas ferramentas também já é muito maior do que na puberdade.



terça-feira, maio 27, 2008

Bloguices

Há poucas coisas que me irritem mais na blogosfera do que fecharem blogs. Não sinto pena por nunca mais ler aquele tipo de coisas que me fazia visitar esse blog. Não. Nada de penas. Fico somente irritado. Como quando começamos a seguir obsessivamente a primeira temporada de uma série televisiva para depois descobrirmos, da pior maneira, que o canal de televisão em questão não comprou a segunda série. Ficamos presos. Presos numa espécie de nova realidade, numa espécie de novo mundo em que deixa de existir algo que nos deliciava, nos inspirava, nos relaxava, nos tonificava intelectualmente.

Não percebo como é que blogs como o do Bandeira fecham. Percebo sim que blogs como este mesmo que agora lêem o façam, agora aqueles não. Blogs de individualidades assim, cultas, férteis, criativas e inspiradoras, não deviam, sob pretexto algum, fechar. Alguém que dê um subsidio ao homem, se for preciso. Façam-se petições, desça-se a Avenida da Liberdade de cartazes em punho, faça-se qualquer coisa que obrigue este tipo de bloggers a manter viva a chama que os trouxe até aqui. Façam qualquer coisa, porque eu não faço. Vou ali para o canto, de braços cruzados e sobrancelha franzida, bater o pé um bocadinho.

* * *

Adenda: Menos de 24 horas depois deste post ser publicado eis que mais um teatro baixa a cortina. Temporariamente, diz-se. Seja como for é uma maçada. Mais uma verdadeira maçada a juntar ao extinto Diário, de Tiago Galvão e à Memória Inventada, de Vasco Barreto. Sem links que estou amuado. Negros tempos vive a blogosfera.

* * *

Adenda II: Julgo que o Teatro Anatómico sofre de narcolepsia.

segunda-feira, maio 26, 2008

Idiossincrasias de um Desenhador Projectista

"Conhecer tão bem como a sua própria mão algo que ainda não existe."

* * *

P.S.: Tenho trabalhado que nem um transmontano. E em dois lugares, ainda por cima. Mesmo assim, consegui manter os mínimos olímpicos no que às obrigações matrimoniais dizem respeito. É obra. Quem sofre é o blog, coitadinho. E vocês, assídua meia dúzia de leitores? Não sofrerão também? Nem quero saber. Ele existe e sobrevive por mim e não para vocês. São as idiossincrasias da blogosfera. É assim mesmo a vidinha. Lamento atirar-vos à cara a realidade crua assim, alarvemente, como quem acende um cigarro num avião apinhado de jornalistas e depois pede desculpas em público. Assim mesmo, sem pudor e com muita prepotência.

P.S.II: Adoro fazer P.S.s maiores que o texto principal. Principalmente se durante esse P.S. me subir no sobranceiro pedestal da condescendência e do desdém. Ah, nota muito importante: P.S. significa Post Scriptum, ou algo parecido, e parece-me estúpido explicar para que serve. Não confundam o P.S. deste post (prepotente, condescendente) com o P.S. - Governo (prepotente, condescendente). Qualquer semelhança entre os dois é a mais pura, puríssima, tão pura como a neve, coincidência.

segunda-feira, maio 19, 2008

E agora o Acordo Ortográfico: Propostas

Após um exaustivo estudo da língua portuguesa (com ínsones elucubrações, litros e litros de cafeína e espirros convulsivos provocados pela fauna e flora bibliotecária), e porque estamos à beirinha de assinar um Acordo Ortográfico manhoso, vejo-me na obrigação de propôr algumas alterações além daquelas já propostas pelos meretíssimos catedráticos "palopianos".


Uma dessas pertinentíssimas alterações que proponho, do alto da minha condição de falador de português há mais de 25 anos, é a da palavra "professor". "Professor" não dá jeito. É comprida, e um "éfe" a meio de uma palavra é como um degrau a meio de uma maratona dos para-olímpicos: só atrapalha. É demasiadamente usada e tem a inútil particularidade de ser um título usado antes do que se quer realmente dizer. Além do mais, os maiores utilizadores desta palavra são inerentemente os alunos, que nalguns casos optam por chamar o professor de "setôr" (variável canastrona de "senhor doutor"), estando na grande maioria das vezes errados. O que proponho eu, então? Nada mais do que mudar a palavra escrita para a palavra falada: trocar a palavra "professor" por "prossôr", com ou sem acento circunflexo, dependendo das condicionantes do famoso Acordo. Assim, e seguindo a mesma linha de raciocínio, podemos, e devemos, já que estamos numa de modernizar a língua, mudar a palavra "televisão" para "tuvisão", ou mesmo "programa" para "pugrama", e por aí adiante. É o pugresso, meus caros. É o pugresso.

terça-feira, maio 13, 2008

He's back, Rochemback!


1) Este já está. Falta o Pauleta (!), o Viana e o Caneira. Estou com curiosidade de ver o primeiro finalmente vestir a camisola de um dos "grandes" e não estou minimamente preocupado com a eficácia do homem - depois de Alecsandro, Bueno, Purovic e Tiui só se pode melhorar. Quanto aos outros dois, já era mais que tempo de voltarem para casa e ver se ainda sabem jogar à bola. O tempo passa, não estão cada vez mais novos, o dinheiro não é tudo na vida e, por mais confortáveis que sejam os bancos de suplentes, onde domingo após domingo sentam os vossos rabinhos, ao Sporting fazem falta dentro das quatro linhas. Muita falta. Sobretudo se Moutinho e Veloso emigrarem.


2) A inominável tortura que foi este campeonato finalmente acabou. Porto campeão, Sporting o eterno segundo e Benfica ainda sem argumentos para os ultrapassar. Rui Costa despede-se e deixa o futebol português muito mais pobre e o Benfica com mais inteligência nos corredores do seu politburo. Guimarães, recém-regressado à primeira liga ficou a morder os calcanhares aos "grandes" e está de parabéns, juntamente com aquela criatura que se dá pelo nome de Manuel Cajuda (grande treinador de pequenos clubes). Boavista, campeão em 2001 desce de divisão por ordem do tribunal, enquanto o F.C.P. perde 6 pontos que, por via de Lisandro Lopez e Quaresma, não lhe fazem falta nenhuma. Areia nos olhos dos ingénuos. Não, caros amigos, apesar disto dos Apitos Dourados e Finais, ainda não se fez justiça no futebol. Ah, pois é.


3) Não sei explicar, mas tenho um fascínio desmesurado pelas pré-épocas. As caras novas, as que regressam, as que partem, os novos sistemas, as experiências, as promessas. Isso fascina-me. Prefiro uma pré-época à época de jogo. Prefiro o defeso invernal às semi-finais da Taça. Prefiro o Torneio do Guadiana à Taça da Liga. Não sei explicar, não sei. A verdade é que, para mim, agora é que vai começar a "bola".


domingo, maio 11, 2008

Coisas que gostava de ter se tivesse uma estufa


As Lithops, ou plantas-pedra, pertencentes à família das Aizoaceae, são coisas grotescas. Parecem pedras, de facto, ainda para mais se as encontrarmos no seu habitat natural - os desertos pedregosos do sul de África. E se a encontrarmos num vaso em casa de um amigo - fora da época de floração, obviamente - pensaremos apenas que o rapaz ensandeceu e anda a semear pedras de aparência assaz estranha. A verdade é que, aparentadas com calhaus ou não, as ditas Lithops florescem, no Outono (só para contrariar as modas), dando origem a algo parecido com malmequeres ligeiramente maiores que o corpo da planta. E diga-se, o corpo da planta é mesmo o mais pitoresco do pitoresco ser: é cónico, ou cilindrico, e tudo o que se vê à superfície do solo são as duas grotescas folhas parecidas com seixos. O caule está bem enterrado na areia e não é invulgar as folhas possuirem partes traslúcidas - as chamadas janelas (onde é que terão arranjado este nome?) - para permitir a passagem da luz a partes mais profundas da planta. Cultiva-se facilmente e não requer muita água. O que as Lithops reivindicam mesmo a sério é pouca humidade atmosférica e temperaturas acima dos 10º Celsius.
Pronto, agora só falta encontrar quem me venda, ou ofereça (de preferência), criaturas destas. Se alguém tiver pistas sobre como arranjar Lithops não se acanhe e deixe um comentário no local reservado para esse efeito.

sábado, maio 10, 2008

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"O fundo do poço já não brilha com a lua a cheia, nem bebe do sol a luz que o despertava. Agora é uma lama negra, gretada, uma terra gasta, recheada de folhas podres que o vento perdeu nos seus devaneios.
Habitam-no uma rã velha e uma pequena cobra de água que para lá caiu na última Primavera, no desespero da fuga às garras de um falcão peregrino."


Carlos Canhoto
, com ilustrações de Zé Gandaia: O Monte Secou, editado pela Pé de Página Editores.

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"Em 1640, D João IV é aclamado rei, recuperando Portugal a sua independência. Para a manter era necessário «aparelhar para a resistência» e no Livro das Vereações de 1640-42, pode ler-se:

«1.º - Tratarão de pedir a Sua Magestade, que mande reparar os muros e castelo e barbacã para a defesa desta vila;

2.º - Tratarão de pedir a Sua Magestade que se conserve o castelo com habitação de gente, para que obrigue aos moradores desta vila, aos ricos e abonados para que façam lá casas;

3.º - Pedirão armas, tambores, bandeiras e peças de artilharia para o castelo.»"

Bruno Lopes, O Castelo de Arraiolos, editado pela Apenas Livros, Lda.

terça-feira, maio 06, 2008

Ah, as modernices #2

Via-a no supermercado na secção da miudagem a escolher uns livros pequeninos. "Vais pintar isso tudo?" - provoquei eu apontando para o monte de cores. "Não, é para o J. E não são livros para pintar, pá, são livros para colar autocolantes" - respondeu ela.


Bem, na minha altura havia uma empresa chamada Panini. Graças a ela entrei nas minhas primeiras escaramuças e birras de coleccionador. Exigia nada mais que uma carteira de cromos por dia aos meus progenitores e acrescentava "se podes fumar também posso ter cromos". E bem antes dessa febre autocolante havia os livros para colorir. Tinha-os às dezenas. Pintei quilómetros de arabescos, umas vezes fora das linhas do desenho, outras bem alinhadinhas e outras vezes ainda houve em que o oleado da mesa da cozinha ficava um autêntico Pollock. Depois experimentava diferentes maneiras de pintar mais depressa e sem gastar tanta tinta (sempre fui um amante dos feltros da Molin) e até com as duas mãos. Ainda me lembro do dia em que percebi - ninguém até então me tinha explicado - que as nuvens não eram azuis, mas sim o pano de fundo das ditas cujas. Já foi há muito tempo, porra.


Imagino que a malta da minha geração, pelo menos os que decidiram ser pintores ou desenhadores, tenham começado com esses mesmos livros que eu devorava.
Já os miúdos de amanhã, e graças a estes inovadores cadernos de cromos, aposto que darão excelentes coladores de selos nos CTT. Mas pelo menos as santas mãezinhas deles terão sempre as mesas e as paredes de casa imaculadas, sem um único risco dos inomináveis feltros Molin.

sexta-feira, maio 02, 2008

Classics of Rock & Roll #1



Tutti Fruti, by Val Kilmer in Top Secret
Versão original.