segunda-feira, agosto 18, 2008

Best Bad Guys #2

Anton Chigurh
No Country For Old Men

quinta-feira, agosto 14, 2008

Best Bad Guys #1


The Mouth of Sauron
Lord of the Rings - The Return of the King

E fotografias, pá?! Ondéquelastão?!

O pá, então as fotografias estão em dois sítios: umas bem guardadinhas e quietinhas no computador e outras à espera de serem definitivamente transpostas do mundo visível para intermináveis sequências de zeros e uns. A verdade é que o tempo necessário para tratar as primeiras e tirar as segundas tem sido ocupado com outras actividades, umas mais interessantes, como projectar casinhas a três dimensões; outras bem menos frutíferas mas extremamente necessárias, como dar abadas das antigas à minha CPU no Pro Evolution Soccer. E esta última é extremamente necessária porquê? Porque é a minha bola de stress. É a minha sala cheia de porcelanas e o meu taco de basebol. É uma autêntica psicoterapia caseira, mas só funciona se tiver um baixo grau de dificuldade, como "Amateur" ou mesmo "Beginner" (quando me dá para jogar com o Sporting). Mas se por algum acaso o grau de dificuldade estiver inadvertidamente um bocadinho acima do costume, bem... então transformo-me numa autêntica besta. É mais forte do que eu, não sei porque acontece. É como se a minha saudável e pacífica terapia se convertesse na poção do Dr. Jekyll e eu me transformasse num corpulento Mr. Hyde em pleno ataque de raiva. Basta falhar um golo que parece feito, falhar uma desmarcação e um defesa contrário cortar um cruzamento e puf! Sinto logo uma vontade quase, quase, quase irresistível de enfiar um punho pelo TFT adentro seguido de um rotativo à là Jean Claude Van Damme na torre da CPU. Só Deus-Nosso-Senhor-Todo-o-Poderoso sabe a força que tenho de fazer para impedir uma tragédia. Alt+F4 e suspiro. A partir daí, obviamente, o resto do dia é passado aos coices a quem ousa dirigir-me qualquer palavra. "Bom dia", "Ai, sim?! E o que tenho eu a ver com isso, meu real monte de merda?!"

(Confesso que grande parte deste diálogo acontece somente na minha cabeça, para bem do meu dente de porcelana e dos meus óculos colados ao meio)

Pronto, acabaram de descobrir mais um pormenor da minha espectacular vida. Agora arranjem uma para vocês, meus grandessíssimos charoleses... desculpem, leitores, leitorzinhos fofinhos...

quarta-feira, agosto 13, 2008

Momento Biography Channel: Vidocq


Para muitos, Vidocq é apenas o título de um bom filme francês e o nome da personagem principal, um corpanzudo e intrépido detective privado, interpretada por, imagine-se, Gérard Depardieu. Mas Eugéne François Vidocq foi muito mais que isso. Sim, o homem existiu mesmo. A santa mãezinha dele que o diga, coitadinha, que a partir do fatídico 23 de Julho de 1775 nunca mais teve sossego. Por exemplo: passados 14 anos sobre dito esse dia, e sob os auspícios da colonização da América do Norte, o jovem Eugéne resolveu surripiar as economias do pai afim de ir ver como paravam as modas americanas. Perdeu o dinheiro todo ainda antes de sair da Europa e para se livrar de uma sova de criar bicho alistou-se no exército, de onde desertou 17 anos depois por ter partido os queixos a um superior hierárquico, que era, na altura, coisa punível com a morte. Dá-se a Revolução Francesa e o nosso Vidocq vê-se practicamente com a guilhotina no pescoço. O pai pede ajuda à nobreza. A nobreza ajuda. Apaixona-se por uma filha dessa nobreza. Ela mete-lhe os palitos. Ele foge para Bruxelas. Arranja um passaporte falso e junta-se a um grupo de meliantes. Volta a Paris. Esturra a pequena fortuna em putas e vinho verde. Apaixona-se outra vez e leva com outro par de cornos. Apanha o gajo. Prega-lhe um enxerto de porrada e vai para a choldra outra vez. Envolve-se com a malta errada. Foge da prisa. Volta à prisa. Foge da prisa. Tenta ser professor, mas as demasiadamente boas relações que tinha com as alunas levaram a que fosse expulso por pais e namorados furiosos. A ex-mulher chantageia-o. Os amigos metem-no ainda em piores confusões. Decide tornar-se bufo(*) em troca de amnistia. A bófia recusou à primeira mas aceita à segunda e é aqui que tudo muda. Sobe no ranking qual Vanessa Fernandes até que a própria bófia encena a fuga de Vidocq da prisão. Eugéne François Vidocq tornava-se finalmente um dos bons.

Daqui para a frente foi sempre a abrir. Os conhecimentos que tinha do sub-mundo parisiense e os métodos de investigação e abordagem pouco ortodoxos que empregava granjearam-lhe fama e fortuna. Executava ele próprio operações de infiltração (isto em mil oitocentos e tal, portanto, sem escutas, auriculares, GPS e merdas assim) e chegou mesmo a ser contratado para se matar a ele mesmo. Em 1812 Vidocq funda a Brigade de Sûreté, uma espécie de Polícia Judiciária em que a maioria dos detectives eram ex-prisioneiros. Resultado: em 1817 a Sûreté fez 811 detenções. É obra. Em 1832, por politiquices, o homem demite-se do cargo que ele próprio criou e torna-se detective privado e escritor. Morre em 1857 depois de uma vida cheia. Completamente cheia.

Para trás deixa a criação da tinta permanente e de um tipo de papel indestrutível. Foi o primeiro a estudar balística aplicada à criminologia, fez os primeiros moldes de pegadas e os seus estudos antropométricos ainda são em parte usados pela polícia francesa.

Quem diria que um borra-botas que rouba dinheiro ao próprio pai se iria tornar num dos pioneiros da criminologia forense e num dos mais proeminentes chefes de polícia do mundo?!


(*) Até ao fim dos seus dias Vidocq afirmou sempre que nunca denunciou ninguém que tivesse roubado por necessidade. Bufo sim, mas com princípios.

terça-feira, agosto 12, 2008

Premonições

Falta pouco mais de duas semanas para a blogosfera, principalmente nos seus claustros políticos, começar a fervilhar com mirabolantes textos sobre terroristas e drogados na Festa do Avante. Que a culpa é dos brandos costumes portugueses que deixam entrar gentalha das FARC nos limites deste muy nobre território; que a culpa é da polícia que vê carradas de toxicodependentes pavonearem-se na Quinta da Atalaia e cruza os braços (note-se que, para muito bom português, a definição de toxicodependente está directa e claramente ligada com o facto de se usar rastas, vestir roupas coloridas ou ter muitos piercings e tatuagens). Pois então preparem-se para ler os mais estapafúrdios disparates provenientes da santíssima ignorância que pulula um pouco por todo o lado, mas particularmente, e com muito mais força, nas "iluminadas" cabecinhas dos arautos da neo-burguesia. Preparem-se, é o que vos digo.
Já comecei a ensaiar as gargalhadas.


segunda-feira, agosto 11, 2008

New-Found Lands: Ani Difranco



Ani Dfranco - Shy

sexta-feira, agosto 08, 2008

Hiroshima: 63 anos e 2 dias


N. do B.: Gostava muito, bem, vá, gostava mais ou menos de vos dar o link da página de onde saquei isto, mas acontece que não faço a mais pequena ideia... Paciêncinha é o que é preciso.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Oh não... Outro blog com uma fotografia do Joker!



Pois, 'tá bem, mas não resisti. Ontem vi o Dark Knight e não consigo evitar rever mentalmente todas as cenas do Joker. O olhar lunático, os trejeitos faciais, os estalidos bucais, a língua irrequieta, os cabelos oleosos, a maquilhagem desbotada, o caminhar vagabundo. Simplesmente não consigo evitar. Não tem a ver com o hype (até porque desconfio muitos dos hypes) gerado à volta da morte de Ledger, tem sim a ver com a realidade. Com este filme Heath Ledger prova ao mundo inteiro que iria ser um grande actor. Pelo menos foi-o com este Joker. O resto do filme é mediano, nunca genial ou brilhante, simplesmente aceitável. E só não é tão mau, ou melhor, só não acho que seja assim tão mau como diz o Marco por culpa do elenco (o que haverá para dizer de Freeman ou Caine?) e do realizador. De Cristian Bale também não há nada a apontar. É um bom Batman/Wayne e ponto final. Não sei se é o melhor, mas é muito bom e cumpre bem os papéis.

As adaptações cinematográficas de bandas desenhadas não são tarefa fácil, e quando o são saem valentes bostas. Nolan mostrou mais uma vez (gostei do Batman Begins) ser bastante competente mantendo sempre o jogo escondido e revelando as cartas uma a uma, sem deixar que o espectador preveja muita coisa antes de realmente acontecer. Nota positiva também para os embates corpo-a-corpo que estão num nível dinâmico mas humanamente possível... acho eu. O que lhe falta é umas dioptrias de "Visão Tim Burtoniana" de Gotham City. A Gotham de Burton é fabulosa. Sombria, suja, impura, parece um franchising do Inferno em plena Terra e isto mesmo sem vermos um único habitante. A Gotham de Nolan parece uma cidade como outra qualquer, Sydney, Chicago, Vancouver ou mesmo a zona empresarial do Rio de Janeiro. Gotham City é Gotham City, tal como Basin City é Basin City. São únicas, não só pelo facto de fazerem parte do imaginário BD, nem só pelos seus peculiares habitantes. São únicas também pela sua arquitectura, pelo seu microclima, pelo seu smog, pela malignidade impregnada nas paredes e no alcatrão das ruas. Pela escuridão que reina pelas ruas de ambas mesmo que seja meio-dia em meados de Julho.
Na minha opinião bastava Christopher Nolan ter pedido ajuda a Burton (tal como Rodriguez pediu a Miller e Tarantino em Sin City) para Dark Knight ser, não só um sucesso de bilheteiras, mas um filme brilhante e genial. Assim o Joker de Heath Ledger foi desperdiçado num filme bom/mediano e já não há mais nenhum. E é pena.


N. do B.: Isto não é uma crítica. É uma nota do que penso sobre este filme em particular. Não é uma crítica porque isto não é um blog de críticas, apesar de às vezes, muitas vezes, parecer o contrário. Não há aqui ninguém com habilitações para ser crítico. O que há é um espectador que gosta de, e pode, dar a sua opinião. Muito obrigado e boa noite.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Their problems start when they don't die young?



Isto foi em Outubro de 2006. Jerry Lee Lewis com 71 primaveras no papo, com acordes mais espaçados, com movimentos tolhidos; mas ainda com a mesma voz e o mesmo olhar de 1957. Imagem de decadência? Sim, claro. Até se pode pensar que o homem já devia ter morrido para não andar a fazer aquelas figurinhas. Que é triste ver um gajo outrora tão frenético agora mal conseguir mexer os braços. Enfim, está velho. É um velho como outro qualquer, sim. Se não se chamasse Jerry Lee Lewis provavelmente estaria a jogar à sueca ou ao dominó num simpático jardim cheio de plátanos e salgueiros-chorões.

Perdendo a juventude perde-se a aura sobre-humana que as estrelas de rock têm desde que passam a essa mesma condição. Jerry Lee Lewis já não é uma estrela de rock, não senhor. É uma supernova. Jerry Lee Lewis é o "Last Man Standing". É o último sobrevivente do quarteto dourado. É o último sócio/fundador/embaixador vivo do rock & roll. E por isso, e também por ter incendiado um piano em palco enquanto tocava exuberantemente a Great Balls of Fire, deveria ser-lhe concedida uma licença especial de estadia entre os vivos ad aeternum. E de preferência com a genica de 1956/57.

quarta-feira, julho 30, 2008

Há mesmo coisas fantásticas

Bem sei que isto saiu no Obvious. Aliás, foi lá que tomei conhecimento da coisa, mas não resisti a mostrar-vos isto. No entanto tenho a leve impressão que o faço mais por mim do que por vocês. Adiante. Chamam-se Cenci Goepel e Jens Warnecke, são alemães e desde muito novos têm um certo gosto em passar noites ao relento a curtir temperaturas glaciais e a admirar a escuridão. Até que, numa bela noite de Janeiro, algures na tundra escandinava um deles se lembrou de tirar uma fotografia à escuridão. O outro imitou-o. Aperfeiçoaram a coisa e pensaram que talvez fosse giro dar umas voltas pelo mundo a enregelar noites a fio. Ah, é verdade, esqueci-me de referir que, além de fotógrafos-morcego, um deles é pintor e o outro é cineasta de animação (ou será "animasta"?) o que é só por si um bom casamento. Se acham que não tenho razão vejam a amostra abaixo.


Nenhuma das fotografias tem nome. A única coisa que as identifica são as coordenadas geográficas do local em causa. Isto para quê? Para as fotografias não se transformarem em algo mais do que são. Parece-me uma razão mais justa que outra qualquer, não será?. Link

segunda-feira, julho 28, 2008

Ai as modernices...

Mais um triste caso de blogjacking.

* * *

Adenda: 24 horas depois de ter sido a primeira pessoa a utilizar a palavra "blogjacking" na internet (o que por acaso é uma total mentira, mas era giro, muito giro mesmo, que fosse verdade) os terroristas devolveram o seu a seu dono, aparentemente sem um único arranhão. Uma espécie de Ingrid Betancourt da blogosfera mas com menos tempo de cativeiro. Se bem que um dia inteiro a ver o próprio blog tomado por "ácaros" deve ser torturante ao ponto de se perder uns aninhos de vida.
Ora, para evitar males semelhantes aqui a gerência decidiu contratar pessoal especializado nesse tipo de tomadas hostis e entradas sem convite:


No caso de haver dúvidas sobre as suas capacidades é favor consultar C.V.

sexta-feira, julho 25, 2008

Geeks know it better


Sempre mantive uma periclitante fé na Microsoft. Pensava "porra, para estar em todo lado não pode ser tão má como dizem os geeks". O problema é que é mesmo assim tão má. Não se percebe como é possível, em finais do primeiro decénio do terceiro milénio, haver gente a fazer software repleto de 'bugs' e a lançá-lo a toda a bolina para a cara dos consumidores assim mesmo: repleto de 'bugs'. Bem, até havia desculpa se as coisas ainda fossem programadas em caves e garagens, mas como foi tudo feito em altos edifícios de vidraças espelhadas, Ó Vista, vai para o raio que te parta. Venha o Ubuntu. E o Office só não vai porque é a única ferramenta de software da Microsoft com crédito aqui no estaminé. Simplesmente porque ainda não apareceu nenhum OpenOffice minimamente aceitável e eficaz. Mas até esse que se cuide.

quinta-feira, julho 24, 2008

Elevando o Nível Intelectual com Charles Baudelaire


"O vinho exalta a vontade, o haxixe aniquila-a. O vinho é um sustento para o corpo, o haxixe, uma arma para o suicídio. O vinho torna as pessoas boas e amistosas. O haxixe isola. O vinho significa trabalho duro, ao passo que o haxixe é um sinónimo de preguiça. Por que estranha razão há-de alguém suportar a maçada que é trabalhar, lavrar a terra, escrever, enfim, fazer o quer que seja, se, com uma fumaça, pode alcançar o paraíso? O vinho é para as pessoas que trabalham e que merecem bebê-lo. O haxixe pertence à categoria dos prazeres solitários; foi feito para o ocioso infeliz. O vinho é útil, produz resultados frutíferos. O haxixe é inútil e perigoso."



N/B.: Não sei de que obra faz este texto parte, nem tampouco se faz mesmo parte de alguma obra. Desconfio que esteja no "Paraísos Artificiais" mas não tenho maneira de ter a certeza. O que sei é que roubei-o daqui. O resto é conversa.


terça-feira, julho 22, 2008

"There and Back Again"

Vivi no Porto durante dois meses, e se há quem pense que foi pouco tempo, eu sou uma dessas pessoas. Foi mesmo pouco tempo. Estava a "viver" a cidade quando fui obrigado, pelas ocultas forças que gerem os orçamentos dos seres humanos, a voltar ao Alentejo.
Durante um desses meses morei em casa de um amigo na Rua da Vitória, que me ficou como a mais lúgubre e pitoresca da cidade. Para quem não sabe, a Rua da Vitória é uma transversal à Rua das Taipas que sobe desde as traseiras do Mercado Ferreira Borges até à Cordoaria Nacional (ao lado dos Clérigos). É, portanto um dos muitos capilares do coração do Porto. Tem um único sentido e é tão estreita que a, aparentemente, simples tarefa de meter o carro a rolar pela Rua da Vitória sem um risco é coisa digna de gabarolice de peito inchado. Não é para todos. É escura e à noite poucos caminhantes (não conhecedores da sua natureza) se aventuram pelos seus paralelos. É, no entanto, uma rua pacífica. É um bairro minúsculo. Todos nos cumprimentam. Os miúdos jogam à bola e os velhos à bisca lambida em cima de grades de cerveja vazias. Ouvem-se os tradicionais, e carinhosos, "filho-da-putas" e "caralhos" e "puta-que-o-parius" por todo o lado. Cheira sempre a mar, porque o próprio mar escorre por entre as juntas dos enormes blocos de granito que impedem as ruas de desabar umas em cima das outras. Como se o mar ele próprio tomasse de assalto a cidade assim que o último portuense adormece e recuasse subitamente mesmo antes do primeiro acordar. Como se a cidade fosse lavada pelo mar todas as noites desde tempos que ninguém recorda.

E enquanto pensava nisto tudo era na maior parte das vezes interrompido por J. "vamos ao Taipas ó alentejano mal amanhado?". E lá íamos para o nosso poiso do costume para uma das sessões tri-semanais de "T&P" (tinto e poesia) no Taipas e Feijão. Entrávamos na tasca de portadas vermelhas e passávamos para outro mundo. Deixávamos as ruas de luminárias titubeantes e passávamos para o colorido domínio do Sr. António, ex-jornalista, actual poeta e taberneiro. Pilhas de livros em cima da mesa, um jarro de vinho, pão, azeitonas e queijo. Às palavras "agora vai-se recitar poesia e, ou se calam, ou pagam o que devem e vão prá puta que vos pariu" o silêncio é sepulcral. O resto da noite era nosso. Nosso, de Negreiros, de Beckett, de Pessoa, de Whitman e de quem mais viesse.


Foi assim que vivi durante um mês e não me importo que me obriguem a repetir. Se possível, durante mais um bocadinho, sim?


P.S.: Escrevi isto levado por um acesso de lembranças provocadas por este texto de Manuel Jorge Marmelo.
Obrigado, pá.

segunda-feira, julho 21, 2008

Microconto: O Sentido

Pensou no seu nome dias a fio. Imaginou cada letra a ser desenhada lentamente, como se uma pena invísivel e incomensurável fizesse nascer cada letra a partir do vazio, e tão devagar que poder-se-ia dizer que mundos infinitos eram criados a cada nova linha traçada. Pensou tanto tempo no nome dela que a própria palavra deixou de fazer sentido. Sentiu-se aliviado. Depois decidiu fazer o mesmo com outras palavras. Percorreu mentalmente todo o dicionário. Não satisfeito, passou para as palavras dos calões e dos vernáculos, para as línguas estrangeiras que conhecia e para algumas que desconhecia. Chamavam-lhe louco e ele sorria. Continuou, atarefadíssimo a sua cruzada. Abarcou, uma por uma, todas as palavras do Mundo e lentamente fez com que perdessem o sentido, o significado, a essência. Sem isso, as palavras tornaram-se nada mais que amontoados aleatórios de letras e sinais. Deixou para o fim o seu próprio nome. Depois disso esperava sentir-se feliz, limpo, purificado, purgado e divinalmente expiado. Poderia morrer em paz. Porém nada disso aconteceu e foi tomado por uma angústia pesada como o Universo. Faltava alguma coisa. Sim. Esquecera-se da palavra mais importante de todas. Esquecera-se da principal palavra que comanda a vida. Esquecera-se da Morte. E foi assim, já sem nome, sem memória, sem sentimentos, sem nada, que ao chegar à letra 'e' os seus olhos se fecharam e o seu coração lentamente desacelerou e parou. Assim mesmo, finalmente feliz, limpo, purificado, purgado e divinalmente expiado.

Mais coisas que me moem

Será que ninguém cala Valentim Loureiro? Já foi processado, já foi ilibado, já foi processado, já foi condenado, já lhe aconteceu tudo e mais alguma coisa e o gajo simplesmente não se cala... Que raio!

Coisas que me moem

Será que faz sentido um Futebol Clube do Porto esperar que um clube como o Internazionale Milano pague 40 milhões de euróis por um Ricardo Quaresma quando um clube como o Associazione Calcio Milan pagou ao Futbol Club Barcelona 25 milhões por um "ex-génio" da bola? Ai faz? Pronto, então se faz sentido está tudo bem. Mas não se esqueçam que um ex-génio pode voltar a ser um génio a qualquer momento. Já uma promessa de génio pode nunca vir a concretizar-se, sabiam?

Breaking News

Não sei se já repararam mas a Galeria foi actualizada recentemente com 8 fotos de uma série a que dei o assombroso título de "Clown's Balls". Foram tiradas durante o espectáculo do fabuloso Leo Cartouche em Arraiolos, durante o Tapete Está Na Rua 2008. E que grande espectáculo. Vale a pena ver palhaços assim: atentos, talentosos, esforçados e com um fascínio desmesurado pela dificuldade dos números. Só para terem uma ideia, o homem acabou a actuação a saltar à corda em cima de um monociclo de 2 metros enquanto cuspia fogo. Depois, pela noite dentro, quis o acaso que nos cruzássemos entre uma rodada de cervejas. Mesmo sem maquilhagem e sem a fatiota do seu alter-ego, Jens Altheimer, foi sempre suficientemente simpático para não se querer ver livre à força de um pequeno grupo de bêbedos chatos que lhe impigiam cerveja quente. Quem disse que os alemães não sabem o significado da palavra simpatia? Pronto, está bem, este está há muitos anos em Portugal, mas ainda assim é alemão...

quarta-feira, julho 09, 2008

Subscrevo, assino, rúbrico e até proclamo se for preciso.

"Empenho-me neste blogue e trato dele o melhor que posso e sei porque gosto de blogar. A liberdade que aqui se goza é de tal ordem que esta actividade até permite vários meios de pagamento consoante as prioridades: dinheiro, publicidade, links, elogio, reconhecimento, o regresso diário dos visitantes. É uma vocação, um gosto, um prazer, um acto de comunicação, uma forma simples de dizer através da escrita ou da fotografia ou do desenho ou do vídeo, seja o que for, Eu sou um indivíduo, estou aqui e sinto que tenho alguma coisa a partilhar com os outros, as minhas ideias, histórias, convicções, sentimentos - não sou uma condição humana pré-fabricada pelos media. Não sou solitário anti-social, terrorista, pedófilo, caluniador ou boateiro. Sou um blogger e o mínimo que espero é respeito por aquilo que faço todos os dias. No caso dos media ou dos seus fazedores de opinião, mostrar respeito significa apenas manter-se informado."

Marco, Bitaites

ESTE BLOG (AINDA) NÃO FECHOU!

Pois não. Nem se prevê que o faça brevemente. No entanto não têm sido poucas as coisas que me têm afastado da página de login do blogger. Entre trabalho, biscates, elucubrações gastronómicas e confrarias culturais pouco tempo tem sobrado para isto. As fotografias que vos havia prometido - acho que as prometi mais a mim do que a vocês - ainda estão para ser arranjadas, muitos textos (mas não tantos quanto isso, não se preocupem) ainda estão por publicar e muitas coisas estão para ser mostradas. Mas acalmai-vos, meu sequioso séquito! Prometo que para a semana cumpro todas as promessas (menos aquela de comer uma lesma viva se o Cristiano Ronaldo ficar no Manchester).

Para a semana cumpro tudo o que aqui prometi, mas antes disso, e muito infelizmente, tenho que ir aturar umas brasileiras que são tão sexys que já cansam, beber umas cervejolas com uma ciganagem muito bem enjorcada e fazer uma ou duas revoluções com muita, muita raiva contra A Máquina.

Assim sendo, fiquem bem e, se não nos virmos antes, até à próxima.
Tenham por cá saúde.