sexta-feira, novembro 21, 2008

A morte da Byblos

Quando, há uns anos atrás, andava a espiolhar a web à procura de uma alternativa viável à fnac on-line que me permitisse o fornecimento ocasional de livros dei de caras com a Byblos. Fiquei boquiaberto, confesso. Tinha tudo o que eu queria e mais barato que as alternativas. Um oásis. Custou-me acreditar que aquilo fosse mesmo de origem portuguesa. As encomendas chegavam a horas e em excelentes condições. Porreiro. E agora afundou-se. Agora vemos o engravatado administrador dizer a meio do Jornal da Noite que o "sonho se transformou em pesadelo". Junta-te ao clube, pá. Senti alguma pena, no entanto. Pensei que o mundo das compras on-line ficara bem mais pobre. Mas vamos lá ver uma coisa. Pára tudo. Então, mas a líder de vendas on-line, a livraria que quebrou barreiras, que usava armazéns mecanizados, que era um farol no meio da tempestade de livrarias on-line rascas rebentou porquê? O Pedro Vieira explica porquê. Ele, que pelos vistos esteve no epicentro de tudo o que se passava na Byblos, explica o naufrágio timtim por timtim. E é pena que um excelente navio com um plano de navegação tão bom seja engolido por um mar de sargaços que os seus próprio capitães criaram.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Coisas da Web

A Wired, para quem não sabe, é uma aclamada e bastante competente revista sobre ciência e outras coisas relacionadas com ela. O quê? Não há nada relacionado com ciência que não seja ciência? Pronto, então é sobre tudo que possui bases científicas e/ou pretende ter. Este é o site da sua rede de blogs. É actualizado diariamente, e várias vezes ao dia, e é um belíssimo recurso para quem gosta de se manter a par das últimas novidades da única disciplina humana sobre a qual a Manuela Ferreira Leite não fala.



A Divisão de Astrofísica da NASA (sim, aquilo não é só mandar robôs e gente maluca para o espaço, há também quem estude coisas) mantém um site, algo bacoco, chamado Astronomy Picture Of The Day, e pouco mais é do que um photolog do espaço sideral. Não primam pelo interface, não senhor, muito pouco vaidosos esses eremitas admiradores de estrelas, mas na maior parte das vezes a imagem do dia vale bem a pena o clique. Finalmente um photolog digno do clique diário. A menos que o caro leitor ache que as fotografias do seu cãozinho são mais interessantes. Nesse caso fique bem longe disto!





A revista Life e o Google deram as mãos e alcançaram um dos feitos do século. Não é exagero. Acredito piamente que a tarefa de disponibilizar on-line um dos maiores arquivos fotográficos do mundo, que vem desde a década de 1750 até 2008, não seja tarefa fácil. São milhões de fotografias, com um tamanho e uma qualidade mais que aceitáveis e, melhor que tudo, são à borliú! Giro era a National Geographic fazer o mesmo, mas por enquanto chega-me bem isto tudo.
Devida vénia à Life e ao sempiterno Google!




Já ouviram falar da Wikipedia, certo? E já ouviram aquela expressão "para cada acção há uma reacção"? Pronto, eu conto, eu conto. Há muitos, muitos anos, não assim tantos, mas há já algum tempo, alguém se lembrou de fazer uma Uncyclopedia, em português Desciclopédia, e é uma espécie de enciclopédia do não-conhecimento com uma pitada de gozo puro. Acontecimentos fictícios ou simplesmente estúpidos enchem as páginas do dito poço de (des)conhecimento e o leitor interessado em adicionar conteúdos encontrará muito mais liberdade (pudera!) do que na sua irmã sisuda. Também há bastantes conteúdos em português, mas, sinceramente, é muito fraquinha quando comparada aos conteúdos em inglês. Basta ver a página dedicada a Portugal em inglês e em português. Seja como for, é uma coisa enorme e com bastante piada, se for em inglês, e para ser explorada aos poucos. E fora da hora de expediente, já agora.


P.S.: Não, não andei à procura destas coisas durante a hora de trabalho. Até porque, a bem da verdade, nunca trabalho e estou sempre a trabalhar ao mesmo tempo. É a bela vidinha de um reciboverdodependente.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Coisas que não me moem mas começam a chatear: Professores e Alunos

Ora, os professores andam em greves e manifestações para não serem avaliados; os alunos andam em greves e manifs porque querem poder faltar à vontade.

Na verdade ainda não cheguei a perceber qual é a verdadeira implicação do novo modelo de avaliação dos docentes mas, por mais voltas que dê à cabeça, não entendo porque raio há-de uma avaliação com pés e cabeça não ser uma medida lógica e bem-vinda. Cento e vinte mil professores manifestaram o seu desagrado na rua há bem pouco tempo. Só posso depreender que esses 120.000 mestres de sabedoria são aqueles que mais medo têm do novo modelo de avaliação e, como quem não deve não teme, acredito que os verdadeiros professores, os que sabem, gostam e querem ensinar, ficaram em casa a preparar as aulas da semana seguinte para que nada falte aos seus alunos. Mas isto digo eu que pouco ou nada sei sobre o ensino português. E começo a achar que ninguém sabe.

Quanto aos alunos, esses gritam aos sete ventos que o governo anda a querer lixar a malta que adoece e depois têm que fazer provas de recuperação e é chato porque os obriga a estudar e mais não sei o quê. Duvido, sinceramente duvido, que haja algum aluno dos que anda de megafone na mão que esteja a pensar nesses alunos doentes enquanto põe um cadeado no portão da escola. Duvido, sinceramente duvido, que um aluno que adoeça e que apresente uma justificação válida e legítima chumbe de ano por faltas. Acredito, mesmo sinceramente, que o que todos os alunos querem é poder faltar a uma aula ou outra para ir fumar cigarrinhos às escondidas para trás do ginásio ou beber umas "jolas" para o café da esquina. Meus amigos, as aulas e o ensino são coisas para se levar a sério e esse é um conceito (juntamente com o de responsabilidade) que nem a maior parte dos encarregados de educação desconfia que existe, como poderiam então as criancinhas do nosso belo Portugal percebê-lo?! Como dizia hoje um desses pequenos candidatos a Che Guevara "nós somos jovens e por isso precisamos sempre de faltar às aulas". Ai se fosses meu filho...

Há problemas na educação em Portugal, oh se há. O novo modelo de avaliação dos professores e o regime de tolerância zero para as faltas dos alunos talvez não resolva todos os males, mas vendo a coisa assim de fora, e partindo do princípio que não há daquelas letras minúsculas escondidas nesses regulamentos, teremos professores mais preocupados com a sua própria competência (acredito que alguns nunca consigam ser verdadeiramente competentes) e alunos mais assíduos e mais preocupados com as alternativas à saída precoce do sistema de ensino.

Deixem-se de lamúrias e comecem a trabalhar a sério que se faz tarde, pá!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Férias de Inverno


Alarvemente roubado daqui.

terça-feira, novembro 11, 2008

Bravo Soldado de Ferro e Silício


Chegou ao fim a missão Mars Phoenix. Ainda assim durou mais 60 dias que os 90 inicialmente previstos e só o frio polar a fez parar. Note-se que o frio polar em Marte é um bocadinho mais áspero que o da Sibéria ou mesmo o de Beja. Confirmou a existência de água, tirou mais de 25.000 fotografias, realizou dezenas de experiências in loco e foi a primeira terráquea a provar a água de Marte. Descobriu também no solo marciano a existência de percloratos, uma forma de energia de alguns micróbios na Terra. A sua última transmissão foi, e passo a citar: "01010100 01110010 01101001 01110101 01101101 01110000 01101000" que, diz quem sabe, signica "Triumph" em linguagem binária. "Game Over" ou "Over and Out" digo eu. Enfim...

As baterias congelaram mas ainda assim o nome dela é Phoenix, certo?
Um grande bem-hajas, pá.
Parabéns aos pais e às mães.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Egosciente@Twitter

Já lá estive e abandonei. Agora retomei a experiência e sabe bem melhor. Microblogging é fixe. Pelo menos parece, até agora. Ora, não sabe o que é o microblogging? Micro vem do grego e significa pequeno, blogging é a palavra blog (do inglês weblog, diário na internet) conjugada no equivalente ao gerúndio da lingua portuguesa. Perdido? Então carregue na imagem abaixo e veja por si mesmo.

terça-feira, novembro 04, 2008

Os Insondáveis Mistérios do Vista


Ou seja, 119 anos de paciente espera. Rezo para que não acabe o mundo entretanto. Ou a electricidade, que a bateria não dá para muito.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Publicidade Institucional

Pelos vistos poucos sabem da coisa, e uma vez que o ilustre Município de Arraiolos resolveu que essa mesma coisa merece pouca pompa e ainda menos circunstância - o que é verdadeiramente estranho tendo em conta a natureza da dita coisa - vejo-me na obrigação de aqui anunciar que amanhã - Sábado, dia 1 de Novembro de 2008 Ano do Senhor -, pelas 12.00 em ponto, hora continental gerida pelo meridiano de Greenwich, irá ter lugar no novíssimo Pavilhão Multiusos de Arraiolos a apresentação formal de um roteiro virtual do centro histórico da vila. É obra do fotógrafo António Chaves, de quem aqui já tinha falado e já pode ser visualizacionada aqui mesmo. A coisa ainda precisa de umas pequenas afinações técnicas mas a essência está lá toda. Vejam que vale a pena. E se não tiverem nada melhor para fazer amanhã ao meio-dia, já sabem: apareçam se fizerem favor. Obrigado e conlecença...

quarta-feira, outubro 29, 2008

Hoje acordei assim... (© Bomba Inteligente)


Mesmo com muito menos cabelo e sem tesouras nas mãos, que em propensão para a automutilação sou bem mais profícuo. E também com vontade de interromper as blogoférias. Podia-me dar para pior, pois podia.

terça-feira, outubro 28, 2008

Momento Discovery Channel: A Jóia Cazaque

Quando o caro leitor ouve falar em Cazaquistão o que lhe vem à cabeça? Deserto, petróleo, Islão, cavalos, foguetões russos, União Soviética, nómadas, Avtomat Kalashnikovas modelo de 1947, Borat Sagdiyev, sujidade, mastigar pó, rude provincianismo eterno e a mulher de Borat, não é? Pois então é como eu e não estamos de modo nenhum muito longe da realidade. O país tem cerca 15 milhões de alminhas distribuídas por 2.7 milhões de quilómetros quadrados o que faz dele - segundo alguns excepcionais geógrafos - uma espécie de margem sul do Tejo mas com maior amplitude térmica. Mais de quarenta graus celsius de dia e quarenta graus negativos à noite. E isto no Verão. Ora, e alguém lhe dissesse que Norman Foster - Sir, Norman Foster, perdão, o senhor arquitecto Sir Norman Foster - pespegou lá um dos seus fabulosos mamarrachos que foi pomposamente baptizado de Palácio da Paz e da Concórdia? Ficava meio boquiaberto? E se lhe mostrasse a imagem abaixo?


Feche lá a boquinha, vá, que o gajo do cúbiculo do lado deve estar a pensar que o senhor anda a pornografar. Ora, esta maravilhosa pirâmide foi projectada para servir de cenário a convenções religiosas e tem tembém um luxuoso teatro com 1500 lugares, um jardim botânico e uma pequena taberna cuja especialidade são iscas de cavalos cazaques e tinto rasca de Borba, propriedade de um gajo chamado Anton Silvanovitch (acho que não preciso de explicar que o sufixo "ovitch" designa afiliação por descendência, sendo por isso filho de um tal de António Silva) se bem que desconfio um bocadinho desta última parte. Adiante.


O quê? Não me diga que não acha neste escultural tetraedro nada de assombroso. Realmente, se tivermos em conta a proposta inicial a coisa fica um bocado aquém, mas tenha calma meu caro que ainda não sabe da missa a metade. Como já disse aqui há atrasado, a amplitude térmica no Cazaquistão é bem maior que a amplitude máxima das pernas da Elsa Raposo e, como dizia o outro, o calor dilata os corpos. E se o faz, e faz mesmo, é perfeitamente concebível que o frio contraia esses mesmos corpos. Por mais sólido e estático que lhe pareça um edifício não se deixe enganar: a maior parte deles são mais irrequietos que a Shakira num baile de rua. Então como fazer para a dita pirâmide não desatar a espalhar vidro, ferro e betão por todo o lado? Simples. Patins. Arranjaram-se 34 patins gigantes (não se iluda, não são patins a sério, são apenas plataformas com rolamentos que deslizam em todas as direcções) e calçaram-nos em 34 dos 38 pilares que formam a estrutura base.


Quem disse que os muçulmanos estavam de costas viradas para o progresso, para o Ocidente e até mesmo para a Paz e Concórdia?!
Ah, falta referir que aqui o génio da patinagem fica na cidade de Astana, recentemente promovida a capital do país. A viagem não é barata, mas se for de Google Earth põe-se lá num pulinho.

segunda-feira, outubro 27, 2008

You had it comin'

Já estavam à espera disto, aposto que sim, e até eu já sabia o que aí vinha: aqui a taberna vai encerrar para descanso do pessoal. Se bem que, bem vistas as coisas, estou a meter férias para trabalhar a sério. Não é de pá e picareta na mão, mas é tão ou mais desgastante. Seja como for, há sempre a hipótese de andar a ruminar pela blogosfera fora e vir aqui largar uma laracha uma vez por outra, mas não tantas vezes como as terríveis aparições pontuais da hedionda criatura que se dá pelo nome de Manuela Moura Guedes. Essa é uma daquelas que não percebo: porque raio havia um canal de televisão ter belfos, ceceosos e a Nelinha como pivots de telejornal ou repórteres?! É o que eu chamo "tiro no pé", mas enfim, isso é problema de outro. Aqui o deste que abaixo se assina está resolvido... Ou pelo menos um deles.


Saúdinha da boa. 

quarta-feira, outubro 15, 2008

Youtubing around...



The Last Good Day of the Year - Cousteau

terça-feira, outubro 07, 2008

Bloguices

Macacos me mordam se não é das melhores coisas que aconteceram na blogosfera nos últimos tempos. Tenho andado ligeiramente afastado - é um facto - mas ainda assim suficientemente atento para perceber quando acontece algo extraordinário. E aconteceu algo verdadeiramente magnífico: o Bandeira voltou. Já não era sem tempo. Aliás, já achava que nunca mais ia ser tempo. Bem-vindo de volta, pá!

Já agora, e por causa do meu ligeiro afastamento das lides blogosféricas, penso que devo uma explicação às duas pessoas que aqui vêm todos os dias - provavelmente por não conhecerem mais nada na web. Sabem quando, pelas estonteantes vicissitudes da vida, se mudam subitamente de rotinas e se deixa de conseguir colocar no horário diário certas coisas que dantes cabiam perfeitamente? É isso que se passa com o Egosciente e a minha própria pessoa: ainda não consegui encaixá-lo devida e coerentemente na rotina diária. Um pouco como o começo das aulas: começam-se as aulas no dia tal mas só ficamos com o horário completo passadas duas semanas, se os serviços forem aceitavelmente céleres.

E já que estamos a falar de Egosciente e patati-patata, e mais não sei o quê, devo anunciar que há novas adições à barra de links. Na secção "Publicidade Institucional" chegou de fresco António Chaves, fotógrafo, conhecimento recente nas elucubrações hedonistico-culturais que têm pontilhado este final de Verão. Outra dessas adições, mas desta feita à secção "Outros Egos", é "A Dieta Rochemback", blog colectivo com várias visões sobre futebol - todas subjectivas, apesar de parecer que cada vez que se fala de futebol é tudo concreto e límpido como a água.

E é isto. Fiquem bem. E até jazzinho.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Na mesa de cabeceira

"Entretanto entristecia-me muito o acontecimento que teria lugar no dia seguinte. Amanhã, às sete horas, ocorrerá um fenómeno estranho: a Terra pousará na Lua. Escreve sobre isso, inclusivamente o famoso químico inglês Wellington. Confesso que me senti preocupado do fundo do coração ao imaginar a extraordinária delicadeza e fragilidade da Lua. É que a Lua se fabrica, normalmente, em Hamburgo, e é de péssima qualidade. Admira-me que a Inglaterra não preste atenção a este facto. O fabricante é um tanoeiro coxo, e vê-se logo que é imbecil, não tem a mínima noção de Lua. Utilizou uma corda alcatroada e uns testos de azeite de lâmpada rançoso; por isso, é terrível o fedor por toda a Terra, é obrigatório tapar o nariz. Daí que a própria Lua seja uma bola tão frágil que as pessoas não podem viver nela, pelo que agora só lá moram narizes. É por esta mesma razão que não podemos ver os nossos próprios narizes, uma vez que estão todos na Lua. Então, imaginando que a substância pesada que é a Terra, ao pousar, seria capaz de moer em pó os nossos narizes, apoderou-se de mim uma inquietação tal que, calçando meias e sapatos, me apressei a ir à sala do Conselho de Estado para dar à polícia a ordem de não deixar que a Terra pousasse na Lua. Os grandes de cabeças rapadas que encontrei na sala do Conselho de estad0 em grande número eram gente muito inteligente e, quando lhes disse: «Senhores, salvemos a Lua porque a Terra quer pousar nela», precipitaram-se todos num ápice para cumprir o meu desejo monárquico e muitos começaram a trepar paredes para apanharem a Lua. Nisto estrou o chanceler-mor. Ao vê-lo, toda a gente se dispersou. Eu, como rei, fiquei sozinho. E o chanceler, para meu espanto, bateu-me com o pau e enxotou-me para o meu quarto. É esta a grande força dos costumes tradicionais em Espanha!

Nikolai Gógol - Contos de São Petersburgo, Diário de Um Louco
Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra
Edição Assírio & Alvim 2007
ISBN 978-972-37-1184-4

quarta-feira, setembro 24, 2008

Auto da Festa

Escrito por Gil Vicente em 1528, tem sido representado pelo CENDREV no mês de Setembro pelo distrito de Évora afora e, claro, calhou também a Arraiolos. Fotografei-o (o Auto) de cima abaixo, com uma ou duas pausas para reposição dos níveis de nicotina, de modos que não perdi muita coisa. E mesmo assim não consegui perceber patavina do que se passava em palco. Muito melhor entendi o que diziam as ciganas em castelhano do que as outras personagens em português medieval. Não me interpretem mal, gosto muito (pronto, muito não, mas alguma coisa) de teatro e de Gil Vicente - que cheguei a representar em petiz - mas infelizmente no século XXI, as peças do nosso Shakespeare sofrem de uma espécie de Princípio da Incerteza de Eisenberg: ou nos deixamos inebriar pela musicalidade das palavras debitadas pelos actores, ou tentamos entendê-las. E, a menos que sejamos catedráticos nas artes cénicas ou em literatura arcaica portuguesa, é pouco provável que consigamos encadear a verborreia vicentina da forma natural como encadeamos o que é dito num Telejornal, por exemplo.

Sou um ignorante, uma rude criatura campesina de pouco tacto, um verdadeiro energúmeno trazido até vós pelas misteriosas artes da Providência, dirão alguns. Já outros olharão para esta conversa (a expressão "olhar para esta conversa" é bonita, não é?) e perguntar-se-ão: Gil Vicente? Petiz? Einsenberg? Verborreia? Mas que raio está este gajo práqui a dizer?!

Enfim, gosto me de me manter no meio de dois mundos, tirando o que preciso de um e de outro. Assim tenho legitimidade para ler tanto a Bola como o Jornal de Letras.

E com isto tudo afastei-e do que vos queria mesmo dizer. As fotografias do Auto da Festa estão no sítio do costume. Não há fotografias do pastor e das pastoras, as últimas personagens da peça, por duas razões: não me apeteceu tirar-lhes fotografias (a caracterização era demasiado normal) e depois descobri que são personagens que não entram na história, que foram criadas apenas para elogiar o dono da casa onde se representa a peça, coisa muito usual em peças originalmente feitas por encomenda. Outra nota sobre as fotos é que o nome das personagens pode não estar correcto. Como vos disse não percebi nada, portanto tive que pesquisar um pouco e tentar fazer as correspondências.

Tanta conversa por meia dúzia de fotos... Quem pensarei eu que sou? Bresson? Capa? Leibovitz?
Alguém que me dê uma chibatada por favor.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Breaking News...

Novidades na Galeria. Tenho dito.

sexta-feira, setembro 12, 2008

E.U. da A. e Portugal.

Mas porque raio andam os Estados Unidos da América a sortear vistos de residência?! Não sei porquê mas soa-me um bocado ao argumento d'A Ilha. Lembram-se? Quando sorteavam quem seriam os "felizardos" a emigrar da metrópole para uma ilha paradisíaca, para afinal serem mortos e esquartejados. Será que ainda existe esse sonho americano de que falam na publicidade? Será que ainda há pessoas que acreditam nesse sonho? Seja como for, ainda prefiro o pesadelo português ao sonho americano. Eu fico, obrigadinho.

Por falar em pesadelo português, alguém viu o Portugal - Dinamarca? Haverá algum lampião que tenha reparado que no segundo golo Quim está tão bem na fotografia como estaria o Ricardo, se estivesse no lugar do Quim? E repararam também que, além da assistência para o primeiro golo, Hugo Almeida não fez nada que se aproveitasse? E que raio andava a fazer o Moutinho a 5 minutos do fim, a tentar parar tanques com pedras? Se fosse para entrar que tivesse entrado no início da segunda parte, quando Maniche começou a correr com a língua de fora. E porque é que o Danny não entrou mais cedo? E porque raio não jogou Djaló de início, um avançado móvel e bastante mais rápido que qualquer defesa dinamarquês? Abre a pestana Carlinhos!

Seja como for, há muito tempo que não via Portugal a jogar tão bem durante tanto tempo (e tão consistentemente) sem Cristiano Ronaldo. Temos equipa e treinador, sim senhor.

Esclarecimentos

Sobre o post anterior:

Fabian Mohr, o excelso fotógrafo cuja obra está patente no post abaixo caiu-me em cima (via e-mail). Primeiro parecia uma negra trovada carregadinha de granizo e electricidade explosiva, mas afinal foi uma refrecante chuvinha de verão. Tudo porque lhe devia ter pedido autorização e não o fiz. Na realidade esqueci-me de o fazer. No meio de uma tradução e de uma demanda por fotos decentes e, ao mesmo tempo, a obrigar o outro computador a esforços hercúleos, a simples tarefa de pedir autorização para uso das ditas imagens passou por mim num autocarro alzheimeriano. Já lhe pedi desculpa e prometi pagar-lhe uma enorme bejeca se o gajo vier a Portugal. Outro dos motivos para me ter caído em cima foi que não fiz backlinking para cada uma das fotografias em separado, que pelos vistos é um dos mandamentos do Flickr, e que, aliás, também é uma grande mariquice. Ora se linko a página onde as fotos estão qual o interesse em linkar cada foto em separado? Enfim, burocracias. O que interessa é que a coisa ficou sanada e cada foto já tem o respectivo link e está tudo bem outra vez. Espero eu. Espero não ter de pagar nada mais que uma caneca de Super Bock ao artista. Lesson learned.

segunda-feira, setembro 01, 2008

The Burning Man

Descendo a estrada para o deserto de Black Rock as cores misturam-se, como se estivéssemos numa loja de especiarias: salva, poeira e ardósia cinzenta. Talvez estejas a conduzir o teu carro do dia-a-dia, aquele que te leva de casa para o trabalho e de volta. Talvez tenhas uma espaçosa caravana, o teu Ritz sobre rodas durante os próximos dias no deserto. Ou então estás a conduzir o teu artístico carro brilhante, capaz de fazer inveja a qualquer bola de espelhos.

A auto-estrada de duas faixas transforma-se numa estrada nova. Conduzes devagar a caminho da playa, uma estensão de 600 quilómetros quadrados conhecida como deserto de Black Rock. E é aí que tocas um sítio que te faz sentir noutro planeta. Estás no fim - ou no princípio - da tua viagem para o Burning Man.


Tu pertences aqui e participas. Não és o miudo mais estranho da turma - há sempre alguém que pensou em coisas que nunca sequer consideraste. Estás ali para respirar arte. Imagina uma escultura de gelo a emitir música glacial - em pleno deserto. Imagina o homem que te cumprimenta, todo neon e benevolência, e que olha pela comunidade.
Tu estás aqui para construir uma comunidade que precisa e confia em ti.


Estás aqui para sobreviver. O que acontece ao teu cérebro e corpo quando expostos a 40º C, com a humidade a abandonar o teu corpo e a desidratar-te em poucos minutos? Tu sabes e tens que tomar conta de ti. Bebes água constantemente e o teu mijo sai claro. Talvez queiras reconsiderar beber aquele alcoól que trouxeste (ou outras coisas) - a experiência do Burning Man é a sua própria droga. Besuntas-te de protector solar antes do sol ficar na máxima força. Trazes suficiente comida, bebida e abrigo porque o ambiente do novo planeta é duro e não irás encontrar nenhuma máquina de venda automática.


Estás aqui para criar. Uma vez que ninguém no Burning Man é espectador, tu estás aqui para construir o teu próprio mundo novo. Construíste um abrigo em forma de ovo, um fato com light sticks ou um carro em forma de barbatana de tubarão. Cobriste-te de prata, andas com um chapéu de palha e um fio de pérolas, ou talvez com uma saia pela primeira vez. Está a transmitir a rádio Free Burning Man - ou outra rádio qualquer.


Estás aqui para experimentar. Fecha os olhos e guia a tua bicicleta pelo vazio do deserto. Visita os acampamentos temáticos - vê o que se passa na Irrational Geographic, relaxa na Cabana da Bianca e come uma sanduíche de queijo grelhado. Encontra o teu amor e compreendam-se um ao outro enquanto caminham devagar debaixo de um guarda-sol. Vagueia debaixo dos véus da poeira à noite na playa.


Estás aqui para celebrar.
Na noite de sábado queimaremos o Homem. Assim que a procissão começa, forma-se o círculo e incendeia-se o Homem, experencias algo pessoal, algo novo para ti mesmo, algo que nunca sentiste. É uma epifania, é primevo, é um novo nascimento.
E é completamente individual.


E vais-te embora tal como chegaste. Quando sais do do Burning Man não deixas nenhum nada para trás. Tudo o que construíste, desmantelas. O lixo que produziste e os objectos que consumiste levas de volta. Durante semanas voluntários vão limpar todos os vestígios da presença do Burning Man e devolver o deserto às suas condições originais.


Mas levarás o mundo inteiro contigo. Enquanto conduzes de volta a casa, pelas poeirentas estradas, vais-te lentamente reintegrando no mundo de onde vieste em primeiro lugar. Sentes-te em sintonia com os outros veiculos cobertos de pó que partilharam a mesma comunidade. Imagens nítidas dançarão no teu cérebro flutuando de volta com as mudanças de tempo. A comunidade Burning Man, os teus amigos, os teus novos conhecidos ou o Projecto Burning Man envolvem-te. No fim, apesar das viagens de e para o Burning Man terem acabado, embarcas para uma viagem diferente - para sempre.




Fotografias: Fabian Mohr
Texto: Molly Steenson
Tradução (livre) e Adaptação: Luís Romudas


Best Bad Guys #5

Lord Darth Vader
The Star Wars Trilogy

* * *

E agora algo que não tem nada a ver: Já experimentaram "renderizar" um projecto a 3 dimensões no AutoCAD, com Final Gather On, num Pentium 3200 MHz, 1 Gb de RAM e NVidia de 512 Mb? Então experimentem. É divertidíssimo. O recorde está em 27 horas, 46 minutos e 19 segundos para um JPG com 140 Kb. Sem bloquear e sem crashar. Só com um ar condicionado a 20º Centígrados. E sem UPS que gosto é de riscos. Talvez um dia destes ponha aqui essas imagens, autênticos troféus da insónia e da hipertensão.