terça-feira, maio 13, 2008

He's back, Rochemback!


1) Este já está. Falta o Pauleta (!), o Viana e o Caneira. Estou com curiosidade de ver o primeiro finalmente vestir a camisola de um dos "grandes" e não estou minimamente preocupado com a eficácia do homem - depois de Alecsandro, Bueno, Purovic e Tiui só se pode melhorar. Quanto aos outros dois, já era mais que tempo de voltarem para casa e ver se ainda sabem jogar à bola. O tempo passa, não estão cada vez mais novos, o dinheiro não é tudo na vida e, por mais confortáveis que sejam os bancos de suplentes, onde domingo após domingo sentam os vossos rabinhos, ao Sporting fazem falta dentro das quatro linhas. Muita falta. Sobretudo se Moutinho e Veloso emigrarem.


2) A inominável tortura que foi este campeonato finalmente acabou. Porto campeão, Sporting o eterno segundo e Benfica ainda sem argumentos para os ultrapassar. Rui Costa despede-se e deixa o futebol português muito mais pobre e o Benfica com mais inteligência nos corredores do seu politburo. Guimarães, recém-regressado à primeira liga ficou a morder os calcanhares aos "grandes" e está de parabéns, juntamente com aquela criatura que se dá pelo nome de Manuel Cajuda (grande treinador de pequenos clubes). Boavista, campeão em 2001 desce de divisão por ordem do tribunal, enquanto o F.C.P. perde 6 pontos que, por via de Lisandro Lopez e Quaresma, não lhe fazem falta nenhuma. Areia nos olhos dos ingénuos. Não, caros amigos, apesar disto dos Apitos Dourados e Finais, ainda não se fez justiça no futebol. Ah, pois é.


3) Não sei explicar, mas tenho um fascínio desmesurado pelas pré-épocas. As caras novas, as que regressam, as que partem, os novos sistemas, as experiências, as promessas. Isso fascina-me. Prefiro uma pré-época à época de jogo. Prefiro o defeso invernal às semi-finais da Taça. Prefiro o Torneio do Guadiana à Taça da Liga. Não sei explicar, não sei. A verdade é que, para mim, agora é que vai começar a "bola".


domingo, maio 11, 2008

Coisas que gostava de ter se tivesse uma estufa


As Lithops, ou plantas-pedra, pertencentes à família das Aizoaceae, são coisas grotescas. Parecem pedras, de facto, ainda para mais se as encontrarmos no seu habitat natural - os desertos pedregosos do sul de África. E se a encontrarmos num vaso em casa de um amigo - fora da época de floração, obviamente - pensaremos apenas que o rapaz ensandeceu e anda a semear pedras de aparência assaz estranha. A verdade é que, aparentadas com calhaus ou não, as ditas Lithops florescem, no Outono (só para contrariar as modas), dando origem a algo parecido com malmequeres ligeiramente maiores que o corpo da planta. E diga-se, o corpo da planta é mesmo o mais pitoresco do pitoresco ser: é cónico, ou cilindrico, e tudo o que se vê à superfície do solo são as duas grotescas folhas parecidas com seixos. O caule está bem enterrado na areia e não é invulgar as folhas possuirem partes traslúcidas - as chamadas janelas (onde é que terão arranjado este nome?) - para permitir a passagem da luz a partes mais profundas da planta. Cultiva-se facilmente e não requer muita água. O que as Lithops reivindicam mesmo a sério é pouca humidade atmosférica e temperaturas acima dos 10º Celsius.
Pronto, agora só falta encontrar quem me venda, ou ofereça (de preferência), criaturas destas. Se alguém tiver pistas sobre como arranjar Lithops não se acanhe e deixe um comentário no local reservado para esse efeito.

sábado, maio 10, 2008

Publicidade Institucional


"O fundo do poço já não brilha com a lua a cheia, nem bebe do sol a luz que o despertava. Agora é uma lama negra, gretada, uma terra gasta, recheada de folhas podres que o vento perdeu nos seus devaneios.
Habitam-no uma rã velha e uma pequena cobra de água que para lá caiu na última Primavera, no desespero da fuga às garras de um falcão peregrino."


Carlos Canhoto
, com ilustrações de Zé Gandaia: O Monte Secou, editado pela Pé de Página Editores.

Publicidade Institucional


"Em 1640, D João IV é aclamado rei, recuperando Portugal a sua independência. Para a manter era necessário «aparelhar para a resistência» e no Livro das Vereações de 1640-42, pode ler-se:

«1.º - Tratarão de pedir a Sua Magestade, que mande reparar os muros e castelo e barbacã para a defesa desta vila;

2.º - Tratarão de pedir a Sua Magestade que se conserve o castelo com habitação de gente, para que obrigue aos moradores desta vila, aos ricos e abonados para que façam lá casas;

3.º - Pedirão armas, tambores, bandeiras e peças de artilharia para o castelo.»"

Bruno Lopes, O Castelo de Arraiolos, editado pela Apenas Livros, Lda.

terça-feira, maio 06, 2008

Ah, as modernices #2

Via-a no supermercado na secção da miudagem a escolher uns livros pequeninos. "Vais pintar isso tudo?" - provoquei eu apontando para o monte de cores. "Não, é para o J. E não são livros para pintar, pá, são livros para colar autocolantes" - respondeu ela.


Bem, na minha altura havia uma empresa chamada Panini. Graças a ela entrei nas minhas primeiras escaramuças e birras de coleccionador. Exigia nada mais que uma carteira de cromos por dia aos meus progenitores e acrescentava "se podes fumar também posso ter cromos". E bem antes dessa febre autocolante havia os livros para colorir. Tinha-os às dezenas. Pintei quilómetros de arabescos, umas vezes fora das linhas do desenho, outras bem alinhadinhas e outras vezes ainda houve em que o oleado da mesa da cozinha ficava um autêntico Pollock. Depois experimentava diferentes maneiras de pintar mais depressa e sem gastar tanta tinta (sempre fui um amante dos feltros da Molin) e até com as duas mãos. Ainda me lembro do dia em que percebi - ninguém até então me tinha explicado - que as nuvens não eram azuis, mas sim o pano de fundo das ditas cujas. Já foi há muito tempo, porra.


Imagino que a malta da minha geração, pelo menos os que decidiram ser pintores ou desenhadores, tenham começado com esses mesmos livros que eu devorava.
Já os miúdos de amanhã, e graças a estes inovadores cadernos de cromos, aposto que darão excelentes coladores de selos nos CTT. Mas pelo menos as santas mãezinhas deles terão sempre as mesas e as paredes de casa imaculadas, sem um único risco dos inomináveis feltros Molin.

sexta-feira, maio 02, 2008

Classics of Rock & Roll #1



Tutti Fruti, by Val Kilmer in Top Secret
Versão original.

quinta-feira, maio 01, 2008

Vénia sentida a... James Natchwey

Um nome incontornável do foto-jornalismo mundial e como tal farta-se de passear: esteve no Afeganistão, no Kosovo, no Sudão, na Bósnia, no Ruanda, no Paquistão, na Indonésia, na Tchétchenia (que raio de nome), no Iraque e estava em Nova Iorque quando se deu o ataque ao World Trade Center. Um sobrevivente de câmara em punho, portanto. Aliás, reza a lenda que, aquando da invasão americana do Iraque, aqui o nosso amigo Natchwey e um outro chamado Weisskopf, ambos ao serviço da Time Magazine, iam numa bela passeata pelo território babilónico abordo de um lindíssimo Humvee camuflado do exército invasor, quando um indigena atirou uma granada para dentro do dito jipe. Ora, não querendo estragar os estofos do luxuoso jipe - e imaginando que o dono do machibombo se zangaria a sério - Michael Weisskopf ainda conseguiu atirar a granada para fora do Hummer, não evitando que esta, no entanto, explodisse e os ferisse a todos com gravidade. Conta-se - esta sim, é a parte gira - que Natchwey, ensanguentado até aos tornozelos, ainda tirou meia dúzia de fotografias aos paramédicos assistindo os seus companheiros antes de desmaiar. Passados uns meses já estava a bordo de um avião a caminho da Indonésia onde tinha acontecido um certo e terrível tsunami. Homens assim são raríssmos. E homens assim a tirarem fotografias assim tão boas não são raros: são únicos.


Afeganistão, 1996 - Chorando um irmão morto por um rocket taliban


Sudão, 1993 - Vítima de fome num centro de alimentação


Nova Iorque, 2001 - Procurando sobreviventes


Nicarágua, 1994 - Relíquia da Guerra Civil torna-se um monumento num parque

quarta-feira, abril 30, 2008

Ah, as modernices

Já tinha ouvido falar aqui no coisinho. Uma espécie de comunidade onde descrevemos o nosso dia-a-dia, ou pequenas reflexões, ou o que raio nos vier à cabeça, de modo a que o resto da malta nos consiga seguir a qualquer hora do dia. Serve também para promover blogs e tudo o que se quiser, claro. Mas serve, sobretudo, a quem não tem nada para fazer na Web senão cuscar a vidinha alheia. No entanto lá aderi ao coisinho. Já que tenho Hi5 não vejo porque não aderir a isto, e se o Marco e o Aniceto estão a experimentar, porque não fazê-lo também? Logo se vê no que dá. E enquanto não me fartar podem acompanhar a minha alucinante vida através de uma barra lateral que está algures ali à direita, ou então clicando aqui.

Messenger, Blogger, Hi5 e agora Twitter. Ainda me faltam o MySpace e o Orkut para ficar mesmo, mesmo todo modernaço.

Na lista de "Coisas a Ver": Irina Palm


terça-feira, abril 29, 2008

Disclaimer n. 43.819.079

Aqui à atrasado (adoro esta expressão) publiquei um texto a exorcizar todo o azedume que tinha atravessado na garganta sobre a atribuição de um chorudo prémio a um tipo que cortou limousines ao meio e virou crateras ao contrário. Confesso: fui um bocado injusto, tanto com o Miguel Soares (o tipo em questão), como com o juri do tal concurso (BESPhoto). Com o primeiro talvez tenha sido demasiado ignorantemente intempestivo, já com o segundo fui algo benevolente. Eu explico. Talvez Miguel Soares seja mesmo um valente artista. Não dos melhores que já vi, mas não tão mau como eu dava a entender no supracitado texto. É um manipulador de imagens muito competente e um animador gráfico exemplar e tudo e tudo. Pronto, já elogiei o jovem. O que não percebo é como alguém escolhe a série retarC e a série Liine em detrimento das séries Mosaic e Palindrome - estas sim, são daquelas coisas de artista passíveis de provocar um certo grau de embasbacamento a quem as visiona.

Agora a sério: Miguel Soares sabe o que faz. Nota-se já anda nisto de ser artista há tempo suficiente para não ter aquela arrogância estúpida de miúdos que acham que sabem tudo sobre tudo e desatam aos tiros contra tudo - tudo, tudo não, apenas contra algumas coisas - o que não entendem.
Já agora, quero agradecer ao João Caeiro que deixou o seguinte comentário ao tal texto do azedume "http://migso.net/". Só não sei o que ele queria dizer com isto: se era um irónico "Se achas isso, hás-de ver o resto" ou um estalo do género "Opá, tu cala-te e aprende". Seja como for, obrigado João.

Mesmo assim, e se estivesse no lugar dele - do Miguel Soares -, penduraria uma ampliação do tal cheque na minha sala com a inscrição "Ganhei isto sem sair de casa e só mexi a mão direita".

sexta-feira, abril 25, 2008

Entrando no espírito da coisa...


Rage Against The Machine - Freedom

A Galeria também foi actualizada segundo o mesmo contexto: Manisfestação de 28 de Março de 2008

quarta-feira, abril 23, 2008

Quem me dera fazer o mesmo a tanta coisa!

Com excepção de um ou dois momentos no Herman Enciclopédia, este é sem sombra de dúvidas o ponto máximo da carreira de Herman José. A naturalidade com que faz as perguntas da praxe (quem é, de onde vem, o que faz da vida) aos concorrentes enquanto carrega cartuxos de zagalote é sublime.
Vejam e/ou revejam.



O resto do programa em questão está aqui e aqui. Vale a pena ver tudo, acreditem.

terça-feira, abril 22, 2008

Elevando o Nível Intelectual com... Diego Rivera

O Homem, Controlador do Universo - Palacio de Bellas Artes - Cidade do México, México


Nascido Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez, foi pintor (especialmente muralista), comunista (especialmente revolucionário), amante (quem viu o filme Frida sabe do que falo) e bebedolas na quinta casa (viva la tequilla). Pintou mais de quatro quilómetros quadrados de murais um pouco por toda a América, com especial incidência no seu México natal, é claro. Provocou a fúria dos comunistas russos porque se envolveu em políticas anti-soviéticas e pôs Nelson Rockefeller a espumar da boca quando pintou Lenine num mural que ainda hoje era suposto colorir o hall de entrada do seu Rockefeller Center em Nova Iorque. O mural representado ali em cima é, aliás, um remake do mural que Rockefeller mandou destruir por Rivera não querer apagar Lenine. Foi acima de tudo um revolucionário de idéias próprias. Uma autêntica raridade, portanto.


As Mãos Da Natureza Oferecendo A Água (Água. Origem da Vida) - Parque Chapultepec. Cidade do México, México (Central hidráulica de elevação de águas)


O uso de cores berrantes punha-o ao lado dos milenares artistas aztecas, ao passo que as figuras de contornos simples e fortes atirava-o para a Europa cubista/impressionista dominada por Pablo Picasso, Paul Cézanne e Georges Braque. Pintou quase sempre em mural porque achava que a Arte era algo demasiado bom para ficar fechado em galerias ou colecções inacessíveis para a maior parte das pessoas. A Arte seria para todos e não para alguns.
Foi um dos maiores e mais controversos artistas contemporâneos. Morreu em 1957 e deixou-nos centenas de coisas como estas que aqui vêm. Há coisas fantásticas não há?



Pintando um Fresco, Mostrando A Construção De Uma Cidade - San Francisco Art Institute, San Francisco (E.U.A.)

segunda-feira, abril 21, 2008

Leiria 4 - SCP 1: As bestas que há 4 dias eram bestiais e vice versa.

Bom, se é para perder é para se perder como deve de ser! Assim, com quatro bujardas no focinho, isso é que é perder à homem! Abomino quem perde por um golo. Abomino. Significa que a equipa perdedora podia ter empatado e só não o fez porque é suficientemente incompetente para se deixar perder pela margem mínima. Quem está a perder um jogo tem que se lançar para a frente para dar a volta ao resultado mesmo correndo o risco de papar com mais um ou dois. Foi isso que a lagartagem fez ontem e na quarta-feira. Com resultados completamente díspares, é certo. Enfim... That's life.

Por outro lado acho um piadão monstruoso a equipas como a União de Leiria, cuja existência tem como razão máxima 4 jogos por temporada: contra o Sporting e contra o Benfica. Perdem com Desportivo das Aves, Boavista, Leixões e quem mais vier, mas chega o Sporting ou o Benfica e eis que os leirienses levantam a cabeça e jogam como os homens. Acho que devia ser feito um estudo qualquer sobre este tipo de comportamento bizarro.



P.S.: Este está a querer que lhe aconteça o que aconteceu ao outro "iluminado" da opinião pública chamado Rui Santos. Ai está está!

domingo, abril 20, 2008

Cinema: I Am Legend


Já tinha lido muitas críticas a este filme e considerei-as, e ainda as considero, todas válidas. É practicamente um remake hollywoodesco do 28 Dias Depois. Não acrescenta nada de novo: encontramos Will Smith a viver numa Nova Iorque tão deserta que o homem passa os dias a caçar veados na 5ª Avenida a bordo de um Mustang GT500, com a preciosa ajuda da sua cadela Samantha. Tudo porque alguém tentou curar o cancro e criou um vírus, que através de algumas mutações, infectou a população humana tornando-os numa espécie de cães de caça raivosos e sensíveis a raios ultravioletas. Não vou contar o resto da história para não estragar a coisa a quem não viu. Mas estamos aqui é para criticar, portanto vamos a isso: os monólogos de Smith com os manequins que ele próprio planta no videoclube são deliciosamente tristes - mostram um homem extremamente carente de contacto humano, muito, muito perto da loucura - e são bastante verosímeis. Os humanos infectados, apesar de serem demasiado computorizados também parecem verosímeis, se considerarem Gollum verosímil. O que não é verosímil de certezinha absoluta é haver alguém que, ao conhecer o som de Damien Marley, nunca tenha ouvido falar do pai Bob. Só por isso, e pelos fracos efeitos dos humanos infectados, leva um 2.5 em 5 pontos possíveis. Mas não vão por mim. Vejam o filme, se não viram, e digam-se o que acharam. Não é uma obra prima, mas há muito pior por aí espalhado.

sábado, abril 19, 2008

Novidades na Galeria

Para muita gente não é segredo nenhum: tenho uma paixão assolapada pela Sónia Tavares dos The Gift. Não sei se é a expressividade ou a voz, a verdade é que a rapariga caiu-me no goto logo depois de ver a primeira versão do videoclip de Ok, Do You Want Something Simple?. Sim, existe uma primeira versão, esta é a segunda. Já agora, se alguém souber onde poderei arranjar essa primeira versão que me diga, sim? Oferece-se recompensa. Como eu estava a dizer, a rapariga caiu-me no goto há muito tempo e agora, finalmente, lá consegui sacar-lhe umas fotografias decentes. Sei que haverá mais oportunidades, mas por enquanto contento-me com estas. Aos interessados em verem essas tais fotografias, é só clicar ali ao lado, no botão da Galeria.

Disclaimer: Estava a cerca de 30 metros de distância, com a luminosidade típica de concerto, e com a minha 70-300 com f/3.5 esticada ao máximo - o que fez subir o f/stop até 6.3 -, ISO 400 e uma velocidade de 1/100 ou 1/60 de segundo. Estarem a ver qualquer coisa já é por si só um quasi-milagre.

sexta-feira, abril 18, 2008

BESPhoto, ou como desperdiçar dinheiro dos accionistas

Tenho para mim que os concursos de fotografia, segundo os parâmetros mais usados, são uma autêntica treta. Antes de mais, e porque dependem do julgamento de um punhado de pessoas escolhidas para esse efeito, são subjectivos. Não duvido que haja por esse mundo fora muito juri sem gosto estético nenhum, ora, sendo o próprio gosto subjectivo, qualquer escolha é, portanto subjectiva. Depois porque, quer queiramos quer não, há influências de lobbys. Sejam esses concursos de pequena ou grande dimensão, o lobby está lá para apadrinhar e dar palmadinhas no rabo a um ou dois concorrentes "especiais".


Recentemente, num concurso chamado de BESPhoto, foram atribuídos 25 mil euros a um conjunto de fotografias de crateras viradas ao contrário e mais umas de limousines. As fotografias das ditas crateras nem sequer foram tiradas pelo artista vencedor (segundo o próprio, alugar um helicóptero para fotografar as crateras teria sido um desperdício de meios - então o que será dar 25 mil euros a um gajo destes?!) e não sei se as das limousines o foram. O que importa aqui é que o vencedor, que apesar de ter um curso de fotografia não pratica, arrebanhou 25 mil euros a outros que fotografam, em trabalho ou por simples gozo. Este texto explica melhor esta situação. Claro que esta causa "pseudoartística" tem apoiantes. Há quem diga que o convencional é aborrecido e que as fotografias em causa são tudo menos convencionais; que o concurso em causa não é um World Press Photo e portanto não estava a concurso a fotografia documental. Tudo bem. Querem fotografia não documental e pouco convencional? Então tomem lá: Cristina-O. Por exemplo. E se nos passearmos pelo deviantArt, 1000imagens ou Olhares vamos encontrar centenas ou mesmo milhares de artistas assim, não documentais, pouco convencionais e bem mais... enfim, artistas. Então porquê doar - porque considero uma doação e não uma atribuição - 25 mil euros a um gajo que saca fotos do Google e as vira de cabeça para baixo?! Se é para continuar com essa palhaçada, uma vez que já é a quarta edição, mudem o nome do concurso para, sei lá, BESPseudoPhoto ou algo do género.



Não é novidade nenhuma, tenho algumas fotografias minhas - tiradas por mim - emolduradas e penduradas no meu quarto. Por vezes, não tantas vezes assim, olho para elas e digo para mim mesmo "porra, pá, tu até tens jeito para esta merda". Pergunto-me se Miguel Soares (o tipo em quem tenho estado a descascar) tem alguma dessas crateras emoldurada e pendurada na sala. Imagino que não. Creio piamente que no lugar das "suas" fotografias deve ter antes uma ampliação do tal obeso cheque.
Era o que eu fazia.

quinta-feira, abril 17, 2008

The Gift + Orquestra Metropolitana de Lisboa, cortesia da CGD


Pelos vistos os bancos não servem só para depositar dinheiro, também servem para organizar bons concertos. Este foi um desses casos. Apesar de ser de entrada livre, o aparentemente simples acto de reservar bilhetes para o dito espectáculo tomou contornos épicos (lugares muito limitados e uma expectante audiência), mas a coisa lá se arranjou. A sala do dito não também augurava um grande concerto: a Arena de Évora, ao contrário do Campo Pequeno, não é tão versátil ao ponto de permitir grandes espectáculos musicais. Mesmo assim lá fomos. Orquestra no sítio. Entram os Gift e siga a música.

Poder-se-ia pensar que o facto dos Gift se terem juntado a uma orquestra era um óbvio sinal da exaustão da banda, ao estilo de Xutos & Pontapés, G.N.R, Scorpions e derivados. Mas não. Neste caso em particular não foi uma orquestra adaptada aos Gift, mas sim uns Gift diferentes, orquestrados, como uma extensão erudita do estilo demarcadamente pop-electrónico do grupo de Alcobaça. Quero com isto dizer que The Gift e a OML combinam tão bem como um CD de Postishead numa noite chuvosa enquanto se conduz languidamente por uma estrada deserta, ou pelo contrário, um concerto de Jamiroquai numa tarde de sol. E foi mesmo assim, dependendo das diferentes músicas: umas mais intimistas, outras declaradamente dançáveis, mesmo com orquestra, mas todas de uma grandiosidade assombrosa.

Nuno Gonçalves, sempre muito atarefado entre piano, caixa de ritmos, sintetizadores e acordeão, entre os quais ia saltitando alegremente, agradecia com toda a certeza o enxerto de mais um par de braços. Sónia Tavares esteve, como sempre, igual ao que se conhece: dança, faz caretas, arranca gargalhadas à audiência e canta que se farta. Tudo, claro, envergando mais um daqueles vestidos saídos de filmes timburtonianos.

Em suma, foi uma excelente noite de domingo. Parabéns aos Gift, à Orquestra Metropolitana de Lisboa e um muito obrigado à Caixa Geral de Depósitos. Não sei porquê, parece-me um bocado estúpido estar a agradecer a um banco, mas desta vez merece.


P.S.: Em tempo oportuno publicarei na Galeria algumas fotos dessa noite. Apenas aquelas que a distância e a fraca iluminação não estragaram, claro.

Terragen: criando mundos em menos de 7 dias


Conheci através do Obvious, como aliás conheço grande parte das coisas que a minha sagaz curiosidade me leva a procurar, uma pequena peça de software que permite gerar imagens foto-realistas de paisagens, sejam elas aparentemente terrestres ou de mundos nascidos da profunda imaginação humana. De básica utilização (não são necessários quaisquer conhecimentos de design gráfico), tem no entanto inúmeros parâmetros personalizáveis como os quais podemos brincar até eventualmente sair o que pretendemos. A texturização, quer da água quer da terra, é francamente aceitável e rápida, sendo ligeiramente mediocre a das nuvens, talvez porque não usei nenhum dos inúmeros plugins que existem a flutuar no ciberespaço (calculo que algum geek já tenha tratado do assunto). A verdade é que o programazito faz umas coisinhas engraçadas que, obviamente, vão ficando gradualmente mais engraçadas consoante as o tempo dispendido à volta do dito cujo. Chama-se Terragen, ocupa menos de 10 megabytes e aquela imagem que está ali em cima foi feita por mim ontem à noite em 15 minutos: 7 para a construção, 8 para renderização, bem menos do que Deus-Nosso-Senhor-Todo-Poderoso. A quem gostar de brincar com estas coisas, faça o favor de visitar o quartel-general do brinquedo.

5-3

Há qualquer de especial quando Sporting e Benfica se defrontam para a Taça de Portugal. Sente-se à partida um clima de final antecipada, de clássico intemporal com um longo historial de derrotas e vitórias que se perde na bruma dos tempos. Um clássico é sempre um clássico. Mas não há equipas que consigam fazer aquilo que Sporting e Benfica conseguem. Por pior que seja o momento de forma de cada uma das equipas o jogo será sempre, sem sombra de dúvida, emocionante. Daqueles de que se fala durante anos. Daqueles autenticamente lendários. Como se os fantasmas das antigas glórias de ambas as equipas tomassem de assalto os espíritos das actuais estrelas e os inflamassem, como se tornassem unos, como se não fosse só Liedson e Djaló mas sim Liedson e Yazalde, Djaló e Jordão, ou Di Maria e Eusébio, Rui Costa e Coluna. Há mesmo qualquer coisa especial quando até Nuno Gomes consegue marcar um golo de bonito efeito, ainda que simples, como nos velhos tempos pré-Fiorentina.
O facto de haver vencedor e vencido depois de um jogo assim é apenas um pormenor, uma simples nuance burocrática: alguém tem de perder. Mas soube tão bem gritar aqueles cinco golos! Alguém tem de ganhar. Ontem calhou ao Sporting. Só porque o Benfica não "nos" conseguiu levar para os penáltis. Aí a história era outra.

sábado, abril 12, 2008

À falta de melhor dou-vos música!


The Gossip - Listen Up (Radio Edit)

Esta Beth Ditto é cá uma personagem! Sim, Beth Ditto é aquela criatura com um vestido de lantejoulas a cantar em cima do balcão. E sim, é dela a voz dos Gossip. E que voz.

quarta-feira, abril 09, 2008

Gregos e troianos - a eterna luta de galos

Diz-se que não se pode agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo. Quer isto dizer que a cada cabeça pertence uma sentença e que na maioria dos casos diferem entre si. Há no entanto, num pequeno país de brandíssimos costumes, um canal de televisão que testa a veracidade do tal aforismo que opõe as finíssimas opiniões gregas aos bitáites troianos. E fá-lo (não sei porquê soa-me melhor a conjugação saloia fázio) colocando na grelha de programação para o mesmo dia programas para gente informada (Sociedade Civil, EuroNews, Eurodeputados, Universidades); programas para gente curiosa (National Geographic); programas para cinéfilos (Bastidores); programas para gente de palmo e meio (Zig Zag); programas para gente bem disposta (Dois Homens e Meio, Friends); programas para gente do desporto (Ténis 19º Estoril Open); programas para beatos e beatas (A Fé dos Homens); programas para aspirantes a dealers (Erva) e, finalmente, programas para debochados (Californication).

Ora, se mesmo assim os paneleirotes dos gregos não se entenderem com os marialvas dos troianos e continuarem às turras por dá-cá-aquela-palha não sei o que mais se poderá fazer. No meio não me meto eu.

* * *

Já que estamos a falar disto: na próxima Sexta-feira, Joe Satriani ao vivo na RTP2. À 1.30 da madrugada. Som bem alto, por favor.


Joe Satriani - Summer Song

Rabbit hole

Acabou de acontecer! Por um momento a realidade, ou aquilo que consideramos realidade, fundiu-se com a realidade existente na Caixinha Mágica. Por um singelo momento abriu-se um portal ectoplásmico, uma espécie de toca do coelho da Alice no País das Maravilhas, entre duas dimensões separadas por elementos bem físicos: a televisão e o real. Eu explico. Estava, e estou, a ver o Dois Homens e Meio na RTP2. Nisto, o sobrinho de Charlie Harper (Charlie Sheen) diz-lhe que encontrou uma página no Google sobre ele. Vai daí, entro no Google, escrevo Charlie Harper e voilá!

Qual é a admiração, pergunta o caro leitor. Nenhuma, mas foi um momento peculiarmente engraçado. Contado assim não tem grande piada, realmente.

(Sou tão patêgo que até irrito.)

segunda-feira, abril 07, 2008

Sensuality & Divinity



A Dança do Oráculo in 300

A melhor sequência visual do Cinema de 2007. Digam o que disserem. O que me faz espécie é como é que a homossexualidade entre os gregos imperava quando havia moças assim e ainda por cima a dançar desta maneira. Ah, já agora fica a informação: a menina chama-se Kelly Craig e tem as divinais medidas de 81-64-89. Não é perfeita perfeita, mas a perfeição é constantemente sobrevalorizada.

quinta-feira, abril 03, 2008

Vá de música para variar


Jamie Cullum - I Get A Kick Out Of You

E ainda o futebol...

Pode ler-se no Diário de Notícias de hoje que Cristiano Ronaldo foi ameaçado pelos seus "colegas" do A.S. Roma. Os jovens sentem-se humilhados e querem fazer-lhe uma "surpresa" no jogo da segunda-mão em Old Trafford. Antes de mais, ragazzi, a inveja é uma coisa muito feia. E se se sentem humilhados não o sintam por Cristiano Ronaldo ser um portento futebolístico e ter gozado convosco à grande: sintam-se humilhados por se sentirem humilhados. Se se sentem assim porque um vosso colega de profissão teve a determinação suficiente para tentar ser o melhor do mundo são estúpidos demais, até mesmo para o futebol. Deviam sentir-se assim por não terem tido essa determinação. Deviam sertir-se envergonhados e não humilhados. Deviam compreender que nem todos os jogadores são piores que vocês e deviam compreender também que por vezes aparecem génios, e esses sim deixam-vos, a vocês e à maioria, a milhas e milhas de distância e não há nada a fazer. Podem tentar lesioná-lo, sim. Mas já viram bem aquele cabedal? E mesmo assim se isso não vos demover pensem que atentar contra a integridade física do melhor jogador da melhor equipa inglesa, e principal candidato a melhor jogador do mundo, durante um jogo sancionado pela UEFA não será uma coisa muito inteligente. Ainda para mais porque primeiro fizeram ameaças. Se querem bater no miúdo façam-no e não andem para aí armados em queixinhas "Ai, ele fez aquela finta que nós não conhecemos! Isso é batota! Rebenta a bolha!"... Que figurinhas tristes.


P.S.: Não sei se já falei nisto, mas viram o golo do Deivid ao Chelsea? Foda-se, que grande golo.

It's not over until I say it's over...

"Se ganhasse o Euromilhões não deixaria de trabalhar: dedicar-me-ia de corpo e alma ao blogue. Seria esse o meu trabalho. Como o mundo é cruel e não é o blogue que me ajuda a sustentar a família, o Egosciente sofre bastante quando tenho muito trabalho.
Fases destas acontecem em todos os blogues, mas nunca tive um período tão apagado como este – já se notara em Fevereiro, notou-se ainda mais este mês.
Já deve ser a terceira ou quarta vez que escrevo um post para me justificar e pedir desculpa pela escassez de actualizações. Não gosto disso. Que não está a ser actualizado como dantes já vocês estão fartos de saber. Que eu lamento que isso aconteça é normal. Mesmo assim senti obrigação de me repetir.
Tenho observado noutros blogues que esse tipo de posts geralmente significa que se está a chegar ao fim. Quando os bloggers começam a engonhar, é sinal de que o entusiasmo dos primeiros dias esmoreceu e já não resta energia para prosseguir.
Nem sempre dei pulos de entusiasmo em cada dia destes últimos três anos de blogue, mas passei óptimos momentos e custa-me ver o Egosciente tão «abandonado».
Verei como correm os próximos dias. O pior que pode acontecer é eu largar o Egosciente e pedinchar um lugar como blogger convidado do Obvious. Talvez amanhã eu reveja este texto e pense para mim próprio: «Idiota. Devias era dormir em vez de escrever mais disparates». Seja como for, obrigado pela paciência. Vamos lá ver se consigo atinar."

Originalmente escrito por Marco, no Bitaites.

Claro que substituí a palavra Bitaites por Egosciente, mas de resto subscrevo esta conversa toda, até porque não faria melhor, por mais que tentasse. E como não tenho tempo para tentar sequer, mais vale roubar alarvemente estas pérolas que vão sendo deixadas a flutuar no ectoplasma cibernáutico (riso sinistro)!


P.S.: Que grande golo que Deivid marcou ao Chelsea. Mas porque raio é que ele não fazia aquilo quando estava no Sporting?! Mas que grande golo, sim senhor. Se não viram deviam ter visto.

quarta-feira, março 26, 2008

Será que alguém percebe?

Porque eu não percebo de certeza. Já dei voltas e voltas ao miolo e mesmo assim continuo sem perceber. Continuo sem perceber porque é que Scolari não convoca Ricardo apenas e só para jogar contra a Inglaterra... Não percebo, juro que não percebo.

terça-feira, março 25, 2008

Rock & Sensuality


Garbage - I Think I'm Paranoid (1999)

On its way...

Cinquenta milimetros de ângulo é pouco, eu sei. Mas 1.8 de abertura é o mais perto que uma máquina fotográfica pode estar da "visão" de um morcego... Por 150 euros, é claro. Houvesse uma maior abundância monetária e seria esta lente que estaria a caminho. Os meus pais também já me disseram que mais vale comprar um carro, mas mesmo assim continuo a achar que a minha humilde D70s gasta menos aos 100. E tem todos os extras.

segunda-feira, março 24, 2008

Mitologia para principiantes

Sísifo, por ser um chibo de primeira água e por ter enganado Tânatos (a Morte) umas quantas vezes, foi condenado por Zeus, o implacável e supremo juiz, a carregar uma enorme pedra para cima de um monte durante toda a eternidade. Isto tem muito mais piada tendo em conta que cada vez que Sísifo estava perto do cume a pedra rebolava invariavelmente até ao ponto de partida e o pobre Sísifo, depois de comer uma buchinha e fumar um cigarrinho, lá ia outra vez começar tudo de novo na vã esperança de um dia o raio do calhau conseguir chegar lá acima. Ora, não há registos que isso alguma vez tenha acontecido. O que aconteceu mesmo foi que Zeus, na sua infinita sabedoria, deu-lhe uma abébiazinha não isenta de humilhação: obrigou Sísifo a usar um penteado ordinário e a treinar o Sporting Clube de Portugal a coberto de uma identidade falsa. Aposto que desde Sábado passado anda pelo chão do seu Olimpo a rebolar de tanto rir.

* * *

Comentário recebido via e-mail:

"Chaval farto-me de rir a ver as tuas divagações futebolisticas no blog, és o Poncio Monteiro dos lagartos de certeza (...)"

Acreditem, vivo para estas merdas.

quinta-feira, março 20, 2008

Outra fita de 2008 - 10.000 AC


A maior parte da crítica arrasa este filme. Mas é preciso ter calma. Antes de mais há que referir duas premissas que o leitor deve ter em conta antes de ver o filme, este ou outro qualquer: primeiro, nem todos os filmes podem ser obras de arte clássica. O Cinema seria a expressão de arte mais aborrecida do mundo se todos os filmes fossem clássicos suecos dos anos 70 ou fossem realizados por discípulos de Manoel Oliveira; segundo, a menos que o filme tenha um rótulo a dizer "Documentário" não é, portanto, um documentário, sendo acima de tudo uma obra de ficção (inspirada em factos reais ou não) onde o realizador tem toda a liberdade de contar a história como bem entender. E se lhe apetecer misturar mamutes com civilizações pré-colombianas pois que os misture, se for essa a sua vontade.
Também não vejo problemas nenhuns em terríveis avestruzes carnívoras que trepem árvores: ora se os bichos em questão vivem num habitat apinhado delas é lógico que estejam habituadas as perseguir presas árvores acima, ou não?

Outra questão de credibilidade apontada pelos críticos é a questão espaço-tempo. Segundo eles, os iluminados críticos, os críticos-messias que vêm salvar a humanidade da ignorância, D'Leh, o herói atravessa montanhas, uma savana e uma selva tropical no espaço de poucos dias quando deveria demorar meses. Bem, claramente quem diz isto nunca ouviu falar na Patagónia ou no Chile onde convivem as mais frondosas florestas com as mais íngremes montanhas que por sua vez convivem com os mais desolados desertos numa área pouco maior que a França e a Itália juntas. Um desses críticos, um desses génios, chegou mesmo a dizer que a Idade do Gelo é mais verosímil que o 10.000 AC. Ora se isto não é ser estúpido que nem uma porta não sei o que será. Apesar de o senhor em causa poder estar certo são coisas que não se dizem pela simples razão de que induz o povinho em erro. E porquê? Porque na Idade do Gelo há marcadas referências à Evolução de Darwin e a acção localiza-se numa altura precisa da História enquanto 10.000 AC não tem nada disso! É um obra de ficção, raios! Aliás, o título só serve para dizer ao público que a acção decorre antes do nascimento de Cristo e, tanto quanto se sabe, até podia ser durante o ano do seu nascimento. Havia pirâmides a serem construídas nessa altura. Ainda havia, e há, tribos caçadoras-colectoras que viviam, e ainda vivem, perto de civilizações muito mais avançadas. Sobretudo nesta parte não vejo qualquer vacilação no índice de verosimilhança.
O que já não deveria haver mesmo era tigres dentes-de-sabre e mamutes. E o que não havia de certeza, mas de certeza mesmo, era tribos de caçadores-colectores a falarem um inglês perfeito. Frases simples, atestando, aliás, a pobreza dos diálogos. Uma vez que só uma tribo e mais um personagem falam inglês, todas as outras têm o seu dialecto, comum ou não, não se percebe porque não puseram essa tribo e o outro bacano a falar um dialecto diferente. Acho que este é mesmo o ponto mais desfavorável da coisa.

Resumindo: é um filme razoável, longe de vir a ser um clássico. Visualmente grandioso sem ser demasiado ostensivo. A história tem lacunas mas nada de muito grave; é uma história leve, sobre coragem, sobrevivência e amor, com profecias, atlantes fascistas, mamutes e tigres dente-de-sabre à mistura. É muito bom para uma tarde de domingo: 3,5 em 5

quarta-feira, março 19, 2008

Parabéns ao Hot Clube Portugal

Sessenta anos de existência é obra. Tendo em conta que sobreviveu a uma ditadura fascista, que desprezava o jazz como a um cão sarnoso, os 60 anos do Hot Clube, o clube de jazz mais antigo do mundo, ficam ainda maiores. Parabéns então a João Vilas-Boas, o fundador, o sócio número 1, e a todos os que lá tocaram, aos que lá se embebedaram, aos que lá fornicaram, aos que lá se drogaram, aos que lá estiveram ou mesmo àqueles que ficaram à porta, no nº39 da Praça da Alegria em Lisboa. Parabéns a todos, principalmente ao que os une e à essência do Hot Clube: o jazz; essa música de selvagens alucinadamente geniais.




Miles Davis at the Isle Of Wight (1970) - "Call It What You Like" *

(*): Quando perguntaram a Davis o nome da música foi precisamente esta a resposta dele.
Note-se ainda presença em palco da divina constelação do jazz: Keith Jarret, Chick Corea, Dave Holland, Airto Moreira, Jack DeJohnette e Gary Bartz.

Obituário: Arthur C. Clarke (1917-2008)

Escreveu, escreveu, escreveu. Projectou, criou e sobretudo imaginou. Pouco interessa o que fez quando comparado ao que a sua imaginação era capaz de criar. Como obra máxima dessa incansável imaginação deixa-nos a maior aventura de sempre: a viagem da própria humanidade em 2001: Odisseia No Espaço, que saltou para a tela de cinema com um valente empurrão de Stanley Kubrick. E por fim lá vai ele. Do Sri Lanka em vivia desde 1956 em direcção às galáxias distantes, aos planetas exóticos, às supernovas, aos quasares, aos pulsares e aos cometas radiosos que sempre giraram por detrás daqueles olhos penetrantes cheios de Tudo. Cheios com o Universo, cheios com Vida.

terça-feira, março 18, 2008

Entrando no espírito da coisa...

"Oh captain, my captain"

Ao ser-lhe atribuída a braçadeira de capitão em tão tenra idade poder-se-ia pensar que o jovem, por ser tão jovem, soçobraria debaixo do peso da responsabilidade de ter de capitanear um símbolo como aquele. No entanto o jovem não soçobrou; muito pelo contrário: cresceu. O jovem fez-se um homenzinho, pequeno de tamanho mas gigante em futebol, em garra, em vontade. O jovem tornou-se, na sua essência, um verdadeiro capitão.

Lembro-me do que suou para tentar fazer esquecer Fábio Rochemback, outrora patrão indiscutível das lides centrocampistas do Sporting. Já na altura comovia pelo seu empenho com apenas 18 anos. Lembro-me que chegou a fazer duas épocas em que jogou todos os jogos a titular e sem ser substituído. Sacrificou-se inúmeras vezes pela equipa, levou porrada de criar bicho, jogou em posições menos confortáveis mas deu sempre, sempre o litro. A jogar a trinco desaparece, nem se dá por ele. Nem por ele, nem por grande parte do meio-campo adversário. A extremo falta-lhe a velocidade de Pereirinha, mas sobra-lhe a visão de jogo, os passes certeiros e as desmarcações tão brilhantes e improváveis que só Liedson, o velho Liedson, as entende e prevê. Mas a "número 10", meus amigos, a "número 10" é um verdadeiro luxo. So lhe faltavam os golos. Aqueles golos cheios de classe típicos de um centrocampista experiente. Faltavam. Pretérito perfeito. Ontem apareceu um desses. Muita calma, muita classe no canto da área. Um breve olhar. Balanço no pé direito. Peito do pé na bola e aí vai ela. A rodopiar, a rodopiar, a rodopiar e, perante o olhar atónito do guarda-redes, o golo. Euforia. O sorriso rasgado de um miúdo que acaba de mostrar aos graúdos que já sabe fazer umas coisas engraçadas como eles. O miúdo-capitão está crescido, caramba!

Depois de Figo e Rui Costa duvido muito que João Moutinho não seja o "número 10" que a Selecção Nacional tanto precisa. Não há, meus caros (exceptuando os supracitados "cotas"), nenhum médio atacante português a jogar tanto e tão bem como o puto Moutinho. Não há! E a quem disser o contrário chamo-lhe logo ignorante, energúmeno, herege e borra-botas, e não necessariamente por esta ordem.

domingo, março 16, 2008

As Titubeações de Óscar #4

"O meu tio tem para aí uns 200 patos. 50 são patas e o resto são gansos."

sábado, março 15, 2008

Beauty & Talent



The Corrs - Forgiven, Not Forgotten - MTV Unplugged

quarta-feira, março 12, 2008

3 Visões de 1 Som

Para algumas pessoas já não é segredo nenhum que adoro esta música. Não sei porquê, simplesmente há músicas que me caem no goto e esta é uma delas. E como me caiu no goto a mim, caiu no goto de muita gente. Se desconfia do que digo preste bem atenção ao que se passa aqui por baixo. Ah, já agora, esta música que me caiu no goto tem como título Baba O'Riley e é um original dos The Who datado de 1969. Nota: a expressão "cair no goto" acabou de me cair no goto.

A versão original (reparem bem nos penteados):




A versão dos Blue Man Group (sim, eles outra vez):






A versão dos Pearl Jam (Vedder e o seu instinto suicida)

Clicar acima para ver o vídeo (Embedding disabled... Grrrr!)


Palavra de que gosto*: Lupanar

do latim lupanar (que supresa); substantivo masculino (ah pois é, pensavam que era um verbo, não?) e significa nada mais, nada menos que:
  • Casa de protituição;
  • Bordel;
  • Alcoice (também gosto desta);
  • Prostíbulo (adoro esta).

(*): Apesar de não ser muito frequentador

terça-feira, março 11, 2008

Momento YouTube

Para quem ainda não viu, para quem viu mas não percebeu tudo e para quem viu, percebeu tudo e quer ver outra vez: Achmed the dead terrorist, agora com legendas.


Mitologia para principiantes

Zeus, por razões que agora pouco interessam, condenou Prometeu a 30.000 anos de tortura ínfame: foi acorrentado no cume do Cáucaso enquanto todos os dias uma águia depenicava o seu imortal fígado (estes deuses antigos eram eram levados da breca). Faz lembrar um certo Camacho cujo fígado também foi ignominiamente torturado por águias. Foi apenas por uns meses, mas acredito que seja coisa para aleijar.
Resta saber se Zeus Filipe Vieira vai continuar teimosamente a condenar mais titãs ao excruciante sofrimento de tentar ensinar Bynia a jogar futebol.

segunda-feira, março 10, 2008

Publicidade Institucional


À primeira vista não se nota, mas aqui este vosso fiel escriba, video jockey e fotógrafo também participa nesta exposição. Vá, a despachar que daqui a pouco já não há! Acaba dia 20... sim, dia 20. O quê?! Tão pouco tempo?! E o que queriam vocês?! Isto não é o CCB, pá! Vá, a despachar!

Momento "Ponham os olhos nisto!"

Aqui há uns dias mostrei um vídeo da Quercus atulhado da boçalidade campónia que caracteriza, aliás, grande parte da população portuguesa, onde se apelava, entre outras coisas, a suster os gases intestinais sob pena de aumentarmos inusitadamente o degelo das calotes polares. Pois é meus eco-parvalhões, sabiam que há maneiras bem mais inteligentes de fazer passar mensagens "verdes" sem usarem a palavra "bufa"? Já que não são homenzinhos o suficiente para abordarem petroleiros nem paralisarem aeroportos ficam aqui com um exemplo do que se pode fazer usando as vossas cabecinhas oleosas sem insultarem a inteligência das pessoas:


by The Blue Man Group

Benfiquismos e Sportinguismos

Camacho desistiu. Paulo Bento não. Camacho deixa a Luz com o Benfica em 2º lugar. Paulo Bento fica em Alvalade com o Sporting em 5º e com possibilidades de descer ao 6º ainda hoje. Camacho achou que não tinha condições para continuar. Paulo Bento continua a achar que tem todas as condições para continuar a lutar pelos objectivos que lhe restam.
E tem toda a razão. Tem toda a razão porque conhece a capacidade de luta e de entrega dos seus jovens jogadores. Já Camacho sabe mais que ninguém que se houvesse uma briga de taberna entre ele e um grupo de arruaceiros apenas poderia contar com Rui Costa para o ajudar já que o mais certo seria uma debandada geral, qual manada de gnus em pânico (sim, gnu quer dizer Bynia).

Numa altura em que praticamente não faz sentido falar em "amor à camisola" é importante falar em espírito de sacrifício e entrega. Paulo Bento sabe que pode contar com o seu balneário. Camacho sabe que não pode contar com o seu. Por isso saiu. Saiu porque o benfiquismo dos seus dirigentes não conseguiu passar para os seus jogadores. Já Paulo Bento, assumido benfiquista, é um dos maiores sportinguistas que o mundo já viu nascer, e conseguiu, e consegue, transmitir isso aos seus jogadores: "Esforço, dedicação, devoção e glória". Ou pelo menos grandes esperanças.

domingo, março 09, 2008

Parecendo que não...

Este blog cumpriu dois anos de vida há precisamente um mês, dois dias, duas horas e dezassete minutos atrás.
Nem se deu por isso, vejam só.

Parabéns a nós.

sábado, março 08, 2008

Espreitadela

Olá.
Não, não morri.
Não, também não estive no hospital.
Não... Não fui preso.
Ainda aqui estou, mas sem tempo nenhum para abrir a taberna nem para visitar a vizinhança.
Aos dois ou três que aqui vêm, as minhas desculpas.
E já agora que aqui estou aproveito para vos dar música.



The Levellers - This Garden

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Another One-Hit Band: New Radicals



You Get What You Give - New Radicals (1998)

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Piada fácil mas irresístivel

Hoje, a Polícia Judiciária incinerou 11 toneladas de droga na Valorsul em Loures. O director-adjunto da PJ confessou que "já não se queimava tanta droga em Portugal desde que os Rolling Stones se juntaram aos Xutos em Coimbra".

And the Oscar goes to... Whatever...

Este blog é talvez o único que, ao falar de quando em vez sobre cinema, se escusou a fazer qualquer comentário à entrega dos Óscares 2008. Primeiro porque não vi grande parte dos filmes nomeados para o concurso, com as excepções de "A Bússula Dourada", "Promessas Perigosas", "Gangster Americano", "Elizabeth- A Idade de Ouro" e "Ultimato (Bourne)". Depois porque não tenho grande consideração pelo juri da Academia de Cinema Norte-Americana. O pior é que nem encontro muitas razões para esta falta de credibilidade, simplesmente não gosto deles, pronto. Considero o Óscar um prémio demasiado valorizado, demasiados flashes, demasiado glamour a pavonear-se na passadeira vermelha, em suma, um prémio tipicamente americano, com tudo o que esse facto comporta. E depois parece que a Academia (a grandiosa e opulenta Academia) tem fetiches com certos e determinados artistas e ódios de estimação por outros, como por exemplo Tim Burton que só foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação com "A Noiva Cadáver". E mais: porque raio, por exemplo, deram o Óscar de Melhor Realizador (pois, tem que ser em maiúsculas quando se fala de Óscares) a Scorcese pelo "The Departed" quando tem obras muito melhores como "Taxi Driver" ou "Gangs de Nova Iorque"?! Por falar em "Gangs de Nova Iorque", nesse ano (2003) a Academia preferiu premiar "Chicago" com o Óscar de Melhor Filme e deixou Scorcese e os seus "Gangs" a secar no estendal. Pergunto-me se nesse ano o Filipe La Féria faria parte do juri. Não, não tenho nada contra musicais, mas considero "Moulin Rouge" muito superior a "Chicago".

Na verdade não tenho nada muito concreto contra a Academia e os seus Óscares, mas não gosto deles, não gosto, pronto. Imagino um juri composto por elementos da mais alta burguesia, tudo acima dos 60 anos, gordos, carecas, barbudos, fumando charutos bafientos e bebendo grandes copanázios de brandy à lareira envergando roupões com as suas iniciais bordadas, enquanto coscuvilham sobre este ou aquele actor, ou actriz, ou realizador, e decidem, qual Conselho de Pais Natal, quem se portou bem este ano.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Elevando o Nível Intelectual com William Blake

Uma pintura:

"The Great Red Dragon and the Woman clothed in the Sun" - W. Blake


E uma frase:

"Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria ao Homem como realmente é: infinito." - W. Blake

Jimmy Kimmel's Circus

Lembram-se daquela história em que um apresentador de um talk-show americano tentou inúmeras vezes convidar Matt Damon para uma entrevista e quando finalmente conseguiu disse-lhe simplesmente "Sorry, Matt we're running out of time"? Bem, na verdade a história não acabou aí. Houve traições, ciúmes, triângulos e até quadrados amorosos, ao melhor jeito de uma novela mexicana, mas com muito mais estilo. Vejam aqui os 3 episódios desta odisseia protagonizada por Jimmy Kimmel e Sarah Silverman (namorada de Kimmel), com as participações especiais de Matt Damon, Ben Affleck e uma catrefada de outras estrelas como Cameron Diaz ou Robin Williams. (só para anglófonos... sorry)

Episódio 1 - O princípio de uma bela amizade



Episódio 2 - A traição



Episódio 3 - A vingança


terça-feira, fevereiro 26, 2008

Uma música por dia...



Radiohead - Anyone Can Play Guitar (Pablo Honey 1993)

Momento Cartoon: Cuba - passagem de testemunho

Fidel Castro renuncia, por RAIM

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

One-hit band (another one): Fastball


Fastball - The Way (1998)

Das Insurgências & Rebeliões

Prefácio: Raramente, muito raramente, visito blogs políticos apesar de ter bastantes na barra de links. E só o faço por mera curiosidade, para ver o que se discute, no fundo, para ver se há mais fascizóides que esquerdalhos e tentar perceber quem está a ganhar essa guerra. Normalmente é a direita que vai à frente apesar de a esquerda manter certos bastiões incólumes e altivos, como um mar de direita pontilhado por portentosas ilhas de esquerda. É assim que vejo a blogosfera política portuguesa, até posso estar errado; como já disse não sou seguidor atento. Tenho para mim que a política é expressão máxima dos defeitos humanos. Até agora ainda ninguém me conseguiu convencer do contrário nem tampouco ensombrar este meu aforismo com dúvidas.

Confesso que tendo bastante para o lado esquerdo da carroça. Há um certo romantismo em ser-se esquerdalho, com aquela conversa toda de união e luta pró-proletária, um não-sei-quê de heróico, onde se luta por causas que valem a pena, onde se dá voz ao povo e tal. No entanto não percebo porque fizeram o que fizeram ao Insurgente. Nem percebi bem o que se passou. Resumo: o Insurgente sempre se afirmou um blog de direita e tinha o mesmo significado que o Blog de Esquerda para a esquerda. De um dia para o outro, aparentemente, hackers, vindos sabe-se lá de que submundo bolchevique, tomaram o Insurgente de assalto e anunciaram a façanha com esta mensagem:

"O INSURGENTE CAPITULOU; COMEMOREMOS, CAMARADAS!

Num momento em que as atenções do mundo se voltam para a terra dos nossos bravos irmãos cubanos, e do nosso grande comandante que se retira da presidência para entrar na história, a blogosfera portuguesa entra num novo e revolucionário momento.

O inimigo foi derrubado. A maior expressão do que há de mais abjecto no pensamento político e económico em Portugal, manifestado pela internet, não resistiu. O Insurgente capitulou ante a investida da única ideologia que coloca o Ser Humano acima dos interesses mesquinhos do capitalismo imperialista do neoliberalismo mundial: o socialismo.

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!

Não mais assistiremos aqui à defesa mesquinha do livre mercado, que causa desemprego em massa e lucros para os empresários burgueses; da banca nacional e internacional, que viola os cidadãos de bem; do estado mínimo, que beneficia os ricos e deixam os pobres ainda mais miseráveis à mercê de sua própria sorte. Sabemos que o neoliberalismo capitalista é uma pistola fumegante que, nas mãos de um bando guerreiro de foras-da-lei, não hesita em esmagar as soberanias nacionais e a autodeterminação dos povos. Um revólver, apontado às nossas cabeças, paira sobre cada um de nós. E se quem mata é assassino, não esquecerão os juizes que foram os insurgentes a disparar o primeiro tiro.

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!

Os insurgentes, lacaios do grande capital, fascistas em suas pretensões, autoritários em seus desejos, representam a face mais hedionda da direita eloquente que pretende dominar o debate na blogosfera. Eles representam a derrocada da civilização e são o sintoma mais claro e grave da crise da Humanidade. A estratégia deles é a mais letal e perigosa para as sociedades. Querem impor o domínio económico, político e cultural de nações imperialistas, nomeadamente dos Estados Unidos. Suspeitamos,inclusivamente, que os Insurgentes sejam sorrateiramente financiandos pelos americanos imperialistas.

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!

Eles eram parte integrante e instrumento da chamada globalização neoliberal. Uma das engrenagens do sistema de poder imperial, completamente rendidos à lógica do mercado. Agora, foram vencidos!

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!

Acreditamos que o Ser Humano é dotado de razão, consciência e responsabilidade. Com uma estupidificante arrogância religiosa e uma retórica alarve, os insurgentes conseguiam ser desprovidos de todas essas qualidades. Por isso, capitularam; por isso foram vencidos; por isso, foram exterminados! É o culminar do irreversível progresso da liberdade e da civilizazão e a vitória do socialismo!

O Insurgente capitulou; comemoremos, camaradas!"

E pronto! Comemorem aí! Agora é um blog de esquerda, assumidamente comunista. Pergunto-me o que esperariam estes "blogomeliantes" ganhar com esta parvoíce. Marcaram uma posição? Sem dúvida que sim. Mas uma posição muito rasca. Marcaram uma posição tipo "porcos imperialistas" que, aliás, são declaradamente o seu mais tenebroso inimigo. Marcaram uma posição de reaccionários capitalistas, que, devo lembrar, são o alvo de todas as suas farpas. Não faz sentido lutar contra alguma coisa tornando-nos algo pior que essa coisa.
O cão da pradaria come cascavéis ao pequeno almoço e não tem veneno nas presas, pois não?
Agora o que irão aquelas alminhas fazer? Pedir um resgate pelo código-fonte do blog? Irão implodi-lo? Ou vão aproveitar o tempo de antena para continuar a exaltar o espirito de luta e camaradagem, para apontar o dedo ao capitalismo americano e para compor heróicas odes à ditadura Castrista?!

Ná, camaradas, assim não vamos lá. Assim estão a dar razão a quem vos chama de terroristas. Assim estão a dar razão precisamente àqueles que querem "abater". Assim, camaradas, assim dão-lhe a vitória numa bandeja de prata acompanhada do melhor vodka russo e do melhor charuto cubano e eles agradecem, claro.
Mas isto digo eu, que não percebo nada de nada.

P.S.: Se alguém tomar aqui o tasco de assalto só quero pedir uma coisa: mantenham a lista de links da banda desenhada, pode ser? É que deu muito trabalho a arranjar tudo e não tenho backups dos links. Obrigado.

sábado, fevereiro 23, 2008

Momento "Mais valia 'tarem quietos, pá!"

Imagino que ser publicitário hoje em dia, em que parece estar tudo inventado, seja bastante complicado. Quando se trata de fazer chegar uma determinada mensagem a um determinado público há que ter inúmeros factores em conta, mas o mais importante, aquele que define a qualidade de um anúncio, é a criatividade. Sim, eu sei que isso é o que mais falta, não só no mundo do marketing mas também no mundo em geral. Mas o que deixa realmente irritado, para além da falta de criatividade é a criatividade bacoca de gosto mais que duvidoso. Tipo "pá, tenho uma ideia do caraças para um anúncio que vai por toda a gente de boca aberta", e no final as bocas realmente estão abertas mas o que vai na cabeça do espectador é qualquer coisa do género "dass... e há gente a ganhar dinheiro a fazer isto?!". O mais preocupante ainda assim não é o facto do géniozinho ter aquela brilhante ideia de merda, mas alguém comprar aquela ideia! Lembram-se daquela publicidade da Tagus a promover o heterossexualidade, ou não, ou era a promover não sei o quê dos amigos e o diabo-a-sete? Pois, levantou-se o sururu, andou tudo muito indignado durante uns dias, depois desapareceram os cartazes, nunca mais se ouviu falar da dita e continuo sem ter provado o raio da cerveja. Pois, também me parece que mais valia estarem quietos.

E esta conversa toda não mais é do que palha para atapetar esta (mais uma) ideia brilhante de merda (literalmente) que surgiu das cabecinhas oleosas dos eco-fanáticos da Quercus, ideia essa que passo a reproduzir aqui por baixo. Cortesia do YouTube, claro.



Tenho ou não tenho razão? Bem, se fosse o meu vizinho de 8 anos a compor este video e depois o recebesse por mail juntamente com o SPAM da "Next Door Nikki" e do "Grotesco", até teria alguma piada, mas não foi. Quem fez este video foi uma entidade que pretende ser ouvida e, como qualquer gajo que quer ser ouvido, tem que ser credível manter um certo grau de decência. A isto chamo "tiro no pé".
E já que estamos numa de publicidade, aproveito para deixar aqui um dos melhores e mais originais anúncios que já vi a uma marca de cerveja com nome de recorde mundial (este video, claro, não faz parte do Momento "Mais valia 'tarem quietos!", pertencendo antes ao Momento "Clap clap clap!").


quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Há 49 anos: Johnny Cash, para fans e curiosos


I Walk The Line (1959)


P.S.: Passaram 49 anos sobre esta gravação que, imagino, tenha saltado de uma bobine de celulóide para zeros e uns de uma internet universal e livre. Ainda assim a voz de Cash continua a soar forte, profunda e suave, como uma trovoada distante, cujos trovões são mais sentidos que ouvidos.

* * *

Para aquelas sarnas que interrompem importantíssimas reflexões durante o meu prolongado café da tarde para dizer coisas como "Porra, pá, 'tas desempregado, não fazes nada, e mesmo assim não actualizas o Party Log", agora digo eu: JÁ ESTÁ! Irra...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Mais quatro fitas vistas em 2008 D.C.

Walk the Line

Johnny Cash certamente não é a primeira pessoa, muito menos o primeiro músico, cuja vida dava um filme. E até nem foi uma vida muito atribulada quando comparada com outros vultos seus contemporâneos como Elvis ou Jerry Lee. Ex-militar casa com rapariga de boas famílias (Vivian Cash) e começa a sonhar com música. Insiste, insiste e insiste, contra a vontade da mulher que prefere a protecção do papá à provável loucura de um músico. Conhece June Carter, Jerry Lee Lewis e Elvis Presley. Mete-se na droga (que surpresa). Torna-se um êxito nacional. Afunda-se em alucinações metanfetamínicas e em longínquas memórias do seu falecido irmão mais velho. Bate no fundo. June salva-o, casam-se e vivem felizes o resto das suas vidas. Mais coisa, menos coisa é isto. Boa interpretação de Joaquín Phoenix e uma esplendorosa Reese Witherspoon na pele de de June Carter. O enredo, por estar demasiado focado em Cash, não deixa entender o verdadeiro volume do seu sucesso, dando-o a entender assim, tipo, "de raspão" como na cena em que Cash rasga um cheque de um milhão de dólares à frente do caixa do banco. Não está mau, mas também não está nada de fantástico. É um filme essencialmente para fans e curiosos.
3 em 5.

Sunshine


A Terra mergulhou num Inverno solar uma vez que, contra todas as expectativas, o Sol se está a apagar. Junta-se todo o material radioactivo do planeta, constrói-se uma ogiva nuclear do tamanho de Manhatan, envia-se uma equipa de astronautas para largar a laracha e reza-se para que aquela mistela atómica reanime a estrela moribunda.
À primeira vista é mais um filme catástrofe com laivos de ficção científica. Mas não é. É bem mais do que isso. É na sua essência um ensaio sobre a loucura humana e a ténue fronteira que a separa da sanidade. É um ensaio sobre os demónios de cada um e sobre a maneira de lidar com esses demónios. Sobre a atitude humana perante a ameaça de extinção e sobre sacrifícios. É, portanto, um ensaio sobre o Homem cujo pano de fundo é uma viagem até o centro do sistema solar. Não vale a pena esmiuçar efeitos especiais no século XXI: estão irrepreensíveis. A nave que transporta a salvação da Humanidade é bem mais parecida com a Estação Espacial Internacional do que com um Cruzador do Império de Darth Vader, o que lhe dá aquele toque de credibilidade necessário para manter a palavra "Plausível" na cabeça do espectador durante todo o filme.
Nada a assinalar quanto às interpretações.
4.5 em 5.

Os Seis Sinais da Luz


Pessoalmente sou um fan do fantástico. Vi e revi as Histórias Intermináveis e o Feiticeiro de Oz, passei-me da cabeça com o Senhor do Anéis, adorei as Crónicas de Narnia, suei na última batalha de Eragon e simpatizei com Potter. No entanto há coisas intragáveis. Os Seis Sinais da Luz é um deles. Até há ali umas ideias agradáveis, ou melhor, bons princípios de ideias agradáveis. Bons princípios de ideias agradáveis porque parece que essas ideias nunca chegam a assumir um papel preponderante no enredo, que, diga-se, é execrável. Mais um miúdo que é o Escolhido para salvar o Mundo. Enchem-no de poderes sobre-humanos que nunca chegam a ser utilizados, como por exemplo controlar o fogo. O protagonista fica a saber que pode criar e controlar o fogo como quem descobre que lhe nasceu o primeiro púbico, e até a reacção é parecida. Passados uns dias, durante um ataque de fúria, desata a explodir casas e carros o que nos faz pensar que a luta final contra o mauzão do cavalo preto (a única personagem de jeito no filme) vai ser um fabuloso espectáculo de fogo de artíficio. Errado. Nem sequer uma fagulha é solta nessa "épica" luta de dois minutos. Não sei que mais diga... Foi uma total desilusão (tinhas razão, N).
0.5 em 5. Só por causa dos tais bons princípios de ideias agradáveis.


Gato Preto Gato Branco

Revi este filme há uns dias pelo que isto não é uma crítica, mas uma homenagem. Tal como o filme em si é uma homenagem ao absurdo, ao improvável e à loucura inspirada, assim faço eu a devida vénia ao Sr. Kusturica e companhia. Um porco devorador de carros, um gigante que se apaixona perdidamente por uma anã, um comboio roubado (sim, roubado, não assaltado), velhos que ressuscitam, dentes de ouro e tiros para o ar fazem deste filme um dos meus favoritos. Se é bom ou se é mau não sei. Adoro-o, e quando se gosta assim tanto de algo não se pergunta porquê, gosta-se e pronto.

Fica aqui a cena em que Dadan Karambolo (o mesmo da famigerada cena do Pitbull-Terrier) extravasa alegria por finalmente ter conseguido casar a irmã, que não estava propriamente para aí virada.


terça-feira, fevereiro 19, 2008

Geeks



Bem, foi aqui o zebrequins que me avisou sobre isto, mas acabei por ver este sketch aqui no fassans com prumvnes.
Já agora, há novidades na fissoblastans e estou quase quase a actualizar o stricofaites. Paciência, meus caros, paciência.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Dos nomes

Nunca tiveram a impressão que o nome de uma pessoa define essa pessoa? Ou pelo menos algumas coisas relacionadas com essa pessoa? Eu já. Confesso que não estudei a hipótese a fundo, não passa isto de uma mera reflexão causada por uma enorme surpresa. Mas já lá vamos. Eu sei, já alguém antes de mim pensou neste tipo de coisas, caso contrário não tinha numa gaveta qualquer um poster a dizer que Luís remonta a origens teutónicas e é um gajo criativo, inteligente e corajoso e mais não sei quê. Isso sei eu, não preciso que um poster com ares de quiromante mo diga. No entanto não falo dos nomes próprios, mas sim dos outros, dos apelidos. Não, não faço a mais pálida ideia da origem de Romudas ou do que raio significa. Parece-me ao mesmo tempo algo imponente e estouvado, mas isso sou eu que não sou ninguém.

Contudo, não a surpresa que tive não foi com o meu próprio apelido. Foi antes com o apelido Júdice. Já imaginaram alguém, de apelido Júdice, que não tenha absolutamente nada a ver com Direito, Advocacia ou Tribunais? Pois, mas há gente assim. Imagino o que o pensaram os pais de Nuno Júdice quando este se licenciou em Filologia Românica (segundo a Wikipedia). E o boquiabertos que ficaram quando desatou a publicar livros de poesia, de ficção, ensaios e peças de teatro! Oh meu Deus! Haverá alguém que tenha degenerado tanto das suas origens etimológicas?! Isto atormenta-me...

Nota do autor: o desemprego e a fraca ocupação de tempos livres leva a que pensamentos deste género, outrora impossíveis de me assolar, agora o façam de uma maneira avassaladora e quase incontrolável. Por exemplo, passei a tarde a divagar sobre os guardanapos de café que ao invés de absorverem líquidos, função inerente ao objecto em si, os espalham melhor que uma colher de pedreiro.

E agora, para algo completamente diferente: Foo Fighters, Learn to Fly. Hilariante.




quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Valentine's, Love and Music (sim, mudei o título)


Everyday, by Dave Matthews Band

Mesmo que não goste da música nem da banda, veja o vídeo. Vai gostar. Aposto um abraço.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Momento "Porqué no te callas?!"

Ontem disseram-me que o Brian May não fazia falta nenhuma aos Queen.



Meu grande estúpido, se Mercury era a alma dos Queen, e não há dúvidas quanto a isso, May era o plano metafísico onde essa alma podia existir. Percebeste?! Não... provavelmente não.