segunda-feira, julho 21, 2008

Microconto: O Sentido

Pensou no seu nome dias a fio. Imaginou cada letra a ser desenhada lentamente, como se uma pena invísivel e incomensurável fizesse nascer cada letra a partir do vazio, e tão devagar que poder-se-ia dizer que mundos infinitos eram criados a cada nova linha traçada. Pensou tanto tempo no nome dela que a própria palavra deixou de fazer sentido. Sentiu-se aliviado. Depois decidiu fazer o mesmo com outras palavras. Percorreu mentalmente todo o dicionário. Não satisfeito, passou para as palavras dos calões e dos vernáculos, para as línguas estrangeiras que conhecia e para algumas que desconhecia. Chamavam-lhe louco e ele sorria. Continuou, atarefadíssimo a sua cruzada. Abarcou, uma por uma, todas as palavras do Mundo e lentamente fez com que perdessem o sentido, o significado, a essência. Sem isso, as palavras tornaram-se nada mais que amontoados aleatórios de letras e sinais. Deixou para o fim o seu próprio nome. Depois disso esperava sentir-se feliz, limpo, purificado, purgado e divinalmente expiado. Poderia morrer em paz. Porém nada disso aconteceu e foi tomado por uma angústia pesada como o Universo. Faltava alguma coisa. Sim. Esquecera-se da palavra mais importante de todas. Esquecera-se da principal palavra que comanda a vida. Esquecera-se da Morte. E foi assim, já sem nome, sem memória, sem sentimentos, sem nada, que ao chegar à letra 'e' os seus olhos se fecharam e o seu coração lentamente desacelerou e parou. Assim mesmo, finalmente feliz, limpo, purificado, purgado e divinalmente expiado.

Mais coisas que me moem

Será que ninguém cala Valentim Loureiro? Já foi processado, já foi ilibado, já foi processado, já foi condenado, já lhe aconteceu tudo e mais alguma coisa e o gajo simplesmente não se cala... Que raio!

Coisas que me moem

Será que faz sentido um Futebol Clube do Porto esperar que um clube como o Internazionale Milano pague 40 milhões de euróis por um Ricardo Quaresma quando um clube como o Associazione Calcio Milan pagou ao Futbol Club Barcelona 25 milhões por um "ex-génio" da bola? Ai faz? Pronto, então se faz sentido está tudo bem. Mas não se esqueçam que um ex-génio pode voltar a ser um génio a qualquer momento. Já uma promessa de génio pode nunca vir a concretizar-se, sabiam?

Breaking News

Não sei se já repararam mas a Galeria foi actualizada recentemente com 8 fotos de uma série a que dei o assombroso título de "Clown's Balls". Foram tiradas durante o espectáculo do fabuloso Leo Cartouche em Arraiolos, durante o Tapete Está Na Rua 2008. E que grande espectáculo. Vale a pena ver palhaços assim: atentos, talentosos, esforçados e com um fascínio desmesurado pela dificuldade dos números. Só para terem uma ideia, o homem acabou a actuação a saltar à corda em cima de um monociclo de 2 metros enquanto cuspia fogo. Depois, pela noite dentro, quis o acaso que nos cruzássemos entre uma rodada de cervejas. Mesmo sem maquilhagem e sem a fatiota do seu alter-ego, Jens Altheimer, foi sempre suficientemente simpático para não se querer ver livre à força de um pequeno grupo de bêbedos chatos que lhe impigiam cerveja quente. Quem disse que os alemães não sabem o significado da palavra simpatia? Pronto, está bem, este está há muitos anos em Portugal, mas ainda assim é alemão...

quarta-feira, julho 09, 2008

Subscrevo, assino, rúbrico e até proclamo se for preciso.

"Empenho-me neste blogue e trato dele o melhor que posso e sei porque gosto de blogar. A liberdade que aqui se goza é de tal ordem que esta actividade até permite vários meios de pagamento consoante as prioridades: dinheiro, publicidade, links, elogio, reconhecimento, o regresso diário dos visitantes. É uma vocação, um gosto, um prazer, um acto de comunicação, uma forma simples de dizer através da escrita ou da fotografia ou do desenho ou do vídeo, seja o que for, Eu sou um indivíduo, estou aqui e sinto que tenho alguma coisa a partilhar com os outros, as minhas ideias, histórias, convicções, sentimentos - não sou uma condição humana pré-fabricada pelos media. Não sou solitário anti-social, terrorista, pedófilo, caluniador ou boateiro. Sou um blogger e o mínimo que espero é respeito por aquilo que faço todos os dias. No caso dos media ou dos seus fazedores de opinião, mostrar respeito significa apenas manter-se informado."

Marco, Bitaites

ESTE BLOG (AINDA) NÃO FECHOU!

Pois não. Nem se prevê que o faça brevemente. No entanto não têm sido poucas as coisas que me têm afastado da página de login do blogger. Entre trabalho, biscates, elucubrações gastronómicas e confrarias culturais pouco tempo tem sobrado para isto. As fotografias que vos havia prometido - acho que as prometi mais a mim do que a vocês - ainda estão para ser arranjadas, muitos textos (mas não tantos quanto isso, não se preocupem) ainda estão por publicar e muitas coisas estão para ser mostradas. Mas acalmai-vos, meu sequioso séquito! Prometo que para a semana cumpro todas as promessas (menos aquela de comer uma lesma viva se o Cristiano Ronaldo ficar no Manchester).

Para a semana cumpro tudo o que aqui prometi, mas antes disso, e muito infelizmente, tenho que ir aturar umas brasileiras que são tão sexys que já cansam, beber umas cervejolas com uma ciganagem muito bem enjorcada e fazer uma ou duas revoluções com muita, muita raiva contra A Máquina.

Assim sendo, fiquem bem e, se não nos virmos antes, até à próxima.
Tenham por cá saúde.

quarta-feira, junho 25, 2008

Idiossincrasias de Blogger

Gosto de escrever. É um facto. Se o faço bem ou mal pouco importa, o que importa mesmo é que o faço. E, espante-se o caro leitor ou não, dá-me tanto prazer escrever como ler e reler o que escrevo. É como qualquer acto sexual tendo como única diferença essencial que o clímax, o momento em que digo "pronto, 'tá bom assim", pode chegar dias, semanas ou meses depois de o "baixar as calças". Não estou de modo nenhum a comparar a escrita com o sexo. Digamos que é apenas uma metáfora mas desta feita com o advérbio "como" entre as duas situações. No entanto não é só o escrever por escrever que me dá prazer. O assunto sobre o qual disserto e a maneira como o faço têm um papel tão ou mais importante como o facto de a minha parceira sexual usar tanga ou cuecas convencionais. Lá está o sexo outra vez. É uma metáfora, apenas e só uma metáfora. Estão a ver onde quero chegar? Então continuemos sem nos dispersar em considerações fúteis sobre tangas, fios dentais ou boxers, cintas de ligas ou soutiens de cetim (não gosto de rendas). E como eu estava a dizer, a maneira como escrevo tem uma influência importantíssima no índice de prazer obtido. Mais uma vez: se o consigo fazer bem ou não, não é importante. A escrita, tal como o sexo, é uma coisa que se aperfeiçoa ao longo do tempo. E nem é uma questão de quantidade de linhas escritas. É na realidade uma razão matemática que confronta a quantidade de coisas escritas com a qualidade geral média dos textos. Ou por outras palavras: o número quecas dadas confrontado com o número de orgasmos obtidos por todas as pessoas envolvidas. Qualidade vs. Quantidade. Capisce?

Por isso adoro a blogosfera e tudo o que lhe é inerente. Se não fossem estas coisinhas aparentemente inócuas, grande parte do prazer e crescimento intelectual de que tenho sofrido nos últimos 5 anos nunca teria tido lugar.

Adoro principalmente escrever assim. Só porque me apetece. Nem tinha vindo preparado para isto. Vinha só ver como paravam as modas. Não me controlei e acabei por dar uma pinocada de algumas linhas. E deu-me uma tusa do catano. É isto. É isto a blogosfera. E é mesmo por isto que aqui estou.

segunda-feira, junho 23, 2008

Shaun, the Sheep, by Aardman Studios

Não sei se já tinham ouvido falar do Shaun, the Sheep. Se ainda não ouviram falar, ora aqui está uma boa oportunidade de o fazerem. Outra genial produção dos estúdios Aardman (Wallace & Gromit), é uma série infantil que nos mostra o dia-a-dia de um rebanho de ovelhas deveras peculiar. O cão pastor e o, aparentemente, dono do rebanho compõem o elenco principal. Animação em plasticina ao melhor nível que se pode imaginar. Vi-os hoje no Onda Curta da RTP2 e tenho que vos mostrar isto. Até estou a pensar em postar um episódio todas as semanas, naquela de me armar em canal de televisão com entretenimento de extremo bom gosto.



Shaun, the Sheep - Little Sheep Of Horrors

domingo, junho 22, 2008

O meu Euro 2008 a partir de agora:

Buena Suerte, hermanos!

ou, se as coisas correrem mal hoje,

حظا سعيدا ، الناس من المشرق!



Adenda pós-120 minutos e penáltis: E viva España! Sempre simpatizei com os italianos, mas neste caso fui obrigado a abrir uma excepção. Os espanhóis estiveram do lado de Portugal, agora é justo torcer por eles. Afinal de contas são os nossos vizinhos do lado.

sábado, junho 21, 2008

Elevando o Nível Intelectual com Woody Allen


"(...) - Ok - disse ele. - Flashback para há seis meses atrás, quando o rapazinho da Sr. Endorfina, aqui o Max, andava em bolandas, emocionalmente falando, devido a uma série de atribulações, as quais, contando com a minha boina mal posta na cabeça, não foram de modo nenhum inferiores às de Job. Primeiro uma coisinha fofa da Formosa a quem eu andava a dar um curso de anatomia hidráulica dá-me com os pés, trocando-me por um aprendiz de pasteleiro; de seguida, sou processado numa soma equivalente a muitos presidentes mortos por fazer marcha atrás com o meu Jaguar contra uma Sala de Leitura de Cientologia. Acrescente-se a isso que o meu único filho de um anterior holocausto conubial desiste do seu lucrativo escritório de advocacia para se tornar ventriloquo. Por isso ali estava eu, deprimido e assustado, esquadrinhando a cidade em busca de uma raison d'être (...)"


Woody Allen
in Pura Anarquia
Gradiva Ficção

sexta-feira, junho 20, 2008

Mikroworld de Sam Buxton


Reza a lenda que Sam Buxton, um designer londrino que passou pelo Royal College of Art, quis fazer um cartão de apresentação profissional, como todo o profissional que se preze. Então, em vez de ir a uma daquelas máquinas automáticas de impressão de cartões, desenhou ele próprio um cartão (que, aliás, era de aço inoxidável) que, ao ser dobrado pelos sítio certos, se transformava numa figura tridimensional de um homem sentado num escritório. Ora, que melhor apresentação poderia haver para um designer? Daí a outras experiências de desconstrução-construção de folhas de aço inoxidável, como casas, carros, fundos marinhos ou prédios inteiros, foi apenas um passo. Um longo e extenuante passo. Um passo cheio de paciência e visão. Um passo brilhante.

Há uma exposição (Mikroworld) dos trabalhos do homem na biblioteca municipal de Arraiolos até 29 de Junho. Vão ver que vale a pena. Já lá fui algumas 6 vezes e continuo a ficar embevecido com aquilo tudo. Link

Na mesa de cabeceira...


Depois conto como foi. Já agora, o Leviathan, apesar de não ser o melhor livro do mundo (nem sei se existirá algo parecido) é muito bom. Aconselho. Para ler calmamente sem compromisso.

Ainda assim estamos entre os 8 melhores da Europa

Então quer dizer que Portugal, a aparentemente, toda-poderosa selecção portuguesa, levou nas trombas alarvemente de um bando de teutões mal-amanhados. E foi bem feito! No primeiro golo são vários os erros: quatro jogadores portugueses permitiram que apenas dois alemães passassem entre eles como se fossem espectadores de uma corrida Nascar. Segundos depois, Schweinsteiger (a nossa sexta-feira 13 com pernas, o nosso gato preto de cabelos prateados) está, antes de marcar o golo, a ser perseguido por um defesa (não percebi qual) e há outro que está plantado na área completamente sozinho. Pergunto-me se este último não terá visto o cruzamento ou, se por outro lado, quer ser alemão desde pequenino? Nos outros dois golos foi o que se viu: num, o Ricardo não sai da baliza e sofre um golo; no outro Ricardo sai da baliza e sofre um golo. Depois disso, toda a inteligência portuguesa foi posta em campo: contra uma defesa composta por torres intransponíveis em altura, vá de cruzamentos para a área sem o mínimo critério. Nada de jogadas individuais que perfurem a defesa, nada de velocidade, enfim, nada de usar as nossas vantagens tácticas sobre um adversário pobre em velocidade e técnica. Contra equipas como a Alemanha não se podem sofrer golos e tentar recuperar. Isso é praticamente impossível.

Ainda assim, foi bonito ver os germânicos entrarem em pânico cada vez que Portugal subia com a bola. Entravam em pânico porque não conhecem os nossos índices de estupidez natural. Foi bonito ver a poderosíssima Alemanha defender pontapés de canto com 11 jogadores, tendo eles a vantagem que têm e estando a ganhar por 2 a zero.
Portugal perdeu e perdeu bem. Merecia isso. A derrota, em primeira instância, serve a Alemanha, obviamente. Em segunda, e numa instância bem mais importante, devolve-nos os níveis de humildade que já começávamos a perder. Ser campeão da Europa ou do Mundo não é um caminho fácil nem curto. Não é em seis anos que um país assim, de fracas tradições futebolísticas, se transforma numa potência do futebol. Não, senhor. Mais Cristianos Ronaldos hão-de surgir e outros desaparecer antes de conseguirmos levantar uma taça daquelas. Claro que podem dizer "então e a Grécia?! Merecia?!" não, não merecia. Mas nós não gostamos de coisas assim, fáceis, quase a roçar a cobardia. Saber-me-ia a vinagre uma vitória assim. Uma vitória sem glória.

Scolari despediu-se de forma inglória. Vou ter saudades dele, acho que vamos todos, mas Felipão também merecia esta derrota. Apenas e só pelo facto de depois deste tempo todo ainda não ter percebido que Ricardo só deve ser convocado para jogar contra a Inglaterra.

Godspeed Scolari.

segunda-feira, junho 16, 2008

Se não há é porque não há, se há é o que se vê!

E pronto, o tapete já não está na rua e tudo volta à normalidade. Até mesmo este blog volta à normalidade. Mas antes de mais, antes de fazer a retrospectiva do que foi visto e achado n'O Tapete Está Na Rua 2008 (e não foram só tapetes, garanto-vos), quero desancar alguns leitores deste que abaixo vos assina. Então vocês, meus troca-tintas de meia tigela, depois de vos andar a moer o juízo durante dias a fio para se inscreverem no concurso de fotografia, mesmo assim não o fizeram?! Que raio! Trezentos e cinquenta euros em prémios não são suficientes para tão habilidosos fotógrafos, é? Dez euros será um preço demasiado alto para uma inscrição que até dava direito a uma exposição colectiva (além, claro dos prémios e de um farto jantar convívio)?! Com o devido respeito, sois todos um grande bando de anormais. Se oiço alguém nos próximos dias dizer que "ah, pensava que as inscrições ainda não tinham terminado e não sei quê" juro que o espanco com os quilos de Regulamentos e Fichas de Inscrição que mandei imprimir numa gráfica mais ou menos conceituada. Parecendo que não esta merda deu trabalho a organizar: fazer propostas para aprovação, andar a pedinchar verbas (ou pensam que o dinheiro da inscrição ia chegar para tudo?), compor cartazes e textos de apresentação, fazer um regulamento, arranjar um júri minimamente decente e andar a distribuir cartazes por todo o lado. Tudo para no fim ninguém se inscrever! Parvalhões! Não me enganam outra vez... Não senhor. Para a próxima arranjo maneira de participar também. Adeus e obrigado.


(Prontos, já passou... Mansinho... Mansinho... Lindo menino...)

segunda-feira, junho 02, 2008

Bloguices

O Telmo está a fazer uma private party. Fechou o blog a não-convidados e agora delicia-se com a ilusão de poder provocada pelo facto de ser ele a deixar, ou não, alguém entrar no seu espaço. Delicia-se com a ilusão de ser um porteiro espadaúdo e mal-encarado ao mesmo tempo que a ideia de ser o centro de todas as atenções da festa o faz sentir como a uma estrela na passadeira vermelha em dia de Óscares. E não, eu não estou à porta da festarola de orelhas em baixo a implorar para entrar. Simplesmente passei pelo sítio em questão e o porteiro, carrancudo, pôs-me a mão no peito e disse "só com convite". Encolhi os ombros, soltei um sorriso de desdém e voltei-lhe as costas.

Ora, se eu quisesse fazer uma festa reservada a um punhado de pessoas pura e simplesmente começava a festa sem que ninguém soubesse, exceptuado, claro, os convidados, em vez de fechar uma festa já anteriormente aberta ao público. Mas nunca o faria. Nunca o faria porque vai contra aquilo que eu acho que é a primordial razão de existência da blogosfera: a livre circulação de ideias sem quaisquer barreiras (tirando obviamente aquelas que por uma razão ou por outra têm de ser erguidas, como a moderação de comentários ou verificação de palavras).

Mas talvez isto tudo seja parvoíce minha que ando um bocado rabugento. Talvez, quem sabe, o rapaz até restringiu o acesso ao blog por causa de gente parva e rabugenta como eu. Talvez, quem sabe?

sexta-feira, maio 30, 2008

Memória Fotográfica.Arraiolos - Concurso de Fotografia


Aqui há atrasado tinha escrevinhado aqui mesmo neste tasco que não gostava muito de concursos de fotografia, que eram demasiado subjectivos e que forçavam a criação artística através da imposição de temas (na verdade, não estou muito certo de ter dito isto, mas disse agora). Vai daí, o que é que eu fiz? Isso mesmo: um concurso de fotografia.
Sem tema aparente, apenas com uma condição: as fotografias serem tiradas durante a edição deste ano d'O Tapete Está Na Rua 2008. Pretende-se que os concorrentes se esforcem por contar histórias, no fundo, reportagens e não apenas disparar para o prémio. Durante a semana (de 6 a 15 de Junho) de duração dessa iniciativa, aqui em Arraiolos, não vão faltar coisas para fotografar. Desde reconstituições históricas do fabrico do Tapete, a animações de rua passando mostras de artesanato, feira do livro até aos concertos diários na Praça da vila, com David Fonseca, Clã, Jacinta e uma parafernália de grupos do concelho, incluindo os Terras de Rayo (procurem na barra lateral).

Portanto, se quiserem aparecer e disparar o obturador que nem uns loucos é fazerem-no. As inscrições são feitas na sede da Associação Casa das Artes de Arraiolos, na Rua Alexandre Herculano nº18, e no Posto de Turismo de Arraiolos, na Praça Lima e Brito, para quem não sabe. O regulamento será entregue no acto de inscrição. Os prémio não são passíveis de criar excêntricos mas são qualquer coisa que se veja. Já o preço de inscrição é quase o mesmo da uva mijona.

Já agora, para não correr o risco de levar uns tabefes, este concurso é organizado pela Casa das Artes com o total, mas condicional, apoio da Câmara Municipal de Arraiolos.

Se quiserem mais informações deixem comentário na caixinha criada para o efeito.

Raposas em chamas, internet e Guiness

Os manda-chuvas (tanto sentido que esta expressão tem no dia de hoje) do Mozilla resolveram tentar bater um recorde mundial: o de programa que mais vezes foi descarregado da internet em 24 horas. Espertalhões. Além de fazerem publicidade à sua nova bomba cibernáutica, o Firefox 3, garantem que milhões de internautas usem o software a partir daquele dia. Tenho para mim que neste momento o Internet Explorer sente um friozinho no estômago e as perninhas a tremer.

Já reservei um download para mim. E tu?! É só clicar algures na barra lateral onde diz Firefox 3 - Download Day 2008 e depois na página oficial da iniciativa clicar em Pledge Now. Não tem nada que saber. Engraçado mesmo é descobrir que há 15 pessoas no Lesoto que já reservaram a coisa. No Suriname há 11 e, espante-se, no Cazaquistão há 273 que já fizeram o mesmo. Oh, admirável mundo da raposa.

quinta-feira, maio 29, 2008

De marés e erecções

Em mim a literatura trabalha por marés. Ora baixas, em que mal pego num livro o aborrecimento fecha-me as pálpebras e a falta de oxigénio no cérebro leva-me ao bocejo convulsivo; ora altas, em que a vontade de ler se sobrepõe até às vicissitudes fisiológicas do ser humano. Assim mesmo: nas marés altas a leitura torna-se quase, quase, uma obsessão. Chego a armar-me em Marcelo Rebelo de Sousa e estar a ler três livros em simultâneo (não ao mesmo tempo, mas são três os livros em cima da mesa de cabeceira). Assim mesmo: com sofreguidão, com pujança, com gula. E o que acontece? Tal como um miúdo na alvorada da puberdade, meto os pés pelas mãos, e, sem saber como canalizar tanto "tesão literário", acabo por deixar livros a meio. E isso, já diziam os antigos, é muito, muito feio.

Pois agora a maré está em altas. Ontem, ao deitar despachei dois capítulos deste que aqui em baixo se vos apresenta. Depois deste ainda tenho na ementa uma enorme colecção de clássicos de bolso da Europa-América; O Jogador, de Dostoiévski; Contos, de Kafka; A 3ª Visão, de Rampa; Fúria, de Rushdie e o Cinco Semanas em Balão, de Verne. E, claro, faço intenções de os despachar todos antes desta maré vazar. Terei uma indigestão? Certamente. Ainda para mais porque vem aí uma Feira do Livro. Mas vamos com calma desta vez. A pressa sempre foi inimiga da precisão. Até porque aos 26 anos a perícia em manusear certas ferramentas também já é muito maior do que na puberdade.



terça-feira, maio 27, 2008

Bloguices

Há poucas coisas que me irritem mais na blogosfera do que fecharem blogs. Não sinto pena por nunca mais ler aquele tipo de coisas que me fazia visitar esse blog. Não. Nada de penas. Fico somente irritado. Como quando começamos a seguir obsessivamente a primeira temporada de uma série televisiva para depois descobrirmos, da pior maneira, que o canal de televisão em questão não comprou a segunda série. Ficamos presos. Presos numa espécie de nova realidade, numa espécie de novo mundo em que deixa de existir algo que nos deliciava, nos inspirava, nos relaxava, nos tonificava intelectualmente.

Não percebo como é que blogs como o do Bandeira fecham. Percebo sim que blogs como este mesmo que agora lêem o façam, agora aqueles não. Blogs de individualidades assim, cultas, férteis, criativas e inspiradoras, não deviam, sob pretexto algum, fechar. Alguém que dê um subsidio ao homem, se for preciso. Façam-se petições, desça-se a Avenida da Liberdade de cartazes em punho, faça-se qualquer coisa que obrigue este tipo de bloggers a manter viva a chama que os trouxe até aqui. Façam qualquer coisa, porque eu não faço. Vou ali para o canto, de braços cruzados e sobrancelha franzida, bater o pé um bocadinho.

* * *

Adenda: Menos de 24 horas depois deste post ser publicado eis que mais um teatro baixa a cortina. Temporariamente, diz-se. Seja como for é uma maçada. Mais uma verdadeira maçada a juntar ao extinto Diário, de Tiago Galvão e à Memória Inventada, de Vasco Barreto. Sem links que estou amuado. Negros tempos vive a blogosfera.

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Adenda II: Julgo que o Teatro Anatómico sofre de narcolepsia.

segunda-feira, maio 26, 2008

Idiossincrasias de um Desenhador Projectista

"Conhecer tão bem como a sua própria mão algo que ainda não existe."

* * *

P.S.: Tenho trabalhado que nem um transmontano. E em dois lugares, ainda por cima. Mesmo assim, consegui manter os mínimos olímpicos no que às obrigações matrimoniais dizem respeito. É obra. Quem sofre é o blog, coitadinho. E vocês, assídua meia dúzia de leitores? Não sofrerão também? Nem quero saber. Ele existe e sobrevive por mim e não para vocês. São as idiossincrasias da blogosfera. É assim mesmo a vidinha. Lamento atirar-vos à cara a realidade crua assim, alarvemente, como quem acende um cigarro num avião apinhado de jornalistas e depois pede desculpas em público. Assim mesmo, sem pudor e com muita prepotência.

P.S.II: Adoro fazer P.S.s maiores que o texto principal. Principalmente se durante esse P.S. me subir no sobranceiro pedestal da condescendência e do desdém. Ah, nota muito importante: P.S. significa Post Scriptum, ou algo parecido, e parece-me estúpido explicar para que serve. Não confundam o P.S. deste post (prepotente, condescendente) com o P.S. - Governo (prepotente, condescendente). Qualquer semelhança entre os dois é a mais pura, puríssima, tão pura como a neve, coincidência.

segunda-feira, maio 19, 2008

E agora o Acordo Ortográfico: Propostas

Após um exaustivo estudo da língua portuguesa (com ínsones elucubrações, litros e litros de cafeína e espirros convulsivos provocados pela fauna e flora bibliotecária), e porque estamos à beirinha de assinar um Acordo Ortográfico manhoso, vejo-me na obrigação de propôr algumas alterações além daquelas já propostas pelos meretíssimos catedráticos "palopianos".


Uma dessas pertinentíssimas alterações que proponho, do alto da minha condição de falador de português há mais de 25 anos, é a da palavra "professor". "Professor" não dá jeito. É comprida, e um "éfe" a meio de uma palavra é como um degrau a meio de uma maratona dos para-olímpicos: só atrapalha. É demasiadamente usada e tem a inútil particularidade de ser um título usado antes do que se quer realmente dizer. Além do mais, os maiores utilizadores desta palavra são inerentemente os alunos, que nalguns casos optam por chamar o professor de "setôr" (variável canastrona de "senhor doutor"), estando na grande maioria das vezes errados. O que proponho eu, então? Nada mais do que mudar a palavra escrita para a palavra falada: trocar a palavra "professor" por "prossôr", com ou sem acento circunflexo, dependendo das condicionantes do famoso Acordo. Assim, e seguindo a mesma linha de raciocínio, podemos, e devemos, já que estamos numa de modernizar a língua, mudar a palavra "televisão" para "tuvisão", ou mesmo "programa" para "pugrama", e por aí adiante. É o pugresso, meus caros. É o pugresso.

terça-feira, maio 13, 2008

He's back, Rochemback!


1) Este já está. Falta o Pauleta (!), o Viana e o Caneira. Estou com curiosidade de ver o primeiro finalmente vestir a camisola de um dos "grandes" e não estou minimamente preocupado com a eficácia do homem - depois de Alecsandro, Bueno, Purovic e Tiui só se pode melhorar. Quanto aos outros dois, já era mais que tempo de voltarem para casa e ver se ainda sabem jogar à bola. O tempo passa, não estão cada vez mais novos, o dinheiro não é tudo na vida e, por mais confortáveis que sejam os bancos de suplentes, onde domingo após domingo sentam os vossos rabinhos, ao Sporting fazem falta dentro das quatro linhas. Muita falta. Sobretudo se Moutinho e Veloso emigrarem.


2) A inominável tortura que foi este campeonato finalmente acabou. Porto campeão, Sporting o eterno segundo e Benfica ainda sem argumentos para os ultrapassar. Rui Costa despede-se e deixa o futebol português muito mais pobre e o Benfica com mais inteligência nos corredores do seu politburo. Guimarães, recém-regressado à primeira liga ficou a morder os calcanhares aos "grandes" e está de parabéns, juntamente com aquela criatura que se dá pelo nome de Manuel Cajuda (grande treinador de pequenos clubes). Boavista, campeão em 2001 desce de divisão por ordem do tribunal, enquanto o F.C.P. perde 6 pontos que, por via de Lisandro Lopez e Quaresma, não lhe fazem falta nenhuma. Areia nos olhos dos ingénuos. Não, caros amigos, apesar disto dos Apitos Dourados e Finais, ainda não se fez justiça no futebol. Ah, pois é.


3) Não sei explicar, mas tenho um fascínio desmesurado pelas pré-épocas. As caras novas, as que regressam, as que partem, os novos sistemas, as experiências, as promessas. Isso fascina-me. Prefiro uma pré-época à época de jogo. Prefiro o defeso invernal às semi-finais da Taça. Prefiro o Torneio do Guadiana à Taça da Liga. Não sei explicar, não sei. A verdade é que, para mim, agora é que vai começar a "bola".


domingo, maio 11, 2008

Coisas que gostava de ter se tivesse uma estufa


As Lithops, ou plantas-pedra, pertencentes à família das Aizoaceae, são coisas grotescas. Parecem pedras, de facto, ainda para mais se as encontrarmos no seu habitat natural - os desertos pedregosos do sul de África. E se a encontrarmos num vaso em casa de um amigo - fora da época de floração, obviamente - pensaremos apenas que o rapaz ensandeceu e anda a semear pedras de aparência assaz estranha. A verdade é que, aparentadas com calhaus ou não, as ditas Lithops florescem, no Outono (só para contrariar as modas), dando origem a algo parecido com malmequeres ligeiramente maiores que o corpo da planta. E diga-se, o corpo da planta é mesmo o mais pitoresco do pitoresco ser: é cónico, ou cilindrico, e tudo o que se vê à superfície do solo são as duas grotescas folhas parecidas com seixos. O caule está bem enterrado na areia e não é invulgar as folhas possuirem partes traslúcidas - as chamadas janelas (onde é que terão arranjado este nome?) - para permitir a passagem da luz a partes mais profundas da planta. Cultiva-se facilmente e não requer muita água. O que as Lithops reivindicam mesmo a sério é pouca humidade atmosférica e temperaturas acima dos 10º Celsius.
Pronto, agora só falta encontrar quem me venda, ou ofereça (de preferência), criaturas destas. Se alguém tiver pistas sobre como arranjar Lithops não se acanhe e deixe um comentário no local reservado para esse efeito.

sábado, maio 10, 2008

Publicidade Institucional


"O fundo do poço já não brilha com a lua a cheia, nem bebe do sol a luz que o despertava. Agora é uma lama negra, gretada, uma terra gasta, recheada de folhas podres que o vento perdeu nos seus devaneios.
Habitam-no uma rã velha e uma pequena cobra de água que para lá caiu na última Primavera, no desespero da fuga às garras de um falcão peregrino."


Carlos Canhoto
, com ilustrações de Zé Gandaia: O Monte Secou, editado pela Pé de Página Editores.

Publicidade Institucional


"Em 1640, D João IV é aclamado rei, recuperando Portugal a sua independência. Para a manter era necessário «aparelhar para a resistência» e no Livro das Vereações de 1640-42, pode ler-se:

«1.º - Tratarão de pedir a Sua Magestade, que mande reparar os muros e castelo e barbacã para a defesa desta vila;

2.º - Tratarão de pedir a Sua Magestade que se conserve o castelo com habitação de gente, para que obrigue aos moradores desta vila, aos ricos e abonados para que façam lá casas;

3.º - Pedirão armas, tambores, bandeiras e peças de artilharia para o castelo.»"

Bruno Lopes, O Castelo de Arraiolos, editado pela Apenas Livros, Lda.

terça-feira, maio 06, 2008

Ah, as modernices #2

Via-a no supermercado na secção da miudagem a escolher uns livros pequeninos. "Vais pintar isso tudo?" - provoquei eu apontando para o monte de cores. "Não, é para o J. E não são livros para pintar, pá, são livros para colar autocolantes" - respondeu ela.


Bem, na minha altura havia uma empresa chamada Panini. Graças a ela entrei nas minhas primeiras escaramuças e birras de coleccionador. Exigia nada mais que uma carteira de cromos por dia aos meus progenitores e acrescentava "se podes fumar também posso ter cromos". E bem antes dessa febre autocolante havia os livros para colorir. Tinha-os às dezenas. Pintei quilómetros de arabescos, umas vezes fora das linhas do desenho, outras bem alinhadinhas e outras vezes ainda houve em que o oleado da mesa da cozinha ficava um autêntico Pollock. Depois experimentava diferentes maneiras de pintar mais depressa e sem gastar tanta tinta (sempre fui um amante dos feltros da Molin) e até com as duas mãos. Ainda me lembro do dia em que percebi - ninguém até então me tinha explicado - que as nuvens não eram azuis, mas sim o pano de fundo das ditas cujas. Já foi há muito tempo, porra.


Imagino que a malta da minha geração, pelo menos os que decidiram ser pintores ou desenhadores, tenham começado com esses mesmos livros que eu devorava.
Já os miúdos de amanhã, e graças a estes inovadores cadernos de cromos, aposto que darão excelentes coladores de selos nos CTT. Mas pelo menos as santas mãezinhas deles terão sempre as mesas e as paredes de casa imaculadas, sem um único risco dos inomináveis feltros Molin.

sexta-feira, maio 02, 2008

Classics of Rock & Roll #1



Tutti Fruti, by Val Kilmer in Top Secret
Versão original.

quinta-feira, maio 01, 2008

Vénia sentida a... James Natchwey

Um nome incontornável do foto-jornalismo mundial e como tal farta-se de passear: esteve no Afeganistão, no Kosovo, no Sudão, na Bósnia, no Ruanda, no Paquistão, na Indonésia, na Tchétchenia (que raio de nome), no Iraque e estava em Nova Iorque quando se deu o ataque ao World Trade Center. Um sobrevivente de câmara em punho, portanto. Aliás, reza a lenda que, aquando da invasão americana do Iraque, aqui o nosso amigo Natchwey e um outro chamado Weisskopf, ambos ao serviço da Time Magazine, iam numa bela passeata pelo território babilónico abordo de um lindíssimo Humvee camuflado do exército invasor, quando um indigena atirou uma granada para dentro do dito jipe. Ora, não querendo estragar os estofos do luxuoso jipe - e imaginando que o dono do machibombo se zangaria a sério - Michael Weisskopf ainda conseguiu atirar a granada para fora do Hummer, não evitando que esta, no entanto, explodisse e os ferisse a todos com gravidade. Conta-se - esta sim, é a parte gira - que Natchwey, ensanguentado até aos tornozelos, ainda tirou meia dúzia de fotografias aos paramédicos assistindo os seus companheiros antes de desmaiar. Passados uns meses já estava a bordo de um avião a caminho da Indonésia onde tinha acontecido um certo e terrível tsunami. Homens assim são raríssmos. E homens assim a tirarem fotografias assim tão boas não são raros: são únicos.


Afeganistão, 1996 - Chorando um irmão morto por um rocket taliban


Sudão, 1993 - Vítima de fome num centro de alimentação


Nova Iorque, 2001 - Procurando sobreviventes


Nicarágua, 1994 - Relíquia da Guerra Civil torna-se um monumento num parque

quarta-feira, abril 30, 2008

Ah, as modernices

Já tinha ouvido falar aqui no coisinho. Uma espécie de comunidade onde descrevemos o nosso dia-a-dia, ou pequenas reflexões, ou o que raio nos vier à cabeça, de modo a que o resto da malta nos consiga seguir a qualquer hora do dia. Serve também para promover blogs e tudo o que se quiser, claro. Mas serve, sobretudo, a quem não tem nada para fazer na Web senão cuscar a vidinha alheia. No entanto lá aderi ao coisinho. Já que tenho Hi5 não vejo porque não aderir a isto, e se o Marco e o Aniceto estão a experimentar, porque não fazê-lo também? Logo se vê no que dá. E enquanto não me fartar podem acompanhar a minha alucinante vida através de uma barra lateral que está algures ali à direita, ou então clicando aqui.

Messenger, Blogger, Hi5 e agora Twitter. Ainda me faltam o MySpace e o Orkut para ficar mesmo, mesmo todo modernaço.

Na lista de "Coisas a Ver": Irina Palm


terça-feira, abril 29, 2008

Disclaimer n. 43.819.079

Aqui à atrasado (adoro esta expressão) publiquei um texto a exorcizar todo o azedume que tinha atravessado na garganta sobre a atribuição de um chorudo prémio a um tipo que cortou limousines ao meio e virou crateras ao contrário. Confesso: fui um bocado injusto, tanto com o Miguel Soares (o tipo em questão), como com o juri do tal concurso (BESPhoto). Com o primeiro talvez tenha sido demasiado ignorantemente intempestivo, já com o segundo fui algo benevolente. Eu explico. Talvez Miguel Soares seja mesmo um valente artista. Não dos melhores que já vi, mas não tão mau como eu dava a entender no supracitado texto. É um manipulador de imagens muito competente e um animador gráfico exemplar e tudo e tudo. Pronto, já elogiei o jovem. O que não percebo é como alguém escolhe a série retarC e a série Liine em detrimento das séries Mosaic e Palindrome - estas sim, são daquelas coisas de artista passíveis de provocar um certo grau de embasbacamento a quem as visiona.

Agora a sério: Miguel Soares sabe o que faz. Nota-se já anda nisto de ser artista há tempo suficiente para não ter aquela arrogância estúpida de miúdos que acham que sabem tudo sobre tudo e desatam aos tiros contra tudo - tudo, tudo não, apenas contra algumas coisas - o que não entendem.
Já agora, quero agradecer ao João Caeiro que deixou o seguinte comentário ao tal texto do azedume "http://migso.net/". Só não sei o que ele queria dizer com isto: se era um irónico "Se achas isso, hás-de ver o resto" ou um estalo do género "Opá, tu cala-te e aprende". Seja como for, obrigado João.

Mesmo assim, e se estivesse no lugar dele - do Miguel Soares -, penduraria uma ampliação do tal cheque na minha sala com a inscrição "Ganhei isto sem sair de casa e só mexi a mão direita".

sexta-feira, abril 25, 2008

Entrando no espírito da coisa...


Rage Against The Machine - Freedom

A Galeria também foi actualizada segundo o mesmo contexto: Manisfestação de 28 de Março de 2008

quarta-feira, abril 23, 2008

Quem me dera fazer o mesmo a tanta coisa!

Com excepção de um ou dois momentos no Herman Enciclopédia, este é sem sombra de dúvidas o ponto máximo da carreira de Herman José. A naturalidade com que faz as perguntas da praxe (quem é, de onde vem, o que faz da vida) aos concorrentes enquanto carrega cartuxos de zagalote é sublime.
Vejam e/ou revejam.



O resto do programa em questão está aqui e aqui. Vale a pena ver tudo, acreditem.

terça-feira, abril 22, 2008

Elevando o Nível Intelectual com... Diego Rivera

O Homem, Controlador do Universo - Palacio de Bellas Artes - Cidade do México, México


Nascido Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez, foi pintor (especialmente muralista), comunista (especialmente revolucionário), amante (quem viu o filme Frida sabe do que falo) e bebedolas na quinta casa (viva la tequilla). Pintou mais de quatro quilómetros quadrados de murais um pouco por toda a América, com especial incidência no seu México natal, é claro. Provocou a fúria dos comunistas russos porque se envolveu em políticas anti-soviéticas e pôs Nelson Rockefeller a espumar da boca quando pintou Lenine num mural que ainda hoje era suposto colorir o hall de entrada do seu Rockefeller Center em Nova Iorque. O mural representado ali em cima é, aliás, um remake do mural que Rockefeller mandou destruir por Rivera não querer apagar Lenine. Foi acima de tudo um revolucionário de idéias próprias. Uma autêntica raridade, portanto.


As Mãos Da Natureza Oferecendo A Água (Água. Origem da Vida) - Parque Chapultepec. Cidade do México, México (Central hidráulica de elevação de águas)


O uso de cores berrantes punha-o ao lado dos milenares artistas aztecas, ao passo que as figuras de contornos simples e fortes atirava-o para a Europa cubista/impressionista dominada por Pablo Picasso, Paul Cézanne e Georges Braque. Pintou quase sempre em mural porque achava que a Arte era algo demasiado bom para ficar fechado em galerias ou colecções inacessíveis para a maior parte das pessoas. A Arte seria para todos e não para alguns.
Foi um dos maiores e mais controversos artistas contemporâneos. Morreu em 1957 e deixou-nos centenas de coisas como estas que aqui vêm. Há coisas fantásticas não há?



Pintando um Fresco, Mostrando A Construção De Uma Cidade - San Francisco Art Institute, San Francisco (E.U.A.)

segunda-feira, abril 21, 2008

Leiria 4 - SCP 1: As bestas que há 4 dias eram bestiais e vice versa.

Bom, se é para perder é para se perder como deve de ser! Assim, com quatro bujardas no focinho, isso é que é perder à homem! Abomino quem perde por um golo. Abomino. Significa que a equipa perdedora podia ter empatado e só não o fez porque é suficientemente incompetente para se deixar perder pela margem mínima. Quem está a perder um jogo tem que se lançar para a frente para dar a volta ao resultado mesmo correndo o risco de papar com mais um ou dois. Foi isso que a lagartagem fez ontem e na quarta-feira. Com resultados completamente díspares, é certo. Enfim... That's life.

Por outro lado acho um piadão monstruoso a equipas como a União de Leiria, cuja existência tem como razão máxima 4 jogos por temporada: contra o Sporting e contra o Benfica. Perdem com Desportivo das Aves, Boavista, Leixões e quem mais vier, mas chega o Sporting ou o Benfica e eis que os leirienses levantam a cabeça e jogam como os homens. Acho que devia ser feito um estudo qualquer sobre este tipo de comportamento bizarro.



P.S.: Este está a querer que lhe aconteça o que aconteceu ao outro "iluminado" da opinião pública chamado Rui Santos. Ai está está!

domingo, abril 20, 2008

Cinema: I Am Legend


Já tinha lido muitas críticas a este filme e considerei-as, e ainda as considero, todas válidas. É practicamente um remake hollywoodesco do 28 Dias Depois. Não acrescenta nada de novo: encontramos Will Smith a viver numa Nova Iorque tão deserta que o homem passa os dias a caçar veados na 5ª Avenida a bordo de um Mustang GT500, com a preciosa ajuda da sua cadela Samantha. Tudo porque alguém tentou curar o cancro e criou um vírus, que através de algumas mutações, infectou a população humana tornando-os numa espécie de cães de caça raivosos e sensíveis a raios ultravioletas. Não vou contar o resto da história para não estragar a coisa a quem não viu. Mas estamos aqui é para criticar, portanto vamos a isso: os monólogos de Smith com os manequins que ele próprio planta no videoclube são deliciosamente tristes - mostram um homem extremamente carente de contacto humano, muito, muito perto da loucura - e são bastante verosímeis. Os humanos infectados, apesar de serem demasiado computorizados também parecem verosímeis, se considerarem Gollum verosímil. O que não é verosímil de certezinha absoluta é haver alguém que, ao conhecer o som de Damien Marley, nunca tenha ouvido falar do pai Bob. Só por isso, e pelos fracos efeitos dos humanos infectados, leva um 2.5 em 5 pontos possíveis. Mas não vão por mim. Vejam o filme, se não viram, e digam-se o que acharam. Não é uma obra prima, mas há muito pior por aí espalhado.

sábado, abril 19, 2008

Novidades na Galeria

Para muita gente não é segredo nenhum: tenho uma paixão assolapada pela Sónia Tavares dos The Gift. Não sei se é a expressividade ou a voz, a verdade é que a rapariga caiu-me no goto logo depois de ver a primeira versão do videoclip de Ok, Do You Want Something Simple?. Sim, existe uma primeira versão, esta é a segunda. Já agora, se alguém souber onde poderei arranjar essa primeira versão que me diga, sim? Oferece-se recompensa. Como eu estava a dizer, a rapariga caiu-me no goto há muito tempo e agora, finalmente, lá consegui sacar-lhe umas fotografias decentes. Sei que haverá mais oportunidades, mas por enquanto contento-me com estas. Aos interessados em verem essas tais fotografias, é só clicar ali ao lado, no botão da Galeria.

Disclaimer: Estava a cerca de 30 metros de distância, com a luminosidade típica de concerto, e com a minha 70-300 com f/3.5 esticada ao máximo - o que fez subir o f/stop até 6.3 -, ISO 400 e uma velocidade de 1/100 ou 1/60 de segundo. Estarem a ver qualquer coisa já é por si só um quasi-milagre.

sexta-feira, abril 18, 2008

BESPhoto, ou como desperdiçar dinheiro dos accionistas

Tenho para mim que os concursos de fotografia, segundo os parâmetros mais usados, são uma autêntica treta. Antes de mais, e porque dependem do julgamento de um punhado de pessoas escolhidas para esse efeito, são subjectivos. Não duvido que haja por esse mundo fora muito juri sem gosto estético nenhum, ora, sendo o próprio gosto subjectivo, qualquer escolha é, portanto subjectiva. Depois porque, quer queiramos quer não, há influências de lobbys. Sejam esses concursos de pequena ou grande dimensão, o lobby está lá para apadrinhar e dar palmadinhas no rabo a um ou dois concorrentes "especiais".


Recentemente, num concurso chamado de BESPhoto, foram atribuídos 25 mil euros a um conjunto de fotografias de crateras viradas ao contrário e mais umas de limousines. As fotografias das ditas crateras nem sequer foram tiradas pelo artista vencedor (segundo o próprio, alugar um helicóptero para fotografar as crateras teria sido um desperdício de meios - então o que será dar 25 mil euros a um gajo destes?!) e não sei se as das limousines o foram. O que importa aqui é que o vencedor, que apesar de ter um curso de fotografia não pratica, arrebanhou 25 mil euros a outros que fotografam, em trabalho ou por simples gozo. Este texto explica melhor esta situação. Claro que esta causa "pseudoartística" tem apoiantes. Há quem diga que o convencional é aborrecido e que as fotografias em causa são tudo menos convencionais; que o concurso em causa não é um World Press Photo e portanto não estava a concurso a fotografia documental. Tudo bem. Querem fotografia não documental e pouco convencional? Então tomem lá: Cristina-O. Por exemplo. E se nos passearmos pelo deviantArt, 1000imagens ou Olhares vamos encontrar centenas ou mesmo milhares de artistas assim, não documentais, pouco convencionais e bem mais... enfim, artistas. Então porquê doar - porque considero uma doação e não uma atribuição - 25 mil euros a um gajo que saca fotos do Google e as vira de cabeça para baixo?! Se é para continuar com essa palhaçada, uma vez que já é a quarta edição, mudem o nome do concurso para, sei lá, BESPseudoPhoto ou algo do género.



Não é novidade nenhuma, tenho algumas fotografias minhas - tiradas por mim - emolduradas e penduradas no meu quarto. Por vezes, não tantas vezes assim, olho para elas e digo para mim mesmo "porra, pá, tu até tens jeito para esta merda". Pergunto-me se Miguel Soares (o tipo em quem tenho estado a descascar) tem alguma dessas crateras emoldurada e pendurada na sala. Imagino que não. Creio piamente que no lugar das "suas" fotografias deve ter antes uma ampliação do tal obeso cheque.
Era o que eu fazia.

quinta-feira, abril 17, 2008

The Gift + Orquestra Metropolitana de Lisboa, cortesia da CGD


Pelos vistos os bancos não servem só para depositar dinheiro, também servem para organizar bons concertos. Este foi um desses casos. Apesar de ser de entrada livre, o aparentemente simples acto de reservar bilhetes para o dito espectáculo tomou contornos épicos (lugares muito limitados e uma expectante audiência), mas a coisa lá se arranjou. A sala do dito não também augurava um grande concerto: a Arena de Évora, ao contrário do Campo Pequeno, não é tão versátil ao ponto de permitir grandes espectáculos musicais. Mesmo assim lá fomos. Orquestra no sítio. Entram os Gift e siga a música.

Poder-se-ia pensar que o facto dos Gift se terem juntado a uma orquestra era um óbvio sinal da exaustão da banda, ao estilo de Xutos & Pontapés, G.N.R, Scorpions e derivados. Mas não. Neste caso em particular não foi uma orquestra adaptada aos Gift, mas sim uns Gift diferentes, orquestrados, como uma extensão erudita do estilo demarcadamente pop-electrónico do grupo de Alcobaça. Quero com isto dizer que The Gift e a OML combinam tão bem como um CD de Postishead numa noite chuvosa enquanto se conduz languidamente por uma estrada deserta, ou pelo contrário, um concerto de Jamiroquai numa tarde de sol. E foi mesmo assim, dependendo das diferentes músicas: umas mais intimistas, outras declaradamente dançáveis, mesmo com orquestra, mas todas de uma grandiosidade assombrosa.

Nuno Gonçalves, sempre muito atarefado entre piano, caixa de ritmos, sintetizadores e acordeão, entre os quais ia saltitando alegremente, agradecia com toda a certeza o enxerto de mais um par de braços. Sónia Tavares esteve, como sempre, igual ao que se conhece: dança, faz caretas, arranca gargalhadas à audiência e canta que se farta. Tudo, claro, envergando mais um daqueles vestidos saídos de filmes timburtonianos.

Em suma, foi uma excelente noite de domingo. Parabéns aos Gift, à Orquestra Metropolitana de Lisboa e um muito obrigado à Caixa Geral de Depósitos. Não sei porquê, parece-me um bocado estúpido estar a agradecer a um banco, mas desta vez merece.


P.S.: Em tempo oportuno publicarei na Galeria algumas fotos dessa noite. Apenas aquelas que a distância e a fraca iluminação não estragaram, claro.

Terragen: criando mundos em menos de 7 dias


Conheci através do Obvious, como aliás conheço grande parte das coisas que a minha sagaz curiosidade me leva a procurar, uma pequena peça de software que permite gerar imagens foto-realistas de paisagens, sejam elas aparentemente terrestres ou de mundos nascidos da profunda imaginação humana. De básica utilização (não são necessários quaisquer conhecimentos de design gráfico), tem no entanto inúmeros parâmetros personalizáveis como os quais podemos brincar até eventualmente sair o que pretendemos. A texturização, quer da água quer da terra, é francamente aceitável e rápida, sendo ligeiramente mediocre a das nuvens, talvez porque não usei nenhum dos inúmeros plugins que existem a flutuar no ciberespaço (calculo que algum geek já tenha tratado do assunto). A verdade é que o programazito faz umas coisinhas engraçadas que, obviamente, vão ficando gradualmente mais engraçadas consoante as o tempo dispendido à volta do dito cujo. Chama-se Terragen, ocupa menos de 10 megabytes e aquela imagem que está ali em cima foi feita por mim ontem à noite em 15 minutos: 7 para a construção, 8 para renderização, bem menos do que Deus-Nosso-Senhor-Todo-Poderoso. A quem gostar de brincar com estas coisas, faça o favor de visitar o quartel-general do brinquedo.

5-3

Há qualquer de especial quando Sporting e Benfica se defrontam para a Taça de Portugal. Sente-se à partida um clima de final antecipada, de clássico intemporal com um longo historial de derrotas e vitórias que se perde na bruma dos tempos. Um clássico é sempre um clássico. Mas não há equipas que consigam fazer aquilo que Sporting e Benfica conseguem. Por pior que seja o momento de forma de cada uma das equipas o jogo será sempre, sem sombra de dúvida, emocionante. Daqueles de que se fala durante anos. Daqueles autenticamente lendários. Como se os fantasmas das antigas glórias de ambas as equipas tomassem de assalto os espíritos das actuais estrelas e os inflamassem, como se tornassem unos, como se não fosse só Liedson e Djaló mas sim Liedson e Yazalde, Djaló e Jordão, ou Di Maria e Eusébio, Rui Costa e Coluna. Há mesmo qualquer coisa especial quando até Nuno Gomes consegue marcar um golo de bonito efeito, ainda que simples, como nos velhos tempos pré-Fiorentina.
O facto de haver vencedor e vencido depois de um jogo assim é apenas um pormenor, uma simples nuance burocrática: alguém tem de perder. Mas soube tão bem gritar aqueles cinco golos! Alguém tem de ganhar. Ontem calhou ao Sporting. Só porque o Benfica não "nos" conseguiu levar para os penáltis. Aí a história era outra.

sábado, abril 12, 2008

À falta de melhor dou-vos música!


The Gossip - Listen Up (Radio Edit)

Esta Beth Ditto é cá uma personagem! Sim, Beth Ditto é aquela criatura com um vestido de lantejoulas a cantar em cima do balcão. E sim, é dela a voz dos Gossip. E que voz.

quarta-feira, abril 09, 2008

Gregos e troianos - a eterna luta de galos

Diz-se que não se pode agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo. Quer isto dizer que a cada cabeça pertence uma sentença e que na maioria dos casos diferem entre si. Há no entanto, num pequeno país de brandíssimos costumes, um canal de televisão que testa a veracidade do tal aforismo que opõe as finíssimas opiniões gregas aos bitáites troianos. E fá-lo (não sei porquê soa-me melhor a conjugação saloia fázio) colocando na grelha de programação para o mesmo dia programas para gente informada (Sociedade Civil, EuroNews, Eurodeputados, Universidades); programas para gente curiosa (National Geographic); programas para cinéfilos (Bastidores); programas para gente de palmo e meio (Zig Zag); programas para gente bem disposta (Dois Homens e Meio, Friends); programas para gente do desporto (Ténis 19º Estoril Open); programas para beatos e beatas (A Fé dos Homens); programas para aspirantes a dealers (Erva) e, finalmente, programas para debochados (Californication).

Ora, se mesmo assim os paneleirotes dos gregos não se entenderem com os marialvas dos troianos e continuarem às turras por dá-cá-aquela-palha não sei o que mais se poderá fazer. No meio não me meto eu.

* * *

Já que estamos a falar disto: na próxima Sexta-feira, Joe Satriani ao vivo na RTP2. À 1.30 da madrugada. Som bem alto, por favor.


Joe Satriani - Summer Song

Rabbit hole

Acabou de acontecer! Por um momento a realidade, ou aquilo que consideramos realidade, fundiu-se com a realidade existente na Caixinha Mágica. Por um singelo momento abriu-se um portal ectoplásmico, uma espécie de toca do coelho da Alice no País das Maravilhas, entre duas dimensões separadas por elementos bem físicos: a televisão e o real. Eu explico. Estava, e estou, a ver o Dois Homens e Meio na RTP2. Nisto, o sobrinho de Charlie Harper (Charlie Sheen) diz-lhe que encontrou uma página no Google sobre ele. Vai daí, entro no Google, escrevo Charlie Harper e voilá!

Qual é a admiração, pergunta o caro leitor. Nenhuma, mas foi um momento peculiarmente engraçado. Contado assim não tem grande piada, realmente.

(Sou tão patêgo que até irrito.)

segunda-feira, abril 07, 2008

Sensuality & Divinity



A Dança do Oráculo in 300

A melhor sequência visual do Cinema de 2007. Digam o que disserem. O que me faz espécie é como é que a homossexualidade entre os gregos imperava quando havia moças assim e ainda por cima a dançar desta maneira. Ah, já agora fica a informação: a menina chama-se Kelly Craig e tem as divinais medidas de 81-64-89. Não é perfeita perfeita, mas a perfeição é constantemente sobrevalorizada.

quinta-feira, abril 03, 2008

Vá de música para variar


Jamie Cullum - I Get A Kick Out Of You

E ainda o futebol...

Pode ler-se no Diário de Notícias de hoje que Cristiano Ronaldo foi ameaçado pelos seus "colegas" do A.S. Roma. Os jovens sentem-se humilhados e querem fazer-lhe uma "surpresa" no jogo da segunda-mão em Old Trafford. Antes de mais, ragazzi, a inveja é uma coisa muito feia. E se se sentem humilhados não o sintam por Cristiano Ronaldo ser um portento futebolístico e ter gozado convosco à grande: sintam-se humilhados por se sentirem humilhados. Se se sentem assim porque um vosso colega de profissão teve a determinação suficiente para tentar ser o melhor do mundo são estúpidos demais, até mesmo para o futebol. Deviam sentir-se assim por não terem tido essa determinação. Deviam sertir-se envergonhados e não humilhados. Deviam compreender que nem todos os jogadores são piores que vocês e deviam compreender também que por vezes aparecem génios, e esses sim deixam-vos, a vocês e à maioria, a milhas e milhas de distância e não há nada a fazer. Podem tentar lesioná-lo, sim. Mas já viram bem aquele cabedal? E mesmo assim se isso não vos demover pensem que atentar contra a integridade física do melhor jogador da melhor equipa inglesa, e principal candidato a melhor jogador do mundo, durante um jogo sancionado pela UEFA não será uma coisa muito inteligente. Ainda para mais porque primeiro fizeram ameaças. Se querem bater no miúdo façam-no e não andem para aí armados em queixinhas "Ai, ele fez aquela finta que nós não conhecemos! Isso é batota! Rebenta a bolha!"... Que figurinhas tristes.


P.S.: Não sei se já falei nisto, mas viram o golo do Deivid ao Chelsea? Foda-se, que grande golo.

It's not over until I say it's over...

"Se ganhasse o Euromilhões não deixaria de trabalhar: dedicar-me-ia de corpo e alma ao blogue. Seria esse o meu trabalho. Como o mundo é cruel e não é o blogue que me ajuda a sustentar a família, o Egosciente sofre bastante quando tenho muito trabalho.
Fases destas acontecem em todos os blogues, mas nunca tive um período tão apagado como este – já se notara em Fevereiro, notou-se ainda mais este mês.
Já deve ser a terceira ou quarta vez que escrevo um post para me justificar e pedir desculpa pela escassez de actualizações. Não gosto disso. Que não está a ser actualizado como dantes já vocês estão fartos de saber. Que eu lamento que isso aconteça é normal. Mesmo assim senti obrigação de me repetir.
Tenho observado noutros blogues que esse tipo de posts geralmente significa que se está a chegar ao fim. Quando os bloggers começam a engonhar, é sinal de que o entusiasmo dos primeiros dias esmoreceu e já não resta energia para prosseguir.
Nem sempre dei pulos de entusiasmo em cada dia destes últimos três anos de blogue, mas passei óptimos momentos e custa-me ver o Egosciente tão «abandonado».
Verei como correm os próximos dias. O pior que pode acontecer é eu largar o Egosciente e pedinchar um lugar como blogger convidado do Obvious. Talvez amanhã eu reveja este texto e pense para mim próprio: «Idiota. Devias era dormir em vez de escrever mais disparates». Seja como for, obrigado pela paciência. Vamos lá ver se consigo atinar."

Originalmente escrito por Marco, no Bitaites.

Claro que substituí a palavra Bitaites por Egosciente, mas de resto subscrevo esta conversa toda, até porque não faria melhor, por mais que tentasse. E como não tenho tempo para tentar sequer, mais vale roubar alarvemente estas pérolas que vão sendo deixadas a flutuar no ectoplasma cibernáutico (riso sinistro)!


P.S.: Que grande golo que Deivid marcou ao Chelsea. Mas porque raio é que ele não fazia aquilo quando estava no Sporting?! Mas que grande golo, sim senhor. Se não viram deviam ter visto.

quarta-feira, março 26, 2008

Será que alguém percebe?

Porque eu não percebo de certeza. Já dei voltas e voltas ao miolo e mesmo assim continuo sem perceber. Continuo sem perceber porque é que Scolari não convoca Ricardo apenas e só para jogar contra a Inglaterra... Não percebo, juro que não percebo.

terça-feira, março 25, 2008

Rock & Sensuality


Garbage - I Think I'm Paranoid (1999)

On its way...

Cinquenta milimetros de ângulo é pouco, eu sei. Mas 1.8 de abertura é o mais perto que uma máquina fotográfica pode estar da "visão" de um morcego... Por 150 euros, é claro. Houvesse uma maior abundância monetária e seria esta lente que estaria a caminho. Os meus pais também já me disseram que mais vale comprar um carro, mas mesmo assim continuo a achar que a minha humilde D70s gasta menos aos 100. E tem todos os extras.

segunda-feira, março 24, 2008

Mitologia para principiantes

Sísifo, por ser um chibo de primeira água e por ter enganado Tânatos (a Morte) umas quantas vezes, foi condenado por Zeus, o implacável e supremo juiz, a carregar uma enorme pedra para cima de um monte durante toda a eternidade. Isto tem muito mais piada tendo em conta que cada vez que Sísifo estava perto do cume a pedra rebolava invariavelmente até ao ponto de partida e o pobre Sísifo, depois de comer uma buchinha e fumar um cigarrinho, lá ia outra vez começar tudo de novo na vã esperança de um dia o raio do calhau conseguir chegar lá acima. Ora, não há registos que isso alguma vez tenha acontecido. O que aconteceu mesmo foi que Zeus, na sua infinita sabedoria, deu-lhe uma abébiazinha não isenta de humilhação: obrigou Sísifo a usar um penteado ordinário e a treinar o Sporting Clube de Portugal a coberto de uma identidade falsa. Aposto que desde Sábado passado anda pelo chão do seu Olimpo a rebolar de tanto rir.

* * *

Comentário recebido via e-mail:

"Chaval farto-me de rir a ver as tuas divagações futebolisticas no blog, és o Poncio Monteiro dos lagartos de certeza (...)"

Acreditem, vivo para estas merdas.

quinta-feira, março 20, 2008

Outra fita de 2008 - 10.000 AC


A maior parte da crítica arrasa este filme. Mas é preciso ter calma. Antes de mais há que referir duas premissas que o leitor deve ter em conta antes de ver o filme, este ou outro qualquer: primeiro, nem todos os filmes podem ser obras de arte clássica. O Cinema seria a expressão de arte mais aborrecida do mundo se todos os filmes fossem clássicos suecos dos anos 70 ou fossem realizados por discípulos de Manoel Oliveira; segundo, a menos que o filme tenha um rótulo a dizer "Documentário" não é, portanto, um documentário, sendo acima de tudo uma obra de ficção (inspirada em factos reais ou não) onde o realizador tem toda a liberdade de contar a história como bem entender. E se lhe apetecer misturar mamutes com civilizações pré-colombianas pois que os misture, se for essa a sua vontade.
Também não vejo problemas nenhuns em terríveis avestruzes carnívoras que trepem árvores: ora se os bichos em questão vivem num habitat apinhado delas é lógico que estejam habituadas as perseguir presas árvores acima, ou não?

Outra questão de credibilidade apontada pelos críticos é a questão espaço-tempo. Segundo eles, os iluminados críticos, os críticos-messias que vêm salvar a humanidade da ignorância, D'Leh, o herói atravessa montanhas, uma savana e uma selva tropical no espaço de poucos dias quando deveria demorar meses. Bem, claramente quem diz isto nunca ouviu falar na Patagónia ou no Chile onde convivem as mais frondosas florestas com as mais íngremes montanhas que por sua vez convivem com os mais desolados desertos numa área pouco maior que a França e a Itália juntas. Um desses críticos, um desses génios, chegou mesmo a dizer que a Idade do Gelo é mais verosímil que o 10.000 AC. Ora se isto não é ser estúpido que nem uma porta não sei o que será. Apesar de o senhor em causa poder estar certo são coisas que não se dizem pela simples razão de que induz o povinho em erro. E porquê? Porque na Idade do Gelo há marcadas referências à Evolução de Darwin e a acção localiza-se numa altura precisa da História enquanto 10.000 AC não tem nada disso! É um obra de ficção, raios! Aliás, o título só serve para dizer ao público que a acção decorre antes do nascimento de Cristo e, tanto quanto se sabe, até podia ser durante o ano do seu nascimento. Havia pirâmides a serem construídas nessa altura. Ainda havia, e há, tribos caçadoras-colectoras que viviam, e ainda vivem, perto de civilizações muito mais avançadas. Sobretudo nesta parte não vejo qualquer vacilação no índice de verosimilhança.
O que já não deveria haver mesmo era tigres dentes-de-sabre e mamutes. E o que não havia de certeza, mas de certeza mesmo, era tribos de caçadores-colectores a falarem um inglês perfeito. Frases simples, atestando, aliás, a pobreza dos diálogos. Uma vez que só uma tribo e mais um personagem falam inglês, todas as outras têm o seu dialecto, comum ou não, não se percebe porque não puseram essa tribo e o outro bacano a falar um dialecto diferente. Acho que este é mesmo o ponto mais desfavorável da coisa.

Resumindo: é um filme razoável, longe de vir a ser um clássico. Visualmente grandioso sem ser demasiado ostensivo. A história tem lacunas mas nada de muito grave; é uma história leve, sobre coragem, sobrevivência e amor, com profecias, atlantes fascistas, mamutes e tigres dente-de-sabre à mistura. É muito bom para uma tarde de domingo: 3,5 em 5

quarta-feira, março 19, 2008

Parabéns ao Hot Clube Portugal

Sessenta anos de existência é obra. Tendo em conta que sobreviveu a uma ditadura fascista, que desprezava o jazz como a um cão sarnoso, os 60 anos do Hot Clube, o clube de jazz mais antigo do mundo, ficam ainda maiores. Parabéns então a João Vilas-Boas, o fundador, o sócio número 1, e a todos os que lá tocaram, aos que lá se embebedaram, aos que lá fornicaram, aos que lá se drogaram, aos que lá estiveram ou mesmo àqueles que ficaram à porta, no nº39 da Praça da Alegria em Lisboa. Parabéns a todos, principalmente ao que os une e à essência do Hot Clube: o jazz; essa música de selvagens alucinadamente geniais.




Miles Davis at the Isle Of Wight (1970) - "Call It What You Like" *

(*): Quando perguntaram a Davis o nome da música foi precisamente esta a resposta dele.
Note-se ainda presença em palco da divina constelação do jazz: Keith Jarret, Chick Corea, Dave Holland, Airto Moreira, Jack DeJohnette e Gary Bartz.

Obituário: Arthur C. Clarke (1917-2008)

Escreveu, escreveu, escreveu. Projectou, criou e sobretudo imaginou. Pouco interessa o que fez quando comparado ao que a sua imaginação era capaz de criar. Como obra máxima dessa incansável imaginação deixa-nos a maior aventura de sempre: a viagem da própria humanidade em 2001: Odisseia No Espaço, que saltou para a tela de cinema com um valente empurrão de Stanley Kubrick. E por fim lá vai ele. Do Sri Lanka em vivia desde 1956 em direcção às galáxias distantes, aos planetas exóticos, às supernovas, aos quasares, aos pulsares e aos cometas radiosos que sempre giraram por detrás daqueles olhos penetrantes cheios de Tudo. Cheios com o Universo, cheios com Vida.

terça-feira, março 18, 2008

Entrando no espírito da coisa...

"Oh captain, my captain"

Ao ser-lhe atribuída a braçadeira de capitão em tão tenra idade poder-se-ia pensar que o jovem, por ser tão jovem, soçobraria debaixo do peso da responsabilidade de ter de capitanear um símbolo como aquele. No entanto o jovem não soçobrou; muito pelo contrário: cresceu. O jovem fez-se um homenzinho, pequeno de tamanho mas gigante em futebol, em garra, em vontade. O jovem tornou-se, na sua essência, um verdadeiro capitão.

Lembro-me do que suou para tentar fazer esquecer Fábio Rochemback, outrora patrão indiscutível das lides centrocampistas do Sporting. Já na altura comovia pelo seu empenho com apenas 18 anos. Lembro-me que chegou a fazer duas épocas em que jogou todos os jogos a titular e sem ser substituído. Sacrificou-se inúmeras vezes pela equipa, levou porrada de criar bicho, jogou em posições menos confortáveis mas deu sempre, sempre o litro. A jogar a trinco desaparece, nem se dá por ele. Nem por ele, nem por grande parte do meio-campo adversário. A extremo falta-lhe a velocidade de Pereirinha, mas sobra-lhe a visão de jogo, os passes certeiros e as desmarcações tão brilhantes e improváveis que só Liedson, o velho Liedson, as entende e prevê. Mas a "número 10", meus amigos, a "número 10" é um verdadeiro luxo. So lhe faltavam os golos. Aqueles golos cheios de classe típicos de um centrocampista experiente. Faltavam. Pretérito perfeito. Ontem apareceu um desses. Muita calma, muita classe no canto da área. Um breve olhar. Balanço no pé direito. Peito do pé na bola e aí vai ela. A rodopiar, a rodopiar, a rodopiar e, perante o olhar atónito do guarda-redes, o golo. Euforia. O sorriso rasgado de um miúdo que acaba de mostrar aos graúdos que já sabe fazer umas coisas engraçadas como eles. O miúdo-capitão está crescido, caramba!

Depois de Figo e Rui Costa duvido muito que João Moutinho não seja o "número 10" que a Selecção Nacional tanto precisa. Não há, meus caros (exceptuando os supracitados "cotas"), nenhum médio atacante português a jogar tanto e tão bem como o puto Moutinho. Não há! E a quem disser o contrário chamo-lhe logo ignorante, energúmeno, herege e borra-botas, e não necessariamente por esta ordem.

domingo, março 16, 2008

As Titubeações de Óscar #4

"O meu tio tem para aí uns 200 patos. 50 são patas e o resto são gansos."

sábado, março 15, 2008

Beauty & Talent



The Corrs - Forgiven, Not Forgotten - MTV Unplugged

quarta-feira, março 12, 2008

3 Visões de 1 Som

Para algumas pessoas já não é segredo nenhum que adoro esta música. Não sei porquê, simplesmente há músicas que me caem no goto e esta é uma delas. E como me caiu no goto a mim, caiu no goto de muita gente. Se desconfia do que digo preste bem atenção ao que se passa aqui por baixo. Ah, já agora, esta música que me caiu no goto tem como título Baba O'Riley e é um original dos The Who datado de 1969. Nota: a expressão "cair no goto" acabou de me cair no goto.

A versão original (reparem bem nos penteados):




A versão dos Blue Man Group (sim, eles outra vez):






A versão dos Pearl Jam (Vedder e o seu instinto suicida)

Clicar acima para ver o vídeo (Embedding disabled... Grrrr!)


Palavra de que gosto*: Lupanar

do latim lupanar (que supresa); substantivo masculino (ah pois é, pensavam que era um verbo, não?) e significa nada mais, nada menos que:
  • Casa de protituição;
  • Bordel;
  • Alcoice (também gosto desta);
  • Prostíbulo (adoro esta).

(*): Apesar de não ser muito frequentador

terça-feira, março 11, 2008

Momento YouTube

Para quem ainda não viu, para quem viu mas não percebeu tudo e para quem viu, percebeu tudo e quer ver outra vez: Achmed the dead terrorist, agora com legendas.


Mitologia para principiantes

Zeus, por razões que agora pouco interessam, condenou Prometeu a 30.000 anos de tortura ínfame: foi acorrentado no cume do Cáucaso enquanto todos os dias uma águia depenicava o seu imortal fígado (estes deuses antigos eram eram levados da breca). Faz lembrar um certo Camacho cujo fígado também foi ignominiamente torturado por águias. Foi apenas por uns meses, mas acredito que seja coisa para aleijar.
Resta saber se Zeus Filipe Vieira vai continuar teimosamente a condenar mais titãs ao excruciante sofrimento de tentar ensinar Bynia a jogar futebol.

segunda-feira, março 10, 2008

Publicidade Institucional


À primeira vista não se nota, mas aqui este vosso fiel escriba, video jockey e fotógrafo também participa nesta exposição. Vá, a despachar que daqui a pouco já não há! Acaba dia 20... sim, dia 20. O quê?! Tão pouco tempo?! E o que queriam vocês?! Isto não é o CCB, pá! Vá, a despachar!

Momento "Ponham os olhos nisto!"

Aqui há uns dias mostrei um vídeo da Quercus atulhado da boçalidade campónia que caracteriza, aliás, grande parte da população portuguesa, onde se apelava, entre outras coisas, a suster os gases intestinais sob pena de aumentarmos inusitadamente o degelo das calotes polares. Pois é meus eco-parvalhões, sabiam que há maneiras bem mais inteligentes de fazer passar mensagens "verdes" sem usarem a palavra "bufa"? Já que não são homenzinhos o suficiente para abordarem petroleiros nem paralisarem aeroportos ficam aqui com um exemplo do que se pode fazer usando as vossas cabecinhas oleosas sem insultarem a inteligência das pessoas:


by The Blue Man Group

Benfiquismos e Sportinguismos

Camacho desistiu. Paulo Bento não. Camacho deixa a Luz com o Benfica em 2º lugar. Paulo Bento fica em Alvalade com o Sporting em 5º e com possibilidades de descer ao 6º ainda hoje. Camacho achou que não tinha condições para continuar. Paulo Bento continua a achar que tem todas as condições para continuar a lutar pelos objectivos que lhe restam.
E tem toda a razão. Tem toda a razão porque conhece a capacidade de luta e de entrega dos seus jovens jogadores. Já Camacho sabe mais que ninguém que se houvesse uma briga de taberna entre ele e um grupo de arruaceiros apenas poderia contar com Rui Costa para o ajudar já que o mais certo seria uma debandada geral, qual manada de gnus em pânico (sim, gnu quer dizer Bynia).

Numa altura em que praticamente não faz sentido falar em "amor à camisola" é importante falar em espírito de sacrifício e entrega. Paulo Bento sabe que pode contar com o seu balneário. Camacho sabe que não pode contar com o seu. Por isso saiu. Saiu porque o benfiquismo dos seus dirigentes não conseguiu passar para os seus jogadores. Já Paulo Bento, assumido benfiquista, é um dos maiores sportinguistas que o mundo já viu nascer, e conseguiu, e consegue, transmitir isso aos seus jogadores: "Esforço, dedicação, devoção e glória". Ou pelo menos grandes esperanças.

domingo, março 09, 2008

Parecendo que não...

Este blog cumpriu dois anos de vida há precisamente um mês, dois dias, duas horas e dezassete minutos atrás.
Nem se deu por isso, vejam só.

Parabéns a nós.

sábado, março 08, 2008

Espreitadela

Olá.
Não, não morri.
Não, também não estive no hospital.
Não... Não fui preso.
Ainda aqui estou, mas sem tempo nenhum para abrir a taberna nem para visitar a vizinhança.
Aos dois ou três que aqui vêm, as minhas desculpas.
E já agora que aqui estou aproveito para vos dar música.



The Levellers - This Garden

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Another One-Hit Band: New Radicals



You Get What You Give - New Radicals (1998)