segunda-feira, julho 28, 2008

Ai as modernices...

Mais um triste caso de blogjacking.

* * *

Adenda: 24 horas depois de ter sido a primeira pessoa a utilizar a palavra "blogjacking" na internet (o que por acaso é uma total mentira, mas era giro, muito giro mesmo, que fosse verdade) os terroristas devolveram o seu a seu dono, aparentemente sem um único arranhão. Uma espécie de Ingrid Betancourt da blogosfera mas com menos tempo de cativeiro. Se bem que um dia inteiro a ver o próprio blog tomado por "ácaros" deve ser torturante ao ponto de se perder uns aninhos de vida.
Ora, para evitar males semelhantes aqui a gerência decidiu contratar pessoal especializado nesse tipo de tomadas hostis e entradas sem convite:


No caso de haver dúvidas sobre as suas capacidades é favor consultar C.V.

sexta-feira, julho 25, 2008

Geeks know it better


Sempre mantive uma periclitante fé na Microsoft. Pensava "porra, para estar em todo lado não pode ser tão má como dizem os geeks". O problema é que é mesmo assim tão má. Não se percebe como é possível, em finais do primeiro decénio do terceiro milénio, haver gente a fazer software repleto de 'bugs' e a lançá-lo a toda a bolina para a cara dos consumidores assim mesmo: repleto de 'bugs'. Bem, até havia desculpa se as coisas ainda fossem programadas em caves e garagens, mas como foi tudo feito em altos edifícios de vidraças espelhadas, Ó Vista, vai para o raio que te parta. Venha o Ubuntu. E o Office só não vai porque é a única ferramenta de software da Microsoft com crédito aqui no estaminé. Simplesmente porque ainda não apareceu nenhum OpenOffice minimamente aceitável e eficaz. Mas até esse que se cuide.

quinta-feira, julho 24, 2008

Elevando o Nível Intelectual com Charles Baudelaire


"O vinho exalta a vontade, o haxixe aniquila-a. O vinho é um sustento para o corpo, o haxixe, uma arma para o suicídio. O vinho torna as pessoas boas e amistosas. O haxixe isola. O vinho significa trabalho duro, ao passo que o haxixe é um sinónimo de preguiça. Por que estranha razão há-de alguém suportar a maçada que é trabalhar, lavrar a terra, escrever, enfim, fazer o quer que seja, se, com uma fumaça, pode alcançar o paraíso? O vinho é para as pessoas que trabalham e que merecem bebê-lo. O haxixe pertence à categoria dos prazeres solitários; foi feito para o ocioso infeliz. O vinho é útil, produz resultados frutíferos. O haxixe é inútil e perigoso."



N/B.: Não sei de que obra faz este texto parte, nem tampouco se faz mesmo parte de alguma obra. Desconfio que esteja no "Paraísos Artificiais" mas não tenho maneira de ter a certeza. O que sei é que roubei-o daqui. O resto é conversa.


terça-feira, julho 22, 2008

"There and Back Again"

Vivi no Porto durante dois meses, e se há quem pense que foi pouco tempo, eu sou uma dessas pessoas. Foi mesmo pouco tempo. Estava a "viver" a cidade quando fui obrigado, pelas ocultas forças que gerem os orçamentos dos seres humanos, a voltar ao Alentejo.
Durante um desses meses morei em casa de um amigo na Rua da Vitória, que me ficou como a mais lúgubre e pitoresca da cidade. Para quem não sabe, a Rua da Vitória é uma transversal à Rua das Taipas que sobe desde as traseiras do Mercado Ferreira Borges até à Cordoaria Nacional (ao lado dos Clérigos). É, portanto um dos muitos capilares do coração do Porto. Tem um único sentido e é tão estreita que a, aparentemente, simples tarefa de meter o carro a rolar pela Rua da Vitória sem um risco é coisa digna de gabarolice de peito inchado. Não é para todos. É escura e à noite poucos caminhantes (não conhecedores da sua natureza) se aventuram pelos seus paralelos. É, no entanto, uma rua pacífica. É um bairro minúsculo. Todos nos cumprimentam. Os miúdos jogam à bola e os velhos à bisca lambida em cima de grades de cerveja vazias. Ouvem-se os tradicionais, e carinhosos, "filho-da-putas" e "caralhos" e "puta-que-o-parius" por todo o lado. Cheira sempre a mar, porque o próprio mar escorre por entre as juntas dos enormes blocos de granito que impedem as ruas de desabar umas em cima das outras. Como se o mar ele próprio tomasse de assalto a cidade assim que o último portuense adormece e recuasse subitamente mesmo antes do primeiro acordar. Como se a cidade fosse lavada pelo mar todas as noites desde tempos que ninguém recorda.

E enquanto pensava nisto tudo era na maior parte das vezes interrompido por J. "vamos ao Taipas ó alentejano mal amanhado?". E lá íamos para o nosso poiso do costume para uma das sessões tri-semanais de "T&P" (tinto e poesia) no Taipas e Feijão. Entrávamos na tasca de portadas vermelhas e passávamos para outro mundo. Deixávamos as ruas de luminárias titubeantes e passávamos para o colorido domínio do Sr. António, ex-jornalista, actual poeta e taberneiro. Pilhas de livros em cima da mesa, um jarro de vinho, pão, azeitonas e queijo. Às palavras "agora vai-se recitar poesia e, ou se calam, ou pagam o que devem e vão prá puta que vos pariu" o silêncio é sepulcral. O resto da noite era nosso. Nosso, de Negreiros, de Beckett, de Pessoa, de Whitman e de quem mais viesse.


Foi assim que vivi durante um mês e não me importo que me obriguem a repetir. Se possível, durante mais um bocadinho, sim?


P.S.: Escrevi isto levado por um acesso de lembranças provocadas por este texto de Manuel Jorge Marmelo.
Obrigado, pá.

segunda-feira, julho 21, 2008

Microconto: O Sentido

Pensou no seu nome dias a fio. Imaginou cada letra a ser desenhada lentamente, como se uma pena invísivel e incomensurável fizesse nascer cada letra a partir do vazio, e tão devagar que poder-se-ia dizer que mundos infinitos eram criados a cada nova linha traçada. Pensou tanto tempo no nome dela que a própria palavra deixou de fazer sentido. Sentiu-se aliviado. Depois decidiu fazer o mesmo com outras palavras. Percorreu mentalmente todo o dicionário. Não satisfeito, passou para as palavras dos calões e dos vernáculos, para as línguas estrangeiras que conhecia e para algumas que desconhecia. Chamavam-lhe louco e ele sorria. Continuou, atarefadíssimo a sua cruzada. Abarcou, uma por uma, todas as palavras do Mundo e lentamente fez com que perdessem o sentido, o significado, a essência. Sem isso, as palavras tornaram-se nada mais que amontoados aleatórios de letras e sinais. Deixou para o fim o seu próprio nome. Depois disso esperava sentir-se feliz, limpo, purificado, purgado e divinalmente expiado. Poderia morrer em paz. Porém nada disso aconteceu e foi tomado por uma angústia pesada como o Universo. Faltava alguma coisa. Sim. Esquecera-se da palavra mais importante de todas. Esquecera-se da principal palavra que comanda a vida. Esquecera-se da Morte. E foi assim, já sem nome, sem memória, sem sentimentos, sem nada, que ao chegar à letra 'e' os seus olhos se fecharam e o seu coração lentamente desacelerou e parou. Assim mesmo, finalmente feliz, limpo, purificado, purgado e divinalmente expiado.

Mais coisas que me moem

Será que ninguém cala Valentim Loureiro? Já foi processado, já foi ilibado, já foi processado, já foi condenado, já lhe aconteceu tudo e mais alguma coisa e o gajo simplesmente não se cala... Que raio!

Coisas que me moem

Será que faz sentido um Futebol Clube do Porto esperar que um clube como o Internazionale Milano pague 40 milhões de euróis por um Ricardo Quaresma quando um clube como o Associazione Calcio Milan pagou ao Futbol Club Barcelona 25 milhões por um "ex-génio" da bola? Ai faz? Pronto, então se faz sentido está tudo bem. Mas não se esqueçam que um ex-génio pode voltar a ser um génio a qualquer momento. Já uma promessa de génio pode nunca vir a concretizar-se, sabiam?

Breaking News

Não sei se já repararam mas a Galeria foi actualizada recentemente com 8 fotos de uma série a que dei o assombroso título de "Clown's Balls". Foram tiradas durante o espectáculo do fabuloso Leo Cartouche em Arraiolos, durante o Tapete Está Na Rua 2008. E que grande espectáculo. Vale a pena ver palhaços assim: atentos, talentosos, esforçados e com um fascínio desmesurado pela dificuldade dos números. Só para terem uma ideia, o homem acabou a actuação a saltar à corda em cima de um monociclo de 2 metros enquanto cuspia fogo. Depois, pela noite dentro, quis o acaso que nos cruzássemos entre uma rodada de cervejas. Mesmo sem maquilhagem e sem a fatiota do seu alter-ego, Jens Altheimer, foi sempre suficientemente simpático para não se querer ver livre à força de um pequeno grupo de bêbedos chatos que lhe impigiam cerveja quente. Quem disse que os alemães não sabem o significado da palavra simpatia? Pronto, está bem, este está há muitos anos em Portugal, mas ainda assim é alemão...

quarta-feira, julho 09, 2008

Subscrevo, assino, rúbrico e até proclamo se for preciso.

"Empenho-me neste blogue e trato dele o melhor que posso e sei porque gosto de blogar. A liberdade que aqui se goza é de tal ordem que esta actividade até permite vários meios de pagamento consoante as prioridades: dinheiro, publicidade, links, elogio, reconhecimento, o regresso diário dos visitantes. É uma vocação, um gosto, um prazer, um acto de comunicação, uma forma simples de dizer através da escrita ou da fotografia ou do desenho ou do vídeo, seja o que for, Eu sou um indivíduo, estou aqui e sinto que tenho alguma coisa a partilhar com os outros, as minhas ideias, histórias, convicções, sentimentos - não sou uma condição humana pré-fabricada pelos media. Não sou solitário anti-social, terrorista, pedófilo, caluniador ou boateiro. Sou um blogger e o mínimo que espero é respeito por aquilo que faço todos os dias. No caso dos media ou dos seus fazedores de opinião, mostrar respeito significa apenas manter-se informado."

Marco, Bitaites

ESTE BLOG (AINDA) NÃO FECHOU!

Pois não. Nem se prevê que o faça brevemente. No entanto não têm sido poucas as coisas que me têm afastado da página de login do blogger. Entre trabalho, biscates, elucubrações gastronómicas e confrarias culturais pouco tempo tem sobrado para isto. As fotografias que vos havia prometido - acho que as prometi mais a mim do que a vocês - ainda estão para ser arranjadas, muitos textos (mas não tantos quanto isso, não se preocupem) ainda estão por publicar e muitas coisas estão para ser mostradas. Mas acalmai-vos, meu sequioso séquito! Prometo que para a semana cumpro todas as promessas (menos aquela de comer uma lesma viva se o Cristiano Ronaldo ficar no Manchester).

Para a semana cumpro tudo o que aqui prometi, mas antes disso, e muito infelizmente, tenho que ir aturar umas brasileiras que são tão sexys que já cansam, beber umas cervejolas com uma ciganagem muito bem enjorcada e fazer uma ou duas revoluções com muita, muita raiva contra A Máquina.

Assim sendo, fiquem bem e, se não nos virmos antes, até à próxima.
Tenham por cá saúde.

quarta-feira, junho 25, 2008

Idiossincrasias de Blogger

Gosto de escrever. É um facto. Se o faço bem ou mal pouco importa, o que importa mesmo é que o faço. E, espante-se o caro leitor ou não, dá-me tanto prazer escrever como ler e reler o que escrevo. É como qualquer acto sexual tendo como única diferença essencial que o clímax, o momento em que digo "pronto, 'tá bom assim", pode chegar dias, semanas ou meses depois de o "baixar as calças". Não estou de modo nenhum a comparar a escrita com o sexo. Digamos que é apenas uma metáfora mas desta feita com o advérbio "como" entre as duas situações. No entanto não é só o escrever por escrever que me dá prazer. O assunto sobre o qual disserto e a maneira como o faço têm um papel tão ou mais importante como o facto de a minha parceira sexual usar tanga ou cuecas convencionais. Lá está o sexo outra vez. É uma metáfora, apenas e só uma metáfora. Estão a ver onde quero chegar? Então continuemos sem nos dispersar em considerações fúteis sobre tangas, fios dentais ou boxers, cintas de ligas ou soutiens de cetim (não gosto de rendas). E como eu estava a dizer, a maneira como escrevo tem uma influência importantíssima no índice de prazer obtido. Mais uma vez: se o consigo fazer bem ou não, não é importante. A escrita, tal como o sexo, é uma coisa que se aperfeiçoa ao longo do tempo. E nem é uma questão de quantidade de linhas escritas. É na realidade uma razão matemática que confronta a quantidade de coisas escritas com a qualidade geral média dos textos. Ou por outras palavras: o número quecas dadas confrontado com o número de orgasmos obtidos por todas as pessoas envolvidas. Qualidade vs. Quantidade. Capisce?

Por isso adoro a blogosfera e tudo o que lhe é inerente. Se não fossem estas coisinhas aparentemente inócuas, grande parte do prazer e crescimento intelectual de que tenho sofrido nos últimos 5 anos nunca teria tido lugar.

Adoro principalmente escrever assim. Só porque me apetece. Nem tinha vindo preparado para isto. Vinha só ver como paravam as modas. Não me controlei e acabei por dar uma pinocada de algumas linhas. E deu-me uma tusa do catano. É isto. É isto a blogosfera. E é mesmo por isto que aqui estou.

segunda-feira, junho 23, 2008

Shaun, the Sheep, by Aardman Studios

Não sei se já tinham ouvido falar do Shaun, the Sheep. Se ainda não ouviram falar, ora aqui está uma boa oportunidade de o fazerem. Outra genial produção dos estúdios Aardman (Wallace & Gromit), é uma série infantil que nos mostra o dia-a-dia de um rebanho de ovelhas deveras peculiar. O cão pastor e o, aparentemente, dono do rebanho compõem o elenco principal. Animação em plasticina ao melhor nível que se pode imaginar. Vi-os hoje no Onda Curta da RTP2 e tenho que vos mostrar isto. Até estou a pensar em postar um episódio todas as semanas, naquela de me armar em canal de televisão com entretenimento de extremo bom gosto.



Shaun, the Sheep - Little Sheep Of Horrors

domingo, junho 22, 2008

O meu Euro 2008 a partir de agora:

Buena Suerte, hermanos!

ou, se as coisas correrem mal hoje,

حظا سعيدا ، الناس من المشرق!



Adenda pós-120 minutos e penáltis: E viva España! Sempre simpatizei com os italianos, mas neste caso fui obrigado a abrir uma excepção. Os espanhóis estiveram do lado de Portugal, agora é justo torcer por eles. Afinal de contas são os nossos vizinhos do lado.

sábado, junho 21, 2008

Elevando o Nível Intelectual com Woody Allen


"(...) - Ok - disse ele. - Flashback para há seis meses atrás, quando o rapazinho da Sr. Endorfina, aqui o Max, andava em bolandas, emocionalmente falando, devido a uma série de atribulações, as quais, contando com a minha boina mal posta na cabeça, não foram de modo nenhum inferiores às de Job. Primeiro uma coisinha fofa da Formosa a quem eu andava a dar um curso de anatomia hidráulica dá-me com os pés, trocando-me por um aprendiz de pasteleiro; de seguida, sou processado numa soma equivalente a muitos presidentes mortos por fazer marcha atrás com o meu Jaguar contra uma Sala de Leitura de Cientologia. Acrescente-se a isso que o meu único filho de um anterior holocausto conubial desiste do seu lucrativo escritório de advocacia para se tornar ventriloquo. Por isso ali estava eu, deprimido e assustado, esquadrinhando a cidade em busca de uma raison d'être (...)"


Woody Allen
in Pura Anarquia
Gradiva Ficção

sexta-feira, junho 20, 2008

Mikroworld de Sam Buxton


Reza a lenda que Sam Buxton, um designer londrino que passou pelo Royal College of Art, quis fazer um cartão de apresentação profissional, como todo o profissional que se preze. Então, em vez de ir a uma daquelas máquinas automáticas de impressão de cartões, desenhou ele próprio um cartão (que, aliás, era de aço inoxidável) que, ao ser dobrado pelos sítio certos, se transformava numa figura tridimensional de um homem sentado num escritório. Ora, que melhor apresentação poderia haver para um designer? Daí a outras experiências de desconstrução-construção de folhas de aço inoxidável, como casas, carros, fundos marinhos ou prédios inteiros, foi apenas um passo. Um longo e extenuante passo. Um passo cheio de paciência e visão. Um passo brilhante.

Há uma exposição (Mikroworld) dos trabalhos do homem na biblioteca municipal de Arraiolos até 29 de Junho. Vão ver que vale a pena. Já lá fui algumas 6 vezes e continuo a ficar embevecido com aquilo tudo. Link

Na mesa de cabeceira...


Depois conto como foi. Já agora, o Leviathan, apesar de não ser o melhor livro do mundo (nem sei se existirá algo parecido) é muito bom. Aconselho. Para ler calmamente sem compromisso.

Ainda assim estamos entre os 8 melhores da Europa

Então quer dizer que Portugal, a aparentemente, toda-poderosa selecção portuguesa, levou nas trombas alarvemente de um bando de teutões mal-amanhados. E foi bem feito! No primeiro golo são vários os erros: quatro jogadores portugueses permitiram que apenas dois alemães passassem entre eles como se fossem espectadores de uma corrida Nascar. Segundos depois, Schweinsteiger (a nossa sexta-feira 13 com pernas, o nosso gato preto de cabelos prateados) está, antes de marcar o golo, a ser perseguido por um defesa (não percebi qual) e há outro que está plantado na área completamente sozinho. Pergunto-me se este último não terá visto o cruzamento ou, se por outro lado, quer ser alemão desde pequenino? Nos outros dois golos foi o que se viu: num, o Ricardo não sai da baliza e sofre um golo; no outro Ricardo sai da baliza e sofre um golo. Depois disso, toda a inteligência portuguesa foi posta em campo: contra uma defesa composta por torres intransponíveis em altura, vá de cruzamentos para a área sem o mínimo critério. Nada de jogadas individuais que perfurem a defesa, nada de velocidade, enfim, nada de usar as nossas vantagens tácticas sobre um adversário pobre em velocidade e técnica. Contra equipas como a Alemanha não se podem sofrer golos e tentar recuperar. Isso é praticamente impossível.

Ainda assim, foi bonito ver os germânicos entrarem em pânico cada vez que Portugal subia com a bola. Entravam em pânico porque não conhecem os nossos índices de estupidez natural. Foi bonito ver a poderosíssima Alemanha defender pontapés de canto com 11 jogadores, tendo eles a vantagem que têm e estando a ganhar por 2 a zero.
Portugal perdeu e perdeu bem. Merecia isso. A derrota, em primeira instância, serve a Alemanha, obviamente. Em segunda, e numa instância bem mais importante, devolve-nos os níveis de humildade que já começávamos a perder. Ser campeão da Europa ou do Mundo não é um caminho fácil nem curto. Não é em seis anos que um país assim, de fracas tradições futebolísticas, se transforma numa potência do futebol. Não, senhor. Mais Cristianos Ronaldos hão-de surgir e outros desaparecer antes de conseguirmos levantar uma taça daquelas. Claro que podem dizer "então e a Grécia?! Merecia?!" não, não merecia. Mas nós não gostamos de coisas assim, fáceis, quase a roçar a cobardia. Saber-me-ia a vinagre uma vitória assim. Uma vitória sem glória.

Scolari despediu-se de forma inglória. Vou ter saudades dele, acho que vamos todos, mas Felipão também merecia esta derrota. Apenas e só pelo facto de depois deste tempo todo ainda não ter percebido que Ricardo só deve ser convocado para jogar contra a Inglaterra.

Godspeed Scolari.

segunda-feira, junho 16, 2008

Se não há é porque não há, se há é o que se vê!

E pronto, o tapete já não está na rua e tudo volta à normalidade. Até mesmo este blog volta à normalidade. Mas antes de mais, antes de fazer a retrospectiva do que foi visto e achado n'O Tapete Está Na Rua 2008 (e não foram só tapetes, garanto-vos), quero desancar alguns leitores deste que abaixo vos assina. Então vocês, meus troca-tintas de meia tigela, depois de vos andar a moer o juízo durante dias a fio para se inscreverem no concurso de fotografia, mesmo assim não o fizeram?! Que raio! Trezentos e cinquenta euros em prémios não são suficientes para tão habilidosos fotógrafos, é? Dez euros será um preço demasiado alto para uma inscrição que até dava direito a uma exposição colectiva (além, claro dos prémios e de um farto jantar convívio)?! Com o devido respeito, sois todos um grande bando de anormais. Se oiço alguém nos próximos dias dizer que "ah, pensava que as inscrições ainda não tinham terminado e não sei quê" juro que o espanco com os quilos de Regulamentos e Fichas de Inscrição que mandei imprimir numa gráfica mais ou menos conceituada. Parecendo que não esta merda deu trabalho a organizar: fazer propostas para aprovação, andar a pedinchar verbas (ou pensam que o dinheiro da inscrição ia chegar para tudo?), compor cartazes e textos de apresentação, fazer um regulamento, arranjar um júri minimamente decente e andar a distribuir cartazes por todo o lado. Tudo para no fim ninguém se inscrever! Parvalhões! Não me enganam outra vez... Não senhor. Para a próxima arranjo maneira de participar também. Adeus e obrigado.


(Prontos, já passou... Mansinho... Mansinho... Lindo menino...)

segunda-feira, junho 02, 2008

Bloguices

O Telmo está a fazer uma private party. Fechou o blog a não-convidados e agora delicia-se com a ilusão de poder provocada pelo facto de ser ele a deixar, ou não, alguém entrar no seu espaço. Delicia-se com a ilusão de ser um porteiro espadaúdo e mal-encarado ao mesmo tempo que a ideia de ser o centro de todas as atenções da festa o faz sentir como a uma estrela na passadeira vermelha em dia de Óscares. E não, eu não estou à porta da festarola de orelhas em baixo a implorar para entrar. Simplesmente passei pelo sítio em questão e o porteiro, carrancudo, pôs-me a mão no peito e disse "só com convite". Encolhi os ombros, soltei um sorriso de desdém e voltei-lhe as costas.

Ora, se eu quisesse fazer uma festa reservada a um punhado de pessoas pura e simplesmente começava a festa sem que ninguém soubesse, exceptuado, claro, os convidados, em vez de fechar uma festa já anteriormente aberta ao público. Mas nunca o faria. Nunca o faria porque vai contra aquilo que eu acho que é a primordial razão de existência da blogosfera: a livre circulação de ideias sem quaisquer barreiras (tirando obviamente aquelas que por uma razão ou por outra têm de ser erguidas, como a moderação de comentários ou verificação de palavras).

Mas talvez isto tudo seja parvoíce minha que ando um bocado rabugento. Talvez, quem sabe, o rapaz até restringiu o acesso ao blog por causa de gente parva e rabugenta como eu. Talvez, quem sabe?

sexta-feira, maio 30, 2008

Memória Fotográfica.Arraiolos - Concurso de Fotografia


Aqui há atrasado tinha escrevinhado aqui mesmo neste tasco que não gostava muito de concursos de fotografia, que eram demasiado subjectivos e que forçavam a criação artística através da imposição de temas (na verdade, não estou muito certo de ter dito isto, mas disse agora). Vai daí, o que é que eu fiz? Isso mesmo: um concurso de fotografia.
Sem tema aparente, apenas com uma condição: as fotografias serem tiradas durante a edição deste ano d'O Tapete Está Na Rua 2008. Pretende-se que os concorrentes se esforcem por contar histórias, no fundo, reportagens e não apenas disparar para o prémio. Durante a semana (de 6 a 15 de Junho) de duração dessa iniciativa, aqui em Arraiolos, não vão faltar coisas para fotografar. Desde reconstituições históricas do fabrico do Tapete, a animações de rua passando mostras de artesanato, feira do livro até aos concertos diários na Praça da vila, com David Fonseca, Clã, Jacinta e uma parafernália de grupos do concelho, incluindo os Terras de Rayo (procurem na barra lateral).

Portanto, se quiserem aparecer e disparar o obturador que nem uns loucos é fazerem-no. As inscrições são feitas na sede da Associação Casa das Artes de Arraiolos, na Rua Alexandre Herculano nº18, e no Posto de Turismo de Arraiolos, na Praça Lima e Brito, para quem não sabe. O regulamento será entregue no acto de inscrição. Os prémio não são passíveis de criar excêntricos mas são qualquer coisa que se veja. Já o preço de inscrição é quase o mesmo da uva mijona.

Já agora, para não correr o risco de levar uns tabefes, este concurso é organizado pela Casa das Artes com o total, mas condicional, apoio da Câmara Municipal de Arraiolos.

Se quiserem mais informações deixem comentário na caixinha criada para o efeito.