quinta-feira, abril 03, 2008

It's not over until I say it's over...

"Se ganhasse o Euromilhões não deixaria de trabalhar: dedicar-me-ia de corpo e alma ao blogue. Seria esse o meu trabalho. Como o mundo é cruel e não é o blogue que me ajuda a sustentar a família, o Egosciente sofre bastante quando tenho muito trabalho.
Fases destas acontecem em todos os blogues, mas nunca tive um período tão apagado como este – já se notara em Fevereiro, notou-se ainda mais este mês.
Já deve ser a terceira ou quarta vez que escrevo um post para me justificar e pedir desculpa pela escassez de actualizações. Não gosto disso. Que não está a ser actualizado como dantes já vocês estão fartos de saber. Que eu lamento que isso aconteça é normal. Mesmo assim senti obrigação de me repetir.
Tenho observado noutros blogues que esse tipo de posts geralmente significa que se está a chegar ao fim. Quando os bloggers começam a engonhar, é sinal de que o entusiasmo dos primeiros dias esmoreceu e já não resta energia para prosseguir.
Nem sempre dei pulos de entusiasmo em cada dia destes últimos três anos de blogue, mas passei óptimos momentos e custa-me ver o Egosciente tão «abandonado».
Verei como correm os próximos dias. O pior que pode acontecer é eu largar o Egosciente e pedinchar um lugar como blogger convidado do Obvious. Talvez amanhã eu reveja este texto e pense para mim próprio: «Idiota. Devias era dormir em vez de escrever mais disparates». Seja como for, obrigado pela paciência. Vamos lá ver se consigo atinar."

Originalmente escrito por Marco, no Bitaites.

Claro que substituí a palavra Bitaites por Egosciente, mas de resto subscrevo esta conversa toda, até porque não faria melhor, por mais que tentasse. E como não tenho tempo para tentar sequer, mais vale roubar alarvemente estas pérolas que vão sendo deixadas a flutuar no ectoplasma cibernáutico (riso sinistro)!


P.S.: Que grande golo que Deivid marcou ao Chelsea. Mas porque raio é que ele não fazia aquilo quando estava no Sporting?! Mas que grande golo, sim senhor. Se não viram deviam ter visto.

quarta-feira, março 26, 2008

Será que alguém percebe?

Porque eu não percebo de certeza. Já dei voltas e voltas ao miolo e mesmo assim continuo sem perceber. Continuo sem perceber porque é que Scolari não convoca Ricardo apenas e só para jogar contra a Inglaterra... Não percebo, juro que não percebo.

terça-feira, março 25, 2008

Rock & Sensuality


Garbage - I Think I'm Paranoid (1999)

On its way...

Cinquenta milimetros de ângulo é pouco, eu sei. Mas 1.8 de abertura é o mais perto que uma máquina fotográfica pode estar da "visão" de um morcego... Por 150 euros, é claro. Houvesse uma maior abundância monetária e seria esta lente que estaria a caminho. Os meus pais também já me disseram que mais vale comprar um carro, mas mesmo assim continuo a achar que a minha humilde D70s gasta menos aos 100. E tem todos os extras.

segunda-feira, março 24, 2008

Mitologia para principiantes

Sísifo, por ser um chibo de primeira água e por ter enganado Tânatos (a Morte) umas quantas vezes, foi condenado por Zeus, o implacável e supremo juiz, a carregar uma enorme pedra para cima de um monte durante toda a eternidade. Isto tem muito mais piada tendo em conta que cada vez que Sísifo estava perto do cume a pedra rebolava invariavelmente até ao ponto de partida e o pobre Sísifo, depois de comer uma buchinha e fumar um cigarrinho, lá ia outra vez começar tudo de novo na vã esperança de um dia o raio do calhau conseguir chegar lá acima. Ora, não há registos que isso alguma vez tenha acontecido. O que aconteceu mesmo foi que Zeus, na sua infinita sabedoria, deu-lhe uma abébiazinha não isenta de humilhação: obrigou Sísifo a usar um penteado ordinário e a treinar o Sporting Clube de Portugal a coberto de uma identidade falsa. Aposto que desde Sábado passado anda pelo chão do seu Olimpo a rebolar de tanto rir.

* * *

Comentário recebido via e-mail:

"Chaval farto-me de rir a ver as tuas divagações futebolisticas no blog, és o Poncio Monteiro dos lagartos de certeza (...)"

Acreditem, vivo para estas merdas.

quinta-feira, março 20, 2008

Outra fita de 2008 - 10.000 AC


A maior parte da crítica arrasa este filme. Mas é preciso ter calma. Antes de mais há que referir duas premissas que o leitor deve ter em conta antes de ver o filme, este ou outro qualquer: primeiro, nem todos os filmes podem ser obras de arte clássica. O Cinema seria a expressão de arte mais aborrecida do mundo se todos os filmes fossem clássicos suecos dos anos 70 ou fossem realizados por discípulos de Manoel Oliveira; segundo, a menos que o filme tenha um rótulo a dizer "Documentário" não é, portanto, um documentário, sendo acima de tudo uma obra de ficção (inspirada em factos reais ou não) onde o realizador tem toda a liberdade de contar a história como bem entender. E se lhe apetecer misturar mamutes com civilizações pré-colombianas pois que os misture, se for essa a sua vontade.
Também não vejo problemas nenhuns em terríveis avestruzes carnívoras que trepem árvores: ora se os bichos em questão vivem num habitat apinhado delas é lógico que estejam habituadas as perseguir presas árvores acima, ou não?

Outra questão de credibilidade apontada pelos críticos é a questão espaço-tempo. Segundo eles, os iluminados críticos, os críticos-messias que vêm salvar a humanidade da ignorância, D'Leh, o herói atravessa montanhas, uma savana e uma selva tropical no espaço de poucos dias quando deveria demorar meses. Bem, claramente quem diz isto nunca ouviu falar na Patagónia ou no Chile onde convivem as mais frondosas florestas com as mais íngremes montanhas que por sua vez convivem com os mais desolados desertos numa área pouco maior que a França e a Itália juntas. Um desses críticos, um desses génios, chegou mesmo a dizer que a Idade do Gelo é mais verosímil que o 10.000 AC. Ora se isto não é ser estúpido que nem uma porta não sei o que será. Apesar de o senhor em causa poder estar certo são coisas que não se dizem pela simples razão de que induz o povinho em erro. E porquê? Porque na Idade do Gelo há marcadas referências à Evolução de Darwin e a acção localiza-se numa altura precisa da História enquanto 10.000 AC não tem nada disso! É um obra de ficção, raios! Aliás, o título só serve para dizer ao público que a acção decorre antes do nascimento de Cristo e, tanto quanto se sabe, até podia ser durante o ano do seu nascimento. Havia pirâmides a serem construídas nessa altura. Ainda havia, e há, tribos caçadoras-colectoras que viviam, e ainda vivem, perto de civilizações muito mais avançadas. Sobretudo nesta parte não vejo qualquer vacilação no índice de verosimilhança.
O que já não deveria haver mesmo era tigres dentes-de-sabre e mamutes. E o que não havia de certeza, mas de certeza mesmo, era tribos de caçadores-colectores a falarem um inglês perfeito. Frases simples, atestando, aliás, a pobreza dos diálogos. Uma vez que só uma tribo e mais um personagem falam inglês, todas as outras têm o seu dialecto, comum ou não, não se percebe porque não puseram essa tribo e o outro bacano a falar um dialecto diferente. Acho que este é mesmo o ponto mais desfavorável da coisa.

Resumindo: é um filme razoável, longe de vir a ser um clássico. Visualmente grandioso sem ser demasiado ostensivo. A história tem lacunas mas nada de muito grave; é uma história leve, sobre coragem, sobrevivência e amor, com profecias, atlantes fascistas, mamutes e tigres dente-de-sabre à mistura. É muito bom para uma tarde de domingo: 3,5 em 5

quarta-feira, março 19, 2008

Parabéns ao Hot Clube Portugal

Sessenta anos de existência é obra. Tendo em conta que sobreviveu a uma ditadura fascista, que desprezava o jazz como a um cão sarnoso, os 60 anos do Hot Clube, o clube de jazz mais antigo do mundo, ficam ainda maiores. Parabéns então a João Vilas-Boas, o fundador, o sócio número 1, e a todos os que lá tocaram, aos que lá se embebedaram, aos que lá fornicaram, aos que lá se drogaram, aos que lá estiveram ou mesmo àqueles que ficaram à porta, no nº39 da Praça da Alegria em Lisboa. Parabéns a todos, principalmente ao que os une e à essência do Hot Clube: o jazz; essa música de selvagens alucinadamente geniais.




Miles Davis at the Isle Of Wight (1970) - "Call It What You Like" *

(*): Quando perguntaram a Davis o nome da música foi precisamente esta a resposta dele.
Note-se ainda presença em palco da divina constelação do jazz: Keith Jarret, Chick Corea, Dave Holland, Airto Moreira, Jack DeJohnette e Gary Bartz.

Obituário: Arthur C. Clarke (1917-2008)

Escreveu, escreveu, escreveu. Projectou, criou e sobretudo imaginou. Pouco interessa o que fez quando comparado ao que a sua imaginação era capaz de criar. Como obra máxima dessa incansável imaginação deixa-nos a maior aventura de sempre: a viagem da própria humanidade em 2001: Odisseia No Espaço, que saltou para a tela de cinema com um valente empurrão de Stanley Kubrick. E por fim lá vai ele. Do Sri Lanka em vivia desde 1956 em direcção às galáxias distantes, aos planetas exóticos, às supernovas, aos quasares, aos pulsares e aos cometas radiosos que sempre giraram por detrás daqueles olhos penetrantes cheios de Tudo. Cheios com o Universo, cheios com Vida.

terça-feira, março 18, 2008

Entrando no espírito da coisa...

"Oh captain, my captain"

Ao ser-lhe atribuída a braçadeira de capitão em tão tenra idade poder-se-ia pensar que o jovem, por ser tão jovem, soçobraria debaixo do peso da responsabilidade de ter de capitanear um símbolo como aquele. No entanto o jovem não soçobrou; muito pelo contrário: cresceu. O jovem fez-se um homenzinho, pequeno de tamanho mas gigante em futebol, em garra, em vontade. O jovem tornou-se, na sua essência, um verdadeiro capitão.

Lembro-me do que suou para tentar fazer esquecer Fábio Rochemback, outrora patrão indiscutível das lides centrocampistas do Sporting. Já na altura comovia pelo seu empenho com apenas 18 anos. Lembro-me que chegou a fazer duas épocas em que jogou todos os jogos a titular e sem ser substituído. Sacrificou-se inúmeras vezes pela equipa, levou porrada de criar bicho, jogou em posições menos confortáveis mas deu sempre, sempre o litro. A jogar a trinco desaparece, nem se dá por ele. Nem por ele, nem por grande parte do meio-campo adversário. A extremo falta-lhe a velocidade de Pereirinha, mas sobra-lhe a visão de jogo, os passes certeiros e as desmarcações tão brilhantes e improváveis que só Liedson, o velho Liedson, as entende e prevê. Mas a "número 10", meus amigos, a "número 10" é um verdadeiro luxo. So lhe faltavam os golos. Aqueles golos cheios de classe típicos de um centrocampista experiente. Faltavam. Pretérito perfeito. Ontem apareceu um desses. Muita calma, muita classe no canto da área. Um breve olhar. Balanço no pé direito. Peito do pé na bola e aí vai ela. A rodopiar, a rodopiar, a rodopiar e, perante o olhar atónito do guarda-redes, o golo. Euforia. O sorriso rasgado de um miúdo que acaba de mostrar aos graúdos que já sabe fazer umas coisas engraçadas como eles. O miúdo-capitão está crescido, caramba!

Depois de Figo e Rui Costa duvido muito que João Moutinho não seja o "número 10" que a Selecção Nacional tanto precisa. Não há, meus caros (exceptuando os supracitados "cotas"), nenhum médio atacante português a jogar tanto e tão bem como o puto Moutinho. Não há! E a quem disser o contrário chamo-lhe logo ignorante, energúmeno, herege e borra-botas, e não necessariamente por esta ordem.

domingo, março 16, 2008

As Titubeações de Óscar #4

"O meu tio tem para aí uns 200 patos. 50 são patas e o resto são gansos."

sábado, março 15, 2008

Beauty & Talent



The Corrs - Forgiven, Not Forgotten - MTV Unplugged

quarta-feira, março 12, 2008

3 Visões de 1 Som

Para algumas pessoas já não é segredo nenhum que adoro esta música. Não sei porquê, simplesmente há músicas que me caem no goto e esta é uma delas. E como me caiu no goto a mim, caiu no goto de muita gente. Se desconfia do que digo preste bem atenção ao que se passa aqui por baixo. Ah, já agora, esta música que me caiu no goto tem como título Baba O'Riley e é um original dos The Who datado de 1969. Nota: a expressão "cair no goto" acabou de me cair no goto.

A versão original (reparem bem nos penteados):




A versão dos Blue Man Group (sim, eles outra vez):






A versão dos Pearl Jam (Vedder e o seu instinto suicida)

Clicar acima para ver o vídeo (Embedding disabled... Grrrr!)


Palavra de que gosto*: Lupanar

do latim lupanar (que supresa); substantivo masculino (ah pois é, pensavam que era um verbo, não?) e significa nada mais, nada menos que:
  • Casa de protituição;
  • Bordel;
  • Alcoice (também gosto desta);
  • Prostíbulo (adoro esta).

(*): Apesar de não ser muito frequentador

terça-feira, março 11, 2008

Momento YouTube

Para quem ainda não viu, para quem viu mas não percebeu tudo e para quem viu, percebeu tudo e quer ver outra vez: Achmed the dead terrorist, agora com legendas.


Mitologia para principiantes

Zeus, por razões que agora pouco interessam, condenou Prometeu a 30.000 anos de tortura ínfame: foi acorrentado no cume do Cáucaso enquanto todos os dias uma águia depenicava o seu imortal fígado (estes deuses antigos eram eram levados da breca). Faz lembrar um certo Camacho cujo fígado também foi ignominiamente torturado por águias. Foi apenas por uns meses, mas acredito que seja coisa para aleijar.
Resta saber se Zeus Filipe Vieira vai continuar teimosamente a condenar mais titãs ao excruciante sofrimento de tentar ensinar Bynia a jogar futebol.

segunda-feira, março 10, 2008

Publicidade Institucional


À primeira vista não se nota, mas aqui este vosso fiel escriba, video jockey e fotógrafo também participa nesta exposição. Vá, a despachar que daqui a pouco já não há! Acaba dia 20... sim, dia 20. O quê?! Tão pouco tempo?! E o que queriam vocês?! Isto não é o CCB, pá! Vá, a despachar!

Momento "Ponham os olhos nisto!"

Aqui há uns dias mostrei um vídeo da Quercus atulhado da boçalidade campónia que caracteriza, aliás, grande parte da população portuguesa, onde se apelava, entre outras coisas, a suster os gases intestinais sob pena de aumentarmos inusitadamente o degelo das calotes polares. Pois é meus eco-parvalhões, sabiam que há maneiras bem mais inteligentes de fazer passar mensagens "verdes" sem usarem a palavra "bufa"? Já que não são homenzinhos o suficiente para abordarem petroleiros nem paralisarem aeroportos ficam aqui com um exemplo do que se pode fazer usando as vossas cabecinhas oleosas sem insultarem a inteligência das pessoas:


by The Blue Man Group

Benfiquismos e Sportinguismos

Camacho desistiu. Paulo Bento não. Camacho deixa a Luz com o Benfica em 2º lugar. Paulo Bento fica em Alvalade com o Sporting em 5º e com possibilidades de descer ao 6º ainda hoje. Camacho achou que não tinha condições para continuar. Paulo Bento continua a achar que tem todas as condições para continuar a lutar pelos objectivos que lhe restam.
E tem toda a razão. Tem toda a razão porque conhece a capacidade de luta e de entrega dos seus jovens jogadores. Já Camacho sabe mais que ninguém que se houvesse uma briga de taberna entre ele e um grupo de arruaceiros apenas poderia contar com Rui Costa para o ajudar já que o mais certo seria uma debandada geral, qual manada de gnus em pânico (sim, gnu quer dizer Bynia).

Numa altura em que praticamente não faz sentido falar em "amor à camisola" é importante falar em espírito de sacrifício e entrega. Paulo Bento sabe que pode contar com o seu balneário. Camacho sabe que não pode contar com o seu. Por isso saiu. Saiu porque o benfiquismo dos seus dirigentes não conseguiu passar para os seus jogadores. Já Paulo Bento, assumido benfiquista, é um dos maiores sportinguistas que o mundo já viu nascer, e conseguiu, e consegue, transmitir isso aos seus jogadores: "Esforço, dedicação, devoção e glória". Ou pelo menos grandes esperanças.

domingo, março 09, 2008

Parecendo que não...

Este blog cumpriu dois anos de vida há precisamente um mês, dois dias, duas horas e dezassete minutos atrás.
Nem se deu por isso, vejam só.

Parabéns a nós.

sábado, março 08, 2008

Espreitadela

Olá.
Não, não morri.
Não, também não estive no hospital.
Não... Não fui preso.
Ainda aqui estou, mas sem tempo nenhum para abrir a taberna nem para visitar a vizinhança.
Aos dois ou três que aqui vêm, as minhas desculpas.
E já agora que aqui estou aproveito para vos dar música.



The Levellers - This Garden

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Another One-Hit Band: New Radicals



You Get What You Give - New Radicals (1998)

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Piada fácil mas irresístivel

Hoje, a Polícia Judiciária incinerou 11 toneladas de droga na Valorsul em Loures. O director-adjunto da PJ confessou que "já não se queimava tanta droga em Portugal desde que os Rolling Stones se juntaram aos Xutos em Coimbra".

And the Oscar goes to... Whatever...

Este blog é talvez o único que, ao falar de quando em vez sobre cinema, se escusou a fazer qualquer comentário à entrega dos Óscares 2008. Primeiro porque não vi grande parte dos filmes nomeados para o concurso, com as excepções de "A Bússula Dourada", "Promessas Perigosas", "Gangster Americano", "Elizabeth- A Idade de Ouro" e "Ultimato (Bourne)". Depois porque não tenho grande consideração pelo juri da Academia de Cinema Norte-Americana. O pior é que nem encontro muitas razões para esta falta de credibilidade, simplesmente não gosto deles, pronto. Considero o Óscar um prémio demasiado valorizado, demasiados flashes, demasiado glamour a pavonear-se na passadeira vermelha, em suma, um prémio tipicamente americano, com tudo o que esse facto comporta. E depois parece que a Academia (a grandiosa e opulenta Academia) tem fetiches com certos e determinados artistas e ódios de estimação por outros, como por exemplo Tim Burton que só foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação com "A Noiva Cadáver". E mais: porque raio, por exemplo, deram o Óscar de Melhor Realizador (pois, tem que ser em maiúsculas quando se fala de Óscares) a Scorcese pelo "The Departed" quando tem obras muito melhores como "Taxi Driver" ou "Gangs de Nova Iorque"?! Por falar em "Gangs de Nova Iorque", nesse ano (2003) a Academia preferiu premiar "Chicago" com o Óscar de Melhor Filme e deixou Scorcese e os seus "Gangs" a secar no estendal. Pergunto-me se nesse ano o Filipe La Féria faria parte do juri. Não, não tenho nada contra musicais, mas considero "Moulin Rouge" muito superior a "Chicago".

Na verdade não tenho nada muito concreto contra a Academia e os seus Óscares, mas não gosto deles, não gosto, pronto. Imagino um juri composto por elementos da mais alta burguesia, tudo acima dos 60 anos, gordos, carecas, barbudos, fumando charutos bafientos e bebendo grandes copanázios de brandy à lareira envergando roupões com as suas iniciais bordadas, enquanto coscuvilham sobre este ou aquele actor, ou actriz, ou realizador, e decidem, qual Conselho de Pais Natal, quem se portou bem este ano.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Elevando o Nível Intelectual com William Blake

Uma pintura:

"The Great Red Dragon and the Woman clothed in the Sun" - W. Blake


E uma frase:

"Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria ao Homem como realmente é: infinito." - W. Blake

Jimmy Kimmel's Circus

Lembram-se daquela história em que um apresentador de um talk-show americano tentou inúmeras vezes convidar Matt Damon para uma entrevista e quando finalmente conseguiu disse-lhe simplesmente "Sorry, Matt we're running out of time"? Bem, na verdade a história não acabou aí. Houve traições, ciúmes, triângulos e até quadrados amorosos, ao melhor jeito de uma novela mexicana, mas com muito mais estilo. Vejam aqui os 3 episódios desta odisseia protagonizada por Jimmy Kimmel e Sarah Silverman (namorada de Kimmel), com as participações especiais de Matt Damon, Ben Affleck e uma catrefada de outras estrelas como Cameron Diaz ou Robin Williams. (só para anglófonos... sorry)

Episódio 1 - O princípio de uma bela amizade



Episódio 2 - A traição



Episódio 3 - A vingança


terça-feira, fevereiro 26, 2008

Uma música por dia...



Radiohead - Anyone Can Play Guitar (Pablo Honey 1993)

Momento Cartoon: Cuba - passagem de testemunho

Fidel Castro renuncia, por RAIM

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

One-hit band (another one): Fastball


Fastball - The Way (1998)

Das Insurgências & Rebeliões

Prefácio: Raramente, muito raramente, visito blogs políticos apesar de ter bastantes na barra de links. E só o faço por mera curiosidade, para ver o que se discute, no fundo, para ver se há mais fascizóides que esquerdalhos e tentar perceber quem está a ganhar essa guerra. Normalmente é a direita que vai à frente apesar de a esquerda manter certos bastiões incólumes e altivos, como um mar de direita pontilhado por portentosas ilhas de esquerda. É assim que vejo a blogosfera política portuguesa, até posso estar errado; como já disse não sou seguidor atento. Tenho para mim que a política é expressão máxima dos defeitos humanos. Até agora ainda ninguém me conseguiu convencer do contrário nem tampouco ensombrar este meu aforismo com dúvidas.

Confesso que tendo bastante para o lado esquerdo da carroça. Há um certo romantismo em ser-se esquerdalho, com aquela conversa toda de união e luta pró-proletária, um não-sei-quê de heróico, onde se luta por causas que valem a pena, onde se dá voz ao povo e tal. No entanto não percebo porque fizeram o que fizeram ao Insurgente. Nem percebi bem o que se passou. Resumo: o Insurgente sempre se afirmou um blog de direita e tinha o mesmo significado que o Blog de Esquerda para a esquerda. De um dia para o outro, aparentemente, hackers, vindos sabe-se lá de que submundo bolchevique, tomaram o Insurgente de assalto e anunciaram a façanha com esta mensagem:

"O INSURGENTE CAPITULOU; COMEMOREMOS, CAMARADAS!

Num momento em que as atenções do mundo se voltam para a terra dos nossos bravos irmãos cubanos, e do nosso grande comandante que se retira da presidência para entrar na história, a blogosfera portuguesa entra num novo e revolucionário momento.

O inimigo foi derrubado. A maior expressão do que há de mais abjecto no pensamento político e económico em Portugal, manifestado pela internet, não resistiu. O Insurgente capitulou ante a investida da única ideologia que coloca o Ser Humano acima dos interesses mesquinhos do capitalismo imperialista do neoliberalismo mundial: o socialismo.

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!

Não mais assistiremos aqui à defesa mesquinha do livre mercado, que causa desemprego em massa e lucros para os empresários burgueses; da banca nacional e internacional, que viola os cidadãos de bem; do estado mínimo, que beneficia os ricos e deixam os pobres ainda mais miseráveis à mercê de sua própria sorte. Sabemos que o neoliberalismo capitalista é uma pistola fumegante que, nas mãos de um bando guerreiro de foras-da-lei, não hesita em esmagar as soberanias nacionais e a autodeterminação dos povos. Um revólver, apontado às nossas cabeças, paira sobre cada um de nós. E se quem mata é assassino, não esquecerão os juizes que foram os insurgentes a disparar o primeiro tiro.

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!

Os insurgentes, lacaios do grande capital, fascistas em suas pretensões, autoritários em seus desejos, representam a face mais hedionda da direita eloquente que pretende dominar o debate na blogosfera. Eles representam a derrocada da civilização e são o sintoma mais claro e grave da crise da Humanidade. A estratégia deles é a mais letal e perigosa para as sociedades. Querem impor o domínio económico, político e cultural de nações imperialistas, nomeadamente dos Estados Unidos. Suspeitamos,inclusivamente, que os Insurgentes sejam sorrateiramente financiandos pelos americanos imperialistas.

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!

Eles eram parte integrante e instrumento da chamada globalização neoliberal. Uma das engrenagens do sistema de poder imperial, completamente rendidos à lógica do mercado. Agora, foram vencidos!

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!

Acreditamos que o Ser Humano é dotado de razão, consciência e responsabilidade. Com uma estupidificante arrogância religiosa e uma retórica alarve, os insurgentes conseguiam ser desprovidos de todas essas qualidades. Por isso, capitularam; por isso foram vencidos; por isso, foram exterminados! É o culminar do irreversível progresso da liberdade e da civilizazão e a vitória do socialismo!

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!"

E pronto! Comemorem aí! Agora é um blog de esquerda, assumidamente comunista. Pergunto-me o que esperariam estes "blogomeliantes" ganhar com esta parvoíce. Marcaram uma posição? Sem dúvida que sim. Mas uma posição muito rasca. Marcaram uma posição tipo "porcos imperialistas" que, aliás, são declaradamente o seu mais tenebroso inimigo. Marcaram uma posição de reaccionários capitalistas, que, devo lembrar, são o alvo de todas as suas farpas. Não faz sentido lutar contra alguma coisa tornando-nos algo pior que essa coisa.
O cão da pradaria come cascavéis ao pequeno almoço e não tem veneno nas presas, pois não?
Agora o que irão aquelas alminhas fazer? Pedir um resgate pelo código-fonte do blog? Irão implodi-lo? Ou vão aproveitar o tempo de antena para continuar a exaltar o espirito de luta e camaradagem, para apontar o dedo ao capitalismo americano e para compor heróicas odes à ditadura Castrista?!

Ná, camaradas, assim não vamos lá. Assim estão a dar razão a quem vos chama de terroristas. Assim estão a dar razão precisamente àqueles que querem "abater". Assim, camaradas, assim dão-lhe a vitória numa bandeja de prata acompanhada do melhor vodka russo e do melhor charuto cubano e eles agradecem, claro.
Mas isto digo eu, que não percebo nada de nada.

P.S.: Se alguém tomar aqui o tasco de assalto só quero pedir uma coisa: mantenham a lista de links da banda desenhada, pode ser? É que deu muito trabalho a arranjar tudo e não tenho backups dos links. Obrigado.

sábado, fevereiro 23, 2008

Momento "Mais valia 'tarem quietos, pá!"

Imagino que ser publicitário hoje em dia, em que parece estar tudo inventado, seja bastante complicado. Quando se trata de fazer chegar uma determinada mensagem a um determinado público há que ter inúmeros factores em conta, mas o mais importante, aquele que define a qualidade de um anúncio, é a criatividade. Sim, eu sei que isso é o que mais falta, não só no mundo do marketing mas também no mundo em geral. Mas o que deixa realmente irritado, para além da falta de criatividade é a criatividade bacoca de gosto mais que duvidoso. Tipo "pá, tenho uma ideia do caraças para um anúncio que vai por toda a gente de boca aberta", e no final as bocas realmente estão abertas mas o que vai na cabeça do espectador é qualquer coisa do género "dass... e há gente a ganhar dinheiro a fazer isto?!". O mais preocupante ainda assim não é o facto do géniozinho ter aquela brilhante ideia de merda, mas alguém comprar aquela ideia! Lembram-se daquela publicidade da Tagus a promover o heterossexualidade, ou não, ou era a promover não sei o quê dos amigos e o diabo-a-sete? Pois, levantou-se o sururu, andou tudo muito indignado durante uns dias, depois desapareceram os cartazes, nunca mais se ouviu falar da dita e continuo sem ter provado o raio da cerveja. Pois, também me parece que mais valia estarem quietos.

E esta conversa toda não mais é do que palha para atapetar esta (mais uma) ideia brilhante de merda (literalmente) que surgiu das cabecinhas oleosas dos eco-fanáticos da Quercus, ideia essa que passo a reproduzir aqui por baixo. Cortesia do YouTube, claro.



Tenho ou não tenho razão? Bem, se fosse o meu vizinho de 8 anos a compor este video e depois o recebesse por mail juntamente com o SPAM da "Next Door Nikki" e do "Grotesco", até teria alguma piada, mas não foi. Quem fez este video foi uma entidade que pretende ser ouvida e, como qualquer gajo que quer ser ouvido, tem que ser credível manter um certo grau de decência. A isto chamo "tiro no pé".
E já que estamos numa de publicidade, aproveito para deixar aqui um dos melhores e mais originais anúncios que já vi a uma marca de cerveja com nome de recorde mundial (este video, claro, não faz parte do Momento "Mais valia 'tarem quietos!", pertencendo antes ao Momento "Clap clap clap!").


quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Há 49 anos: Johnny Cash, para fans e curiosos


I Walk The Line (1959)


P.S.: Passaram 49 anos sobre esta gravação que, imagino, tenha saltado de uma bobine de celulóide para zeros e uns de uma internet universal e livre. Ainda assim a voz de Cash continua a soar forte, profunda e suave, como uma trovoada distante, cujos trovões são mais sentidos que ouvidos.

* * *

Para aquelas sarnas que interrompem importantíssimas reflexões durante o meu prolongado café da tarde para dizer coisas como "Porra, pá, 'tas desempregado, não fazes nada, e mesmo assim não actualizas o Party Log", agora digo eu: JÁ ESTÁ! Irra...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Mais quatro fitas vistas em 2008 D.C.

Walk the Line

Johnny Cash certamente não é a primeira pessoa, muito menos o primeiro músico, cuja vida dava um filme. E até nem foi uma vida muito atribulada quando comparada com outros vultos seus contemporâneos como Elvis ou Jerry Lee. Ex-militar casa com rapariga de boas famílias (Vivian Cash) e começa a sonhar com música. Insiste, insiste e insiste, contra a vontade da mulher que prefere a protecção do papá à provável loucura de um músico. Conhece June Carter, Jerry Lee Lewis e Elvis Presley. Mete-se na droga (que surpresa). Torna-se um êxito nacional. Afunda-se em alucinações metanfetamínicas e em longínquas memórias do seu falecido irmão mais velho. Bate no fundo. June salva-o, casam-se e vivem felizes o resto das suas vidas. Mais coisa, menos coisa é isto. Boa interpretação de Joaquín Phoenix e uma esplendorosa Reese Witherspoon na pele de de June Carter. O enredo, por estar demasiado focado em Cash, não deixa entender o verdadeiro volume do seu sucesso, dando-o a entender assim, tipo, "de raspão" como na cena em que Cash rasga um cheque de um milhão de dólares à frente do caixa do banco. Não está mau, mas também não está nada de fantástico. É um filme essencialmente para fans e curiosos.
3 em 5.

Sunshine


A Terra mergulhou num Inverno solar uma vez que, contra todas as expectativas, o Sol se está a apagar. Junta-se todo o material radioactivo do planeta, constrói-se uma ogiva nuclear do tamanho de Manhatan, envia-se uma equipa de astronautas para largar a laracha e reza-se para que aquela mistela atómica reanime a estrela moribunda.
À primeira vista é mais um filme catástrofe com laivos de ficção científica. Mas não é. É bem mais do que isso. É na sua essência um ensaio sobre a loucura humana e a ténue fronteira que a separa da sanidade. É um ensaio sobre os demónios de cada um e sobre a maneira de lidar com esses demónios. Sobre a atitude humana perante a ameaça de extinção e sobre sacrifícios. É, portanto, um ensaio sobre o Homem cujo pano de fundo é uma viagem até o centro do sistema solar. Não vale a pena esmiuçar efeitos especiais no século XXI: estão irrepreensíveis. A nave que transporta a salvação da Humanidade é bem mais parecida com a Estação Espacial Internacional do que com um Cruzador do Império de Darth Vader, o que lhe dá aquele toque de credibilidade necessário para manter a palavra "Plausível" na cabeça do espectador durante todo o filme.
Nada a assinalar quanto às interpretações.
4.5 em 5.

Os Seis Sinais da Luz


Pessoalmente sou um fan do fantástico. Vi e revi as Histórias Intermináveis e o Feiticeiro de Oz, passei-me da cabeça com o Senhor do Anéis, adorei as Crónicas de Narnia, suei na última batalha de Eragon e simpatizei com Potter. No entanto há coisas intragáveis. Os Seis Sinais da Luz é um deles. Até há ali umas ideias agradáveis, ou melhor, bons princípios de ideias agradáveis. Bons princípios de ideias agradáveis porque parece que essas ideias nunca chegam a assumir um papel preponderante no enredo, que, diga-se, é execrável. Mais um miúdo que é o Escolhido para salvar o Mundo. Enchem-no de poderes sobre-humanos que nunca chegam a ser utilizados, como por exemplo controlar o fogo. O protagonista fica a saber que pode criar e controlar o fogo como quem descobre que lhe nasceu o primeiro púbico, e até a reacção é parecida. Passados uns dias, durante um ataque de fúria, desata a explodir casas e carros o que nos faz pensar que a luta final contra o mauzão do cavalo preto (a única personagem de jeito no filme) vai ser um fabuloso espectáculo de fogo de artíficio. Errado. Nem sequer uma fagulha é solta nessa "épica" luta de dois minutos. Não sei que mais diga... Foi uma total desilusão (tinhas razão, N).
0.5 em 5. Só por causa dos tais bons princípios de ideias agradáveis.


Gato Preto Gato Branco

Revi este filme há uns dias pelo que isto não é uma crítica, mas uma homenagem. Tal como o filme em si é uma homenagem ao absurdo, ao improvável e à loucura inspirada, assim faço eu a devida vénia ao Sr. Kusturica e companhia. Um porco devorador de carros, um gigante que se apaixona perdidamente por uma anã, um comboio roubado (sim, roubado, não assaltado), velhos que ressuscitam, dentes de ouro e tiros para o ar fazem deste filme um dos meus favoritos. Se é bom ou se é mau não sei. Adoro-o, e quando se gosta assim tanto de algo não se pergunta porquê, gosta-se e pronto.

Fica aqui a cena em que Dadan Karambolo (o mesmo da famigerada cena do Pitbull-Terrier) extravasa alegria por finalmente ter conseguido casar a irmã, que não estava propriamente para aí virada.


terça-feira, fevereiro 19, 2008

Geeks



Bem, foi aqui o zebrequins que me avisou sobre isto, mas acabei por ver este sketch aqui no fassans com prumvnes.
Já agora, há novidades na fissoblastans e estou quase quase a actualizar o stricofaites. Paciência, meus caros, paciência.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Dos nomes

Nunca tiveram a impressão que o nome de uma pessoa define essa pessoa? Ou pelo menos algumas coisas relacionadas com essa pessoa? Eu já. Confesso que não estudei a hipótese a fundo, não passa isto de uma mera reflexão causada por uma enorme surpresa. Mas já lá vamos. Eu sei, já alguém antes de mim pensou neste tipo de coisas, caso contrário não tinha numa gaveta qualquer um poster a dizer que Luís remonta a origens teutónicas e é um gajo criativo, inteligente e corajoso e mais não sei quê. Isso sei eu, não preciso que um poster com ares de quiromante mo diga. No entanto não falo dos nomes próprios, mas sim dos outros, dos apelidos. Não, não faço a mais pálida ideia da origem de Romudas ou do que raio significa. Parece-me ao mesmo tempo algo imponente e estouvado, mas isso sou eu que não sou ninguém.

Contudo, não a surpresa que tive não foi com o meu próprio apelido. Foi antes com o apelido Júdice. Já imaginaram alguém, de apelido Júdice, que não tenha absolutamente nada a ver com Direito, Advocacia ou Tribunais? Pois, mas há gente assim. Imagino o que o pensaram os pais de Nuno Júdice quando este se licenciou em Filologia Românica (segundo a Wikipedia). E o boquiabertos que ficaram quando desatou a publicar livros de poesia, de ficção, ensaios e peças de teatro! Oh meu Deus! Haverá alguém que tenha degenerado tanto das suas origens etimológicas?! Isto atormenta-me...

Nota do autor: o desemprego e a fraca ocupação de tempos livres leva a que pensamentos deste género, outrora impossíveis de me assolar, agora o façam de uma maneira avassaladora e quase incontrolável. Por exemplo, passei a tarde a divagar sobre os guardanapos de café que ao invés de absorverem líquidos, função inerente ao objecto em si, os espalham melhor que uma colher de pedreiro.

E agora, para algo completamente diferente: Foo Fighters, Learn to Fly. Hilariante.




quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Valentine's, Love and Music (sim, mudei o título)


Everyday, by Dave Matthews Band

Mesmo que não goste da música nem da banda, veja o vídeo. Vai gostar. Aposto um abraço.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Momento "Porqué no te callas?!"

Ontem disseram-me que o Brian May não fazia falta nenhuma aos Queen.



Meu grande estúpido, se Mercury era a alma dos Queen, e não há dúvidas quanto a isso, May era o plano metafísico onde essa alma podia existir. Percebeste?! Não... provavelmente não.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Morte de um miliciano, por Robert Capa

Hoje acordei a lembrar-me desta fotografia. Foi tirada por Robert Capa em 1936, enquanto cobria a Guerra Civil Espanhola. Capa acompanhava a milícia republicana, quando subitamente um dos paramilitares foi atingido por uma bala franquista. Durante muito tempo pensou-se que a fotografia havia sido encenada, prática muito comum em fotojornalismo de guerra que reduz de sobremaneira os riscos para as equipas de reportagem. No entanto um historiador espanhol identificou-o como sendo Federico Borrell García, morto no dia 5 de Setembro de 1936 durante um confronto com as tropas nacionalistas de Franco. Federico foi, aliás, a única vítima mortal dessa escaramuça. Por milagre, o soldado que o matou não era o único a apontar-lhe a mira: Capa também estava atento ao miliciano.

Além da Guerra Civil Espanhola, Robert Capa cobriu também o desembarque dos Aliados na Normandia a partir da praia de Omaha, os bombardeios de Londres e a libertação de Paris na Segunda Guerra Mundial, bem como a Guerra Civil Chinesa e a Primeira Guerra da Indochina. Foi precisamente no conflituoso sudeste asiático que pisou uma mina e morreu. Quando o encontraram tinha uma perna feita em pedaços, uma enorme ferida no peito e na mão ainda segurava a sua máquina fotográfica.

Além disto tudo, merece todo o meu respeito e admiração simplesmente porque durante algum tempo as suas mãos trocaram a máquina fotográfica por isto:

Ingrid Bergman.
Não era parvo, não senhor.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Sexta-Feira de Cinema: Uma Curta e Um Trailer

Egosciente e Youtube têm o enorme prazer de apresentar uma genial curta-metragem de animação do não menos genial Tim Burton, mestre do fantástico, arauto do obscuro, profeta da estupefacção. Encenado em 1982, por Burton e Tim Heinrichs, com a perturbante voz de Vincent Price, que, aliás, é o próprio centro da história, e citações de Edgar Allan Poe (para quem não sabe Poe está para a literatura como Burton para o cinema), aqui fica... Vincent! (sobe o pano e baixam as luzes)



Mas ainda falta o trailer. E de quem é o trailer? Se pensam que é de Tim Burton estão muito enganados. É antes de um senhor que nos tem presenteado com pérolas como Sexto Sentido, Sinais, A Vila e A Senhora da Água. Não conheço nenhum realizador com uma obra tão curta e tão boa. M. Night Shyamalan (acredito que o M. seja de Midas) prepara-se para nos deixar outra vez colados à cadeira com o filme The Happening. Não se sabe muito, apenas que a estreia é dia 13 de Junho, que o actor principal é Mark Wahlberg (terei ouvido suspiros entre o público feminino?) e que já tem trailer. Senão tivesse nem sequer estava aqui com esta conversa. E aqui está ele. Cortesia de FHF e Icons of Fright.




quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Mais uma inscrição no Centro de Emprego: Luciana Abreu

Pelo que se tem ouvido e lido em revistas côr-de-rosa, não que eu as leia, note-se, mas enquanto procuro a National Geographic e o Jornal de Letras no quiosque os títulos saltam retinas adentro, é inevitável, a Luciana Abreu foi despedida e já não há Floribella para ninguém. Tudo porquê? Tudo porque a menina, a coqueluche da pré-adolescência, não contente com o upgrade mamário, foi-se despir para os fotógrafos da FHM. Mas qual é o problema? Se a rapariga comprou umas mamas novas é perfeitamente natural que as queira mostrar, o que nem sequer é o caso. Mostra apenas aos leitores que já é uma mulherzinha e que veste uns números de soutien acima. Nada de mais. Então porquê o desemprego?! Primeiro há que perguntar a quem despediu a moça se o género de revista masculina, onde a FHM se insere, se coaduna com o público alvo da Floribella? Pois, também não me parece. E depois há que perguntar à mesma criatura acéfala se esta história toda não iria aumentar as audiências da Flôr, já que haviam alargado o leque de telespectadores, dos 7 aos 97, com especial atenção para jovens machos cheios de acne.

O busílis da coisa é que a sessão fotográfica de Luciana Abreu quase fez com que Floribella se transformasse no primeiro espectáculo verdadeiramente para pais e filhos (enquanto as mães passam a roupa a ferro) pós-Buéréré-versão-Ana Malhoa, mas com muito melhor gosto, sem uma vaca e um boi que falam e sem o sorriso irritantemente falso da dita cuja apresentadora.
Parabéns à SIC por ter passado ao lado de uma verdadeira mina de audiências. Falhados...

A falta que este cartão me fazia...

Pearl Before Swine... Para ver mais coisas deste tipo clique na imagem s. f. f.

sábado, fevereiro 02, 2008

Atenção! Atention! Atención! Achtung!

Fresquinhas e boas novidades na Galeria: Carnaval (primeiro acto) e recordações de chineses voadores sem coluna vertebral. Venham ver! É só clicar ali do lado direito! Fantásticooooo!

Apologias: Ainda não actualizei o Party Log pela simples razão de que a vida de intelectual é bem mais dificil do que parece. Não pensem que ler 9 livros e ver 7 filmes europeus por semana é fácil porque não é. Para já não falar nos bailados clássicos e peças de teatro underground a que sou obrigado, pela minha vanguardista condição cultural, a assistir. Tenham paciência, meus caros, tenham paciência!

quinta-feira, janeiro 31, 2008

As últimas fitas de 2008 - Parte I

2001 Odisseia No Espaço - Esté é o derradeiro, ainda que seja um dos primeiros (1968), filme de ficção científica. A incrível aventura da existência da Humanidade, desde a primeira ferramenta à descoberta de vida extraterrestre inteligente e viagens espaciais. Antes de mais há que referir o nome de Kubrick. Stanley Kubrick, ganha com este filme definitivamente lugar no panteão dos meus realizadores favoritos. Não posso esquecer a cena em que o homo sapiens (estranhamente parecido com o Chewbacca) descobre que pode usar um osso como arma ou ferramenta, e a fabulosa passagem repentina para a era espacial. Há quem diga que é um filme aborrecido e tem muita razão. É um filme aborrecidíssimo para quem não gosta de pensar e reflectir nas origens e nos destinos do Homem. É um filme aborrecidíssimo para quem pouco mais vê além de blockbusters. Não é um filme fácil, não senhor, mas é muito, muito bom.
Leva, portanto, 4.5 em 5.

A Estranha Em Mim - A história é boa sem ser genial e a realização é competente sem ser brilhante, com excepção de um dois momentos onde sentimos na própria pele o terror psicótico que Erica Bain (Jodie Foster) sente ao tentar fazer coisas aparentemente vulgares como sair à rua ou mesmo abrir a porta de casa. Depois disto parece um jogo do Manchester United: só dá Cristiano Ronaldo, que no caso deste filme encarna Jodie Foster. Se já viram Sala de Pânico ou Pânico A Bordo devem saber do que estou a falar. A rapariga, que se diz ser a mais inteligente de Hollywood, é exímia em fazer papéis depressivo-psicóticos. Aquele esboço de sorriso de quem está a morrer por dentro, os olhos azuis muito abertos de assombro...
Foster não salva o filme porque não precisa de ser salvo, só por si é bom, mas dá-lhe aquele toque que só ela sabe dar e por isso leva 3.5 em 5 pontos possíveis.

Taxi Driver - Já se escreveram tantas linhas sobre esta magnfíca (mais uma) obra de Scorcese e sobre a prestação genial (mais uma) de De Niro que não vou acrescentar nada de novo, diga o que disser. Martin Scorcese faz aquilo que melhor sabe: pega em factores sociais de uma determinada época, junta um actor fabuloso a uma personagem tipo anti-herói, mistura uma boa história, mexe bem e finalmente serve-nos tudo bem crú e suculento. Parece fácil.
Há que referir também, não podia deixar de o fazer, Jodie Foster, a prostituta de 12 anos que precipita e detona toda a psicose latente em Travis Bickle (De Niro).
Em resumo, um clássico intemporal, uma obra fantástica que junta três dos maiores nomes de Hollywood ainda em início de carreira e que com este Taxi Driver marcaram definitivamente a história do cinema.
5 em 5. Sem dúvida.

A título de curiosidade fica aqui a clássica deixa do "Talking to me" em frente ao espelho. Sabiam que isto foi um improviso de De Niro em que Scorcese nada fez para além de deixar a câmara a gravar? Genial.


quarta-feira, janeiro 30, 2008

Lembram-se de Shivaree?

Sim, aquela banda que petrificou o mundo com o single Goodnight Moon em 1999, proveniente do álbum com o maior título da história da música (aposto): I Oughta Give You A Shot In The Head For Making Me Live In This Dump. Infelizmente foi só mesmo esse single que petrificou o mundo, os outros nem se chegaram a ouvir, nem os singles nem os álbuns, e é uma pena. Duvido que sejam tão maus como os que passam na rádio hoje em dia e nenhum desses tem uma vocalista com um nome tão peculiar, quase timburtoniano, como Ambrosia Parsley. No outro dia encontrei o cd no meio da confusão que é a gaveta de baixo da minha secretária, após 9 anos sem ser ouvido. Pú-lo no leitor. Acto contínuo, baixei as luzes do quarto até aos níveis mínimos de segurança. Recostei-me na cadeira. Suspiro. Caraças, pá, isto soa mesmo bem! Mas porque carga de água não se ouviu falar mais disto?! - pensei eu, embalado pela voz melosamente sexy de Parsley e os acordes bluesy de McVinnie. Editoras, conjuntura musical, números. Claro, só podia ser pelas razões normais. A verdade é que sobreviveram para lançar mais três álbuns, não se livrando, no entanto, do epíteto de one-hit band. E é com esse mesmo hit, esse fantástico hit, que vos deixo: Goodnight Moon, by Shivaree


Queres apostar?!

Há uns meses atrás todos vimos Bill Gates apertar a mão ao Ministro da Ciência e Tecnologia, não vimos? Que Portugal e a Microsoft tinham assinado um acordo qualquer, uma daquelas parcerias feitas para dar a entender à populaça que estamos na vanguarda de tudo e mais alguma coisa. Seja como for, imagino que a partir de agora o Governo não pague totalmente as licenças dos seus Windows e Office, que seja tudo a preço de saldo, ou talvez mesmo sem preço.

Anteontem, a meio de um vôo experimental, caiu um F16 da Força Aérea Portuguesa depois de lhe terem sido remodelados alguns equipamentos, especialmente o software.

Aposto o que quiserem em como, antes de se ejectar, o tal experientíssimo tenente-coronel tenha vislumbrado isto no seu monitor de bordo:

Ou ainda isto:

* * *
Adenda: A expressão "O meu computador crashou" atinge uma nova dimensão se estivermos a pilotar um avião a 1500 km/h, não é?

terça-feira, janeiro 29, 2008

O maior envenenamento de sempre

A cruz suástica foi usada pela primeira vez algures no Neolítico, 12.000 a 4.000 AC, e significa, etimologicamente, "pequenas coisas que trazem um bom viver/ser". Nascida do sânscrito svastika, uma língua que morreu muito antes de Hitler imaginar Auschwitz, durante milénios foi usada em rituais religiosos e enfeitava sagradíssimos templos e casas desde a Índia à América do Sul, passando pela antiga Roma. Símbolos semelhantes foram encontrado em objectos provenientes das Idades do Ferro e do Bronze, no Cáucaso. Este símbolo, está, portanto, connosco desde a alvorada da humanidade, e não apenas desde 1933 com o Terceiro Reich. Não se sabe ao certo como viajou tanto: Índia, Escandinávia, China, Médio Oriente e América Central e do Sul. Seria extremamente díficil aos hindus contemporâneos dos astecas fazer-lhes passar uma mensagem, fosse ela qual fosse. E vice-versa, claro. Primeiro porque nem sabiam da existência uns dos outros, e depois porque após a tragédia do Titanic e do Concorde as viagens trasatlânticas ficaram seriamente comprometidas. Mas há teorias. Uns dizem que a simplicidade intuitiva do símbolo fez com que tivesse nascimentos e crescimentos paralelos em vários locais diferentes e sem contacto mútuo, tipo Intendente e Quinta da Marinha. Já Carl Sagan, baseando-se num antigo manuscrito astronómico chinês, diz que algures na história do Mundo surgiu um cometa cujos jactos de gases, influenciados pela própria rotação, se tornaram visíveis, dando assim origem a algo parecido com a suástica.

A verdade é que, com cometa ou sem cometa, a suástica, ou cruz gamada, nasceu e espalhou-se. Budistas, gregos, parsis, celtas, aztecas, jainistas, navajos, zoroastros, kunas, pré-cristãos e até um batalhão de infantaria dos Estado Unidos da América usaram a suástica ou variações dela, com significados que vão desde "movimento entre povos" a "boa sorte", e nunca, mas nunca passando por sinónimos de "supremacia" ou "ariana". Houve uma altura na História do Homem em que a suástica era mais vista que a cruz de cristo, que o crescente e que a estrela de davi o são hoje em dia. Foi preciso aparecer um badameco com um bigode ordinário e um fetiche por judeus queimados para corromper mais de 6.000 anos de história. Que cabrão!


Para saber mais, não hesite, use a Wikipedia.
Imagens e algumas informações cedidas por Wikipedia.

Nota: Nenhuma das insígnias aqui presentes representa o nazismo, Hitler, Himmler, nem tampouco Eva Braun, e nada têm a ver com a temática do holocausto, ou anti-semitismo, e valores subjacentes. Sim, tenho o cabelo muito muito curto, mas botas de biqueira de aço e suspensórios não se coadunam com o meu estilo de intelectual de esquerda.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Testes, essas coisas tão uteis para a nossa realização pessoal

Tenho para mim que a Internet é uma espécie de melhor criação da humanidade depois da roda e da Soraia Chaves, se bem que esta última está bastante relacionada com a primeira. No entanto, há coisas na Internet cuja razão de existência é tão difícil de descobrir como o sentido da vida. São coisas que só encontram explicação nos tortuosos meandros da mente humana, a mente humana que é capaz de tudo. E uma dessas coisas, inexplicáveis, inúteis, mas que toda a gente usa, nem que seja por curiosidade, são os testes. E há testes para tudo e mais alguma coisa. Quer saber qual o melhor sítio para fazer amor? Quer saber que personagem de Banda Desenhada seria? Ou mesmo qual música do Marco Paulo seria? Bem, não precisa de esperar muito, basta ir aqui, ao site da Rádio Comercial.

Confesso, não sou muito de fazer este tipo de testes a menos que alguém, normalmente um blogger de renome, o tenha feito antes. E aqui a Bombinha fez. Um teste sobre pássaros. Muito bem. Eu, um amante dos ares que infelizmente sofre de vertigens a partir dos dois metros, sempre sonhei em voar. A sério. É um sonho de criança. Uns queriam ser astronautas, outros futebolistas, outros até pedreiros, mas eu, eu sempre sonhei em voar. Queria ser um falcão peregrino, subir até não poder mais e depois um voo picado, vertiginoso, curvar subitamente e planar, planar, planar. Suspiro.

Ainda que o teste seja para saber qual é o nosso Power Bird, que imagino seja a nossa ave espiritual, decidi fazer o teste.


Your Power Bird is a Swan



You are a truly graceful and gorgeous creature.
You easily see beauty in yourself and others.
Intuitive and in touch, you can often guess what the future will bring.
And you're flexible enough to accept the changes that life has in store for you.



Imaginem o meu espanto quando saiu o resultado. Um cisne! Um paneleirote de um cisne! Tenho um metrossexual de um cisne a tomar conta de mim a partir dos céus! Nem um milhafre, nem um açor, nem um grifo, nem sequer um noitibó! Um cisne, vejam só! Ó que vida tão cruel!
Agora sim. Agora me lembro porque detesto este tipo de testes. Mesmo que saibamos a matéria toda o chumbo é garantido.

Não podia ter corrido melhor!

E não podia mesmo. Os de Alvalade conseguiram uma moralizante vitória, e tanto que precisam de moralizar. Precisavam desta vitória como Sansão precisava que lhe crescesse outra vez o cabelo. Precisavam de se relembrar que até sabem jogar à bola, que os últimos meses têm sido nada mais que um pesadelo. Os das Antas perderam mas jogaram enormidades e continuam isoladíssimos na frente do campeonato. Segundo Jesualdo saíram ainda mais moralizados porque tiveram uma atitude irrepreensível durante 75 minutos a perder por dois zero. Concordo. É raríssimo ver-se isto hoje em dia: um clássico sem polémicas, sem as habituais trocas de galhardetes, e um resultado que ao favorecer uma equipa não prejudica (muito) a outra. Além de que foi um bom jogo de futebol. Tão bom que tanto o resultado podia ter sido mais dilatado como Paulo Bento ter saído com uma goleada às costas. Mas não saiu.
Assim está bem.

domingo, janeiro 27, 2008

The Beatnick Sunday ou Elevando o Nível Intelectual com Ginsberg & Davis


Na Parte De Trás Do Real

"Na parte de trás do real
largo da estação de San José
Vagueava acabrunhado
perto de uma fábrica de tanques
e sentei-me num banco
ao pé da guarita do agulheiro.

Uma flor jazia no feno que jazia
no asfalto da auto-estrada
- a temida flor do feno,
pensei eu. Tinha um caule
negro quebradiço e uma
corola de picos sujos
amarelados - picos longos como
os da coroa de Jesus -, e no centro
um sujo tufo de algodão
como um pincel de barba usado
guardado no meio de coisas velhas
na garagem há mais de um ano

Flor, flor amarela, e
flor da indústria também,
flor forte agreste e feia,
mas flor de qualquer modo,
com a forma da grande rosa
amarela do teu cérebro
Esta é que é a flor do Mundo."

Allen Ginsberg
-Uivo e Outros Poemas-


The Miles Davis Quintet - Walkin' (1967)

sábado, janeiro 26, 2008

Azias e Distintivos

Ouvir o Correia de Campos a matraquear, tentando justificar as desgraças que se têm visto, e explorado como um filão de ouro, no Serviço Nacional de Saúde deixa-me com azia. Pouco importa que o jantar seja um bruto cozido à portuguesa ou uma sigela salada, a azia obrigatoriamente está lá. E está lá porquê? Bem, primeiro porque não percebi nada do que o homem disse. Bem vi a boca dele mexer, porém não apanhei patavina daquela algaraviada. E depois porque mesmo que percebesse as palavras que saíam daquela boquinha santa duvido que entendesse o que o Sr. Ministro queria explicar. Creio que a mim juntar-se-á, inevitavelmente, a grande maioria dos portugueses, essa cambada de iletrados que elegem gente desta, e de outra ainda pior, para dirigir esta frágil barcaça.
Ora, juntamente com a azia vem este azedume crítico. Graças ao senhor Correia de Campos parece-me plausível, e um excelente plano para uma noite de sábado, ver, gravar e rever um programa do género Prós e Contras ou a Quadratura do Círculo, ou daqueles debates fúteis sobre futebol e arbitragem (ou será sobre arbitragem e futebol?), e passar horas e horas a ver boquinhas a mexer. Porque no final de contas esses programas servem para no fim não sabermos em que estado ficou o debate, nem nenhuma opinião concreta, mas sim que Fulano encostou Beltrano às cordas e que, Cicrano, inteligentemente, foi buscar o passado obscuro do Coisinho e que o moderador falava mais que os eruditos convidados... Enfim... Lavar roupa suja e fazer figura de urso, é o que acaba por acontecer a muito boa, ou não tão boa, gente.
E, com a azia e o azedume, vem também esta aparente incapacidade de parar de falar... É contagiante. E depois o leitor começa a falar ao mesmo tempo. Depois eu falo ainda mais alto. O leitor imita e também sobe o volume. E no fim o que sobra para além da cacofonia?
Exacto.
Nada.

E para acabar com esta conversa desfiada, algo que não tem nada a aver: duas versões de uma das mais estapafúrdias deixas cinematográficas (exclusiva para mexicanos): "Badges? We don't need stinking badges!"


in Treasure of the Sierra Madre


in Blazing Sadles

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Mais uma boa surpresa

Não sou nenhum audiófilo nem cinéfilo nem obcecado leitor, mas gosto de me manter a par do que se vai fazendo em todas as essas áreas. Não quero saber quantos álbuns lançou fulano, nem em que anos, contento-me, isso sim, em saber que fulano existe, que toca nãoseioquê e que o estilo de música é aquele, por exemplo. Tudo para não ser apanhado em flagrante ignorância quando alguém me pergunta se conheço a banda tal, ou o se já vi o nãoseiquantos, ou se já li beltrano. No entanto, às vezes, acontece na mesma. E hoje aconteceu. Nunca tinha visto estes gajos, o Blue Man Group, nem mais azuis nem mais gordos, e no entanto estou maravilhado. Note-se que não são um grupo musical, antes um organização creativa. Tocam dezenas de intrumentos, tudo de percussão, mas nada comparado nem com Stomp nem com TocáRufar. Um facto curioso é que, quando actuam perto da assistência, distribuem impermeáveis às primeiras filas. Portanto já ficam com uma ideia da coisa. Se quiserem saber mais, para não ficarem com aquela cara de "Quem? Nunca ouvi falar" quando alguém vos perguntar se conhecem o Blue Man Group, cliquem aqui e/ou aqui.

E já agora, contribuindo para a youtubização deste blog, mais um video:

Blue Man Group & Dave Matthews (sim, esse mesmo)
Sing Along




Sugiro também que, em vez de estarem a ver os Morangos com Açucar, cliquem no link e vejam também este video, de uma cover dos The Who, Baba O'Riley. Brutal. Ah, e já agora, se tiverem um tempinho vejam esta performance também, onde ficamos a conhecer o Drumbone... Enfim...

Obituário

Heathcliff Andrew Ledger (Heath Ledger) 1979-2008

Foi encontrado morto no seu apartamento em Manhattan. A polícia suspeita de abuso de drogas, sejam elas qual forem. Não o apreciava muito como actor, no entanto estava à espera que me surpreendesse um dia destes com uma actuação divinal. Já está. Seja como for não se deve morrer assim tão cedo, caramba!

Filmografia (segundo o 7Arte):
  • 10 Coisas Que Odeio em Ti
  • Quatro Penas Brancas
  • Candy
  • Casanova
  • Coração de Cavaleiro
  • Monster's Ball - Depois do Ódio
  • O Patriota
  • O Segredo de Brokeback Mountain
  • Irmãos Grimm
  • The Dark Knight (em produção e sem título em português)

terça-feira, janeiro 22, 2008

The Big Shave (1967) by Martin Scorsese



Reza a lenda que esta curta realizada pelo Mestre Scorsese fez parte integrante da sua tese de mestrado em Cinema. Não me perguntem em qual escola porque não faço ideia, o que sei é que deve ser muito boa para poder albergar talentos assim. Nota: Resistam até ao fim. Tem bolinha.

Via Portal Cinema.

Elevando o Nível Intelectual com: Leonardo Da Vinci


«A Chama e a Vela»

«As chamas, vivendo há já um mês nos fornos do vidreiro, viram aproximar-se uma vela, num belo e lustroso candelabro, e com grande desejo tentavam encostar-se a ela. Uma das chamas, deixando o seu curso natural, enfiou-se num tição apagado, de que se nutria, e saindo pelo outro lado por uma pequena fenda, atirou-se à vela, que estava próxima, e com extrema gula e avidez a devorou até ao fim; e querendo prolongar-lhe a vida, em vão tentou voltar ao forno donde partira mas foi obrigada a finar-se e morrer juntamente com a vela; assim, com prantos e arrependimentos, em fastidioso fumo se transformou, deixando as irmãs em longa vida e resplandecente beleza.»

Leonardo Da Vinci
Bestiário, Fábulas e Outros Escritos
Assírio & Alvim

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Uma das melhores séries portuguesas de sempre: Paraíso Filmes

Paraíso Filmes & Egosciente
Apresentam:

Shôr Aníbal




Agradecimentos: PFTv.

Palavra de que gosto: Usucapião

Usucapião
  • do Lat. usucapione; s. f., Jur.;
  • modo antigo de aquisição de propriedade, pela posse pacífica e contínua durante certo tempo;
  • espécie de prescrição.
Tipo, um okupa pode ficar com uma casa se, tipo, se conseguir aguentar lá tempo suficiente, 'tás a ver, pá?

Gostava de ser um bytezinho para ver o que lá vai dentro

Suponhamos que o caro leitor, há 3 anos atrás, gastou 1500 € num computador artilhado com o topo de gama de quase tudo. Licença de Windows XP incluída. Três anos volvidos, a máquina continua a trabalhar como se fosse o primeiro dia, não recusa nenhum jogo por mais recente que seja e debita gráficos na perfeição. Sem downloads directos, uma vez que a ligação wireless ao modem só funcionou durante um punhado de horas, o disco vai sendo atafulhado muito lentamente. Música, séries televisivas, fotografia, jogos e software, como AutoCAD, Architectural Desktop, StudioWiz, ou Photoshop. Pouco a pouco, tão pouco que o olho humano nem deu por isso, os 160 gigabytes do disco foram todos ocupados. "Muito bem. Seja como for, já estava na hora de fazer backups". E lá começa a penosa tarefa de gravar cerca de 100 gigas de informação em DVDs de 4.7. Ao chegar ao 4º DVD, subitamente, a máquina não deixa gravar mais nada. O Nero não quer abrir. "Mau Maria!". Tenta abrir o AutoCAD porque afinal de contas tem que terminar um trabalho para entregar nas próximas horas. Nada. O AutoCAD resfolega e deixa-o apeado. "Ai tu queres ver?!". Mas ver o quê? Já tinha 20 gigas livres, devia estar a trabalhar como um mouro que se preze. Photoshop. Niente. Nada. Zero. Nickles. Exceptuando o Media Player e as outras aplicações do Windows, foi tudo ao ar. Deixaram as pastas, tristonhas, cabisbaixas, absolutamente desertas e fugiram. Não teriam pago a renda ao Sr. Windows e este, como retaliação, expulsou-os de suas casas?! Ou foram eles que as abandonaram por sua conta e risco?! Não sei. Nem nenhum dos "geeks" que conheço me conseguiu dar uma explicação lógica para isto. Um XP que guarda os dados e apaga software. Tão raro como o Yeti. Um verdadeiro fenómeno do Entrocamento, mas ao contrário. E tinha logo que me calhar a mim.

A próxima alminha que me disser que a informática é uma ciência exacta, ou que o material tem sempre razão, ou que o Windows é o melhor SO, engole um punho fechado. Ai engole engole!

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Blasted Mechanism - We

Uma das melhores músicas dos últimos anos em terras lusas. E um dos melhores videoclips também.



(Sim, é uma guitarra portuguesa. Sim, é o António Chaínho.
'Tá brutal, não 'tá?)

"We were made for much more,
made for anything we want"


Elevando o Nível Intelectual com: Anton Tchekhov

"«Amo-o. A minha vida, a minha felicidade, tudo depende de si! Perdoe-me esta confissão, mas não podia sofrer mais em silêncio. Espero de si mais compaixão que amor. Apareça hoje às oito da noite no velho pavilhão. Acho desnecessário escrever o meu nome, mas não receie o anonimato: sou jovem e atraente. O resto que lhe importa?»
Depois de ler esta carta, Pavel Ivanitch Vikhotsev, homem casado, de moral saudável, encolheu os ombros e coçou a testa, confundido.
«Mas que diabo vem a ser isto? Enviar carta tão estranha... e estúpida a um homem casado! Quem será a autora?»
Pavel Ivanitch virou e revirou a carta, leu-a mais uma vez e cuspiu."

Anton Tchekhov - Contos e Novelas
Edições Ráduga